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2016-03-26

Soneto de Despedida - Francisco Bingre (na passagem dos 160 anos da sua morte)

A meus netos, filhos de minha filha Raimunda

Filhos de minha filha, amados Netos,
Duas vezes meus filhos tão queridos:
Recebei os meus últimos gemidos,
Recolhei meus recônditos afectos!...

Vós sois os meus amados mais dilectos,
Em que sempre empreguei os meus sentidos;
Queira o Céu que sejais dos escolhidos
Que Deus escritos tem nos seus decretos.

Vai o foro pagar à Natureza
O vosso velho avô que assaz vos ama!...
Envolvido nas mantas da pobreza.

Abrasado de amor na viva chama,
Nada tem que deixar-vos, de riqueza,
Mais que o triste pregão da sua fama.


Soneto n.º 2082 – pag. 469 do 6.º volume das Obras Completas
Extraído daqui


Francisco Joaquim Bingre nasceu em S. Tomé de Canelas, Estarreja no dia 9 de julho de 1763 e morreu em Mira a 26 de março de 1856).

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2014-03-26

Soneto de Despedida - Francisco Bingre

A meus netos, filhos de minha filha Raimunda

Filhos de minha filha, amados Netos,
Duas vezes meus filhos tão queridos:
Recebei os meus últimos gemidos,
Recolhei meus recônditos afectos!...

Vós sois os meus amados mais dilectos,
Em que sempre empreguei os meus sentidos;
Queira o Céu que sejais dos escolhidos
Que Deus escritos tem nos seus decretos.

Vai o foro pagar à Natureza
O vosso velho avô que assaz vos ama!...
Envolvido nas mantas da pobreza.

Abrasado de amor na viva chama,
Nada tem que deixar-vos, de riqueza,
Mais que o triste pregão da sua fama.


Soneto n.º 2082 – pag. 469 do 6.º volume das Obras Completas
Extraído daqui


Francisco Joaquim Bingre nasceu em S. Tomé de Canelas, Estarreja no dia 9 de julho de 1763 e morreu em Mira a 26 de março de 1856).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Paciência, um Sofrimento Voluntário
Retrospectiva
Meus Versos
A Camões

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2011-07-09

Paciência, um Sofrimento Voluntário - Francisco Bingre

Tu és, ó Paciência, um sofrimento
Voluntário, fiel, bem ordenado,
Da conhecida sem razão tirado,
De um constante varão nobre ornamento.

Tu, recolhendo n'alma o pensamento,
Suportas com valor o Tempo irado.
Tu sustentas, com ânimo esforçado,
Todo o peso do mal, no bem atento.

Magnânima tu és, tu és Constância,
Cedro que não derruba a tempestade,
Rocha, onde a fúria quebra o mar com ânsia.

Tu triunfas da mesma Adversidade.
Subjugando as paixões co'a Tolerância,
Tu vences os ardis da vil Maldade.

in 'Sonetos'

Francisco Joaquim Bingre nasceu em Canelas, Estarreja no dia 9 de Julho de 1763e morreu em Mira a 26 de Março de 1856).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Retrospectiva
Meus Versos
A Camões

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2010-03-26

A Camões - Francisco Bingre

Lusitano cantor, épico vate,
que tens da lusa tuba a primazia,
que o berço foste ver que embala o dia,
por mãos da Aurora Oriental no Gate,

yu, que perdeste em hórrido combate
em defesa da Pátria, em Berberia,
a dextra luz que no teu rosto ardia
quando o mouro de Ceuta às portas bate,

tu, que o canto imortal, sagrado ao Gama,
no Mecon, com valor, salvaste a nado,
para te dar no Mundo eterna Fama,

poeta imortal, intrépido soldado,
se morreste em miséria, em pobre cama,
triunfaste na morte, de teu Fado!


Francisco Joaquim Bingre nasceu em Aveiro a 9 de Julho de 1763 e morreu em Mira a 26 de Março de 1856. O apelido é adaptado da mãe (Hybingre), que era de origem austríaca. Em 1790, foi um dos fundadores da Nova Arcádia, onde usou o nome de Francélio Vouguense. Em 1801, foi nomeado escrivão da câmara e tabelião do tribunal de Mira, mas, em 1934, a reforma judiciária dos liberais extinguia este tribunal e o poeta, com 70 anos de idade e mais de 30 de de serviço ficou desempregado e sem reforma, valendo-lhe a caridade dos amigos para não morrer de fome, como Camões. Ficou conhecido como o Cisne do Vouga. O seu soneto camoniano escapou à nossa anterior colectânea «Camões, grande Camões» (ed. Unicepe, 2002).

Soneto e nota biobibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.


Ler do mesmo autor, neste blog: Retrospectiva
Meus Versos

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2008-07-09

Retrospectiva - Francisco Bingre

Foto: Queijo e Vinho daqui

Na passagem do aniversário do poeta nascido em Estarreja em 09 de Julho de 1763

Quando eu era rapaz, boas festas dava
A grandes figurões e aos meus amigos;
Sobre queijo, castanhas, nozes, figos,
Minha meia canada revirava.

Com meus sócios da Arcádia improvisava,
Destroçando cuidados inimigos;
Porém esses prazeres tão antigos
O tempo mos levou quando voava.

Hoje, eu, inda curtia uma moafa
Sobre duas pequenas fritas solhas;
Mas minha mão da bolsa nada safa.

Metido estou de todo nas encolhas;
Nem já posso furar uma garrafa,
Pois perdi o meu velho saca-rolhas.

Extraído daqui onde pode encontrar mais informações e extractos da obra do poeta

Francisco Joaquim Bingre (n. em Canelas, Estarreja no dia 9 de Julho de 1763; m. em Mira a 26 de Março de 1865).

Do mesmo autor neste blog Meus Versos

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2008-03-26

Meus Versos - Joaquim Bingre

Em jeito de despedida, prenunciando a sua morte, que ocorreu faz hoje 152 anos, deixamos aqui estes «Meus Versos» de um autor que foi um dos fundadores da Nova Arcádia, onde usou o nome de Francélio Vouguense:

Toquei a raia última da vida;
Hoje a ela cheguei com bem canseira,
Afatigado assaz pela carreira
Tão longa, de jornada tão comprida.

Ao meu Vouga hoje dou a despedida,
Chorando debruçado em sua beira;
E aos meus amigos fieis a derradeira
Saudade de minha alma agradecida.

Adeus, Cantores, da poesia amantes;
Adeus, sócios dos Ménalos diversos;
Adeus, Cisnes do Tejo auribrilhantes!

Meus metros por aí ficam dispersos...
Neles inda achareis alguns diamantes
Entre os montes de cisco de meus versos

Francisco Joaquim Bingre (n. em Canelas, Estarreja a 9 de Julho de 1763 e morreu em Mira a 26 de Março de 1856).

Leia mais poemas de Joaquim Bingre aqui http://poetabingre.blogspot.com/

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