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2016-01-07

A mágoa é um vício - Helder Moura Pereira



A mágoa é um vício, a ele volto
pelas madeiras desta casa, as memórias
são mais que os sinais pendurados
ao longo das paredes, não descrevo
o que vejo. O que sinto quase
está no silêncio, deixa de ser tempo
o tempo da noite, nos papéis
há desenhos que o matam, pontos
ganhos, contas de somar, fáceis
artimanhas evitando as palavras. Nada
difere de como ponho a mão na testa,
de como se afasta o sol para trás
dos castanheiros. Tento dizer
que sou como vós, leves amantes
de suaves lazeres, contradigo, desminto,
nada acontece. Para o dia de hoje
um pequeno esboço de tristeza, derrota
de cumprir, tarefa de vencer, antes
da noite os ombros, as rugas, terão
significado preciso. Só o recomeço
será tempo de sorrisos.

(Gestos de miradoiro)

Extraído de Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea Um Panorama
Organização de Alberto da Costa e Silva e Alexei Bueno; Lacerda Editores, 1999


Helder Moura Pereira nasceu em Setúbal, a 7 de janeiro de 1949

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2013-01-07

Perto muito perto - Helder Moura Pereira

Chego ao pé do limite,
o corpo cansado
traz as setas
do sono e a noite
esconde a alegria.
Onde tudo acontece
passam as imagens,
pressinto as nuvens
sobre os navios, o eco
de sons de aviso.
Como se inquieta
a cabeça tocando outra
na luz atravessada
de luzes. Chego à ponta
dos dedos, à esquina
da memória, adormeço, não
adormeço, canto
para adormecer.
Tudo parte de baixo
para a paisagem
do tecto, alegro-me
porque não é preciso
falar. O que sentes
está aí tão à vista
desaba sobre os olhos
o falso espaço
da casa. E a manhã
perde a luz
que só havia nas palavras.


(Para não falar)

Extraído de Antologia da Poesia Portuguesa Contemporânea Um Panorama Organização de Alberto da Costa e Silva Alexei Bueno Lacerda Editores 1999

Helder Moura Pereira nasceu em Setúbal a 7 de Janeiro de 1949

Ler do mesmo autor, no Nothingandall: Adio o Convite, Provoco; Por um rosto chego ao teu rosto

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2011-01-07

Adio o Convite, Provoco - Helder Moura Pereira

Adio o convite, provoco
a demora, deixas que escolha
todas as coisas. É depois
o lamento, quase o entardecer
da idade. Despeço-me mas sei
que nunca aí estive.

... ... ... ... ... ... ...

Só agora sei
que te perdi. Há tanto
tempo disseste
venho já. E ainda
aqui te espero
entre as velhas flores
e o pó da madeira
caindo.


in «366 poemas que falam de amor», Antologia organizada por Vasco Graça Moura,
Lisboa: Quetzal, 2003

Helder Moura Pereira, nasceu em Setúbal, a 7 de Janeiro de 1949

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