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2017-04-21

Amavisse - Hilda Hilst

Como se te perdesse, assim te quero.
Como se não te visse (favas douradas
Sob um amarelo) assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro

Um arco-íris de ar em águas profundas.

Como se tudo o mais me permitisses,
A mim me fotografo nuns portões de ferro
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima
No dissoluto de toda despedida.

Como se te perdesse nos trens, nas estações
Ou contornando um círculo de águas
Removente ave, assim te somo a mim:
De redes e de anseios inundada.

in Carlos Figueiredo - 100 poemas essenciais da língua portuguesa. Editora Leitura.

Hilda Hilst (Jaú, São Paulo, Brasil, 21 de abril de 1930 — Campinas, São Paulo, Brasil, 4 de fevereiro de 2004)

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2016-02-04

Aflição de ser eu e não ser outra - Hilda Hilst


Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha

Objeto de amor, atenta e bela.

Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)

Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel

Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.

Hilda Hilst, nasceu na cidade de Jaú, interior do Estado de São Paulo, em 21 de abril de 1930 e faleceu no dia 04 de fevereiro de 2004, na cidade de Campinas (SP).

Ler da mesma autora, neste blog:
Poemas aos homens do nosso tempo
O Poeta Inventa Viagem, Retorno e Morre de Saudade
Do Desejo III

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2011-04-21

Poemas aos Homens do nosso tempo - Hilda Hilst

Amada vida, minha morte demora.
Dizer que coisa ao homem,
Propor que viagem? Reis, ministros
E todos vós, políticos,
Que palavra além de ouro e treva
Fica em vossos ouvidos?
Além de vossa RAPACIDADE
O que sabeis
Da alma dos homens?
Ouro, conquista, lucro, logro
E os nossos ossos
E o sangue das gentes
E a vida dos homens
Entre os vossos dentes.

***********

Ao teu encontro, Homem do meu tempo,
E à espera de que tu prevaleças
À rosácea de fogo, ao ódio, às guerras,
Te cantarei infinitamente à espera de que um dia te conheças
E convides o poeta e a todos esses amantes da palavra, e os outros,
Alquimistas, a se sentarem contigo à tua mesa.
As coisas serão simples e redondas, justas. Te cantarei
Minha própria rudeza e o difícil de antes,
Aparências, o amor dilacerado dos homens
Meu próprio amor que é o teu
O mistério dos rios, da terra, da semente.
Te cantarei Aquele que me fez poeta e que me prometeu

Compaixão e ternura e paz na Terra
Se ainda encontrasse em ti, o que te deu.


Hilda Hilst, nasceu na cidade de Jaú, interior do Estado de São Paulo, em 21 de Abril de 1930 e faleceu no dia 04 de fevereiro de 2004, na cidade de Campinas (SP).
Ler da mesma autora, neste blog:
O Poeta Inventa Viagem, Retorno e Morre de Saudade
Do Desejo III

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2011-02-04

Do Desejo III - Hilda Hilst

Colada à tua boca a minha desordem.
O meu vasto querer.
O incompossível se fazendo ordem.
Colada à tua boca, mas descomedida
Árdua
Construtor de ilusões examino-te sôfrega
Como se fosses morrer colado à minha boca.
Como se fosse nascer
E tu fosses o dia magnânimo
Eu te sorvo extremada à luz do amanhecer.

( Do Desejo - 1992)

Hilda Hilst, nasceu na cidade de Jaú, interior do Estado de São Paulo, em 21 de Abril de 1930 e faleceu no dia 04 de fevereiro de 2004, na cidade de Campinas (SP).

Ler da mesma autora, neste blog: O Poeta Inventa Viagem, Retorno e Morre de Saudade

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2009-04-21

O Poeta Inventa Viagem, Retorno e Morre de Saudade - Hilda Hilst

imagem Lua CheiaLua Cheia imagem daqui

Se for possível, manda-me dizer:
- É lua cheia. A casa está vazia –
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
- é lua nova –
e revestida de luz te volto a ver.



ín Poesia Brasileira do Século XX, dos Modernistas à Actualidade, Antígona

Hilda Hilst (nasceu na cidade de Jaú, interior do Estado de São Paulo, em 21 de Abril de 1930 e faleceu no dia 04 de fevereiro de 2004, na cidade de Campinas (SP))

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