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2013-11-05

Tornou-me o pôr-do-sol um nobre entre os rapazes - Sosígenes Costa

Queima sândalo e incenso o poente amarelo
perfumando a vereda, encantando o caminho.
Anda a tristeza ao longe a tocar violoncelo.
A saudade no ocaso é uma rosa de espinho.

Tudo é doce e esplendente e mais triste e mais belo
e tem ares de sonho e cercou-se de arminho.
Encanto! E eis que já sou o dono de um castelo
de coral com portões de pedra cor de vinho.

Entre os tanques dos reis, o meu tanque é profundo.
Entre os ases da flora, os meus lírios lilases.
Meus pavões cor-de-rosa, os únicos do mundo.

E assim sou castelão e a vida fez-se oásis
pelo simples poder, ó pôr-do-sol fecundo,
pelo simples poder das sugestões que trazes.


Sosígenes Costa (n. em Belmonte BA, 11 Nov.1901 - m. no Rio de Janeiro RJ, em 5 Nov. 1968).
Ler do mesmo autor:
Duas Festas no Mar
Chuva de Ouro
O Pavão Vermelho

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2012-11-05

O Pavão Vermelho - Sosígenes Costa

Pavão (ave)

Ora, a alegria, este pavão vermelho,
está morando em meu quintal agora.
Vem pousar como um sol em meu joelho
quando é estridente em meu quintal a aurora.

Clarim de lacre, este pavão vermelho
sobrepuja os pavões que estão lá fora.
É uma festa de púrpura. E o assemelho
a uma chama do lábaro da aurora.

É o próprio doge a se mirar no espelho.
E a cor vermelha chega a ser sonora
neste pavão pomposo e de chavelho.

Pavões lilases possuí outrora.
Depois que amei este pavão vermelho,
os meus outros pavões foram-se embora.

Sosígenes Costa (n. em Belmonte BA, 14 Nov.1901 - m. no Rio de Janeiro RJ, em 5 Nov 1968

Ler do mesmo autor:
Chuva de Ouro
Tornou-me o pôr-do-sol um nobre entre os rapazes
Duas Festas no Mar

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2011-11-11

Tornou-me o pôr-do-sol um nobre entre os rapazes - Sosígenes Costa

Queima sândalo e incenso o poente amarelo
perfumando a vereda, encantando o caminho.
Anda a tristeza ao longe a tocar violoncelo.
A saudade no ocaso é uma rosa de espinho.

Tudo é doce e esplendente e mais triste e mais belo
e tem ares de sonho e cercou-se de arminho.
Encanto! E eis que já sou o dono de um castelo
de coral com portões de pedra cor de vinho.

Entre os tanques dos reis, o meu tanque é profundo.
Entre os ases da flora, os meus lírios lilases.
Meus pavões cor-de-rosa, os únicos do mundo.

E assim sou castelão e a vida fez-se oásis
pelo simples poder, ó pôr-do-sol fecundo,
pelo simples poder das sugestões que trazes.


Sosígenes Costa (n. em Belmonte BA, 11 Nov.1901 - m. no Rio de Janeiro RJ, em 5 Nov. 1968).
Ler do mesmo autor: Duas Festas no Mar
Chuva de Ouro
O Pavão Vermelho

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2011-11-05

Duas Festas no Mar - Sosígenes Costa



Uma sereia encontrou
um livro de Freud no mar.
Ficou sabendo de coisas
que o rei do mar nem sonhava.

Quando a sereia leu Freud
sobre uma estrela do mar,
tirou o pano de prata
que usava para esconder
a sua cauda de peixe.
E o mar então deu uma festa.

E no outro dia a sereia
achou um livro de Marx
dentro de um búzio do mar.
Quando a sereia leu Marx
ficou sabendo de coisas
que o rei do mar nem sonhava
nem a rainha do mar.

Tirou então a coroa
que usava para dizer
que não era igual aos peixinhos.
Quebrou na pedra a coroa.

E houve outra festa no mar.

(Poesia completa - 2001)
Sosígenes Costa (n. em Belmonte, BA, em 11 de Nov. 1901 - m. no Rio de Janeiro, RJ, em 5 Nov 1968)

Ler também do mesmo autor: Chuva de Ouro

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2009-11-05

O pavão vermelho - Sosígenes Costa

Pavão (ave)

Ora, a alegria, este pavão vermelho,
está morando em meu quintal agora.
Vem pousar como um sol em meu joelho
quando é estridente em meu quintal a aurora.

Clarim de lacre, este pavão vermelho
sobrepuja os pavões que estão lá fora.
É uma festa de púrpura. E o assemelho
a uma chama do lábaro da aurora.

É o próprio doge a se mirar no espelho.
E a cor vermelha chega a ser sonora
neste pavão pomposo e de chavelho.

Pavões lilases possuí outrora.
Depois que amei este pavão vermelho,
os meus outros pavões foram-se embora.

Sosígenes Costa (n. em Belmonte BA, 14 Nov.1901 - m. no Rio de Janeiro RJ, em 5 Nov 1968)

Ler do mesmo autor: Chuva de Ouro

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2007-11-05

Chuva de Ouro - Sosígenes Costa

Yellow begonia Yellow begonia roseform


As begônias estão chovendo ouro,
suspendidas dos galhos da oiticica.
O chão, de pólen, vai ficando louro
e o bosque inteiro redourado fica.

Dir-se-á que se dilui todo um tesouro.
Nunca a floresta amanheceu tão rica.
As begônias estão chovendo ouro,
penduradas dos galhos da oiticica.

Bando de abelhas através do pólen
zinindo num brilhante fervedouro,
as curvas asas transparentes bolem.

E, enquanto giram num bailado belo,
as begônias estão chovendo ouro.
Formosa apoteose do amarelo!

Sosígenes Costa (n. em Belmonte BA, 1901 - m. no Rio de Janeiro RJ, em 5 Nov 1968)

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