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2011-09-04

A Vereda - Medeiros e Albuquerque

Ai das estradas onde a populaça
Vai e vem no incessante borborinho.
Cada qual vai seguindo o seu caminho,
Ninguém lhe nota a suavidade e a graça.

Mais vale ser o anônimo caminho
Que o olhar das multidões nunca devassa
E cujo encanto atrai quem nele passa,
E se demora quando vem, sozinho.

Eu sou a Estrada larga e petulante
De gente, onde se vê, a cada instante,
Todo um tumulto vão de estranhas faces.

Antes eu fosse uma vereda aberta
Na mata — e quase sempre erma e deserta,
Por cuja sombra — tu somente andasses.


José Joaquim de Campos da Costa MEDEIROS E ALBUQUERQUE nasceu no Recife (PE) a 4 de Setembro de 1867 e faleceu no Rio de Janeiro a 9 de Junho de 1934.

Ler do mesmo autor, neste blog:
Silêncio
Anémicas
Ilusões
Soneto decadente

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2010-09-04

Silêncio - Medeiros e Albuquerque

II s’en plaignit, il en parla,...
J’en connais de plus misérables.
JOB, Benserade

Cala. Qualquer que seja esse tormento
que te lacera o coração transido,
guarda-o dentro de ti, sem um gemido,
sem um gemido, sem um só lamento!

Por mais que doa e sangre o ferimento,
não mostres a ninguém, compadecido,
a tua dor, o teu amor traído:
não prostituas o teu sofrimento!

Pranto ou Palavra - em nada disso cabe
todo o amargor de um coração enfermo
profundamente vilipendiado.

Nada é tão nobre como ver quem sabe,
trancado dentro de uma dor sem termo,
mágoas terríveis suportar calado!

(Últimos versos, in Poesias, 1904.)

José Joaquim de Campos da Costa MEDEIROS E ALBUQUERQUE nasceu no Recife (PE) a 4 de Setembro de 1867 e faleceu no Rio de Janeiro a 9 de Junho de 1934.

Ler do mesmo autor, neste blog:
Anémicas
Ilusões
Soneto decadente

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2008-06-09

Anêmicas - Medeiros e Albuquerque

Erotic

Eu abomino as pálidas donzelas,
sem sangue, sem calor, sem movimento
que aos abraços do amor perdem o alento,
nas longas noites sensuais e belas.

Quero sentir meu peito contra o peito
de alguém cheio de vida e mocidade
palpitar na gostosa ansiedade
dos loucos beijos, no perfúmeo leito.

Quero aperta-la doida... doidamente...
no momento do espasmo deleitoso
e sentir seu sangue vigoroso
palpitar sob mim, convulsamente...

Sirvam as doces virgens delicadas
românticas beldades vaporosas
para enfeitar as páginas mimosas
das crônicas antigas, ilustradas...


José Joaquim de Campos da Costa MEDEIROS E ALBUQUERQUE nasceu no Recife (PE) a 4 de Setembro de 1867 e faleceu no Rio de Janeiro a 9 de Junho de 1934. Republicano e abolicionista, foi poeta, contista, romancista, teatrólogo, jornalista, crítico, político e conferencista. Como viveu em Paris de 1912 a 1916, foi um dos primeiros poetas brasileiros a revelar conhecimentos da estética simbolista.

O poema foi extraído de http://www.interpoetica.com/. Nota biobliográfica em «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Mais poemas de Medeiros e Albuquerque aqui

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2007-09-04

Ilusões - Medeiros e Albuquerque


Velas fugindo pelo mar em fora...
Velas...pontos - depois ... depois vazia
a curva azul do mar onde, sonora,
canta do vento a triste psalmodia...

Partem pandas e brancas... Vem a aurora
e vem a noite após, muda e sombria...
E, se em porto distante a frota ancora,
é p'ra partir de novo em outro dia...

Assim as Ilusões. Chegam, garbosas,
palpitam sonhos, desabrocham rosas
na esteira azul das peregrinas frotas...

Chegam... Ancoram 'alma um só momento;
logo, as velas abrindo, amplas ao vento,
fogem p'ra longe solidões remotas


(in A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edições Unicepe, 2004) José Joaquim de Campos da Costa Medeiros e Albuquerque (n. em Recife, PE, em 4 de Set de 1867; m. no Rio de Janeiro, RJ, em 9 de Junho de 1934).

Ler do mesmo autor Soneto decadente

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2006-09-04

Soneto Decadente - Medeiros e Albuquerque

Morria rubro o sol e mansa, mansamente...
sombras baixando em flocos, lentas, pelo espaço...
Um morrer pungitivo e calmo de inocente:
doces, as ilusões fanadas no regaço.

Passa um cicio leve e suave... Num traço,
ave rápida passa súbita e tremente...
A tristeza, que vem, cinge como um baraço
a garganta: o soluço estaca ali fremente...

Lembranças de pesar... Navio que na curva
do mar, de água pesada e funda e escura e turva,
some-se de vagar das ondas ao rumor...

Ó crepúsculos sós! os exilados sentem
a angústia sem igual de amantes que pressentem
o derradeiro adeus do derradeiro amor!

José Joaquim de Campos da Costa Medeiros e Albuquerque (n. em Recife, PE, em 4 de Setembro de 1867, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 9 de Junho de 1934).

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