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2016-10-27

Desaparecido - Carlos Queirós


Sempre que leio nos jornais:
«De casa de seus pais desapar’ceu...»
Embora sejam outros os sinais,
Suponho sempre que sou eu.

Eu, verdadeiramente jovem,
Que por caminhos meus e naturais,
Do meu veleiro, que ora os outros movem,
Pudesse ser o próprio arrais.

Eu, que tentasse errado norte;
Vencido, embora, por contrário vento,
Mas desprezasse, consciente e forte,
O porto do arrependimento.

Eu, que pudesse, enfim, ser eu!
- Livre o instinto, em vez de coagido.
«De casa de seus pais desapar’ceu...»
Eu, o feliz desaparecido!

in Desaparecido e Outros Poemas
Lisboa, Livraria Bertrand, 1950

José Carlos Queirós Nunes Ribeiro (n. Lisboa a 5 de abril de 1907; m. em Paris, 27 de outubro de 1949)

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2015-10-26

Apelo à Poesia - Carlos Queirós


Porque vieste? - Não chamei por ti!
Era tão natural o que eu pensava,
(Nem triste, nem alegre, de maneira
Que pudesse sentir a tua falta...)
E tu vieste,
Como se fosses necessária!

Poesia! nunca mais venhas assim:
Pé ante pé, cobardemente oculta
Nas ideias mais simples,
Nos mais ingénuos sentimentos:
Um sorriso, um olhar, uma lembrança...
– Não sejas como o Amor!

É verdade que vens, como se fosses
uma parte de mim que vive longe,
Presa ao meu coração
Por um elo invisível;
Mas não regresses mais sem que eu te chame,
– Não sejas como a Saudade!

De súbito, arrebatas-me, através
De zonas espectrais, de ignotos climas;
E, quando desço à vida, já não sei
Onde era o meu lugar...
Poesia! nunca mais venhas assim
– Não sejas como a Loucura!

Embora a dor me fira, de tal modo
Que só as tuas mãos saibam curar-me,
Ou ninguém, se não tu, possa entender
O meu contentamento...
Não venhas nunca mais sem que eu te chame,
– Não sejas como a Morte!

José Carlos Queiroz Nunes Ribeiro (n. Lisboa em 5 de abril de 1907, m. Paris, 27 de outubro de 1949)

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2014-10-27

Canção Grata - Carlos Queiroz

Por tudo o que me deste:
– Inquietação, cuidado,
(Um pouco de ternura? É certo, mas tão pouco!)
Noites de insónia, pelas ruas, como um louco...
– Obrigado! Obrigado!

Por aquela tão doce e tão breve ilusão.
(Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui), sem ironia: aceita
A minha gratidão!

Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
– Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia, amor: – Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!


in Poemas de Amor - Antologia de Poesia Portuguesa (org. e prefácio Inês Pedrosa), 6ª edição, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2003, pág. 133.

José Carlos Queiroz Nunes Ribeiro (n. Lisboa 5 Abr 1907; m. 27 Out 1949)

Do mesmo autor, neste blog:
Anti-Soneto
Amizade
Na Cidade Nasci
Erótica
Apelo à Poesia
Uma história vulgar
Pastoral
LIBERA-ME
Desaparecido

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2013-10-27

Anti-Soneto - Carlos Queirós

Ao Mário Saa

O nosso drama de portugueses,
O nosso maior drama entre os maiores
Dos dramas portugueses,
É este apego hereditário à Forma:
Ao modo de dizer, os pontinhos nos ii,
Às virgulas certas, às quadras perfeitas,
À estilística, à estética,à bombástica,
À chave de ouro do soneto vazio
- Que põe molezas de escravatura
Por dentro do que pensamos
Do que sentimos
Do que escrevemos
Do que fazemos
Do que mentimos.

(in "Cadernos de Poesia,nº1,1ªsérie,1940)

José Carlos Queiroz Nunes Ribeiro (n. Lisboa 5 Abr 1907; m. 27 Out 1949)

Do mesmo autor, neste blog:
Amizade
Na Cidade Nasci
Erótica
Apelo à Poesia
Uma história vulgar
Pastoral
LIBERA-ME
Canção Grata
Desaparecido

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2011-10-27

Desaparecido - Carlos Queiroz

Sempre que leio nos jornais:
"De casa de seus pais desapar'ceu..."
Embora sejam outros os sinais,
Suponho sempre que sou eu.

Eu, verdadeiramente jovem,
Que por caminhos meus e naturais,
Do meu veleiro, que ora os outros movem,
Pudesse ser o próprio arrais.

Eu, que tentasse errado norte;
Vencido, embora, por contrário vento,
Mas desprezasse, consciente e forte,
O porto de arrependimento.

Eu, que pudesse, enfim, ser eu!
- Livre o instinto, em vez de coagido.
"De casa de seus pais desapar'ceu..."
Eu, o feliz desapar'cido!


in Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro - 3ª Edição
Porto 2001 Capital Europeia da Cultura - Assírio & Alvim

José Carlos Queiroz Nunes Ribeiro (n. Lisboa 5 Abr 1907; m. 27 Out 1949)

Do mesmo autor, neste blog:
Amizade
Na Cidade Nasci
Erótica
Apelo à Poesia
Uma história vulgar
Pastoral
LIBERA-ME
Canção Grata

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2011-04-05

Anti-Soneto - Carlos Queirós

Ao Mário Saa

O nosso drama de portugueses,
O nosso maior drama entre os maiores
Dos dramas portugueses,
É este apego hereditário à Forma:
Ao modo de dizer, os pontinhos nos ii,
Às virgulas certas, às quadras perfeitas,
À estilística, à estética,à bombástica,
À chave de ouro do soneto vazio
- Que põe molezas de escravatura
Por dentro do que pensamos
Do que sentimos
Do que escrevemos
Do que fazemos
Do que mentimos.

(in "Cadernos de Poesia,nº1,1ªsérie,1940)

José Carlos Queiroz Nunes Ribeiro (n. Lisboa 5 Abr 1907; m. 27 Out 1949)

Do mesmo autor, neste blog:
Amizade
Na Cidade Nasci
Erótica
Apelo à Poesia
Uma história vulgar
Pastoral
LIBERA-ME
Canção Grata
Desaparecido

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2010-10-27

Canção Grata - Carlos Queirós


Por tudo o que me deste:
– Inquietação, cuidado,
(Um pouco de ternura? É certo, mas tão pouco!)
Noites de insónia, pelas ruas, como um louco...
– Obrigado! Obrigado!

Por aquela tão doce e tão breve ilusão.
(Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui), sem ironia: aceita
A minha gratidão!

Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
– Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia, amor: – Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!


in Poemas de Amor - Antologia de Poesia Portuguesa (org. e prefácio Inês Pedrosa), 6ª edição, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2003, pág. 133.

José Carlos Queirós Nunes Ribeiro (n. Lisboa 5 Abr 1907; m. 27 Out 1949)

Do mesmo autor, neste blog:
Amizade
Na Cidade Nasci
Erótica
Apelo à Poesia
Uma história vulgar
Pastoral
LIBERA-ME
Desaparecido

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2010-04-05

Erótica - Carlos Queiroz


A noite descia
como um cortinado
sobre a erva fria
do campo orvalhado,

e eu (fauno em vertigem)
a rondar em torno
do teu corpo virgem,
sonolento e morno,

pensava no lasso
tombar do desejo;
em breve, o cansaço
do último beijo...

E no modo como
sentir menos fácil
o maduro pomo
do teu corpo grácil:

ou sem lhe tocar
– de tanto o querer! –
ficar a olhar,
até o esquecer,

ou como por entre
reflexos de lago,
roçar-lhe no ventre
luarento afago;

perpassando os meus
nos teus lábios húmidos,
meu peito nos teus
brancos
seios
túmidos...

Extraído de Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, selecção prefácio e notas de Natália Correia, Antígona Frenesi

José Carlos Queirós Nunes Ribeiro (n. Lisboa 5 Abr 1907; m. 27 Out 1949)

Do mesmo autor, neste blog:
Amizade
Na Cidade Nasci
Apelo à Poesia
Uma história vulgar
Pastoral
LIBERA-ME
Canção Grata
Desaparecido

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2009-10-27

Amizade - Carlos Queirós (na passagem do 60º. aniversário sobre a morte do poeta)

De mais ninguém, senão de ti preciso:
Do teu sereno olhar, do teu sorriso,
Da tua mão pousada no meu ombro.
Ouvir-te murmurar - «Espera e confia!»
E sentir converter-se em harmonia,
O que era antes, confusão e assombro.

in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal Editores

José Carlos Queirós Nunes Ribeiro (n. Lisboa 5 Abr 1907; m. 27 Out 1949)

Do mesmo autor leia:
Na Cidade Nasci
Apelo à Poesia
Uma história vulgar
Pastoral
LIBERA-ME
Canção Grata
Desaparecido

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2009-04-05

Canção Grata - Carlos Queiróz

imagem daqui

Por tudo o que me deste:
– Inquietação, cuidado,
(Um pouco de ternura? É certo, mas tão pouco!)
Noites de insónia, pelas ruas, como um louco...
– Obrigado! Obrigado!

Por aquela tão doce e tão breve ilusão.
(Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui), sem ironia: aceita
A minha gratidão!

Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
– Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia, amor: – Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!


José Carlos Queirós Nunes Ribeiro (n. Lisboa 5 Abr 1907; m. 27 Out 1949), in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco Graça Moura, Quetzal Editores, 2ª. Edição, Lisboa 2004

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2008-10-27

Na Cidade Nasci - Carlos Queiroz

Na cidade, quem olha para o céu?
É preciso que passe o avião...
Quem me dera o silêncio, a solidão,
Onde pudesse, alguma vez, ser eu!

Na cidade nasci; nela nasceu
A minha dispersiva inquietação;
E o meu tumultuoso coração
Tem o pulsar caótico do seu.

A! Quem me dera, em vez de gasolina,
O cheiro da terra húmida, a resina,
A flores do campo, a leite, a maresia!

Em vez da fria luz que me alumia,
O luar sobre o mar, em tremulina...
– Divina mão compondo uma poesia.


José Carlos Queiroz Nunes Ribeiro (n. Lisboa em 5 de Abr 1907, m. Paris, 27 Out 1949)

Do mesmo autor leia:
Apelo à Poesia
Uma história vulgar
Amizade
Pastoral
LIBERA-ME
Canção Grata
Desaparecido

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2007-10-27

Apelo à Poesia - Carlos Queirós

Porque vieste? - Não chamei por ti!
Era tão natural o que eu pensava,
(Nem triste, nem alegre, de maneira
Que pudesse sentir a tua falta...)
E tu vieste,
Como se fosses necessária!

Poesia! nunca mais venhas assim:
Pé ante pé, cobardemente oculta
Nas ideias mais simples,
Nos mais ingénuos sentimentos:
Um sorriso, um olhar, uma lembrança...
– Não sejas como o Amor!

É verdade que vens, como se fosses
uma parte de mim que vive longe,
Presa ao meu coração
Por um elo invisível;
Mas não regresses mais sem que eu te chame,
– Não sejas como a Saudade!

De súbito, arrebatas-me, através
De zonas espectrais, de ignotos climas;
E, quando desço à vida, já não sei
Onde era o meu lugar...
Poesia! nunca mais venhas assim
– Não sejas como a Loucura!

Embora a dor me fira, de tal modo
Que só as tuas mãos saibam curar-me,
Ou ninguém, se não tu, possa entender
O meu contentamento...
Não venhas nunca mais sem que eu te chame,
– Não sejas como a Morte!


José Carlos Queiroz Nunes Ribeiro (n. Lisboa em 5 de Abr 1907, m. Paris, 27 Out 1949)

Do mesmo autor leia:
Uma história vulgar
Amizade
Pastoral
LIBERA-ME
Canção Grata
Desaparecido

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2007-04-05

Uma História Vulgar - Carlos Queiroz

Ouvir a tua voz, outrora, era o bastante
Para sentir, enfim, justificada, a vida;
E supor que podia, a partir desse instante,
Abrir, impunemente, ao mundo, confiante,
Minh'alma enternecida.

Fitar o teu olhar, era um deslumbramento,
Que me transfigurava e me fazia crer
Que depois de viver, na terra, esse momento,
- Sereno, como após o extremo sacramento -,
Já podia morrer.

Premia as tuas mãos nas minhas e dizia,
Com profunda emoção: - É só por ti que existo!
- Como foi isto, amor? Do nosso olhar, um dia,
Caiu neve no fogo em que a minh'alma ardia...
Amor, como foi isto?!

Passas por mim, agora, e nada me insinua
Ser a tua presença o derradeiro elo
Que me prendia à vida. - E a vida continua!
E tudo, como outrora, (o sol, o mar, a lua...)
Mesmo sem ti, é belo!

Como havemos de ter, nos outros, confiança?
Que humano sentimento a nossa fé merece?
De que servem, na vida, os ideais e a esperança,
Se o próprio Amor, -- como os brinquedos, em criança --,
Tão cedo, para nós, perde o encanto e esquece?!

José Carlos Queiroz Nunes Ribeiro (n. Lisboa 5 Abr 1907, m. Paris, 27 Out 1949)

Do mesmo autor leia:
Amizade
Pastoral
LIBERA-ME
Canção Grata
Desaparecido

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2006-11-27

Amizade - Carlos Queirós

De mais ninguém, senão de ti preciso:
Do teu sereno olhar, do teu sorriso,
Da tua mão pousada no meu ombro.
Ouvir-te murmurar: - «Espera e confia!»
E sentir converter-se em harmonia,
O que era, dantes, confusão e assombro.

Carlos Queirós

in 366 poemas que falam de amor,
antologia organizada por Vasco da Graça Moura
Quetzal Editores

Ler do mesmo autor neste blog Pastoral

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2006-10-27

Pastoral - Carlos Queiroz

Por ser tão leve o teu passar
Na estrada, à tarde, quando vens
De pôr o gado que não tens,
A pastar...

Por ser tão brando o teu sorrir,
Tão cheio de feliz regresso
Do longo prado, onde apeteço
Contigo ir...

Por ser tão breve o teu querer
Alguém que perto de ti passe
E, porque a tarde cai, te abrace.
Sem nada te dizer...

Por ser tão calmo o teu sonhar
Que já é tempo de não ter
Esse rebanho de pascer,
Mas outro de amamentar...

É que eu me perco no caminho
Do grande sonho sem janelas,
De estar contigo no moinho,
Sem o moleiro nem as velas.

José Carlos Queiroz Nunes Ribeiro (n. Lisboa 5 Abr 1907, m. Paris, 27 Out 1949)

Do mesmo autor leia:
LIBERA ME
Canção Grata
Desaparecido

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2005-10-27

Desaparecido - Carlos Queiroz

Sempre que leio nos jornais:
"De casa de seus pais desapar'ceu..."
Embora sejam outros os sinais,
Suponho sempre que sou eu.

Eu, verdadeiramente jovem,
Que por caminhos meus e naturais,
Do meu veleiro, que ora os outros movem,
Pudesse ser o próprio arrais.

Eu, que tentasse errado norte;
Vencido, embora, por contrário vento,
Mas desprezasse, consciente e forte,
O porto de arrependimento.

Eu, que pudesse, enfim, ser eu!
- Livre o instinto, em vez de coagido.
"De casa de seus pais desapar'ceu..."
Eu, o feliz desapar'cido!


Carlos Queiroz (n. Lisboa 5 Abr 1907, m. Paris, 27 Out 1949)
in Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro - 3ª Edição
Porto 2001 Capital Europeia da Cultura - Assírio & Alvim

Do mesmo autor leia:
LIBERA ME
Canção Grata

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Canção Grata - Carlos Queiroz

Por tudo o que me deste:
– Inquietação, cuidado,
(Um pouco de ternura? É certo, mas tão pouco!)
Noites de insónia, pelas ruas, como um louco...
– Obrigado! Obrigado!

Por aquela tão doce e tão breve ilusão.
(Embora nunca mais, depois que a vi desfeita,
Eu volte a ser quem fui), sem ironia: aceita
A minha gratidão!

Que bem me faz, agora, o mal que me fizeste!
– Mais forte, mais sereno, e livre, e descuidado...
Sem ironia, amor: – Obrigado, obrigado
Por tudo o que me deste!


Carlos Queiroz (n. Lisboa 5 Abr 1907; m. 27 Out 1949), "Canção Grata" in Poemas de Amor - Antologia de Poesia Portuguesa (org. e prefácio Inês Pedrosa), 6ª edição, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2003, pág. 133.

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2004-11-12

LIBERA ME - Carlos Queiroz

Livrai-me, Senhor
De tudo o que for
Vazio de amor.

Que nunca me espere
Quem bem não me quer
(Homem ou mulher).

Livrai-me também
De quem me detém
E graça não tem.

E mais de quem não
Possui nem um grão
De imaginação.

Carlos Queiroz

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