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2011-05-31

Foi há 50 anos que o Benfica sagrou-se Campeão Europeu pela primeira vez...

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Benfica 3 - 2 Barcelona

A maior vitória do futebol português titulava o Diário de Notícias no dia seguinte.



O jogo disputou-se em Berna, precisamente no dia 31 de Maio de 1961 e perante 28 mil espectadores e sob a arbitragem do suíço Gottfie Dienst, as equipas apresentaram:

Benfica: Costa Pereira; Mário João e Ângelo, Neto, Germano e Cruz: José Augusto, Santana, José Águas, Coluna e Cavém

Barcelona: Rammallets; Foncho e Garay; Vergés, Gensana e Garcia; Kubala, Suarez, Evaristo, Kocsis e Czibor

Golos: 0-1 Czibor de cabeça aos 20'; 1-1 José Águas aos 30' ; 2-1 aos 31' após lançamento longo de Neto com a bola disputada por Santana e Gensana a ir parar ao fundo da baliza; 3-1 aos 55' por Mário Coluna. Com 3-1 ficou célebre o remate de Kubala ao poste com a bola a percorrer toda a linha de fundo bater no outro poste e ir parar às mãos de Costa Pereira. Aos 75' na sequencia de um canto, Czibor bisava para os espanhóis. Depois foi o sufoco do Barcelona que não chegou para evitar o primeiro triunfo na Taça dos Campeões Europeus.

No ano seguinte o Benfica voltaria a vencer agora frente ao Real Madrid perante 65000 espectadores por 5-3 em Amesterdão, no dia 2 de Maio de 1962.

E em 1963, terceira final consecutiva para defrontar o Milan em Wembley. O Benfica perdeu por 2-1 (dois golos de Altafini) estando a ganhar ao intervalo por 1-0 com um golo de Eusébio. No Milan jogava Trapattoni que teve um duelo de fazer faísca com Coluna. Os encarnados queixaram-se da permissividade do árbitro Ken Aston, de nacionalidade holandesa.

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CASTELOS N0 AR - Guerra-Duval

A vida é o sonho de um sonho sonhado.
FICHTE

Sonhos, noites, lagos noturnos e luares;
olhos, olhares...

Quando o luar dos teus olhos aos meus olhos desce
a minh'alma empalidece;
todo eu fico a tremer,
e tu passas sem me ver,
no teu lento passo acompassado...
Ao ver-te passar, eu sinto que me crescem asas,
e leve de culpa e de pecado
ponho-me a voar, a voar,
numa volúpia nova, pelo azul dos ares,
— pelo Reino dos Luares, —
acima das misérias e das casas
té encontrar pelo caminho
um dos meus Castelos no Ar...
Lá, se tu quisesses, pela primavera,
íamos fazer o nosso ninho.

(Minha Sombra Azul, cor de Quimera,
quando o luar dos teus olhos os meus olhos banha,
na noite da minh'alma entra uma luz estranha.)
0 meu alcácer é um fantástico tesoiro,
um palácio astral mitrado dum zimbório d'oiro:
no parque, alabastros de ninfas e mármores de musas,

no jardim, as rosas brancas são pálidas reclusas,
e as sanguíneas papoilas
um bando saudável de rústicas moçoilas;
dentro, numa sala imensa,
em quadros murais da Renascença,
vivem sonetos do Aretino
e a legenda sutil de Leda e do Cisne divino.
Quando o olhar dos teus olhos me veste de luar
dentro da minh'alma ha um Cisne a cantar.)

Nessa câmera d'arte erótica e pagã,
por uma plúmea e nupcial manhã,
o meu amor espera-te. E com que desejo,
com que sede te espera!

No primeiro longo, longo beijo
bebe-te o hálito floral de primavera,
e é como se bebesse logo.

(Quando o luar dos teus olhos os meus olhos toca,
a minh'alma beija-te na boca.)

Nos meus olhos crepitam labaredas;
todo eu, ardendo, quero amar-te logo;
trêmulos e tímidos os dedos vão rasgando as sedas,
as musselinas lívidas esparsas,
penugem ventral de garças, —
translúcidas e brancas,
fogem pela curva clássica das ancas;
como um estandarte desfraldas o cabelo:
cai a noite sem luar no meu castelo,http://www.blogger.com/img/blank.gif
e sob o novilúnio da tua cabeleirahttp://www.blogger.com/img/blank.gif
é d'âmbar o teu corpo, Trigueira,http://www.blogger.com/img/blank.gif
sincero e sem pejos,
todo vestido de beijos!...

(Quando o luar dos teus olhos vence todos os luares
no lago da minh'alina abrem os sonhos, como nenúfares.)


Poema extraído daqui
Adalberto Guerra-Duval nasceu em Porto Alegre, em 31 de maio de 1872; m. em Petrópolis, a 15 de janeiro de 1947).


Ler do mesmo autor: Soneto do Olhar

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2011-05-30

SANTOS - Ribeiro Couto


Nasci junto do porto ouvindo o barulho dos embarques.
0s pesados carretões de café
Sacudiam as ruas, faziam trepidar o meu berço.

Cresci junto do porto, vendo a azáfama dos embarques.
O apito triste dos cargueiros que partiam
Deixava longas ressonâncias na minha rua.

Brinquei de pegador entre os vagões das docas.
Os grãos de café, perdidos no lajedo,
Eram pedrinhas que eu atirava noutros meninos.

As grades de ferro dos armazéns, fechados à noite,
Faziam sonhar (tantas mercadorias!)
E me ensinavam a poesia do comércio.

Sou também teu filho, ó cidade marítima,
Tenho no sangue o instinto da partida,
O amor dos estrangeiros e das nações.

Oh, não me esqueças nunca, ó cidade marítima,
Que eu te trago comigo por todos os climas
E o cheiro do café me dá tua presença.

Ruy Lopes Esteves Ribeiro de Almeida Couto (n. Santos, São Paulo a 12 Mar 1898; m. em Paris a 30 de Mai de 1963)

Ler do mesmo autor, neste blog:

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2011-05-28

Aforismo - José Craveirinha

Havia uma formiga
compartilhando comigo o isolamento
e comendo juntos.
Estávamos iguais
com duas diferenças:
Não era interrogada
e por descuido podiam pisa-la.
Mas aos dois intencionalmente
podiam por-nos de rastos
mas não podiam
ajoelhar-nos.

José Craveirinha nasceu a 28 de maio de 1922, em Lourenço Marques (atual Maputo), e faleceu a 6 de fevereiro de 2003

Ler do mesmo autor neste blog:
Um Homem Não Chora
Eu Quero Ser Tambor

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Musical suggestion of the day: Be for real - Leonard Cohen

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2011-05-27

Homem - Luís Veiga Leitão


É no silêncio do caminho aberto:

Quanto maior a alma maior é o deserto
maior a sede e a miragem
do mundo à nossa imagem.

in Os poemas da minha vida - Miguel Veiga, Público

Luís Maria Leitão (Moimenta da Beira, 27 de Maio de 1912 — Niterói, 9 de Outubro de 1987)

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Reflexão sobre a reflexão - Millôr Fernandes

Terrível é o pensar.
Eu penso tanto
E me canso tanto com meu pensamento
Que às vezes penso em não pensar jamais.
Mas isto requer ser bem pensado
Pois se penso demais
Acabo despensando tudo que pensava antes
E se não penso
Fico pensando nisso o tempo todo.


Extraído daqui

Millôr Fernandes, nascido Milton Fernandes, oficialmente em 27 de Maio de 1924, no Rio de Janeiro.

"Nascido Milton Fernandes, no Meyer, em 16 de agosto. Ou em 27 de maio? Ou em 27 de maio do ano anterior? Há desencontros de opinião na família. Na carteira de identidade: 27-05-1924" daqui

Do mesmo autor: Poesia Matemática

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2011-05-26

O número de títulos do FCP e do Benfica ...

A discussão sobre essa história do número de títulos atingiu o rídiculo!


O curioso é que nos oitenta anos anteriores em conjunto (seja a "contabilidade" feita em que normativo for - POC, SNC, IAS, "criativa", "à merceeiro", etc.) nunca se falara tanto em número de títulos, como nos últimos dias. Tudo porque, agora, o Porto passou a liderar essa contagem. Sim porque chamar estatística a esse exercício seria um insulto à inteligência.


A estatística é «uma parte da matemática aplicada que fornece métodos para coleta, organização, descrição, análise e interpretação de dados e para a utilização dos mesmos na tomada de decisões. A Estatística possui dois grandes ramos: I – Estatística Descritiva: compreende a colecção, a organização, a descrição dos dados, o cálculo, de forma a apresentar coeficientes de forma conveniente e comunicativa. II – Estatística Indutiva ou Inferencial: compreende procedimentos empregados na análise e na interpretação dos dados para chegar a grandes conclusões ou inferências sobre populações com base em dados amostrais, associados a uma margem de incerteza. Fundamentam ainda as medidas de incerteza que resultam na teoria da probabilidade.»


A estatística é importante! O que está em causa não é estatística é uma mera contagem em que se somam (o que não se pode e, muito menos, se deve fazer) alhos com bugalhos e se apresenta uma soma do que é originalmente diferente.

Ao que parece esta discussão do número de títulos já terá chegado à FIFA (não é difícil adivinhar por mão - ou será por luvas? - de quem...) ao ponto dos orgãos de comunicação social anunciarem ontem, em grandes parangonas, que esta organização confirma que o Porto é o clube português com mais títulos oficiais, porque não se reconhece a famigerada Taça Latina como sendo uma prova oficial. Neste caso o número correcto é de 69 títulos para o Porto e 68 para o Benfica.

O que essa contagem não diz é que o título de Campeão Nacional de Futebol foi atribuído ao Benfica 32 vezes e ao Porto apenas 25. Que, não obstante o Benfica ter ganho mais campeonatos, ainda ficou em segundo lugar em maior número de vezes ( 25 ) do que o Porto, que tendo sido menos vezes campeão (e por isso tinha mais possibilidades de ficar mais vezes em segundo) foi ainda assim menos vezes segundo classificado (apenas 23) do que o Benfica. Que o Benfica nunca se classificou abaixo do quarto lugar enquanto o Porto já foi nono (num ano em que o campeonato tinha 14 clubes!). O que essa "estatística" quer esconder é que na segunda prova mais importante do país – a Taça de Portugal – o Benfica foi vencedor por 24 vezes (das quais oito vencendo o próprio Porto na final, uma das vezes no próprio Estádio das Antas, onde as nossas iluminadas "cabeças" decisórias marcaram o jogo da final) e o Porto apenas 16 (já contabilizando a do ano 2011), tendo vencido por uma só vez o Benfica na final – época de 1957-1958! Ou seja quanto às provas nacionais mais importantes estamos conversados...

O único motivo diferenciador favorável ao Porto (o que já não é pouco, convenhamos) parece ser o caso das duas Taças Uefa + Liga Europa que possui enquanto o Benfica não dispõe de nenhuma (tendo estado presente numa final perdida), já que na Liga dos Campeões (assimilando-a à Taça dos Campeões Europeus) o Porto tem o mesmo número de títulos do Benfica – dois – sendo que aqui, o Benfica junta mais seis presenças na final contra nenhuma mais do Porto! e as duas vitórias subsequentes na Taça Intercontinental deste último clube foram em circunstâncias demasiado estranhas e peculiares:
Uma na prática de um desporto inédito praticado em neve e gelo a que só eufemisticamente se pode chamar futebol (a Taça Toyota: como é que uma situação destas pode ser considerada oficial?) e noutra contra um adversário que fora oitavo classificada num campeonato sul-americano de segunda escolha…

Querer assimilar títulos de um só jogo com vitórias conquistadas em provas compostas de 26, 28 ou 30 jogos… é como tratar identicamente um Nobel da Literatura com a selecção de uma quadra para o concurso de quadras do São João promovido pelo JN (sem desprimor para estes…).

Vivó o Benfica!

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Musical suggestion of the day: Efémera - Tulipa Ruiz

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Vertigem - Yde Blumenschein

Uma semana só. Nem mais um dia
durou aquela estranha sensação
que nos aproximava, nos unia...
e amor não era e nem era paixão.

Algo em mim te agradava, te atraía.
Tu tinhas para mim tal sedução
que, tendo-te ao meu lado, eu me sentiahttp://www.blogger.com/img/blank.gif
a mulher mais feliz da criação.

Uma semana só... No meu caminho
um vislumbre de sol e de carinho:http://www.blogger.com/img/blank.gif
uma sombra, talvez, na tua estrada...

Sete dias ardentes de Novembro...
Deves ter esquecido. E eu só me lembro
que nunca fui com tanto amor beijada!


Yde (Adelaide) Schoenbach Blumenschein (nasceu na cidade de São Paulo em 26 de maio de 1882, vindo a falecer na madrugada do dia 14 de Março de 1963)

Da mesma autora neste blog:
Quatorze Versos
Exaltação

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2011-05-25

... Lá - Maria Virgínia Monteiro (na passagem do 80º. aniversário)

Como o vento
à noite,
no telhado
esse lamento do mal que não tem cura;

"... nada
do que foi teu será
nada te pertence já...
nenhuma coisa passada te é futura..."

Escutas:

Pássaros da noite em soltas alvoradas
ou fantasmas loucos
de roxas madrugadas.
Transidas de escuros medos
de solidões
de lutas
de finitas paixões
e de segredos...
as fadas chegam,
do lembrar:

"...Nada é eterno teu...
só esse luto!...
O futuro perdeste-o no passado
Lá, no caminho sagrado
passou-te ao lado e
morreu..."

Escutas;
De longes e ocultas fundas grutas...
que há em ti
desabitadas
veladas vêm discretas
as vozes secretas
das boas fadas do antigo lar:

"...Não esse luto!...
Lá, nessa glória inteira da lembrança
do teu paraíso longínquo de criança,
é teu o absoluto..." (*)


daqui
Maria Virgínia Santos Teles Guerra Monteiro nasceu em Espinho a 25 de Maio de 1931

(*) O último verso que na fonte citada consta "o absoluto é teu" foi corrigido para "é teu o absoluto" graças à atenta informação literária recebida do meu amigo Rui Vaz Pinto da Unicepe

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2011-05-24

Musical suggestion of the Day: Blowin' in the wind - Bod Dylan who celebrates the 70th anniversary)

How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
Yes, 'n' how many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

How many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, 'n' how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes, 'n' how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.

How many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea?
Yes, 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes, 'n' how many times can a man turn his head,
Pretending he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.



Robert Allen Zimmerman (Bob Dylan) born in Duluth, Minnesota on May 24, 1941.

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Dia do Café (Brasil) - Vai um cafezinho?

Chávena de café

Hoje convido os meus leitores a tomar um revigorante, saboroso, moralizante, quentinho e já indispensável (dois ou três por dia...) café! Hoje é Dia Nacional do Café, no Brasil, maior produtor mundial de café. Mas os portugueses são certamente um dos maiores consumidores per-capita...

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O Arquiteto - Afrânio Zuccolotto

Construí cidades,
cidades magníficas, centros
de riqueza e poder, orgulho
das nações e dos homens.

E me engrandeci com elas
e me tornei destro e altivo.

Ergui metrópoles
Com fervor edifiquei Cartago e Nínive.
Contemplei da Acrópole
Atenas ainda nova.
Dispus as ruas de Roma
sobre as colinas.

Recebi do Tzar a ordem
para drenar os pântanos
e erigir São Petersburgo.

Construí cidades.
Ordenei o espaço à minha frente,
disciplinei montanhas e águas.
Revolvi a superfície da terra.
Eu me multipliquei
e cresci com as cidades.


Extraído daqui
Afrânio Zuccolotto, nasceu em Altinópolis, São Paulo, a 24 de maio de 1913

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2011-05-23

À Espera - Torquato da Luz

Ainda um dia hei-de contar-te as espantosas
coisas de que me lembro quando fico à tua espera
horas e horas, cada vez mais vagarosas,
e tu não chegas, meu amor, e tu demoras
mais do que a minha paciência. Quem me dera
aquele tempo em que era sempre primavera
e assistia indiferente à passagem das horas.

Mas, quando chegas, só me ocorre esquecer tudo
e ter-te uma vez mais como quem tem o mundo.


in Os dias do Amor, um poema para cada dia do ano; recolha, selecção e organização de Inês Ramos. Ministério dos Livros.

Torquato da Luz (nasceu em Alcantarilha, Silves em 1943)

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2011-05-22

Não há indigestão de vitórias...


Supertaça: Benfica-Porto 0-2;
Campeonato Nacional ou Liga Zona Sagres (como se chama agora): Porto campeão sem derrotas e 84 pontos, Benfica em segundo lugar com 63;
Liga Europa: Porto ganha na final frente ao Braga por 1-0. Braga que eliminou o Benfica! nas meias-finais com 1-2 fora mas 1-0 em casa;
Taça de Portugal: Porto - V. Guimarães 6-2 na Final, hoje disputada, depois de nas meias-finais ter eliminado o Benfica! vencendo na Luz por 3-1 e ultrapassando a derrota em casa por 0-2...

Estes resultados mostram que vencer não causa indigestão enquanto outros parecem habituar-se a perder... Nestes quatro títulos do Porto três são à custa directa do Benfica... cuja super-equipa do ano passado, contentou-se este ano com ...a Taça da Liga ao vencer o Paços de Ferreira (e a coleccionar derrotas com o Porto).

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Trovas - Cesídio Ambrogi

Sempre em lágrimas, tristonhos,
são os olhos das rendeiras,
que a tecer rendas de sonhos
envelheceram solteiras!

Morro de inveja do mar,
felizardo, vagabundo,
que não se cansa em beijar
as praias de todo o mundo!

Em Taubaté não me arrisco
a afirmar, mas acredito,
que em terra de São Francisco,
quem manda é São Benedito!

Do bairro a mulher mais bela
mora na esquina, a Gioconda.
-- Rondam tanto a casa dela
que a esquina ficou redonda…

"…Penso em ti. Mas a esperança,
de ver-te minha, se trunca:
- Meu sonho sempre te alcança,
mas eu não te alcanço nunca…"


Extraído daqui
Cesídio Ambrogi (n. Natividade da Serra, 22 de maio de 1893 — m. Taubaté, 27 de julho de 1974).

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International Day for Biological Diversity

Forest Biodiversity

The United Nations proclaimed May 22 The International Day for Biological Diversity (IBD) to increase understanding and awareness of biodiversity issues. When first created by the Second Committee of the UN General Assembly in late 1993, 29 December (the date of entry into force of the Convention of Biological Diversity), was designated The International Day for Biological Diversity. In December 2000, the UN General Assembly adopted 22 May as IBD, to commemorate the adoption of the text of the Convention on 22 May 1992 by the Nairobi Final Act of the Conference for the Adoption of the Agreed Text of the Convention on Biological Diversity. This was partly done because it was difficult for many countries to plan and carry out suitable celebrations for the date of 29 December, given the number of holidays that coincide around that time of year.

The theme for 2011 is Forest Biodiversity.

Help to protect the Nature and the Biological Diversity.

Video Message from the United Nations Goodwill Ambassador for biodiversity - Edward Norton

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2011-05-21

SAUDADE PÓSTUMA - Hugo de Carvalho Ramos

Há de um dia ter fim o meu tormento,
há de um dia acabar o meu martírio,
quando for do meu peito o último alento,
quando tiver na mão aceso um círio.

Quando empós do festim do verme, um lírio
da minha cova alçar-se ao firmamento,
e, exsudando em perfume o seu delírio,
subir aos astros num deslumbramento.

E feito essência, e feito cor e som,
livre das leis de peso e da atração,
na esfera gravitar do Excelso e Bom.

Para que, na assonia do Nirvana,
dissolvido no Todo o coração
chore a saudade da miséria humana.


poema extraído daqui
HUGO DE CARVALHO RAMOS, nasceu em 21 de maio de 1895, em Vila Boa, então Capital do Estado de Goiás, suicidou-se no Rio de Janeiro, no dia 12 de maio de 1921.

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2011-05-20

Poema sobre a recusa - Maria Teresa Horta

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.


Maria Teresa Horta (nasceu em Lisboa a 20 de Maio de 1937)

Ler da mesma autora, neste blog:
Segredo
Morrer de Amor
Joelho

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Morrer? - J. G. de Araújo Jorge

Quem te viu como eu vi, em meus braços perdida,
sem dúvidas e enleios,
o corpo, como as curvas de uma estrada
por onde louco me fui em constante escalada,
do vale de teu ventre
aos cumes de teus seios...

Quem te sentiu assim, quando estávamos sós,
com teus braços em torno a mim
como cipós,
teus braços delicados, de repente possantes
e ardentes
como ondulantes
serpentes...

Ah! quem provou a força imprevista que punhas
nesse laço,
sentindo sobre mim, como estranhas picadas,
as tuas unhas
cravadas
em cada abraço...

Quem te teve como eu - toda, inteirinha -
(cada encontro era uma lua-de-mel, uma boda!)
quem como eu te sentiu minha,
com essa ânsia da terra sedenta a erguer no alto
os ramos,
estonteada de luz e calor,
entregando-se toda
à carícia molhada da chuva
sem pudor...

Ah! quem te teve assim, e te tem, e te quer,
nesta loucura imensa
que às vezes nem parece amor, parece doença,
e sente que possui de ti nestes instantes
a tua alma e o teu ser,

não precisa seguir mais... nem um passo que seja!
- teve tudo afinal que se quer ou deseja,
já podia morrer...


poema extraído daqui
José Guilherme de Araújo Jorge (nasceu na Vila de Tarauacá, Estado do Acre a 20 de maio de 1914 - m. no Rio de Janeiro, 27 de janeiro de 1987)

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2011-05-19

Último Soneto - Mário de Sá-Carneiro

Imagem daqui

Que rosas fugitivas foste ali:
Requeriam-te os tapetes — e vieste ...
— Se me dói hoje o bem que me fizeste,
É justo, porque muito te devi.

Em que seda de afagos me envolvi
Quando entraste, nas tardes que apareceste ­
Como fui de perca! quando me deste
Tua boca a beijar, que remordi ...

Pensei que fosse o meu o teu cansaço
­Que seria entre nós um longo abraço
O tédio que, tão esbelta, te curvava ...

E fugiste ... Que importa? Se deixaste
A lembrança violeta que animaste,
Onde a minha saudade a Cor se trava? ...


Extraído de «Poemas Completos, Mário Sá-Carneiro, edição Fernando Cabral Martins, Assírio & Alvim»

Mário de Sá-Carneiro nasceu em Lisboa em 19 de Maio de 1890 e m. em Paris, 26 de Abril de 1916 - suicídio).
Ler do mesmo autor neste blog:
Fim
A Queda
IX - Como eu não possuo
A Inegualável
Escavação
Ápice
Além-Tédio
Quasi
Dispersão
I lost myself within myself... (tradução parcial do poema Dispersão)

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2011-05-18

International Museum Day / Dia Internacional dos Museus

International Museum Day, since 1977, has been celebrated around the world because «Museums are an important means of cultural exchange, enrichment of cultures and development of mutual understanding, co-operation and peace among peoples».

Museum and Memory is the theme of International Museum Day 2011.

Visit ICOM

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Punhal da Aurora - Carlos Cunha

foto daqui

Punhal da aurora
Ainda escuto a fala do meu pai,
iluminando o silêncio de tapeçaria
da nossa casa de telhado verde.
O rio que lavava a ruazinha estreita
não vegetava mágoas.
Ainda escuto a canção da aurora
que tocava o homem do realejo
com seus olhares retos
e o sorriso de orvalho.
Saudade de Maria
com seu olhar umedecido de alvorada.
Muitas vezes, muitas, percorri a rua
carregando sonhos nas mãos inocentes,
brincando com meus irmãos que nesse tempo
eram apenas anjos de porcelana,
num país sem memória.
Hoje que Rominha tem outro nome
e outras as crianças que ali residem,
a perspectiva das casas tornou-se paralela.
Deuses tiranos caminham sobre a lama viva
e os jardins que sorriam,
como as janelas, agora são de nuvens.

Como a infância corre depressa
na terra grávida do tempo.

Os meus castelos,
já não são fantasiados de papoulas,
mas castelos de vento.

Os meus sonhos agora já não têm a cor do gerânio
e o sol que havia no meu olhar
tornou-se uma saudade ancestral.


(Cancioneiro do Menino Grande/1972)
Poema extraído daqui

Luis Carlos da Cunha nasceu em São Luis do Maranhão em 18 de maio de 1933

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Happy Birthday - Luisana Lopilato


Luisana Lopilato

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2011-05-17

MAHLER - José Emílio-Nelson

(A Canção de Deus e Morte)


No jardim das almas
A fala caída.
Como se fosse a canção de
Deus e Morte.
A canção do cadáver
Sombrosa e rente.
Uivo. Brechas.
Ululante.
Compassadamente
O coração solto
Rasgado contra o céu maciço.
E de abismo ou de crateras
Um ardil. Incessante
Profundidade e permanência interminável
Na terra ímpia.
O relâmpago rasteja Deus.
Abre-se a solidão
Nos ombros do Inferno.

Quem vislumbra pérfido
No alçapão da sombra?
E o ricochete da luz?
Que castigo inexpiável?
Haverá uma música da fatalidade?
E quem lhe deve obedecer?
Sou miserável e perturbante.
Dou-me à paisagem destituída.
À árvore devastadora. À borboleta esmagada.
(O restolho enovelando.
Um bestiário precipitando-se.
Sacudindo-me.
Que aurora imprevista
Impulsivamente no mundo?)
Cantava a impaciência
Melancólica.
A dor radiante.

A vastidão.

(in A Palidez do Pensamento, 1990)

Extraído de Poemas Portuguesas Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI

José Emílio-Nélson nasceu em Espinho em 17 de Maio de 1948

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A solidão e sua porta - Carlos Pena Filho

Quando mais nada resistir que valha
A pena de viver e a dor de amar
E quando nada mais interessar
(Nem o torpor do sono que se espalha)

Quando pelo desuso da navalha
A barba livremente caminhar
E até Deus em silêncio se afastar
Deixando-te sozinho na batalha

A arquitetar na sombra a despedida
Deste mundo que te foi contraditório
Lembra-te que afinal te resta a vida

Com tudo que é insolvente e provisório
E de que ainda tens uma saída
Entrar no acaso e amar o transitório.


Carlos Souto Pena Filho, nasceu no Recife, Pernambuco a 17 de maio de 1928 e faleceu na mesma cidade no dia 1 de julho de 1960.

Poema extraído daqui

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2011-05-16

Misticismo - Alfredo Brochado

Há dias, ao passar nas alamedas
Da minha terra, ao darem as trindades,
Pisando folhas, como velhas sedas,
Com os meus olhos cheios de saudades,

Há dias, quando eu fui nem sei por onde,
Entre lírios e tristes açucenas,
Às horas em que o sol de nós se esconde,
E repicam os sinos às novenas,

Há dias, quando eu fui na tarde exangue,
Ouvindo a minha voz interior,
Faziam recordar gotas de sangue
Os derradeiros raios do sol-pôr.

Bendita sejas, tarde harmoniosa,
Tarde da minha fé e do meu desejo,
Branda como uma pétala de rosa,
Ou como o aroma de um antigo beijo.


in "Bosque Sagrado"; Extraído de Obra Poética de Alfredo Brochado, edição de José Carlos Seabra Pereira, Lello Editores

Alfredo Monteiro Brochado (n. em Amarante a 3 de Fevereiro de 1897 e suicidou-se em Lisboa a 16 de Maio de 1949).

Ler do mesmo autor neste blog:
Súplica
Confissão
Silêncio
Tríptico
Miniaturas
Desvio
Na Atitude Saudosa de Quem Chora

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2011-05-13

Os políticos falam de mais (e mal): Pentelhos ou Pintelhos - eis a questão







Pentelho: s.m. Chul. Pêlo que cobre o púbis. Bras. Indivíduo chato.


Pintelho: s. m. Mad. Espécie de pintasilgo, (puffinus obscurus, Temm.)


É claro que Catroga disse pintelho. Basta ouvir. Sendo assim, o que ele disse foi que em vez de andarmos a discutir as grandes questões que podem mudar Portugal andamos a discutir pintasilgos. Será que o homem se safou, mesmo sem querer?

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Jandira - Murilo Mendes

O mundo começava nos seios de Jandira.

Depois surgiram outras peças da criação:
Surgiram os cabelos para cobrir o corpo,
(Às vezes o braço esquerdo desaparecia no caos.)
E surgiram os olhos para vigiar o resto do corpo.
E surgiram sereias da garganta de Jandira:
O ar inteirinho ficou rodeado de sons
Mais palpáveis do que pássaros.
E as antenas das mãos de Jandira
Captavam objetos animados, inanimados.
Dominavam a rosa, o peixe, a máquina.
E os mortos acordavam nos caminhos visíveis do ar
Quando Jandira penteava a cabeleira...

Depois o mundo desvendou-se completamente,
Foi-se levantando, armado de anúncios luminosos.
E Jandira apareceu inteiriça,
Da cabeça aos pés,
Todas as partes do mecanismo tinham importância.
E a moça apareceu com o cortejo do seu pai,
De sua mãe, de seus irmãos.
Eles é que obedeciam aos sinais de Jandira
Crescendo na vida em graça, beleza, violência.
Os namorados passavam, cheiravam os seios de Jandira
E eram precipitados nas delícias do inferno.
Eles jogavam por causa de Jandira,
Deixavam noivas, esposas, mães, irmãs
Por causa de Jandira.
E Jandira não tinha pedido coisa alguma.
E vieram retratos no jornal
E apareceram cadáveres boiando por causa de Jandira.
Certos namorados viviam e morriam
Por causa de um detalhe de Jandira.
Um deles suicidou-se por causa da boca de Jandira
Outro, por causa de uma pinta na face esquerda de Jandira.

E seus cabelos cresciam furiosamente com a força das máquinas;
Não caía nem um fio,
Nem ela os aparava.
E sua boca era um disco vermelho
Tal qual um sol mirim.
Em roda do cheiro de Jandira
A família andava tonta.
As visitas tropeçavam nas conversações
Por causa de Jandira.
E um padre na missa
Esqueceu de fazer o sinal-da-cruz por causa de Jandira.

E Jandira se casou
E seu corpo inaugurou uma vida nova.
Apareceram ritmos que estavam de reserva.
Combinações de movimento entre as ancas e os seios.
À sombra do seu corpo nasceram quatro meninas que repetem
As formas e os sestros de Jandira desde o princípio do tempo.

E o marido de Jandira
Morreu na epidemia de gripe espanhola.
E Jandira cobriu a sepultura com os cabelos dela.
Desde o terceiro dia o marido
Fez um grande esforço para ressuscitar:
Não se conforma, no quarto escuro onde está,
Que Jandira viva sozinha,
Que os seios, a cabeleira dela transtornem a cidade
E que ele fique ali à toa.

E as filhas de Jandira
Inda parecem mais velhas do que ela.
E Jandira não morre,
Espera que os clarins do juízo final
Venham chamar seu corpo,
Mas eles não vêm.
E mesmo que venham, o corpo de Jandira
Ressuscitará inda mais belo, mais ágil e transparente


in Poesia Brasileira do Século XX, Dos Modernistas à Actualidade, Seleção, introdução e notas de Jorge Henrique Bastos, Antígona

Murilo Monteiro Mendes (n. em 13 de Maio de 1901 em Juíz de Fora, Minas Gerais — m. em Lisboa a 13 de agosto de 1975)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Metafíscia da Moda Feminina
Choro do poeta actual

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2011-05-12

Trova do Amor Lusíada - Manuel Alegre

Meu amor é marinheiro
quando suas mãos me despem
é como se o vento abrisse
as janelas do meu corpo.

Quando seus dedos me tocam
é como se no meu sangue
nadassem todos os peixes
que nadam no mar salgado.

Meu amor é marinheiro.
Quando chega à minha beira
acende um cravo na boca
e canta desta maneira:

- Eu sou livre como as aves
e passo a vida a cantar
coração que nasceu livre
não se pode acorrentar.

Trago um navio nas veias
eu nasci para marinheiro
quem quiser pôr-me cadeias
há-de matar-me primeiro.

Meu amor é marinheiro
e mora no alto mar
seus braços são como o vento
ninguém os pode amarrar.

Quando chega à minha beira
todo o meu sangue é um rio
onde o meu amor aporta
seu coração - um navio.

Meu amor disse que eu tinha
uns olhos como gaivotas
e uma boca onde começa
o mar de todas as rotas.

Meu amor disse que eu tinha
na boca um gosto a saudade
e uns cabelos onde nascem
os ventos e a liberdade.

Meu amor falou-me assim:
Ó minha pátria morena
meu país de sal e trevo
meu cravo minha açucena

vale mais ser livre um dia
lá nas ondas do mar bravo
do que viver toda a vida
pobre triste preso escravo.

Eu vivo lá longe longe
onde passam os navios
mas um dia hei-de voltar
às águas dos nossos rios.

Hei-de passar nas cidades
como o vento nas areias
e abrir as janelas
e abrir todas as candeias

hei-de passar a cantar
pelas ruas da cidade
erguendo na mão direita
a espada da liberdade.

Ó minha pátria morena
meu país de trevo e sal
sou marinheiro e não esqueço
que nasci em Portugal.

Assim falou meu amor
assim falou ele um dia
desde então eu vivo à espera
que volte como dizia.

Eu creio no meu amor
meu amor é marinheiro
quem quiser pôr-lhe cadeias
há-de matá-lo primeiro.

Sei que um dia ele virá
assim muito de repente
como se o mar e o vento
nascessem dentro da gente

como se um navio entrasse
de repente na cidade
trazendo a voar nos mastros
bandeiras de liberdade.

Meu amor é marinheiro
e mora no alto mar
coração que nasceu livre
não se pode acorrentar.


in 30 anos de Poesia, Manuel Alegre, Círculo de Leitores

Manuel de Melo Duarte Alegre nasceu em Águeda a 12 de Maio de 1936

Ler do mesmo autor, neste blog:
Grega
E alegre se fez triste
Coisa Amar
Uma Flor de Verde Pinho
Trova do Vento que Passa
As facas
Coração Polar
Soneto- É preciso saber porque se é triste

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Vós que nos desertos ... - Nelly Sachs

Vós que nos desertos
buscais veios de água ocultos -
de dorso curvado
escutais à luz nupcial do Sol -
filhos duma nova solidão com Ele -

As vossas pegadas
calcam a saudade
para os mares de sono -
enquanto o vosso corpo
lança a folha escura de flor da sombra
e em terra de novo sagrada
o diálogo que mede o tempo
entre estrela e estrela começa.

(in Poemas de Nelly Sachs, tradução de Paulo Quintela, Portugália editora, 1967 )

Nelly Sachs (n. Schöneberg, Alemanha em 10/12/1891 - m. em Estocolmo, 12/5/1970).

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2011-05-11

OS ROUXINÓIS - António Fogaça

No meu jardim, num cedro em que a frescura
e a flor da novidade vêm brotando,
pousa, por vezes, um ditoso bando
de alegres rouxinóis, entre a verdura. . .

Quando ali vou, tristíssimo, à procura
de sossego e de luz, de quando em quando,
sinto-os vir e pousar, ouço-os cantando
no doce idílio de uma paz obscura.

E, desditoso, eu lembro com saudade,
último brilho do meu peito ardente,
que assim também, num íntimo vigor,

sobre o flóreo jardim da mocidade,
cantaram na minh'alma alegremente,
como no cedro, os rouxinóis do amor!...


António Fogaça, nascido a 11 de maio de 1863, em Barcelos, e falecido a 27 de novembro de 1888, em Coimbra.


Ler do mesmo autor neste blog:
Desgostosa;
Visão dum leito

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Lembrando DOROTHY HODGKIN

Na próxima quinta-feira, dia 12 de Maio, pelas 19H 45, a Unicepe leva a efeito, amanhã, pelas 19H45, na cidade do Porto, o 113º. Jantar de Amizade, sob a epígrafe "Lembrando DOROTHY HODGKIN”, a propósito do 101º. aniversário da laureada com o Prémio Nobel da Química de 1964, que descobriu a estrutura tri-dimensional da Pepsina, da Penicilina, do Colesterol, da Vitamina B12 e da Insulina; na sessão serão abordados outros vultos, a propósito do Ano Internacional da Química, pela Professora Doutora RAQUEL GONÇALVES MAIA (CV aqui)

imagem daqui

Dorothy Mary Crowfoot (mais tarde Hodkin), nasceu no Cairo, Egito em 12 de Maio de 1910 e faleceu em 29 de Julho de 1994, em Ilmington, Warwickshire, Inglaterra.

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Happy Birthday: Evelina Pereira e Laetitia Casta



É já indissociável no Nothingandall este par de beldades no dia 11 de Maio, dia de aniversário de ambas. E como temos de privilegiar o que é nosso apresentamos a Evelina (que projectou o Timberlak em Friends with Benefits) em primeiro lugar.

PS: Ó Rui ainda estou à espera da sessão da Unicepe dedicada à "nossa" actriz!

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Joconda - Augusto Casimiro

Essa que deve ser silenciosa
como um perfume embriagante e raro,
doce - como a tristeza vagarosa,
alegre - como o azul do céu mais claro

Essa que é tolo Amor, sendo incerteza,
toda luz e mistério e graça e alma,
forma florida e vaga da Beleza
num sorriso tino, e triste e calma

Essa que eu adivinho e, vaga, ondeia
pela minha emoção, na minha ideia,
no meu Amor, na minha Arte e em mim;

talvez seja - quem sabe? a refletida
infinita saudade de outra vida
mais perfeita do que esta e de onde eu vim!


in "Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou", J.G . de Araujo Jorge - Vol. II - 1ª. ed. 1966

Augusto Casimiro dos Santos (n. em Amarante a 11 Maio de 1889; m. em Lisboa a 23 Set. 1967)

Ler do mesmo autor, neste blog:
I A Hora da Prece
Do Primeiro Regresso
O Poeta e a Nau
Sangue de Inês
Velando

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2011-05-10

A flor do maracujá - Catulo da Paixão Cearense

Flor do Maracujá, André Dinis, daqui

Encontrando-me com um sertanejo
Perto de um pé de maracujá
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo
Porque razão nasce roxa
A flor do maracujá?

Ah, pois então eu lhi conto
A estória que ouvi contá
A razão pro que nasci roxa
A flor do maracujá

Maracujá já foi branco
Eu posso inté lhe ajurá
Mais branco qui claridadi
Mais branco do que o luá

Quando a flor brotava nele
Lá pros cunfim do sertão
Maracujá parecia
Um ninho de argodão

Mais um dia, há muito tempo
Num meis que inté num mi alembro
Si foi maio, si foi junho
Si foi janero ou dezembro

Nosso sinhô Jesus Cristo
Foi condenado a morrer
Numa cruis crucificado
Longe daqui como o quê

Pregaro cristo a martelo
E ao vê tamanha crueza
A natureza inteirinha
Pois-se a chorá di tristeza

Chorava us campu
As foia, as ribera
Sabiá também chorava
Nos gaio a laranjera

E havia junto da cruis
Um pé de maracujá
Carregadinho de flor
Aos pé de nosso sinhô

I o sangue de Jesus Cristo
Sangui pisado de dô
Nus pé du maracujá
Tingia todas as flor

Eis aqui seu moço ou moça
A estoria que eu vi contá
A razão proque nasce roxa
A flor do maracujá.


Catulo da Paixão Cearense (São Luís, MA. 08 de Outubro de 1863; m. Rio de Janeiro, RJ. 10 de Maio de 1946)

Ler (e ouvir) do mesmo autor: Luar do Sertão (toada)

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2011-05-09

To Joy - Friedrich Schiller

Joy, thou beauteous godly lighting,
Daughter of Elysium,
Fire drunken we are ent'ring
Heavenly, thy holy home!

Thy enchantments bind together,
What did custom's sword divide,*
Beggars are a prince's brother,*
Where thy gentle wings abide.

Chorus
Be embrac'd, ye millions yonder!
Take this kiss throughout the world!
Brothers—o'er the stars unfurl'd
Must reside a loving father.

*Reworked by Schiller in the 1803
edition of his works to the more familiar:

What did custom stern divide;
Every man becomes a brother,
Joy, thou beauteous godly lighting,
Daughter of Elysium,
Fire drunken we are ent'ring
Heavenly, thy holy home!

Thy enchantments bind together,
What did custom's sword divide,*
Beggars are a prince's brother,*
Where thy gentle wings abide.

Chorus
Be embrac'd, ye millions yonder!
Take this kiss throughout the world!
Brothers—o'er the stars unfurl'd
Must reside a loving father.

*Reworked by Schiller in the 1803
edition of his works to the more familiar:

What did custom stern divide;
Every man becomes a brother,

Original Version

An die Freude

Freude, schöner Götterfunken,
Tochter aus Elysium,
Wir betreten feuertrunken
Himmlische, dein Heiligtum.

Deine Zauber binden wieder,
Was der Mode Schwert geteilt;*
Bettler werden Fürstenbrüder,*
Wo dein sanfter Flügel weilt.

Chor
Seid umschlungen, Millionen!
Diesen Kuss der ganzen Welt!
Brüder—überm Sternenzelt
Muss ein lieber Vater wohnen.


*Reworked by Schiller in the 1803
edition of his works to the more familiar:

Was die Mode streng geteilt;
Alle Menschen werden Brüder,

Johann Christoph Friedrich Schiller (b. 10 Nov. 1759, Marbach am Neckar, Württemberg — d. 9 May 1805, Weimar, Saxe-Weimar)

Do mesmo autor As Palavras da Fé

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2011-05-08

Resignação - Batista Cepelos

Este Anjo do Infortúnio, que me guia
Desde o primeiro albor da tenra idade,
E os lírios roxos da melancolia
Desfolha sobre a minha mocidade...

Este, que me acompanha e me vigia,
Sorrindo-me um sorriso de bondade,
E, na dor, que é o meu pão de cada dia,
Me fortalece contra a iniqüidade...

Este, bendito seja, enquanto eu vivo,
A debater-me em trevas horrorosas,
Como um ansioso pássaro cativo!

E que, sobre o meu túmulo, tristonho,
Distenda as asas misericordiosas,
Quando eu sonhar aquele Grande Sonho...


Manuel Batista Cepelos (Cotia, São Paulo, em 10 de Dezembro de 1872 — m. Rio de Janeiro, 8 de maio de 1915)

Ler do mesmo autor, neste blog: À Espera; A Um Sonetista; Nas Ondas de Uns Cabelos
Flor Silvestre

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2011-05-07

Bicentenário do nascimento do filósofo David Hume: os poetas e a mentira...


A conversa daqueles que adquiriram o hábito da mentira, mesmo que trate de assuntos banais, nunca trás a menor satisfação; isso acontece porque as ideias que nos apresentam, desprovidas de credibilidade, não deixam impressão alguma na mente. Os próprios poetas, embora mentirosos por profissão, esforçam-se sempre para dar um ar de verdade às suas ficções; e, quando isso é inteiramente negligenciado, a sua arte, por mais engenhosa, nunca consegue proporcionar muito prazer.

in O Livro das Citações, Eduardo Giannetti, Livros d'Hoje

David Hume (Edimburgo 07 mai 1711 - 25 ago 1776)

Nota: O titulo é da nossa responsabilidade

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Se é assim que desejas - nos 150 anos do nascimento de Rabindranath Tagore

Se é assim que desejas,
se for assim do teu gosto,
cessarei de cantar!
Se com isso agitar
teu coração,
do meu olhar o triste brilho
desviarei do teu rosto...
e se eu, de súbito te assustar
no teu passeio despreocupado,
afastar-me-ei do teu lado
e tomarei outro brilho...

Se eu te embaraçar – ai de mim –
quando teceres as tuas flores,
flor encantada,
esquivar-me-ei do teu
solitário jardim
e da tua doce imagem...
E se eu tornar a água turva
e agitada,
jamais remarei a minha barca
para a tua margem...


Trad. Victor de Sá Coelho
in Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Versão em inglês If you have would have it so

Ler do mesmo autor: A Mulher Inspiradora
Canção

Rabindranath Tagore (b. 7 May 1861 in Calcutta, British India; d. 7 August 1941 in Calcutta, British India)

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2011-05-06

Centenário do nascimento de José Marmelo e Silva


José Antunes Marmelo e Silva nasceu a 7 de Maio de 1911 em Paul, Covilhã; m. em Espinho a 11 de Outubro de 1991).

Ainda hoje,não obstante todos os anos decorridos, Sedução continua a ser um livro de combate, um livro indisciplinador. Não pela escabrosidade do tema - aliás tratado com a delicadeza e uma finura inexcedíveis, quando tão fácil (e tão comercial…) era ceder à tentação do obsceno -, mas pelo carácter insólito da análise, que progride por pequenas deslocações laterais; por iluminação de planos sucessivos, e não, como é corrente, por um mergulho vertical, pela sobrecarga de minúcias psicológicas que,habitualmente,fazem da personagem literária um monstro, inviável fora das páginas do livro. E o estilo? O maior bem que dele se pode dizer é que outro não serviria melhor o autor. Ao mesmo tempo usual e castigada, a sua linguagem parece ter sido decantada de maneira algo bizarra: aceitando muito do que se exclui, excluindo muito do que aceita, o resultado final é um estilo que não tem similar em Portugal. → José Saramago, Boletim Editorial Estúdios Cor, 1960.

[Marmelo e Silva é] não só um dos casos mais notáveis da moderna literatura portuguesa, mas o que mais fundo exprime e ensaia o significado da arte como libertação do homem - como reintegração do homem.(…) Adolescente Agrilhoado é não só uma das obras-primas da nossa literatura,mas o mais belo romance da adolescência que até agora se escreveu entre nós. → Mário Sacramento, Diário de Lisbôa, 1967. (citações daqui)

Ver ainda:
Dia 6: Colóquio na Faculdade de Letras no Porto a 6 de Maio

Dia 7: Espinho: Cerimónia de atribuição do nome de José Marmelo e Silva à Biblioteca Municipal.

Sítio oficial do escritor

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Arte do Regresso 17. - Amadeu Baptista

Estou a retroceder para a casa inóspita
e o cão agita-se nas primeiras sombras.
A pedra ruge sobre a minha cabeça
e os elementos são o medo inexorável
de respirar agora com o dia
a treva da tormenta.
A loucura ilumina-se do fogo
com que as casas ardem.
Tudo é oculto e obscuro
como o coração da madrugada
em que o alarme dos sonhos se propaga
à infinita essência do receio.
sobre o pavor abate-se o vento
que fulge nas esquinas destas ruas
em que um homem perdido transfigura
a inatingível luz da tempestade
e perscruta no silêncio esse silêncio
que devora o rosto dos que passam.
O trovão rasga o céu, a morte avança.
A cada nova ameaça volto à infância.

in Cem Poemas Portugueses sobra a Infância, selecção, organização e introdução de José Fanha e José Jorge Letria, Terramar

Amadeu Baptista (Porto, 6 de Maio de 1953)

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Coimbra - Manuel da Silva Gaio

A terra que vos pinto meus amigos
é terra de cantares,
cidade medieval - bairros antigos -
sobre um rio e pomares;

terra de alegres moças e estudantes,
terra de solta vida
onde o Amor é canção que dura instantes
e que é, breve esquecida.

Velhos templos, d'ameias coroados
d'arcada bizantina
destacam nos socalcos de telhados
que sobem a collina

Bordam as ruas ingremes fechadas
d'architectura densa
onde abrem medalhões,
finas arcadas da Renascença


Manuel da Silva Gaio nasce em Coimbra a 6 de Maio de 1860 e faleceu na mesma cidade a 11 de Fevereiro de 1934

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2011-05-05

Vieste tarde, meu amor... - Nunes Claro

Vieste tarde, meu amor. Começa
em mim caindo a neve devagar…
Morre o sol; o outono vem depressa,
e o inverno, finalmente, há de chegar.

E se hoje andamos juntos, na promessa
de caminharmos toda a vida a par,
daqui a pouco o teu amor tem pressa
e o meu, daqui a pouco, há de cansar.

Dentro em breve, por trás das velhas portas,
dando um ao outro só palavras mortas
que rolam mudas sobre nossas vidas,

ouviremos, nas noites desoladas,
tu, a canção das vozes desejadas,
eu, o chorar das vozes esquecidas.


Joaquim Nunes Claro (nasceu em Lisboa a 20 de Abril de 1878 e faleceu em Sintra, 5 de Maio de 1949)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Quem quer que sejas tu, que neste abrigo
Partiste e a serra idílica do vento
Toma essas rosas de Dezembro agora

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Happy Birthday Hannah Davis

Hannah Davies

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Os Parceiros - Mário Quintana

Jogadores de cartas, Paul CézanneJogadores de Cartas, Paul Cézanne
(n. Aix-en-Provence em 19 de janeiro de 1839; m.
na mesma cidade em 22 de outubro de 1906)


Sonhar é acordar-se para dentro:
de súbito me vejo em pleno sonho
e no jogo em que todo me concentro
mais uma carta sobre a mesa ponho.
Mais outra! É o jogo atroz do Tudo ou Nada!
E quase que escurece a chama triste...
E, a cada parada uma pancada,
o coração, exausto, ainda insiste.
Insiste em quê? Ganhar o quê? De quem?
O meu parceiro...eu vejo que ele tem
um riso silencioso a desenhar-se
numa velha caveira carcomida.
Mas eu bem sei que a morte é seu disfarce...
Como também disfarce é a minha vida!


Mário Quintana (n. in Alegrete, Rio Grande do Sul a 30 Jul 1906; m. em Porto Alegre, Rio Grande do Sul a 5 de Maio de 1994).
Ler do mesmo autor:

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2011-05-04

O que o Sócrates não disse ontem - Medidas da Troika

Memorando Troika

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Naufrágio - Branquinho da Fonseca

A BALSA DE MEDUSA - THÉODORE GÉRICAULT (1791-1824)
(Museu do Louvre, Paris; 40,64 cm X 56,69 cm)

A rua cheia de luar
Lembrava uma noiva morta
Deitada no chão, à porta
De quem a não soube amar.

Já não passava ninguém...
Era um mundo abandonado...
E à janela, eu, tão Além,
Subia ressuscitado...

Vi-me o corpo morto, em cruz,
Debruçado lá no Fundo...
E a alma como uma luz
Dispersa em volta do mundo...

Mas, à tona do mar morto,
Um resto de caravela
Subia... E chegava ao porto
Com a aragem da janela.

António José Branquinho da Fonseca (Mortágua, 4 de Maio de 1905 – Cascais, 7 de maio de 1974)

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IRONIA DO CORAÇÃO - Luís Murat

Como estavas formosa entre o mar e a minh'alma!
Ias partir... no céu vinha rompendo a aurora.
Eu te pedia - luz, tu me pedias - calma;
Eu te dizia: - "Crê"; tu me dizias: - "Chora!"

Beijei-te as mãos, beijei-te os pequeninos pés,
Como os lábios de um padre um assoalho sagrado.
Longe, ouvia-se ainda, entre os caramanchéis,
A melodiosa voz do luar apaixonado.

"É a voz do nosso amor, nos esponsais das flores.
Não chores mais, acalma a tua ansiedade.
Assim, como hei de eu dar tréguas às minhas dores,
E recalcar no peito esta amarga saudade?"

Partiste... Sobre mim cerrou-se a escuridão.
E eu não ouso subir aos meus sonhos agora,
Porque, irônico e mau, me grita o coração,
Quando não creio: "crê!", quando não choro: "chora!"


(in Poesias escolhidas, 1917.)

Luís Morton Barreto Murat (nasceu em Resende, RJ, em 4 de Maio de 1861, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 3 de Julho de 1929).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Penas Perdidas
O Poder das Lágrimas;
Além Ainda

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2011-05-03

Que Pena Éramos Uma Invenção Tão Boa - Yehuda Amichai

Eles amputaram
As tuas coxas das minhas ancas.
Tanto quanto sei
São todos cirurgiões. Todos eles.

Eles desmantelaram-nos
Um ao outro.
Tanto quanto sei
São todos engenheiros. Todos eles.

Que pena. Éramos uma invenção
Tão boa e amável.
Um aeroplano feito de um homem e de uma mulher.
Com asas e tudo.
Pairávamos ligeiramente por cima da terra.

Até voávamos um pouco.


in QUAL É A MINHA OU A TUA LÍNGUA Cem poemas de amor de outras línguas, organização de Jorge Sousa Braga, Assirio & Alvim

Yehuda Amichai (Hebrew: יהודה עמיחי‎; n. em Würzburg, Alemanha em 3 Maio 1924 – m. em Israel 22 Set. 2000)

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Musical suggestion of the day - Georges Moustaki

Georges Moustaki born Yussef Mustacchi in Alexandria, May 3, 1934

Le Métèque

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2011-05-02

Atração e Repulsa - Adelino Fontoura

Eu nada mais sonhava nem queria
Que de ti não viesse, ou não falasse;
E como a ti te amei, que alguém te amasse,
Coisa incrível até me parecia.

Uma estrela mais lúcida eu não via
Que nesta vida os passos me guiasse,
E tinha fé, cuidando que encontrasse,
Após tanta amargura, uma alegria.

Mas tão cedo extinguiste este risonho,
Este encantado e deleitoso engano,
Que o bem que achar supus, já não suponho.

Vejo, enfim, que és um peito desumano;
Se fui té junto a ti de sonho em sonho,
Voltei de desengano em desengano.


Adelino Fontoura Chaves (n. em Axixá, Maranhão, Brasil a 30 Mar.1859 – m. em Lisboa, Portugal a 02 Maio 1884)

Ler do mesmo autor:
Celeste
Fruto Proibido
Página Desconhecida
Jornada

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2011-05-01

Mãe - Miguel Torga

Mãe: Que desgraça na vida aconteceu,
Que ficaste insensível e gelada?
Que todo o teu perfil se endureceu
Numa linha severa e desenhada?

Como as estátuas, que são gente nossa
Cansada de palavras e ternura,
Assim tu me pareces no teu leito.
Presença cinzelada em pedra dura,
Que não tem coração dentro do peito.

Chamo aos gritos por ti — não me respondes.
Beijo-te as mãos e o rosto — sinto frio.
Ou és outra, ou me enganas, ou te escondes
Por detrás do terror deste vazio

Mãe:
Abre os olhos ao menos, diz que sim!
Diz que me vês ainda, que me queres.
Que és a eterna mulher entre as mulheres.
Que nem a morte te afastou de mim!


S. Martinho de Anta, 1 de Junho de 1948

in Nihil Sibi - extraído de POESIA COMPLETA - MIguel Torga, 1ª Edição, Publicações Dom Quixote, pág. 339

Adolfo Correia da Rocha que usou o pseudónimo de Miguel Torga, nasceu em São Martinho de Anta, Sabrosa, Trás-os-Montes, a 12 de Agosto de 1907; morreu em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995.

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