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2016-10-13

Soneto L Moral (Formosura, e Morte, advertidas por um corpo belíssimo, junto à sepultura) - Francisco Manuel de Melo

Armas do amor, planetas da ventura
Olhos, adonde sempre era alto dia,
Perfeição, que não cabe em fantasia,
Formosura maior que a formosura:

Cova profunda, triste, horrenda, escura,
Funesta alcova de morada fria,
Confusa solidão, só companhia,
Cujo nome melhor é Sepultura:

Quem tantas maravilhas diferentes
Pode fazer unir, senão a Morte?
A Morte foi em sem-razões mais rara.

Tu, que vives triunfante sobre as gentes.
Nota (pois te ameaça uma igual sorte)
Donde pára a beleza, e no que pára.


D. FRANCISCO MANUEL DE MELO nasceu em Lisboa a 23 de novembro de 1608 e morreu em Alcântara, Lisboa a 13 de outubro de 1666

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2014-10-13

Metáfora da Ambição - Francisco Manuel de Melo


Vivia aquele Freixo no alto monte,
Verde e robusto: apenas o tocava
O brando vento, apenas o deixava
De abraçar pelos pés aquela fonte.

Tão soberbo despois levanta a fronte,
Como o Pavão, do bosque donde estava,
Envejoso de ver que o mar cortava
Um Pinho que nasceu dele defronte.

Ora saiu da terra e foi navio,
Lutou c'o Mar, lutou c'o vento em guerra:
- Quedas viu ser o que esperava abraços.

Ei-lo que chora em vão seu desvario.
De longe a vê, chegar deseja à terra:
Não lho consente o Mar, nem em pedaços.


in Obras Métricas

Extraído de Poemas Portugueses. Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI

D. FRANCISCO MANUEL DE MELO nasceu em Lisboa a 23 de novembro de 1608 e morreu em Alcântara, Lisboa a 13 de outubro de 1666.

Ler do mesmo autor:
Junto do manso Tejo que corria
Soneto L Moral (Formusura, e Morte advertidas por um corpo belíssimo, junto à sepultura)

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2012-05-26

Sonnet - Monsieur de Voiture

Il faut finir mes jours en l’amour d’Uranie!
L’absence ni le temps ne m’en sauraient guérir,
Et je ne vois plus rien qui me pût secourir
Ni qui sût rappeler ma liberté bannie.

Dès longtemps je connais sa rigueur infinie!
Mais pensant aux beautés pour qui je dois périr,
Je bénis mon martyre, et content de mourir,
Je n’ose murmurer contre sa tyrannie.

Quelquefois ma raison, par de faibles discours,
M’incite à la revolte et me promet secours,
Mais lorsqu’à mon besoin je me veux servir d’elle,

Après beaucoup de peine et d’efforts impuissants,
Elle dit qu’Uranie est seule amable et belle
Et m’y rengage plus que ne font tous mes sens.


Em Português

Força é acabar no amor d’Urânia os dias;
Tempo nem ausência saberão valer-me:
Nada vejo que possa socorrer-me,
Nem que saiba remir-me em tais porfias.

Ânsias há muito que conheço impias;
Mas vendo as graças por quem vou perder-me
Meu martírio engrandeço e, alegre em ver-me,
Morro sem maldizer tais tiranias.

Razão talvez, por falso pensamento,
Mostra os socorros e à batalha incita:
Mas, se dela me valho em meu tormento,

Despois da grave pena se me evita;
E, empenhando-me mais o entendimento,
Bela e amável Urânia me acredita.


Trad. de Francisco Manuel de Melo

Vincent Voiture - Monsieur de Voiture - n. 1597 em Amiens, França; m. 26 mai 1648 em Paris

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2011-11-23

Saudades - Francisco Manuel de Melo

Serei eu alguma hora tão ditoso,
Que os cabelos, que amor laços fazia,
Por prémio de o esperar, veja algum dia
Soltos ao brando vento buliçoso?

Verei os olhos, donde o sol formoso
As portas da manhã mais cedo abria,
Mas, em chegando a vê-los, se partia
Ou cego, ou lisonjeiro, ou temeroso?

Verei a limpa testa, a quem a Aurora
Graça sempre pediu? E os brancos dentes,
por quem trocara as pérolas que chora?

Mas que espero de ver dias contentes,
Se para se pagar de gosto uma hora,
Não bastam mil idades diferentes?


In Poemas de Amor, Antologia de poesia portuguesa, Org. de Inês Pedrosa
Lisboa, Dom Quixote, 2001

D. FRANCISCO MANUEL DE MELO nasceu em Lisboa a 23 de Novembro de 1608 e morreu em Alcântara, Lisboa a 13 de Outubro de 1666
Ler do mesmo autor, Junto do manso Tejo que corria
Soneto L Moral (Formusura, e Morte advertidas por um corpo belíssimo, junto à sepultura)

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2010-10-13

Soneto L Moral (Formosura, e Morte, advertidas por um corpo belíssimo, junto à sepultura) - Francisco Manuel de Melo

Armas do amor, planetas da ventura
Olhos, adonde sempre era alto dia,
Perfeição, que não cabe em fantasia,
Formosura maior que a formosura:

Cova profunda, triste, horrenda, escura,
Funesta alcova de morada fria,
Confusa solidão, só companhia,
Cujo nome melhor é Sepultura:

Quem tantas maravilhas diferentes
Pode fazer unir, senão a Morte?
A Morte foi em sem-razões mais rara.

Tu, que vives triunfante sobre as gentes.
Nota (pois te ameaça uma igual sorte)
Donde pára a beleza, e no que pára.


D. FRANCISCO MANUEL DE MELO nasceu em Lisboa a 23 de Novembro de 1608 e morreu em Alcântara, Lisboa a 13 de Outubro de 1666

Ler do mesmo autor, Junto do manso Tejo que corria

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2008-11-23

Francisco Manuel de Melo nasceu faz hoje 400 anos

Rio Tejo em Belver, Gavião imagem daqui

Junto do manso Tejo, que corria
para o mar, que nos braços o esperava,
jaz um pastor, que no semblante dava
mostras da dor que o coração cobria.

Falava o gesto quanto n’alma havia,
que, quiçá por ser muito, ela o calava;
mas, vencido do mal que o atormentava,
sem licença do mal, assim dizia:

– Corre alegre e soberbo, ó doce Tejo,
pois vives sem fortuna de que esperes
que encaminhe teu passo a teu desejo.

Vais e tornas, e irás como vieres.
Ditoso tu, que vês o que eu não vejo!
Ditoso tu, que vais adonde queres!

D. FRANCISCO MANUEL DE MELO nasceu em Lisboa a 23 de Novembro de 1608 e morreu em Alcântara, Lisboa a 13 de Outubro de 1666. Como oficial do exército espanhol, combateu na Flandres e na Catalunha. Conheceu a prisão no país vizinho em 1637 e em 1640 (durante 4 meses). Regressado a Portugal com a restauração da independência, logo no ano seguinte exerceu actividade diplomática em França, Inglaterra e Holanda. Mas também na sua pátria, por motivos ainda hoje não completamente esclarecidos, conheceu o cárcere durante muitos anos (1644 a 1655), na torre de Belém e no castelo de São Jorge, após o que foi desterrado para o Brasil, só tornando à metrópole em 1658. Graças à amizade do Conde de Castelo Melhor, voltou à actividade diplomática (1662), em Paris, Londres e Roma. Polígrafo bilingue, foi um moralista conservador. O seu soneto faz parte das «Obras Métricas».

Soneto e nota biobibliográfica acima extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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