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2016-10-12

Cai a tarde - Fernando Semana


Cai a tarde, esvanece-se-me a alma
O dia esvai-se a caminho do fim
Lá fora sibila o vento - um açoite -
Corre o frio bem cá dentro de mim.

Como um náufrago abraço a calma
Das marés sem correnteza do amor.
Mas se o dia se espraia à noite
Sinto já saudades do seu fulgor.

À noitinha, afogo-me nas estrelas
E adormeço as mágoas no meu leito
Vêm-me salvar, no sonho, as sereias,
Avivar a esperança no meu peito...

E como a manhã renasce bela
Com o Sol a bater-me na janela
Olvido o que na véspera foi mau
E reacerto o compasso da nau.

Fernando Semana é natural de Valbom, do concelho de Gondomar, onde nasceu em 1957; contabilista e economista de profissão é aprendiz de poeta nas horas vagas; é o autor do blog Nothingandall (www.nothingandall.blogspot.com)

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2016-05-19

Divagações III - Fernando Semana


O peixe sulca a água mexendo alegremente as barbatanas
A criança, com a testa encostada ao vidro, imerge...
Quando soa - e todo o equilíbrio do mundo se transforma - :
"Oh peixinho vermelho, como vieste aqui parar?"
O peixe inquieta-se, pelo seu infortúnio ou por não ter memória
A criança não se apercebe do efeito das perguntas simples
E corre em direcção da mãe… para outra pergunta incómoda.

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2016-05-05

Soneto Impróprio - Fernando Semana


Saudade enternecida me atormenta
Do teu mavioso olhar na despedida,
Dos sons dos sapatos em passada lenta,
Mais do que da tua silhueta despida…

Porque permanecem momentos subtis
E fenecem outros mais extremos de altos
E baixos? São ermos os pensamentos vis:
Nascemos, morremos, somos intervalos!

Não me conforta a consolação do verso
Mostrar que a rítmica não desfalece
Se em mim a esperança se desvanece
De ouvir teus passos apressados de regresso

Do mote da minha vida: esta ambição
Faz o impróprio soneto confissão.

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2016-02-23

As gaivotas - Fernando Semana


Grasnam as gaivotas no ar, pipilantes,
Sobre árvores desnudas na cidade fria
São como gritos de agonia revoltantes
Longe da costa… de moela vazia
Alto grasnas… e ainda alto voas
Já tão longe do mar, povoas
- Ó Charadriiformes Lari, Laridae!-
Os céus cinzentos da cidade…
Eu já não voo, não tenho vontade
Eu já não grito, lamentos por ti, Mãe!

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2016-02-02

Monocromia - Fernando Semana


Um improvisado sofrer resulta
Desta soturna luz cinza invernal
Que se espraia pela cidade estulta
Como sombria tinta de jornal

Mas é a monótona cor do tempo
Que na realidade me transtorna
Ou constitui apenas fundamento
Para adornar a dor que já vigora?

Quem sabe se é do tempo, se é do tempo
Que já não vejo a cor dos seus olhos...
Seja qual for a razão do lamento

Que permanece em mim e se demora
Já é tempo desta cor se ir embora
E de vendo-a ver cores aos molhos.


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2016-01-15

Paroles, paroles... - Fernando Semana


Que interesse tem o que eu digo
Para as paredes que me rodeiam
Se não fazem eco nem, por um postigo
Aberto, as palavras se incendeiam?

Tudo fica na mesma, sem mel nem fel…
Melhor pintar letras em branco papel!
Sempre subsistem as nódoas de tinta
Mesmo que, através da mão, eu minta...

E quem sabe, o tempo e o vento as leve!

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2015-11-07

Adormecer - Fernando Semana

Espero de manhã
que a tarde flua.
À tarde, que venha
Depressa a noite,
A alva lua
Alvoreça

O ciclo é um rodopio...

Espero do negro pássaro
o grito do silêncio
Anunciar o fugaz momento
Em que nada se suceda
E ledo, quedo
Adormeça.

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2015-10-12

Poema simples - Fernando Semana

Amo-te!
Este é o poema mais simples que posso dizer
E o mais difícil de explicar.

Cala-te!
Não o estragues com mais palavras.
Beija-me e. (ponto)

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2015-08-09

Conclusão - Fernando Semana


Imagem daqui


Não quero concluir
Que o nosso amor foi uma invenção.
Agora que já vai longe a despedida
E a nau segue calma,
Nas marés sem correnteza,
Prefiro sentir na alma
A certeza:
De nós quem mudou fui eu!
Assim, como a noite sucede ao dia
A chama se desvaneceu
Depois da madeira ardida...

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2015-07-03

Caminhada - Fernando Semana

Não esperes compreensão pelo defeito
Mesmo que bom trabalho antes tenhas feito.
As coisas são fátuas e os homens fúteis,
As vitórias voam e as derrotas são inúteis.

Cada novo dia é uma provocação:
Uma oportunidade, tantas ameaças.
Faz tanto, mas por mais que faças
Não te iludas, faltará a conclusão:

Estás sempre a meio do caminho!
Prossegue e bebe um copo de vinho.
Busca não estar contra os outros

Mas vive, em especial, de bem contigo.
Se a métrica nem a rima consigo
Sejam os versos livres mas não neutros.


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2015-04-17

Divagações II - Fernando Semana



Sentei-me, pedi um café. Distraidamente, olhava para o espelho e por via indirecta via quem entrava, com azáfama ou quem apenas parecia querer passar as horas e sorria. O que passou as horas à espera dum momento de atenção, sem qualquer sorriso ou reflexão de sentimento - a não ser, porventura, o pedido de lhe ser tomado o gosto - foi o café, entretanto, na mesa posto, ali mesmo ao pé…

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2015-04-16

Divagações

Lembro-me do dia em que comi pela primeira vez um figo. Em outro, uma romã. Que beleza! Que arquitectura! Que poesia... Bastou-me comer um figo, numa manhã de certo dia, uma romã. Fiquei com a certeza e ainda a sensação perdura - que perigo! - de que agradeceria à Natureza ter nascido só para saborear a romã e o figo... Porém, hoje suspiro por um dióspiro. Conheço um amigo que sei que escolheria antes uma laranja e aquela rapariga, ali, de franja!...

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2014-12-13

Ler as estrelas - Fernando Semana

Criança, olhava eu para as estrelas, certa vez,
fascinado, enquanto coisas longínquas e belas,
e disse-me, austera mas terna, a minha mãe:
Não apontes para o céu que te nascem cravos nas mãos.
Amén: nas minhas mãos nasceram cravos...
E assim fiquei analfabeto em estrelês.

Tantos anos volvidos, dou-me a olhar para as estrelas,
Ainda fascinado pelas coisas longínquas e belas,
Com redobrada curiosidade, a querer lê-las,
Mas não sei decifrar o que elas me dizem...

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2014-10-12

Aniversário depois dos cinquenta - Fernando Semana

Torna-se uma aventura desconfortável
Acrescentar anos depois dos cinquenta:
Refletir ao espelho... é inevitável
E algo diferente nos apoquenta…

Ressurgem as introspeções, os balanços
Dos sonhos perdidos, das lutas banais,
Dos amores e da vida aos solavancos
- indeléveis contrastes emocionais -,

Parcas alegrias, saudades, enganos,
Mas com a esperança de que, pelo caminho,
Ao menos no dia em que completas anos,

Se torne claro como o foi p'ra Pavia:
- «Em ti amadurece a vida como um vinho
obscuro e raro... Que mais queres?»- Aprecia!


Fernando Semana, é economista a tempo inteiro, e aprendiz de poeta nas horas vagas, tendo nascido na freguesia de Valbom, do concelho de Gondomar, a 12 de outubro de 1957

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2014-09-24

Outono - Fernando Semana



Quedam as folhas ocres, rumores subtis,
Extintas são as alegrias primaveris...
E as penumbras das tardes purpúricas
Alimentam o sonho das artes pictóricas.

Mas oco, vago, pelo jardim perambulo
Como, na madrugada, um sonâmbulo.
Com o imo silêncio me desgoverno
Na antecâmara do prenunciado Inverno.

Vai… Ultrapassa essa diáfana calma
Antes quero o calor tórrido, o frio agreste
E à brisa suave prefiro o vento leste…

Onde param as tardes esperançosas
Das noites magníficas e voluptuosas
Em que refulgiam o corpo e a alma?


Fernando Semana nasceu em Valbom, concelho de Gondomar a 12 de Outubro de 1957

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2014-08-21

Esperança - Fernando Semana

Espero
Desespero
Por uma notícia boa
- «joaninha voa, voa
que o teu pai está em Lisboa» -
Que sem saber
ler nem escrever
Dê sentido a este viver.
- Tô! - Já és bis-avô,
Teus netos sairam do favo
ao início do mês oitavo.
Estão bem.
A mãe também!...

Fernando Semana, economista de profissão («poeta» nas horas vagas), nasceu em Valbom do concelho de Gondomar a 12 de outubro de 1957.

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2014-08-14

Meditação sobre o desperdício

A morte de alguém conhecido traz-nos, por momentos, à realidade etérea da vida e mostra-nos quão vã e futilmente, em grande parte, a desperdiçamos. Um pouco mais tarde voltamos à hipnose em que, acordados, vivemos sonambulamente (continuando a desperdiçá-la)...

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2014-08-11

Reticências e Interstícios - Fernando Semana

Vivem em mim as reminiscências
Da praia dos teus olhos, solstícios!


Fernando Semana

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2014-07-25

Insónia - Fernando Semana


Ó meretriz dos ventos
Em teus sábios movimentos
de elipse,
arranca-me os pensamentos
Traz-me um eclipse
da memória
E liberta-me da insónia

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2014-06-23

São João



Se o São João soubesse
O que por ti eu sinto
Talvez ele dissesse:
Esquece e bebe um tinto!

Fernando Semana

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