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2016-08-17

Ideal - Fagundes Varela

Não és tu quem eu amo, não és!
Nem Teresa também, nem Ciprina;
Nem Mercedes a loira, nem mesmo
A travessa e gentil Valentina.

Quem eu amo te digo, está longe;
Lá nas terras do império chinês,
Num palácio de louça vermelha
Sobre um trono de azul japonês.

Tem a cútis mais fina e brilhante
Que as bandejas de cobre luzido;
Uns olhinhos de amêndoa, voltados,
Um nariz pequenino e torcido.

Tem uns pés... oh! que pés, Santo Deus!
Mais mimosos que uns pés de criança,
Uma trança de seda e tão longa
Que a barriga das pernas alcança.

Não és tu quem eu amo, nem Laura,
Nem Mercedes, nem Lúcia, já vês;
A mulher que minh'alma idolatra
É princesa do império chinês.

Luís Nicolau Fagundes Varela nasceu em Santa Rita do Rio Claro (RJ) a 17 de Agosto de 1841 e faleceu em Niterói (RJ) a 18 de Fevereiro de 1875.

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2015-08-17

A Despedida I - Fagundes Varela

Filha dos cerros onde o sol se esconde,
Onde brame o jaguar e a pomba chora,
São horas de partir, desponta a aurora,
Deixa-me que te abrace e que te beije.

Deixa-me que te abrace e que te beije,
Que sobre o teu meu coração palpite,
E dentro d'alma sinta que se agite
Quanto tenho de teu impresso nela.

Quanto tenho de teu impresso nela,
Risos ingênuos, prantos de criança,
E esses tão lindos planos de esperança
Que a sós na solidão traçamos juntos.

Que a sós na solidão traçamos juntos,
Sedentos de emoções, ébrios de amores,
Idólatras da luz e dos fulgores
De nossa mãe sublime, a natureza!

De nossa mãe sublime, a natureza,
Que nossas almas numa só fundira,
E a inspiração soprara-me na lira
Muda, arruinada nos mundanos cantos.

Muda, arruinada nos mundanos cantos,
Mas hoje bela e rica de harmonias,
Banhada ao sol de teus formosos dias,
Santificada à luz de teus encantos!

In Cantos do Ermo e da Cidade, 1869

Luís Nicolau Fagundes Varela nasceu em Santa Rita do Rio Claro (RJ) a 17 de agosto de 1841 e faleceu em Niterói (RJ) a 18 de fevereiro de 1875.

Ler do mesmo poeta, neste blog:
Ideal
Eu Passava Na Vida Errante;
Flor do Maracujá
Soneto: Desponta a estrela d'alva, a noite morre
Juvenília V

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2013-08-17

Ideal - Fagundes Varela

Não és tu quem eu amo, não és!
Nem Teresa também, nem Ciprina;
Nem Mercedes a loira, nem mesmo
A travessa e gentil Valentina.

Quem eu amo te digo, está longe;
Lá nas terras do império chinês,
Num palácio de louça vermelha
Sobre um trono de azul japonês.

Tem a cútis mais fina e brilhante
Que as bandejas de cobre luzido;
Uns olhinhos de amêndoa, voltados,
Um nariz pequenino e torcido.

Tem uns pés... oh! que pés, Santo Deus!
Mais mimosos que uns pés de criança,
Uma trança de seda e tão longa
Que a barriga das pernas alcança.

Não és tu quem eu amo, nem Laura,
Nem Mercedes, nem Lúcia, já vês;
A mulher que minh'alma idolatra
É princesa do império chinês.

Luís Nicolau Fagundes Varela nasceu em Santa Rita do Rio Claro (RJ) a 17 de Agosto de 1841 e faleceu em Niterói (RJ) a 18 de Fevereiro de 1875.

Ler do mesmo poeta, neste blog:
Eu Passava Na Vida Errante;
Flor do Maracujá
Soneto: Desponta a estrela d'alva, a noite morre
Juvenília V

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2012-02-18

Soneto: Desponta a estrela d'alva... - Fagundes Varela

Desponta a estrela d'alva, a noite morre.
Pulam no mato alígeros cantores,
E doce a brisa no arraial das flores
Lânguidas queixas murmurando, corre.

Volúvel tribo a solidão percorre
Das borboletas de brilhantes cores;
Soluça o arroio; diz a rola amores
Nas verdes balsas donde o orvalho escorre.

Tudo é luz e esplendor; tudo se esfuma
Às carícias d'aurora, ao céu risonho,
Ao flóreo bafo que o sertão perfuma!

Porém minh'alma triste e sem um sonho
Repete olhando o prado, o rio, a espuma:
- Oh! mundo encantador, tu és medonho!

Luís Nicolau Fagundes Varela nasceu em Santa Rita do Rio Claro (RJ) a 17 de Agosto de 1841 e faleceu de apoplexia em Niterói (RJ) a 18 de Fevereiro de 1875.

Ler do mesmo poeta, neste blog: Eu Passava Na Vida Errante; Flor do Maracujá


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2010-02-18

Eu passava na vida errante e vago - Fagundes Varela (aqui recordado na passagem do 135º. aniversário do seu desaparecimento)

foto: Cisne branco

Eu passava na vida errante e vago,
como o nauta perdido em noite escura,
mas tu te ergueste, peregrina e pura
como o cisne inspirado em manso lago.

Beijava a onda num soluço mago
das moles plumas a brilhante alvura,
e a voz, ungida de eternal doçura
roçava as nuvens em divino afago.

Vi-te... e nas chamas de fervor profundo,
a teus pés afoguei a mocidade,
esquecido de mim, de Deus, do mundo!...

Mas ai! cedo fugiste!... da soidade,
hoje te imploro desse amor tão fundo
uma ideia, uma queixa, uma saudade!

Luís Nicolau Fagundes Varela nasceu em Santa Rita do Rio Claro (RJ) a 17 de Agosto de 1841 e faleceu de apoplexia em Niterói (RJ) a 18 de Fevereiro de 1875. Cursou Direito, tanto no Recife, como em São Paulo, mas não chegou a diplomar-se, havendo, uma vez, naufragdo entre as duas cidades. Protótipo do "poeta maldito", foi um alcoólico de vida desregrada. Casou, primeiro com uma artista de circo (1862), da qual enviuvou, e voltou a consorciar-se, em 1869, com uma prima. O seu lirismo báquico ora traduz melancolia, tristeza, dúvida e angústia, ora sarcasmo e tédio. Tanto celebra a natureza e temas indianistas como revela preocupações sociais. Era antimonárquico, abolicionista e partidário de uma democracia igualitária. Para o fim, virou místico.

Soneto e nota biobibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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2009-02-17

Juvenília V - Fagundes Varela

Não vês quantos passarinhos
Se cruzam no azul do céu?
Pois olha, pomba querida,
Mais vezes,
Mais vezes te adoro eu.

Não vês quantas rosas belas
O sereno umedeceu?
Pois olha, flor de minh’alma,
Mais vezes,
Mais vezes te adoro eu.

Não vês quantos grãos de areia
Na praia o rio estendeu?
Pois olha, cândida pérola,
Mais vezes,
Mais vezes te adoro eu.

Ave, flor, perfume, canto,
Rainha do gênio meu,
Além da glória e dos anjos,
Mil vezes,
Mil vezes te adoro eu.

Luís Nicolau Fagundes Varella (n. na fazenda Santa Rita em Rio Claro, RJ, em 17 de Agosto de 1841, e faleceu em Niterói, RJ, em 17 de Fevereiro de 1875).

Ler do mesmo poeta, neste blog: Eu Passava Na Vida Errante; Flor do Maracujá

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2008-08-18

A Flor do Maracujá - Fagundes Varela

Flor de Maracujá foto de Reynaldo Monteiro daqui

Pelas rosas, pelos lírios,
Pelas abelhas, sinhá,
Pelas notas mais chorosas
Do canto do Sabiá,
Pelo cálice de angústias
Da flor do maracujá !
Pelo jasmim, pelo goivo,
Pelo agreste manacá,
Pelas gotas de sereno
Nas folhas do gravatá,
Pela coroa de espinhos
Da flor do maracujá.

Pelas tranças da mãe-d'água
Que junto da fonte está,
Pelos colibris que brincam
Nas alvas plumas do ubá,
Pelos cravos desenhados
Na flor do maracujá.

Pelas azuis borboletas
Que descem do Panamá,
Pelos tesouros ocultos
Nas minas do Sincorá,
Pelas chagas roxeadas
Da flor do maracujá !

Pelo mar, pelo deserto,
Pelas montanhas, sinhá !
Pelas florestas imensas
Que falam de Jeová !
Pela lança ensangüentado
Da flor do maracujá !

Por tudo que o céu revela !
Por tudo que a terra dá
Eu te juro que minh'alma
De tua alma escrava está !!..
Guarda contigo este emblema
Da flor do maracujá !

Não se enojem teus ouvidos
De tantas rimas em - a -
Mas ouve meus juramentos,
Meus cantos ouve, sinhá!
Te peço pelos mistérios
Da flor do maracujá!

Luís Nicolau Fagundes Varela (n. em Santa Rita do Rio Claro, Rio de Janeiro, em 18 de Agosto de 1841; m. em Niterói, Rio de Janeiro a 17 Fev. 1875).

Ler do mesmo autor, neste blog Eu passava na vida errante...

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2007-08-18

Eu passava na vida errante... - Fagundes Varela

foto: Cisne branco


Eu passava na vida errante e vago,
como o nauta perdido em noite escura,
mas tu te ergueste, peregrina e pura
como o cisne inspirado em manso lago.

Beijava a onda num soluço mago
das moles plumas a brilhante alvura,
e a voz, ungida de eternal doçura
roçava as nuvens em divino afago.

Vi-te... e nas chamas de fervor profundo,
a teus pés afoguei a mocidade,
esquecido de mim, de Deus, do mundo!...

Mas ai! cedo fugiste!... da soidade,
hoje te imploro desse amor tão fundo
uma ideia, uma queixa, uma saudade!

Luís Nicolau Fagundes Varela (n. em Santa Rita do Rio Claro (RJ), em 18 de Agosto de 1841; m. em Niterói (RJ) a 17 Fev. 1875).

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