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2016-04-02

Esfinge - Francisco Costa

Nada se sabe, nada. As almas são
Perpetuamente alheias. Que se oculta
Por trás duns olhos límpidos? Em vão
O olhar mergulha e o espírito consulta.

Só a carne se funde, as almas não.
Dentro do peito que o ouvido ausculta
Distingue-se o pulsar dum coração,
Mais nada. A esfinge permanece oculta.

Inexplicável, entre nós e a vida
De nós mais achegada e conhecida,
Há sempre um denso véu que não transpomos.

Vemos as formas sem que as penetremos,
E enfim nem de nós próprios nós sabemos
Se a morte um dia nos dirá quem somos.


Extraído de Antologia de Poemas Portugueses Modernos, por Fernando Pessoa e António Botto,
Ática Poesia

Francisco José Lopes da Costa (n. em Sintra a 12 de Agosto de 1900; m. em Sintra a 2 de Abril de 1988).

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2014-04-02

Cristo Hoje - Francisco Costa

Mendigo

Todos os dias bate à minha porta
e aceita a esmola que lhe dou - que é nada!
E lá se vai, rojando na calçada
o passo vacilante, a sombra torta.

É a miséria mesma que o conforta.
Com o sol a prumo ou a chuva regelada,
mendiga sempre, palmilhando a estrada,
vergado ao peso da existência morta.

Hoje, aquecia as minhas mãos ao lume
quando ele veio, como de costume,
fitar em mim o seu olhar vazio.

E ao dar-lhe a esmola que ele não reclama,
mais uma vez senti a face em chama
e as labaredas me fizeram frio.


Francisco José Lopes da Costa (n. em Sintra a 12 de Agosto de 1900; m. em Sintra a 2 de Abril de 1988).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Esfinge
Pedra Alta

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2012-04-02

Esfinge - Francisco Costa

Nada se sabe, nada. As almas são
Perpetuamente alheias.-Que se oculta
Por trás duns olhos límpidos? Em vão
O olhar mergulha e o espírito consulta.

Só a carne se funde, as almas não.
Dentro do peito que o ouvido ausculta
Distingue-se o pulsar dum coração,
Mais nada. A esfinge permanece oculta.

Inexplicável, entre nós e a vida
De nós mais achegada e conhecida,
Há sempre um denso véu que não transpomos.

Vemos as formas sem que as penetremos,
E enfim nem de nós próprios nós sabemos
Se a morte um dia nos dirá quem somos.

Extraído de Antologia de Poemas Portugueses Modernos, por Fernando Pessoa e António Botto,
Ática Poesia

Francisco José Lopes da Costa (n. em Sintra a 12 de Agosto de 1900; m. em Sintra a 2 de Abril de 1988).

Ler do mesmo autor, neste blog, Pedra Alta

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2010-04-02

Cristo Hoje - Francisco Costa

Mendigo

Todos os dias bate à minha porta
e aceita a esmola que lhe dou - que é nada!
E lá se vai, rojando na calçada
o passo vacilante, a sombra torta.

É a miséria mesma que o conforta.
Com o sol a prumo ou a chuva regelada,
mendiga sempre, palmilhando a estrada,
vergado ao peso da existência morta.

Hoje, aquecia as minhas mãos ao lume
quando ele veio, como de costume,
fitar em mim o seu olhar vazio.

E ao dar-lhe a esmola que ele não reclama,
mais uma vez senti a face em chama
e as labaredas me fizeram frio.

Francisco José Lopes da Costa (n. em Sintra a 12 de Agosto de 1900; m. em Sintra a 2 de Abril de 1988).

Ler do mesmo autor, neste blog, Pedra Alta

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2008-04-02

Cruz Alta - Francisco Costa



Longe das ondas turvas da maldade
Sobre este cume, entre rochedos nus
És bem o extremo apoio que Jesus
Legou, por sua morte, à humanidade

Vai bem a tua simples majestade
Este lugar que te foi dado ó cruz:
Pois neste cimo é mais intensa a luz
E é mais intensa e bela a tempestade

Feriu-te um dia o raio e, certamente,
Mais duma alma estranhou, irreverente,
Que o céu visasse o que une o céu à terra…

Mas eu sei bem que tu é que atraíste
A cólera do espaço e assim cobriste
Com dois pequenos braços toda a serra.

Francisco José Lopes da Costa (n. em Sintra a 12 de Agosto de 1900; m. em Sintra a 2 de Abril de 1988).


Palácio da Pena em Sintra, foto daqui

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