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2011-12-23

Madrigal - Filinto Elíseo

Dormias Márcia, e eu vi Cupido ansioso
Já dum, já do outro lado
Querer furtar-te um beijo gracioso,
Que tu, a cada arquejo descansado,
Na linda boca urdias.
Graciosíssimo, oh! Márcia!... Não sabias
Como o nume girava de alvoroço.
Escondendo-lhe o jeito
De o dar do melhor lado. Eu vim, e dei-to
Bem na boca, e logrei o esperto moço.


Filinto Elísio [Francisco Manuel do Nascimento](n. em Lisboa a 23 Dez 1734; m. 1819)

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2010-02-25

Quando em meu desvelado pensamento - Filinto Elísio

Quando em meu desvelado pensamento
O teu formoso gesto de afigura,
Não sei que afecto sinto, ou que ternura,
Que a toda esta alma dá contentamento.

Ali fico num largo esquecimento,
Contemplando na minha conjectura
Do teu sereno rosto a graça pura,
De teus olhos o doce movimento.

Porém logo a inconstante fantasia
Me acorda o entendimento arrebatado,
E desfaz todo o bem, que me fingia,

Sendo tal este gosto imaginado,
Que de Amor outra glória eu não queria
Mais que trazer-te sempre em meu cuidado.


in Os dias do Amor, um poema para cada dia do ano, recolha, selecção e organização de de Inês Ramos, prefácio de Henrique Manuel Bento Fialho

Filinto Elísio [Pde. Francisco Manuel do Nascimento] (n. em Lisboa a 23 Dez 1734; m. 25 Fev. 1819).

Ler do mesmo autor neste blog:
Dormias Márcia
Nos Foge o Tempo
Estende o manto, estende ó noite escura
Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados
Fábula [No cristal duma fonte clara e pura]

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2009-12-23

Fábula [No cristal duma fonte clara e pura] - Filinto Elísio

No cristal duma fonte clara e pura
Uma Macaca estava contemplando
A sua formosura:
Os momos, e os pulinhos revezando,
Da sua presunção indícios dava,
E de ser bela, com prazer, gozava.
Um Burro, que pastava
Não longe do mostrengo presunçoso
Condoído as orelhas sacudia
E consigo dizia:
"Se, ao menos, o meu porte grave, e airoso,
Se a minha voz tonante ela tivera,
De ser vaidosa a permissão lhe eu dera."

Quantos conheço aí, que tomam azo
De notar erros meus e estão no caso
Do Burro, e da Macaca


Extraído de Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

Filinto Elísio [Pde. Francisco Manuel do Nascimento] (n. em Lisboa a 23 Dez 1734; m. 25 Fev. 1819).

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Nos Foge o Tempo
Estende o manto, estende ó noite escura
Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados
Dormias Márcia

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2009-02-25

Nos Foge o Tempo - Filinto Elísio

Se mais que aéreas nuvens pressuroso,
Se mais que inquietas ondas inconstante,
Nos foge o Tempo; é inútil o saudoso
Pranto, dado a quem foge; eu incessante
Quero abarcar, e com ardor ansioso
Entranhar na alma cada alegre instante:
Pois que a vida é passagem, as lindas flores
Bom é colher na estrada dos Amores.

Filinto Elísio [Pde. Francisco Manuel do Nascimento] (n. em Lisboa a 23 Dez 1734; m. 25 Fev. 1819).

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Estende o manto, estende ó noite escura
Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados
Dormias Márcia

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2008-12-23

Estende o manto, estende, ó noite escura - Filinto Elíseo

Noite de tempestade imagem daqui

Estende o manto, estende, ó noite escura,
Enluta de horror feio o alegre prado;
Molda-o bem c'o pesar dum desgraçado
A quem nem feições lembram da ventura.

Nubla as estrelas, céu, que esta amargura
em que se agora ceva o meu cuidado,
gostará de ver tudo assim trajado
da negra cor da minha desventura.

Ronquem roucos trovões, rasguem-se os ares,
rebente o mar em vão n'ocos rochedos,
solte-se o céu em grossas lanças de água.

Consolar-me só podem já pesares;
quero nutrir-me de arriscados medos,
quero sacia de mágoa a minha mágoa!

in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim


Filinto Elísio [Francisco Manuel do Nascimento] (n. em Lisboa a 23 Dez 1734; m. 25 Fev. 1819)

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Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados
Dormias Márcia

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2008-01-28

Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados - Filinto Elísio



Uns lindos olhos, vivos, bem rasgados,
um garbo senhoril, nevada alvura;
metal de voz que enleva de doçura,
dentes de aljôfar, em rubi cravados;

fios de ouro, que enredam meus cuidados,
alvo peito, que cega de candura;
mil prendas e (o que é mais que formosura)
uma graça que rouba mil agrados;

mil extremos de preço mais subido
encerra a linda Márcia, a quem of’reço
um culto que nem dela ‘inda é sabido;

tão pouco de mim julgo que a mereço,
que enojá-la não quero de atrevido
co’as penas que por ela em vão padeço.


FILINTO ELYSIO era o nome arcádico por que ficou conhecido o P.e Francisco Manuel do Nascimento, nascido em Lisboa a 23 de Dezembro de 1734 e falecido em Paris a 25 de Fevereiro de 1819. Teve de se exilar para fugir à Inquisição, devido às suas ideias liberais e iluministas. Esteve quatro anos em Haia (Holanda), antes de se fixar em Paris. Se, em Lisboa, fora professor da Marquesa de Alorna (Alcipe), na capital francesa travou conhecimento com o grande poeta romântico Lamartine. Levou uma vida difícil como tradutor, mas poetou infatigavelmente.

Soneto e ficha bibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edições Unicepe, 2004»

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2007-12-23

Dormias Márcia... - Filinto Elísio

Woman sleeping daqui

Dormias Márcia, e eu vi Cupido ancioso
Já d’um, já d’outro lado
Querer furtar-te um beijo gracioso
Que tu, a cada arquejo descançado
Na linda bôcca urdias
Graciosíssimo, oh Márcia,!... não sabias
Como o Numem girava de alvoroço
Escolhendo-lhe o geito
De o dar do melhor dado. Eu vim e dei-to
Bem na boca, e logrei o esperto moço

Filinto Elísio [Francisco Manuel do Nascimento](n. em Lisboa a 23 Dez 1734; m. 1819)

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