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2015-06-11

O Relógio - Gonçalves Crespo




No álbum de Eduardo Burnay

Ebúrneo é o mostrador: as horas são de prata
Lê-se a firma Breguet por baixo do gracioso
Rendilhado ponteiro; a tampa é enorme e chata:
Nela o esmalte produz um quadro delicioso.

Repara: eis um salão: casquilho malicioso
Das festas cortesãs o mimo, a flor, a nata,
Junto a um cravo sonoro a alegre voz desata.
Uma fidalga o escuta ébria de amor e gozo.

Rasga-se ampla a janela; ao longe o olhar descobre
O correto jardim e o parque extenso e nobre.
As nuvens no alto céu flutuam como espumas.

Da paisagem no fundo, em lago transparente,
Onde se espelha o azul e o laranjal frondente,
Um cisne à luz do sol estende as níveas plumas.

in Poemas Portugueses Antologia das Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de junho de 1883.

 Ler do mesmo autor:
Na Aldeia
O Coveiro
A Noiva
Num Leque
Nunca eu te lesse, balada!
Na Roça
Mater Dolorosa

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2015-03-11

Na Aldeia - Gonçalves Crespo

Duas horas da tarde. Um sol ardente
nos colmos dardejando e nos eirados.
Sobreleva aos sussurros abafados
o grito das bigornas estridente.

A taberna é vazia; mansamente
treme o loureiro nos umbrais pintados;
zumbem à porta insectos variegados,
envolvidos do sol na luz tremente.

Fia à soleira uma velhinha: o filho
no céu mal acordou da aurora o brilho
saiu para os cansaços da lavoura.

A nora lava na ribeira, e os netos
ao longe correm seminus, inquietos,
no mar ondeante da seara loura.


in Poemas Portugueses Antologia das Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de junho de 1883.

Ler do mesmo autor:
A Noiva
O Relógio
Nunca eu te lesse, balada!
Na Roça
Mater Dolorosa
O Coveiro

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2014-06-11

Na Aldeia - Gonçalves Crespo

Duas horas da tarde. Um sol ardente
nos colmos dardejando e nos eirados.
Sobreleva aos sussurros abafados
o grito das bigornas estridente.

A taberna é vazia; mansamente
treme o loureiro nos umbrais pintados;
zumbem à porta insectos variegados,
envolvidos do sol na luz tremente.

Fia à soleira uma velhinha: o filho
no céu mal acordou da aurora o brilho
saiu para os cansaços da lavoura.

A nora lava na ribeira, e os netos
ao longe correm seminus, inquietos,
no mar ondeante da seara loura.


in Poemas Portugueses Antologia das Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de Março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de Junho de 1883.

Ler do mesmo autor:
O Coveiro
A Noiva
Num Leque
O Relógio
Nunca eu te lesse, balada!
Na Roça
Mater Dolorosa

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2014-03-11

NUM LEQUE - Gonçalves Crespo

Amar e ser amado, que ventura
Não amar sendo amado, é um triste horror
Mas na vida há uma noite mais escura,
É amar alguém que não nos tenha amor!


in Obras Completas de Gonçalves Crespo, Tavares Cardoso & Irmão - Editores, Lisboa, 1897

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de Março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de Junho de 1883.

Ler do mesmo autor:
A Noiva
Na Aldeia
O Relógio
Nunca eu te lesse, balada!
Na Roça
Mater Dolorosa
O Coveiro


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2013-06-11

Na Aldeia - Gonçalves Crespo


Duas horas da tarde. Um sol ardente
nos colmos dardejando e nos eirados.
Sobreleva aos sussurros abafados
o grito das bigornas estridente.

A taberna é vazia; mansamente
treme o loureiro nos umbrais pintados;
zumbem à porta insectos variegados,
envolvidos do sol na luz tremente.

Fia à soleira uma velhinha: o filho
no céu mal acordou da aurora o brilho
saiu para os cansaços da lavoura.

A nora lava na ribeira, e os netos
ao longe correm seminus, inquietos,
no mar ondeante da seara loura.

in Poemas Portugueses Antologia das Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de Março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de Junho de 1883.

Ler do mesmo autor:
A Noiva
O Relógio
Nunca eu te lesse, balada!
Na Roça
Mater Dolorosa
O Coveiro

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2013-03-11

A Noiva - Gonçalves Crespo


A noiva passa rindo
De rosas coroada,
Como um botão surgindo
Á luz da madrugada.

Na fronte imaculada
O véu lhe desce lindo,
E a brisa enamorada
Lhe furta um beijo infindo.

Ante o altar se inclina
A noiva, e purpurina
Murmura a medo: «Sim.»

Agora é noite; a lua
No céu azul flutua,
E o noivo diz: «Enfim!»

Extraído de Obras Completas, Tavares Cardoso & Irmão - Editores, Lisboa 1897 (com adaptação da ortografia)

António Cândido Gonçalves Crespo (n. Rio de Janeiro a 11 Mar 1846; m. em Lisboa a 11 Jun 1883)

Ler do mesmo autor:
Mater Dolorosa
O Coveiro
Na Aldeia
O Relógio
Nunca eu te lesse, balada!
Na Roça

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2012-06-11

Mater Dolorosa - Gonçalves Crespo

foto: Angústia, quadro de David Alfaro Siqueiros

Quando se fez ao largo a nave escura,
na praia essa mulher ficou chorando,
no doloroso aspecto figurando
a lacrimosa estátua da amargura.

Dos céus a curva era tranquila e pura;
das gementes alcíones o bando
via-se ao longe, em círculos, voando
dos mares sobre a cérula planura.

Nas ondas se atufara o Sol radioso,
e a Lua sucedera, astro mavioso,
de alvor banhando os alcantis das fragas...

E aquela pobre mãe, não dando conta
que o Sol morrera, e que o luar desponta,
a vista embebe na amplidão das vagas...

António Cândido Gonçalves Crespo (n. Rio de Janeiro a 11 Mar 1846; m. em Lisboa a 11 Jun 1883)

Ler do mesmo autor:
O Coveiro
Na Aldeia
O Relógio
Nunca eu te lesse, balada!
Na Roça

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2011-06-11

O Coveiro - Gonçalves Crespo

A Alberto Braga

Ele entrou cabisbaixo e silencioso
Na imunda tasca, e foi sentar-se a um canto,
Deram-lhe vinho, recusou, o espanto
Cresceu no olhar do taberneiro oleoso.

Ele era o mais antigo e o mais ruidoso
Dos fregueses da casa: ao obscuro canto
Ninguém prestava mais lascivo encanto
Ao som magoado de um violão choroso.

Mas o velho sentara-se distante
Da alegre turba, a vista lacrimante
Mergulhada nas chamas do brasido...

Disse um da roda: "espanta-me o coveiro!"
- Morreu-lhe há pouco a filha... - distraído
Volveu da bisca um contumaz parceiro.


in Poemas Portugueses Antologia das Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de Março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de Junho de 1883.

Ler do mesmo autor:
Na Aldeia
O Relógio
Nunca eu te lesse, balada!
Na Roça
Mater Dolorosa

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2010-06-11

Na Aldeia - Gonçalves Crespo

Duas horas da tarde. Um sol ardente
nos colmos dardejando e nos eirados.
Sobreleva aos sussurros abafados
o grito das bigornas estridente.

A taberna é vazia; mansamente
treme o loureiro nos umbrais pintados;
zumbem à porta insectos variegados,
envolvidos do sol na luz tremente.

Fia à soleira uma velhinha: o filho
no céu mal acordou da aurora o brilho
saiu para os cansaços da lavoura.

A nora lava na ribeira, e os netos
ao longe correm seminus, inquietos,
no mar ondeante da seara loura.


in Poemas Portugueses Antologia das Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de Março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de Junho de 1883.

Ler do mesmo autor:
O Relógio
Nunca eu te lesse, balada!
Na Roça
Mater Dolorosa

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2010-03-11

O Relógio - Gonçalves Crespo




No álbum de Eduardo Burnay

Ebúrneo é o mostrador: as horas são de prata
Lê-se a firma Breguet por baixo do gracioso
Rendilhado ponteiro; a tampa é enorme e chata:
Nela o esmalte produz um quadro delicioso.

Repara: eis um salão: casquilho malicioso
Das festas cortesãs o mimo, a flor, a nata,
Junto a um cravo sonoro a alegre voz desata.
Uma fidalga o escuta ébria de amor e gozo.

Rasga-se ampla a janela; ao longe o olhar descobre
O correto jardim e o parque extenso e nobre.
As nuvens no alto céu flutuam como espumas.

Da paisagem no fundo, em lago transparente,
Onde se espelha o azul e o laranjal frondente,
Um cisne à luz do sol estende as níveas plumas.

in Poemas Portugueses Antologia das Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de Março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de Junho de 1883.

Ler do mesmo autor:
Nunca eu te lesse, balada!
Na Roça
Mater Dolorosa

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2009-03-11

Nunca eu te lesse, balada! - Gonçalves Crespo


(...)

Ontem, à tarde, beijando-a
De teu lábio a viva rosa,
Lembrou-me a historia singela
Dessa balada amorosa;
E dentro em mim de repente
Tão estranha dor senti,
Que num ímpeto demente
De teu lábio úmido e ardente
Com torvo aspecto fugi!

Lembrou-me, cabeça louca!
Que se eu acaso morresse,
Talvez um outro sorvesse
Os beijos da tua bôca...

E no azul indefinido,
Ó minha piedosa anémona!
Cuidei ouvir o gemido
Da moribunda Desdémona...

Ai desavindo amor!
Perdoa, sombra adorada!
Nunca eu te avistasse flor!
Nunca eu te lesse, balada!

in Os dias do Amor, um poema para cada dia do ano, recolha, selecção e organização de Inês Ramos; prefácio de Henrique Manuel Bento Fialho. Ministério dos Livros, 2009.

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de Março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de Junho de 1883.

Ler do mesmo autor Na Roça; Mater Dolorosa

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2008-06-11

Na Roça - Gonçalves Crespo

Chegando da Roça de Jocelino Soares daqui


Cercada de mestiças, no terreiro,
cisma a Senhora Moça; vem descendo
a noite e, pouco a pouco, escurecendo
o vale umbroso e o monte sobranceiro.

Brilham insectos no capim rasteiro,
vêm das matas os negros recolhendo;
na longa estrada, ecoa esmorecendo
o monótono canto de um tropeiro.

Atrás das grades, pardas borboletas,
crianças nuas lá se vão inquietas
na varanda, correndo, ladrilhada.

Desponta a lua, o sabiá gorgeia,
enquanto às portas do curral ondeia
a mugidora fila da boiada...

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de Março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de Junho de 1883. Filho de português e mestiça, veio para Portugal aos 14 anos e matriculou-se, em 1870, na universidade de Coimbra, onde concluiu o bacharelato em Direito em 1875. Casou com a escritora Maria Amália Vaz de Carvalho (12 de Março de 1874) e foi deputado pelo círculo da Índia (1879 e 1884). Apesar de naturalizado português, é autor de alguns poemas tipicamente brasileiros. Não é por acaso que o principal expoente do Parnasianismo português é natural do Brasil, país onde esse movimento literário haveria de conhecer grande voga. Estreou-se com «Miniaturas» (1871), donde foi extraído o soneto «Na Roça», sendo os outros dois dos «Nocturnos» (1882).

Soneto e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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2007-06-11

Mater Dolorosa - Gonçalves Crespo

foto: Angústia, quadro de David Alfaro Siqueiros


Quando se fez ao largo a nave escura,
na praia essa mulher ficou chorando,
no doloroso aspecto figurando
a lacrimosa estátua da amargura.

Dos céus a curva era tranquila e pura;
das gementes alcíones o bando
via-se ao longe, em círculos, voando
dos mares sobre a cérula planura.

Nas ondas se atufara o Sol radioso,
e a Lua sucedera, astro mavioso,
de alvor banhando os alcantis das fragas...

E aquela pobre mãe, não dando conta
que o Sol morrera, e que o luar desponta,
a vista embebe na amplidão das vagas...

António Cândido Gonçalves Crespo (n. Rio de Janeiro a 11 Mar 1846; m. em Lisboa a 11 Jun 1883)

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