Blog Widget by LinkWithin
Mostrar mensagens com a etiqueta William Shakespeare. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta William Shakespeare. Mostrar todas as mensagens

2014-04-23

Soneto 28 de William Shakespeare, versão de Carlos de Oliveira

Como voltar feliz ao meu trabalho
se a noite não me deu nenhum sossego?
A noite, o dia, cartas dum baralho
sempre trocadas neste jogo cego.

Eles dois, inimigos de mãos dadas,
me torturam, envolvem no seu cerco
de fadiga, de dúbias madrugadas:
e tu, quanto mais sofro mais te perco.

Digo ao dia que brilhas para ele,
Que desfazes as nuvens do seu rosto;
digo à noite sem estrelas que és o mel

na sua pele escura: o oiro, o gosto.
Mas dia a dia alonga-se a jornada
e cada noite a noite é mais fechada.

Transcrito de Obras de Carlos de Oliveira, Editorial Caminho, Lisboa, 1992.


SONNET 28

How can I then return in happy plight,
That am debarred the benefit of rest?
When day’s oppression is not eased by night,
But day by night and night by day oppressed?
And each (though enemies to either’s reign)
Do in consent shake hands to torture me,
The one by toil, the other to complain
How far I toil, still farther off from thee.
I tell the day to please him thou art bright,
And dost him grace when clouds do blot the heaven;
So flatter I the swart-complexioned night,
When sparkling stars twire not thou gild’st the even.
But day doth daily draw my sorrows longer,
And night doth nightly make grief’s length seem stronger.

in Complete Sonnets and Poems, edited by Colin Burrow, Oxford University Press, 2002.

William Shakespeare (b. Stratford-upon-Avon, Warwickshire, England, born probably on 23 April 1564 - baptised 26 April 1564; died Stratford-upon-Avon, Warwickshire, England, 23 April 1616)

De ti me separei na Primavera
Sonnet XVIII / Soneto XVIII
Music to Hear (Sonnet VIII)


Read More...

2011-04-23

Sonnet XVIII / Soneto XVIII - William Shakespeare

Shall I compare thee to a summer's day?
Thou art more lovely and more temperate;
Rough winds do shake the darling buds of May,
And summer's lease hath all too short a date;
Sometime too hot the eye of heaven shines,
And often is his gold complexion dimm'd;
And every fair from fair sometime declines,
By chance or nature's changing course untrimm'd;
But thy eternal summer shall not fade,
Nor lose possession of that fair thou ow'st;
Nor shall Death brag thou wander'st in his shade,
When in eternal lines to time thou grow'st:
So long as men can breathe or eyes can see,
So long lives this, and this gives life to thee.


Versão em Português

Comparar-te a um dia de verão?
Há mais ternura em ti, ainda assim:
um maio em flor às mãos do furacão,
o foral do verão que chega ao fim.
Por vezes brilha ardendo o olhar do céu;
outras, desfaz-se a compleição doirada,
perde beleza a beleza; e o que perdeu
vai no acaso, na natureza, em nada.
Mas juro-te que o teu humano verão
será eterno; sempre crescerás
indiferente ao tempo na canção;
e, na canção sem morte, viverás:
Porque o mundo, que vê e que respira,
te verá respirar na minha lira.


Tradução de Carlos de Oliveira

William Shakespeare (b. Stratford-upon-Avon, Warwickshire, England, born probably on 23 April 1564 - baptised 26 April 1564-; died Stratford-upon-Avon, Warwickshire, England, 23 April 1616)

Read More...

2010-04-23

Music to hear (Sonnet VIII) - William Shakespeare

Music to hear, why hear'st thou music sadly?
Sweets with sweets war not, joy delights in joy:
Why lov'st thou that which thou receiv'st not gladly,
Or else receiv'st with pleasure thine annoy?
If the true concord of well-tuned sounds,
By unions married, do offend thine ear,
They do but sweetly chide thee, who confounds
In singleness the parts that thou shouldst bear.
Mark how one string, sweet husband to another,
Strikes each in each by mutual ordering;
Resembling sire and child and happy mother,
Who, all in one, one pleasing note do sing:
Whose speechless song being many, seeming one,
Sings this to thee: 'Thou single wilt prove none.'

Em Português

És música e a música ouves triste?
Doçura atrai doçura e alegria:
Porque amas o que a teu prazer resiste,
Ou tens prazer só na melancolia?
Se a concórdia dos sons bem afinados,
Por casados, ofende o teu ouvido,
São-te branda censura, em ti calcados,
Porque de ti deviam ter nascido.
Vê que uma corda a outra casa bem
E ambas se fazem mútuo ordenamento,
Como marido e filho e feliz mãe.
Que, todos num, cantam de encantamento:
É canção sem palavras, vária e em
Uníssono: "só não serás ninguém".

Tradução de Vasco da Graça Moura

William Shakespeare (b. Stratford-upon-Avon, Warwickshire, England, baptised 26 April 1564; died Stratford-upon-Avon, Warwickshire, England, 23 April 1616)

Read More...

2009-04-23

De ti me separei na Primavera .... William Shakespeare

De ti me separei na Primavera:
quando o radioso Abril, ao sol voando,
em cor e luz, a plenas mãos, cantando,
nova alegria entorna pela esfera…

No viridente bosque até dissera
o pesado Saturno ver folgando…
Porém nem cor vistosa ou cheiro brando
lograram incender minha quimera.

A brancura dos lírios, não a vi…
O vermelhão das rosas, desmaiava…
Eram fantasmas só: ao pé de ti
- o seu modelo - quanto lhes faltava!

Par’cia inverno; e eu, a viva alfombra,
só pude imaginá-la a tua sombra.


Trad. de Luiz Cardim em "Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro", Assírio & Alvim

William Shakespeare (n. Stratford-upon-Avon ,Warwickshire, Inglaterra, em 23 de Abril de 1564* — m. Stratford-upon-Avon, 23 de Abril de 1616*)

*Calendário Juliano

Read More...