Cai a tarde - Fernando Semana
Cai a tarde, esvanece-se-me a alma
O dia esvai-se a caminho do fim
Lá fora sibila o vento - um açoite -
Corre o frio bem cá dentro de mim.
Como um náufrago abraço a calma
Das marés sem correnteza do amor.
Mas se o dia se espraia à noite
Sinto já saudades do seu fulgor.
À noitinha, afogo-me nas estrelas
E adormeço as mágoas no meu leito
Vêm-me salvar, no sonho, as sereias,
Avivar a esperança no meu peito...
E como a manhã renasce bela
Com o Sol a bater-me na janela
Olvido o que na véspera foi mau
E reacerto o compasso da nau.
Fernando Semana é natural de Valbom, do concelho de Gondomar, onde nasceu em 1957; contabilista e economista de profissão é aprendiz de poeta nas horas vagas; é o autor do blog Nothingandall (www.nothingandall.blogspot.com)





















