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2016-04-18

IDEAL - Antero de Quental



Aquela que eu adoro não é feita
De lírios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas lânguidas, divinas,
Da antiga Vénus de cintura estreita...

Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortais entre ruínas,
Nem a Amazona, que se agarra às crinas
Dum corcel e combate satisfeita...

A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...

É como uma miragem que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do Desejo...

Poema extraído de "366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal Editores"

Antero Tarquínio de Quental (n. em Ponta Delgada, 18 de abril de 1842 - m. Ponta Delgada, 11 de setembro de 1891)

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2015-09-11

MAIS LUZ! - Antero de Quental

Amem a noite os magros crapulosos,
E os que sonham com virgens impossíveis,
E os que se inclinam, mudos e impassíveis,
À borda dos abismos silenciosos...

Tu, Lua, com teus raios vaporosos,
Cobre-os, tapa-os e torna-os insensíveis,
Tanto aos vícios cruéis e inextinguíveis,
Como aos longos cuidados dolorosos!

Eu amarei a santa madrugada,
E o meio-dia, em vida refervendo,
E a tarde rumorosa e repousada.

Viva e trabalhe em plena luz: depois,
Seja-me dado ainda ver, morrendo,
O claro Sol, amigo dos heróis!

 Antero Tarquínio de Quental (n. Ponta Delgada, S.Miguel, Açores a 18 de abril 1842; m. em Ponta Delgada, a 11 setembro 1891)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Despondency


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2014-09-11

Nirvana - Antero de Quental

A Guerra Junqueiro

Para além do Universo luminoso,
Cheio de formas, de rumor, de lida,
De forças, de desejos e de vida,
Abre-se como um vácuo tenebroso.

A onda desse mar tumultuoso
Vem ali expirar, esmaecida...
Numa imobilidade indefinida
termina ali o ser, inerte, ocioso...

E quando o pensamento, assim absorto,
emerge a custo desse mundo morto
E torna a olhar as coisas naturais,

À bela luz da vida, ampla, infinita,
Só vê com tédio, em tudo quanto fita,
A ilusão e o vazio universais.


Sonetos (1861)

Antero Tarquínio de Quental (n. Ponta Delgada, S.Miguel, Açores a 18 de abril 1842; m. em Ponta Delgada, a 11 setembro 1891)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Despondency
Visita
Idílio
Consulta
O Que Diz a Morte
Ideal
Versos escritos num exemplar das «Flores do Mal»
Velut Umbra
Pepa (excerto)
Palácio da Ventura
Mors-Amor

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2014-04-18

Beatrice - Antero de Quental

Depois que dia a dia, aos poucos desmaiando,
Se foi a nuvem de ouro ideal que eu vira erguida;
Depois que vi descer, baixar do céu da vida
Cada estrela e fiquei nas trevas laborando:

Depois que sobre o peito os braços apertando
Achei o vácuo só, e tive a luz sumida
Sem ver já onde olhar, e em todo vi perdida
A flor do meu jardim, que eu mais andei regando:

Retirei os meus pés da senda dos abrolhos,
Virei-me a outro céu, nem ergo já meus olhos
Senão à estrela ideal, que a luz do amor contém...

Não temas pois - Oh vem! o Céu é puro, e calma
E silenciosa a terra, e doce o mar, e a alma...
A alma! não a vês tu? mulher, mulher! oh vem!

Antero Tarquínio de Quental (n. Ponta Delgada, S.Miguel, Açores a 18 Abr. 1842; m. em Ponta Delgada a 11 Set. 1891)

in Os dias do Amor, um poema para cada dia do ano
recolha, seleção e organização de Inês Ramos
Prefácio de Henrique Manuel Bento Fialho
Ministério dos Livros, 1ª. edição, 2009

Ler do mesmo autor, neste blog:
Visita
Despondency
Idílio
Consulta
O Que Diz a Morte
Ideal
Velut Umbra
Pepa (excerto)
Palácio da Ventura
Versos escritos num exemplar das «Flores do Mal»
Mors-Amor

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2013-09-11

Despondency - Antero de Quental

Deixá-la ir, a ave, a quem roubaram
Ninho e filhos e tudo, sem piedade…
Que a leve o ar sem fim da soledade
Onde as asas partidas a levaram…

Deixá-la ir, a vela, que arrojaram
Os tufões pelo mar, na escuridade,
Quando a noite surgiu da imensidade,
Quando os ventos do Sul se levantaram…

Deixá-la ir, a alma lastimosa,
Que perdeu fé e paz e confiança,
À morte queda, à morte silenciosa…

Deixá-la ir, a nota desprendida
D’um canto extremo… e a última esperança…
E a vida… e o amor… Deixá-la ir, a vida!


in Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade
Selecção, organização e intriodução de José Fanha e José Jorge Letria
Terramar

Antero Tarquínio de Quental (n. Ponta Delgada, S.Miguel, Açores a 18 Abr. 1842; m. em Ponta Delgada a 11 Set. 1891)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Visita
Idílio
Consulta
O Que Diz a Morte
Ideal
Versos escritos num exemplar das «Flores do Mal»
Velut Umbra
Pepa (excerto)
Palácio da Ventura
Mors-Amor

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2013-04-18

Visita - Antero de Quental


Adornou meu quarto a flor do cardo,
Perfumei-o de almíscar recendente;
Vesti-me com a púrpura fulgente,
Ensaiando meus cantos, como um bardo:

Ungi as mãos e a face com o nardo
Crescido nos jardins do Oriente,
A receber com pompa, dignamente,
Misteriosa visita a quem aguardo.

Mas que filha de reis, que anjo ou que fada
Era essa que assim a mim descia,
Do meu casebre à húmida pousada?...

Nem princesas, nem fadas. Era, flor,
Era a tua lembrança que batia
às portas de ouro e luz do meu amor!
 
Antero Tarquínio de Quental (n. Ponta Delgada, S.Miguel, Açores a 18 Abr. 1842; m. em Ponta Delgada a 11 Set. 1891)

in Os dias do Amor, um poema para cada dia do ano
recolha, seleção e organização de Inês Ramos
Prefácio de Henrique Manuel Bento Fialho
Ministério dos Livros, 1ª. edição, 2009

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Idílio
Consulta
O Que Diz a Morte
Ideal
Velut Umbra
Pepa (excerto)
Palácio da Ventura
Mors-Amor

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2012-09-11

Versos Escritos Num Exemplar Das «Flores do Mal» - Antero de Quental

As flores que nossa alma descuidada
Colhe na mocidade com mão casta,
São belas, sim: basta aspirá-las, basta
Uma vez, fica a gente enfeitiçada.

Nascem num prado ou riba sossegada,
Sob um céu puro e luz serena e vasta:
Têm fragância subtil, mas nunca exausta,
Falam d'Amor e Bem à alma enlevada...

Mas as flores nascidas sobre o asfalto
Dessas ruas, no pó e entre o bulício,
Sem ar, sem luz, sem um sorrir do alto,

Que têm elas, que assim nos endoidecem?
Têm o que mais as almas apetecem ...
Têm o aroma irritante e acre do Vício!

 [Primaveras Românticas, 1872]

Extraído de Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

Antero Tarquínio de Quental (n. Ponta Delgada, S.Miguel, Açores a 18 Abr. 1842; m. em Ponta Delgada a 11 Set. 1891)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Idílio
Consulta
O Que Diz a Morte
Ideal
Velut Umbra
Pepa (excerto)
Palácio da Ventura
Mors-Amor

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2012-04-18

Idílio - Antero de Quental (na passagem do 170º aniversário do poeta açoreano)

Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
colher nos vales lírios e boninas,
e galgamos dum fôlego as colinas,
dos rocios da noite inda orvalhadas,

ou, vendo o mar, das ermas encumeadas,
contemplamos as nuvens vespertinas,
que parecem fantásticas ruínas,
ao longe, no horizonte, amontoadas,

quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
sinto tremer-te a mão e empalidece...

O vento e o mar murmuram orações,
e a poesia das coisas se insinua
lenta e amorosa em nossos corações.


Antero Tarquínio de Quental (n. Ponta Delgada, S.Miguel, Açores a 18 Abr. 1842; m. em Ponta Delgada a 11 Set. 1891)

in A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Edições Unicepe 2004

Ler do mesmo autor, neste blog:
Consulta
O Que Diz a Morte
Ideal
Velut Umbra
Pepa (excerto)
Palácio da Ventura
Mors-Amor

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2011-09-11

Consulta - Antero de Quental, na passagem dos 120 anos sobre o seu desaparecimento

A Alberto Sampaio

Chamei em volta do meu frio leito
As memórias melhores de outra idade,
Formas vagas, que às noites, com piedade,
Se inclinam, a espreitar, sobre o meu peito...

E disse-lhes: - No mundo imenso e estreito
Valia a pena, acaso, em ansiedade
Ter nascido? Dizei-mo com verdade,
Pobres memórias que eu ao seio estreito.

Mas elas perturbaram-se - coitadas!
E empalideceram, contristadas,
Ainda a mais feliz, a mais serena...

E cada uma delas, lentamente,
Com um sorriso mórbido, pungente,
Me respondeu: — Não, não valia a pena!

(Sonetos, 1881)

in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

Antero Tarquínio de Quental (n. em Ponta Delgada, 18 de Abril de 1842 - m. 11 de Setembro de 1891)

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2010-09-11

VELUT UMBRA - Antero de Quental

Fumo e scismo. Os castelos do horizonte
Erguem-se, á tarde, e crescem, de mil cores,
E ora espalham no céo vivos ardores,
Ora fumam, vulcões de estranho monte...

Depois, que formas vagas vêm defronte,
Que parecem sonhar loucos amores?
Almas que vão, por entre luz e horrores,
Passando a barca d'esse aereo Acheronte...

Apago o meu charuto quando apagas
Teu facho, oh sol... ficamos todos sós...
É n'esta solidão que me consumo!

Oh nuvens do Occidente, oh cousas vagas,
Bem vos entendo a cor, pois, como a vós,
Beleza e altura se me vão em fumo!


Antero Tarquínio de Quental (Ponta Delgada, 18 de abril de 1842 — 11 de setembro de 1891)

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2010-04-18

Ideal - Antero de Quental

Aquela, que eu adoro, não é feita
De lírios nem de rosas purpurinas,
Não tem as formas lânguidas, divinas
Da antiga Vênus de cintura estreita...

Não é a Circe, cuja mão suspeita
Compõe filtros mortas entre ruínas,
Nem a Amazona, que se agarra às crinas
Dum corcel e combate satisfeita...

A mim mesmo pergunto, e não atino
Com o nome que se dê a essa visão,
Que ora amostra ora esconde o meu destino...

E como uma miragem que entrevejo,
Ideal, que nasceu na solidão,
Nuvem, sonho impalpável do Desejo...

Poema extraído de "366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal Editores"

Antero Tarquínio de Quental (n. em Ponta Delgada, 18 de Abril de 1842 - m. 11 de Setembro de 1891)

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2009-09-11

O que Diz a Morte - Antero de Quental

Deixai-os vir a mim, os que lidaram;
Deixai-os vir a mim, os que padecem;
E os que cheios de mágoa e tédio encaram
As próprias obras vãs, de que escarnecem...

Em mim, os Sofrimentos que não saram,
Paixão, Dúvida e Mal, se desvanecem.
As torrentes da Dor, que nunca param,
Como num mar, em mim desaparecem. -

Assim a Morte diz. Verbo velado,
Silencioso intérprete sagrado
Das cousas invisíveis, muda e fria,

É, na sua mudez, mais retumbante
Que o clamoroso mar; mais rutilante,
Na sua noite, do que a luz do dia.

Antero Tarquínio de Quental (n. em Ponta Delgada, 18 de Abril de 1842 - m. 11 de Setembro de 1891)

Ler do mesmo autor, neste blog: Palácio da Ventura; Mors-Amor ; Idílio.; Pepa (excerto)

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2009-04-18

Pepa (excerto) - Antero de Quental

Dá-me pois olhos e lábios;
Dá-me os seios, dá-me os braços;
Dá-me a garganta de lírio;
Dá-me beijos, dá-me abraços!

Empresta-me a voz ingénua
Para eu com ela orar
A oração de meus cantos
De teu seio no altar!

Empresta-me os pés, gazela,
Para que eu possa correr
O vasto mundo que se abre
Num teu rir, num teu dizer!

Presta-me a tua inocência,
Para eu ir ao céu voar, ..
Mas acende cá teus olhos
Para que eu possa voltar!

Por Deus to peço, senhora,
Que tu mo queiras fazer;
Dá-me os cílios de teus olhos
Para eu adormecer;

Por que, enquanto os tens abertos,
Sempre para aqui a olhar,
Não posso fechar os meus,
E sempre estou a acordar!

Pela Santa-Virgem peço
Que tu me queiras sorrir;
Porque eu tenho um lírio d'ouro
Há três anos por abrir,

E, se lhe deres um riso,
Há-de cuidar que é a aurora ...
E talvez que o lírio se abra,
Talvez que se abra nessa hora!

Por Alá, minha palmeira!
Quando ao sol me for deitar,
Faze sombra do meu lado ...
Porque eu quero-te abraçar!

D'amor te requeiro, ondina,
Quando te fores a erguer,
Ver-te no espelho das fontes ...
Porque eu quero-te beber!


Poema extraído de "Beija-me - uma antologia literária", 101 Noites 2007

Antero Tarquínio de Quental (n. em Ponta Delgada, 18 de Abril de 1842 - m. 11 de Setembro de 1891)

Ler do mesmo autor, neste blog: Palácio da Ventura; Mors-Amor ; Idílio.

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2008-09-11

PALÁCIO DA VENTURA - Antero de Quental

foto daqui

Sonho que sou um cavaleiro andante.
Por desertos, por sóis, por noite escura,
Paladino do amor, busco anelante
O palácio encantado da Ventura!

Mas já desmaio, exausto e vacilante,
Quebrada a espada já, rota a armadura…
E eis que súbito o avisto, fulgurante
Na sua pompa e aérea formosura!

Com grandes golpes bato à porta e brado:
Eu sou o Vagabundo, o Deserdado…
Abri-vos, portas d’ouro, ante meus ais!

Abrem-se as portas d’ouro, com fragor…
Mas dentro encontro só, cheio de dor,
Silêncio e escuridão - e nada mais!

Antero Tarquínio de Quental (n. 18 de Abr. 1891 em Ponta Delgada - m. 11 Set 1891 -suicídio-)

Ler do mesmo autor, neste blog: Idílio; Mors-amor

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2008-04-18

Mors-Amor - Antero de Quental

picture from here


Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,

Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: "Eu sou a Morte!"
Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"

Antero Tarquínio de Quental nasceu em Ponta Delgada (Açores) a 18 de Abril de 1842 e suicidou-se na mesma cidade da ilha de São Miguel a 11 de Setembro de 1891. Estanciou em Coimbra de 1858 a 1864 e aí obteve a formatura em Direito. Romanticamente anti-romântico, deu origem, em 1865, à famigerada Questão Coimbrã (polémica contra o Ultra-Romantismo) e promoveu, em 1871, as Conferências do Casino Lisbonense (proibidas pelo governo de então). Viajou até Paris em 1866 e até à América em 1869, além de se deslocar por várias vezes entre o seu arquipélago natal e o continente. Residiu em Vila do Conde de 1881 a 1890. Poeta e filósofo, foi o grão-mestre da chamada Geração de '70. Física (gastroplegia), psíquica (nevrose maníaco-depressiva) e metafisicamente (pessimismo) doente, o «génio que era um santo» teve o fim trágico que era de prever. A sua principal obra poética são os «Sonetos» (1886).

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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2007-04-18

Idílio - Antero de Quental

foto: lírios vermelhos


Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
colher nos vales lírios e boninas,
e galgamos dum fôlego as colinas,
dos rocios da noite inda orvalhadas,

ou, vendo o mar, das ermas encumeadas,
contemplamos as nuvens vespertinas,
que parecem fantásticas ruínas,
ao longe, no horizonte, amontoadas,

quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
sinto tremer-te a mão e empalidece...

O vento e o mar murmuram orações,
e a poesia das coisas se insinua
lenta e amorosa em nossos corações.

Antero Tarquínio de Quental (n. Ponta Delgada, S.Miguel, Açores a 18 Abr. 1842; m. em Ponta Delgada a 11 Set. 1891)

in A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Edições Unicepe 2004

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