Nem a distança das mia - Zé da Luz
Severino de Andrade Silva (Zé da Luz), nasceu em Itabaiana em 29 de março de 1904 e faleceu no Rio de Janeiro em 12 de fevereiro de 1965. Read More...
Amor, morte, poesia, política, actualidade, futebol, efemérides, solidão, paz, humor, musica...tudo e nada; Here we talk about life, love, death,
On this day in History, poetry, politics, football (soccer), solitude, peace, humour, music ... nothing and all.
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terça-feira, março 29, 2016
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Labels: literatura de cordel, Zé da Luz
Eu de tanto ouvir falar
Dos danos que a fome faz,
Um dia eu sai atrás
Da casa que ela mora.
Passei mais de uma hora
Rodando numa favela
Por gueto, beco e viela,
Mas voltei desanimado,
Aborrecido e cansado.
Sem ter visto o rosto dela.
Vi a cara da miséria
Zombando da humildade,
Vi a mão da caridade
Num gesto de um mendigo
Que dividiu o abrigo,
A cama e o travesseiro,
Com um velho companheiro
Que estava desempregado,
Vi da fome o resultado,
Mas dela nem o roteiro.
Vi o orgulho ferido
Nos braços da ilusão
Vi pedaços de perdão
Pelos iníquos quebrados,
Vi sonhos despedaçados
Partidos antes da hora,
Vi o amor indo embora,
Vi o tridente da dor,
Mas nem de longe via a cor
Da casa que a fome mora.
Vi num barraco de lona
Um fio de esperança,
Nos olhos de uma criança,
De um pai abandonado,
Primo carnal do pecado,
Irmão dos raios da lua,
Com as costas seminuas
Tatuadas de caliça,
Pedindo um pão de justiça
Do outro lado da rua.
Vi a gula pendurada
No peito da precisão,
Vi a preguiça no chão
Sem ter força de vontade,
Vi o caldo da verdade
Fervendo numa panela
Dizendo: aqui ninguém come!
Ouvi os gritos da fome,
Mas não vi a boca dela.
Passei a noite acordado
Sem saber o que fazer,
Louco, louco pra saber
Onde a fome residia
E por que naquele dia
Ela não foi na favela
E qual o segredo dela,
Quando queria pisava,
Amolecia e Matava
E ninguém matava ela?
No outro dia eu saio
De novo a procura dela,
Mas não naquela favela,
Fui procurar num sobrado
Que tinha do outro lado
Onde morava um sultão.
Quando eu pulei o portão
Eu vi a fome deitada
Em uma rede estirada
No alpendre da mansão.
Eu pensava que a fome
Fosse magricela e feia,
Mas era uma sereia
De corpo espetacular
E quem iria culpar
Aquela linda princesa
De tirar o pão da mesa
Dos subúrbios da cidade
Ou pisar sem piedade
Numa criança indefesa?
Engoli três vezes nada
E perguntei o seu nome
Respondeu-me: sou a fome
Que assola a humanidade,
Ataco vila e cidade,
Deixo o campo moribundo,
Eu não descanso um segundo
Atrofiando e matando,
Me escondendo e zombando
Dos governantes do mundo.
Me alimento das obras
Que são superfaturadas,
Das verbas que são guiadas
Pro bolsos dos marajás
E me escondo por trás
Da fumaça do canhão,
Dos supérfluos da mansão,
Da soma dos desperdícios,
Da queima dos artifícios
Que cega a população
Tenho pavor da justiça
E medo da igualdade,
Me banho na vaidade
Da modelo desnutrida
Da renda mal dividida
Na mão do cheque sem fundo,
Sou pesadelo profundo
Do sonho do bóia fria
E almoço todo dia
Nos cinco estrelas do mundo.
Se vocês continuarem
Me caçando nas favelas,
Nos lamaçais das vielas,
Nunca vão me encontar,
Eu vou continuar
Usando o terno Xadrez,
Metendo a bola da vez,
Atrofiando e matando,
Me escondendo e zombando
Da Burrice de vocês.
Antônio Francisco Teixeira de Melo nasceu em Mossoró, Rio Grande do Norte, Brasil, a 21 de outubro de 1949
Pode ainda ouvir "Os Animais Têm Razão"
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quarta-feira, outubro 21, 2015
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sexta-feira, setembro 20, 2013
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Labels: Apolônio Alves, literatura de cordel
E porque as eleições autárquicas estão à porta...
Existem muitos políticos
Repletos de malandragem
Que no tempo das campanhas
Esbanjam camaradagem
Dizendo pras multidões
Escutem minha mensagem
– Eu quero ser candidato
Por me sentir preparado
O meu plano de governo
Logo mais tem resultado,
Essa é a fala padrão
Do candidato safado
Assim prossegue o barulho
Combate o adversário
No seu discurso inflamado
Promete dar mais salário
Vem pregar na praça pública
O tal conto do vigário
Vemos muita agitação
Nos comícios populares
Candidato esculhambando
Falando coisas vulgares
E até amigos de infância
Brigam nas portas dos bares
1
É preciso ter cuidado
Com teses escandalosas
Não se deixando levar
Por falas audaciosas
Rejeitando as pilantragens
Das mentes maliciosas
Na campanha eleitoral
Nós vemos grandes mentiras
Onde falsos democratas
Falam repletos de iras
E a reputação dos outros
É rasgada em feias tiras
A promessa sendo feita
Pra toda população
O candidato farsante
Melhora a entonação
Dizendo que cumpre tudo
Se ganhar a eleição
O povo logo animado
Acredita na mudança
Achando que vale a pena
Conservar toda esperança
Memoriza o tal discurso
Guarda tudo na lembrança
2
O político mentiroso
Tem enorme plataforma
Afirma que seu partido
A legislação transforma
E quem quiser votar nele
Sentirá boa reforma
Diz ser bastante capaz,
O favorito do povo
Todos precisam dar chance
A um candidato novo
Que entrando na prefeitura
Trará bastante renovo
Esse político farsante
Tem profissão de enganar
Diz que terá o emprego
Pra seu compadre ajudar
Mas logo assumindo o cargo
Só lembra de humilhar
Bota uma trava eletrônica
Na porta da prefeitura
Criando falso governo
Com muita descompostura
Vai mentir na capital
Essa maldosa figura
3
Você vai pedir trabalho
Ele dar pobre gorjeta
Desejando que o povo
Sempre viva na sarjeta
O eleitor sofre tanto
Que sai fazendo careta
Todo cidadão conhece
O assunto profundamente
Enrolação de político
Dum safado incompetente
Que vive para enganar
Iludindo a nossa gente
Ligeiro faz seu teatro
No horário eleitoral
Numa campanha nanica
E até mesmo federal
Obedece ao marqueteiro
Pra derrotar o rival
Assistimos as conversas
Todas elas prepararadas
Nos truques das eleições
As cenas são formuladas
E nos programas gratuitos
Elas são apresentadas
4
Mesmo sendo analfabeto
O cara fica falante
Usando terno bonito
Passando por elegante
E quando anda na rua
Faz a pose de importante
Abraça o povo sorrindo
Chamando de companheiro
Visita toda favela,
Boteco de cachaceiro
Mas voltando para casa
Vai se lavar no chuveiro
Discursando é envolvente
Faz extensa analogia
Dizendo representar
A tal da democracia
Mas quem for inteligente
Percebe a demagogia
Candidato mentiroso
Chama o povo de querido
Sem que ninguém fale nisso
Proclama-se o preferido
Afirma que vencerá
Tendo o pleito garantido
5
E vive fazendo intrigas
Sendo muito temerário
Só leva sua bandeira
Quem ele pagar salário
Pois tem mais de dez processos
No poder judiciário
Não respeita o concorrente
Só quer desmoralizar
Falando das baixarias
Na hora de improvisar
As propostas do partido
Termina por não contar
Declara pra toda gente
Que só confia em dinheiro
Tenta comprar o seu voto
O político aventureiro
Quando vence a eleição
Viaja pro estrangeiro
Comemora na Espanha
Ou na América do Norte
Não agradecendo os votos
Pensa apenas que foi sorte
Compra o poder com dinheiro
Imaginado ser forte
6
Ao terminar a viagem
Regressa pra governar
Tendo cargo de prefeito
Muda logo o celular
Depois que passa três meses
O seu carro vai trocar
Se não teve maioria
Compra “bons” parlamentares
Que das suas roubalheiras
Passam a ser os pilares
Mas nos comícios da vida
Dizem que são exemplares
É claro que não são todos
No Brasil temos valores
Os políticos verdadeiros
Não gostam dos impostores
Deixando muitos exemplos
Nos gestos renovadores
Nunca aprovam safadeza
Dos festins e das orgias
E quando assumem funções
Batalham por melhorias
Vamos votar nos corretos
Para vermos novos dias
7
Tenha bastante cuidado
Preserve a cidadania
Pois quando a gente se omite
Ajuda a patifaria
Um candidato correto
Só defende a melhoria
Quem gasta muito dinheiro
Na campanha eleitoral
Seja em cidade pequena
Ou mesmo na capital
Vai tirar o prejuízo
De maneira desleal
Na força deste folheto
Preguei a democracia
Dizendo muitas verdades
Com pouca diplomacia
Então que evitemos sempre
Toda prática que vicia
Viva o povo brasileiro
Abaixo a corrupção
Preservando honestidade
Faremos na votação
Dessa Pátria do cruzeiro
A mais gigante nação.
Extraído daqui
Marciano Batista de Medeiros nasceu em Santo Antônio/RN aos 18 de setembro de 1973
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quarta-feira, setembro 18, 2013
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Labels: literatura de cordel, Marciano Medeiros
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segunda-feira, maio 21, 2012
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Na minha época passada
Namoro foi sacrifício;
A moça num edifício
E pelo pai vigiada
Pra poder ser namorada
Pedia licença aos pais
Hoje a moça e o rapaz
Vão se abraçar, se beijar
O mundo só veio prestar
Quando eu não prestava mais.
Meu tempo foi diferente
Digo porque me convém;
As moças queriam bem
Mas tinham medo da gente
Todo pai era valente
Hoje perderam o cartaz
A filha sai com um rapaz
Beber, namorar, farrar
O mundo só veio prestar
Quando eu não prestava mais.
A lembrança ainda tenho
Dos vestidos do passado,
Hoje é curto e ligado
Que só manjarra de engenho
Mostrando todo desenho
Do corpo na frente e atrás
Tudo que a moderna faz
Eu só falto morrer de olhar
O mundo só veio prestar
Quando eu não prestava mais
Hoje nada mais é certo
Amor nem religião;
A moderna, a corrupção
Com seu mundanismo esperto
Deixando tudo em alerto
Olhando a novela o que faz
Mulheres, moças e rapaz
Semi nus a se beijar
O mundo só veio prestar
Quando eu não prestava mais
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quinta-feira, fevereiro 23, 2012
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