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2013-06-10

Tanto de meu estado me acho incerto - Luís de Camões

Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio;
O mundo todo abarco e nada aperto.

É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.

Estando em terra, chego ao Céu voando;
Nu~a hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar u~a hora.

Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.

Luís Vaz de Camões (nasceu c. 1524; m. em Lisboa, a 10 de Junho de 1580).

Ler do mesmo autor:
Doces águas e claras do Mondego
Que me quereis, perpétuas saudades
Busque Amor novas artes novos engenhos
Amor, que o gesto humano na alma escreve
Aquela triste e leda madrugada
Mudam-se os tempos mudam-se-as vontades
Amor é um fogo que arde sem se ver
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Alma minha gentil que te partiste
Verdes são os campos

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2011-06-10

Doces águas e claras do Mondego - Luís Vaz de Camões

Doces águas e claras do Mondego,
doce repouso de minha lembrança,
onde a comprida e pérfida esperança
longo tempo após si me trouxe cego;

de vós me aparto; mas, porém, não nego
que inda a memória longa, que me alcança,
me não deixa de vós fazer mudança,
mas quanto mais me alongo, mais me achego.

Bem pudera Fortuna este instrumento
d'alma levar por terra nova e estranha,
oferecido ao mar remoto e vento;

mas alma, que de cá vos acompanha,
nas asas do ligeiro pensamento,
para vós, águas, voa, e em vós se banha.


Extraído de Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

Luís Vaz de Camões (nasceu c. 1524; m. em Lisboa, a 10 de Junho de 1580).

Ler do mesmo autor:
Que me quereis, perpétuas saudades
Busque Amor novas artes novos engenhos
Amor, que o gesto humano na alma escreve
Aquela triste e leda madrugada
Mudam-se os tempos mudam-se-as vontades
Amor é um fogo que arde sem se ver
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Alma minha gentil que te partiste
Verdes são os campos

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2011-03-29

Ainda e sempre Amália a propósito do 11º. aniversário do falecimento de Alain Oulman

Com que voz chorarei meu triste fado,
que em tão dura paixão me sepultou.
Que mor não seja a dor que me deixou
o tempo, de meu bem desenganado.

Mas chorar não estima neste estado
aonde suspirar nunca aproveitou.
Triste quero viver, pois se mudou
em tristeza a alegria do passado.

Assim a vida passo descontente,
ao som nesta prisão do grilhão duro
que lastima ao pé que a sofre e sente.

De tanto mal, a causa é amor puro,
devido a quem de mim tenho ausente,
por quem a vida e bens dele aventuro.


Poema de Luís Vaz de Camões, música de Alain Oulman

Alain Oulman nasceu a 15 de junho de 1928, em Cruz Quebrada-Dafundo, concelho de Oeiras e faleceu em Paris a 29 de março de 1990)

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2010-06-10

Que me quereis, perpétuas saudades - Luís Vaz de Camões, no Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas

Que me quereis, perpétuas saudades?
Com que esperança ainda me enganais?
Que o tempo que se vai não torna mais,
e se torna, não tornam as idades.

Razão é já, ó anos, que vos vades,
Porque estes tão ligeiros que passais,
Nem todos para um gosto são iguais,
Nem sempre são conformes as vontades.

Aquilo a que já quis é tão mudado
que quási é outra cousa; porque os dias
têm o primeiro gosto já danado.

Esperanças de novas alegrias
não mas deixa a Fortuna e o Tempo errado,
que do contentamento são espias.


Extraído de Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora
Luís Vaz de Camões (nasceu c. 1524; m. em Lisboa, a 10 de Junho de 1580).

Ler do mesmo autor:
Busque Amor novas artes novos engenhos
Amor, que o gesto humano na alma escreve
Aquela triste e leda madrugada
Mudam-se os tempos mudam-se-as vontades
Amor é um fogo que arde sem se ver
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Alma minha gentil que te partiste
Verdes são os campos

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2009-06-10

10 de Junho: Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas


Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís Vaz de Camões (nasceu c. 1524; m. em Lisboa, a 10 de Junho de 1580).

Ler do mesmo autor:
Busque Amor novas artes novos engenhos
Amor, que o gesto humano na alma escreve
Aquela triste e leda madrugada
Mudam-se os tempos mudam-se-as vontades
Amor é um fogo que arde sem se ver
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Alma minha gentil que te partiste

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2008-06-10

Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas

Neste dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas (aniversário da morte do grande poeta que ocorreu em 1580) é mais do que justificada a publicação aqui de alguns dos mais belos sonetos da Literatura portuguesa. E fica também aqui a reprodução da estátua em Lisboa, que lhe presta homenagem.


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Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar-me, e novas esquivanças,
que não pode tirar-me as esperanças,
que mal me tirará o que eu não tenho.

Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
andando em bravo mar, perdido o lenho.

Mas, conquanto não pode haver desgosto
onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê;

que dias há que n’alma me tem posto
um não sei quê, que nasce não sei onde,
vem não sei como e dói não sei porquê.

Luís de Camões (n. 1524 – m. 10 Jun 1580)

Ler do mesmo autor:
Nothingandall: Amor, que o gesto humano na alma escreve
Nothingandall: Aquela triste e leda madrugada
Nothingandall: Mudam-se os tempos mudam-se-as vontades
Nothingandall: Amor é um fogo que arde sem se ver
Nothingandall: Erros meus, má fortuna, amor ardente
Nothingandall: Alma minha gentil que te partiste

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2007-06-10

Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas

Neste dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas (aniversário da morte do grande poeta que ocorreu em 1580) é mais do que justificada a publicação aqui de alguns dos mais belos sonetos da Literatura portuguesa. E fica também aqui a reprodução da estátua em Lisboa, que lhe presta homenagem.


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Amor, que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faíscas me mostrou um dia,
Donde um puro cristal se derretia
Por entre vivas rosas e alva neve.

A vista, que em si mesma não se atreve,
Por se certificar do que ali via,
Foi convertida em fonte, que fazia
A dor ao sofrimento doce e leve.

Jura Amor que brandura de vontade
Causa o primeiro efeito; o pensamento
Endoudece, se cuida que é verdade.

Olhai como Amor gera, num momento
De lágrimas de honesta piedade,
Lágrimas de imortal contentamento.


Ler do mesmo autor:
Luís de Camões (n. 1524 – m. 10 Jun 1580)

Nothingandall: Aquela triste e leda madrugada, - Camões
Nothingandall: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Nothingandall: Amor é um fogo que arde sem se ver
Nothingandall: Erros meus, má fortuna, amor ardente
Nothingandall: Alma minha gentil que te partiste

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2006-06-10

Verdes são os campos - Luís de Camões

Verdes são os campos,
De cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,
De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Gados que pasceis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Não no entendereis;
Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Luís de Camões (n. 1524 – m. 10 Jun 1580)

Nothingandall: Aquela triste e leda madrugada, - Camões
Nothingandall: Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Nothingandall: Amor é um fogo que arde sem se ver
Nothingandall: Erros meus, má fortuna, amor ardente
Nothingandall: Alma minha gentil que te partiste

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2005-06-10

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís de Camões

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2005-02-04

Amor é um fogo que arde sem se ver

Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
É um andar solitário entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

Luís de Camões (1524 - 1580)

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