Amor, morte, poesia, política, actualidade, futebol, efemérides, solidão, paz, humor, musica...tudo e nada; Here we talk about life, love, death, On this day in History, poetry, politics, football (soccer), solitude, peace, humour, music ... nothing and all.
Não me lembro do dia em que nasci; não sei em que dia morrerei. Vem, minha doce amiga, vamos beber deste copo e esquecer a nossa incurável ignorância.
(Omar Kayyam)
... Verdadeiro valor não dão à gente: Melhor é merecê-los sem os ter Que possuí-los sem os merecer. (Os Lusíadas XCIII, Camões)
Um dia inventei-te, às vezes reinvento-te,
noutras não sei quem és, mas estás sempre comigo!
How extremely stupid not to have thought of that!
Que imensa estupidez não ter pensado nisso antes!
(Thomas Henry Husley)
Não ficarei tão só no campo da arte, e, ânimo firme, sobranceiro e forte, tudo farei por ti para exaltar-te, serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu possa um dia contemplar-te dominadora, em férvido transporte, direi que és bela e pura em toda parte, por maior risco em que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma, que não exista força humana alguma que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for, possa feliz, indiferente à dor, morrer sorrindo a murmurar teu nome
Carlos Marighella (Salvador, 5 de dezembro de 1911 – São Paulo, 4 de novembro de 1969)
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A Revolução dos Cravos aconteceu há 35 anos. Tomei conhecimento (e despertei para a descoberta dos assuntos políticos) nesse dia, em plena aula de Química no Instituto Comercial do Porto onde estudava. Em plena aula prática estava eu a fazer uma experiência e pimba... o 25 de Abril estava em ebulição. A professora em tom grave anunciava que tinha havido um golpe de Estado e que os alunos podiam / deveriam ir para casa. No trajecto, aliás a não muita distância, na Rua do Heroísmo e Largo Soares dos Reis, milhares de pessoas e tanques se aglomeravam junto da ex-Pide, DGS, com gritos de Liberdade! Liberdade!
Passados 35 anos estamos tão ou mais "presos" quanto o apaixonado do poema "Ai Jesus!" de Álvares de Azevedo, que publicamos hoje no blog em homenagem ao poeta brasileiro falecido faz hoje 157 anos, mas por motivos muito menos nobres.
É a crise económica, é o desemprego, é a tristeza dos portugueses, é a agressividade do fisco, é o atropelo das garantias dos cidadãos perante o Estado, é o aumento das obrigações e a redução dos direitos, são os escandalos financeiros, as falhas da supervisão e do Governo, é a ineficiência dos Tribunais enquanto as custas aumentam, é os partidos que se degladiam em assuntos de "paternidade" das leis mal feitas em vez de cooperarem a resolver os problemas dos portugueses. São os escândalos dos políticos, dos autarcas, da corrupção (ou referências constantes à sua existência), da anormalidade das decisões desportivas (apitos dourados e quejandos e funcionamento anómalo das instituições), são os políticos que saem do governo para irem para altos cargos das empresas, são os administradores que saem das empresas públicas (com chorudas indemnizações ou reformas) para ir para os bancos privados...
O 25 de Abril foi (já) há 35 anos. Muitos - a nova geração - não o viveram. Outros o esqueceram. Como Manuel António Pina escreve na edição de ontem do JN: "Há 35 anos era a Revolução. Depois foi (é) o que se sabe. Diz Carlyle na sua "História da Revolução Francesa" que as revoluções são sonhadas por idealistas e realizadas por fanáticos, e quem delas se aproveita são os oportunistas de todas as espécies".
Já vi muita coisa, muita ilegalidade praticada. Já ouvi falar de «hijacking fiscal». Muitas decisões de liquidações de impostos fundamentadas em argumentos completamente estapafúrdios. Até decisões de aplicações de coimas em processos de contraordenação quando os impostos liquidados que com eles se relacionam estão impugnados! É a aceleração da máquina fiscal que ultrapassa todos os limites: do tipo andar a 280 Km à hora na Avenida da República (só em ambiente simulado para divertimento do público e com um carro da Fórmula 1). Percebo que queiram saber quem fotografou os casamentos e onde foram (e quem pagou) as bodas. Até percebo que da lista de devedores do Estado só conste três entidades. Ainda que tudo isto não devesse ser a realidade.
Segundo a TSF «A inspecção sugeriu ao DIAP que se consultasse o conteúdo das mensagens, o que foi autorizado pelo Tribunal de Instrução Criminal». Tudo ao que se supõe em defesa do sigilo... fiscal. E esta hein ?
O líder do combate ao regime do apartheid Sul-Africano e Prémio Nobel da Paz, nasceu no dia 18 de Julho de 1918, filho de um conselheiro do chefe supremo do povo thembu, em Qunu, perto de Umtata, na África do Sul.
«Eu estimo o ideal de uma sociedade livre e democrática, na qual todas as pessoas convivam em harmonia e com oportunidades iguais. Esse é um ideal ao qual pretendo dedicar minha vida e que pretendo alcançar. No entanto, se for preciso, esse é um ideal pelo qual estou disposto a morrer».
«I am the First Accused. ... I admit immediately that I was one of the persons who helped to form Umkhonto we Sizwe, and that I played a prominent role in its affairs until I was arrested in August 1962. ...
During my lifetime I have dedicated myself to this struggle of the African people. I have fought against white domination, and I have fought against black domination. I have cherished the ideal of a democratic and free society in which all persons live together in harmony and with equal opportunities. It is an ideal which I hope to live for and to achieve. But if needs be, it is an ideal for which I am prepared to die. Apr 20, 1964 (complete speech here).
Permaneceu na prisão de Robben Island até 1982 de onde foi transferido primeiro para Pollsmoor Prison na Cidade do Cabo até Dez. 1988 e depois para a Prisão de Victor Verston (perto de Paarl) até que a campanha do ANC e a pressão internacional permitiram que viesse a ser libertado em 11 de Fevereiro de 1990, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk.
Mandela tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul assumindo o cargo em 27 de Abril de 1994 (até 1999) e comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa.
Pergunto ao vento que passa notícias do meu país e o vento cala a desgraça o vento nada me diz.
Pergunto aos rios que levam tanto sonho à flor das águas e os rios não me sossegam levam sonhos deixam mágoas.
Levam sonhos deixam mágoas ai rios do meu país minha pátria à flor das águas para onde vais? Ninguém diz.
Se o verde trevo desfolhas pede notícias e diz ao trevo de quatro folhas que morro por meu país.
Pergunto à gente que passa por que vai de olhos no chão. Silêncio -- é tudo o que tem quem vive na servidão.
Vi florir os verdes ramos direitos e ao céu voltados. E a quem gosta de ter amos vi sempre os ombros curvados.
E o vento não me diz nada ninguém diz nada de novo. Vi minha pátria pregada nos braços em cruz do povo.
Vi minha pátria na margem dos rios que vão pró mar como quem ama a viagem mas tem sempre de ficar.
Vi navios a partir (minha pátria à flor das águas) vi minha pátria florir (verdes folhas verdes mágoas).
Há quem te queira ignorada e fale pátria em teu nome. Eu vi-te crucificada nos braços negros da fome.
E o vento não me diz nada só o silêncio persiste. Vi minha pátria parada à beira de um rio triste.
Ninguém diz nada de novo se notícias vou pedindo nas mãos vazias do povo vi minha pátria florindo.
E a noite cresce por dentro dos homens do meu país. Peço notícias ao vento e o vento nada me diz.
Mas há sempre uma candeia dentro da própria desgraça há sempre alguém que semeia canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste em tempo de servidão há sempre alguém que resiste há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre de Melo Duarte (Águeda, 12 de Maio de 1936)
E deixo ainda aqui a lembrança de um dos mais conhecidos poemas de Fernando Pessoa que tem o título «Liberdade»
Ai que prazer não cumprir um dever. Ter um livro para ler e não o fazer! Ler é maçada, estudar é nada. O sol doira sem literatura.
O rio corre bem ou mal, sem edição original. E a brisa, essa, de tão naturalmente matinal como tem tempo, não tem pressa...
Livros são papéis pintados com tinta. Estudar é uma coisa em que está indistinta A distinção entre nada e coisa nenhuma.
Quanto melhor é quando há bruma. Esperar por D. Sebastião, Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças, Flores, música, o luar, e o sol que peca Só quando, em vez de criar, seca.
E mais do que isto É Jesus Cristo, Que não sabia nada de finanças, Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa (n. Lisboa, 13 Jun 1888, m. Lisboa, 30 Nov 1935)
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