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2016-01-14

Não Faças Nada - Casimiro de Brito

Espera um pouco: Não faças nada o silêncio
Decompõe as cores desse país solar ondas
De silêncio negado multiplicado escuta
Um pouco: Ouve o sangue da luz a luz que circula
Na matéria vulnerável do teu corpo: Espera
Um pouco: O deus que não tenho não é um objecto
Insensível e pouco inteligível
Como o deus desenhado pelos teólogos: Ouve
As tuas árvores as mãos que tecem e destecem
As rugas do mar a trémula violência
De cada acto: O que te peço é que não faças nada
A não ser o silêncio: Espera um pouco.

(Nem Senhor Nem Servo,1986) 

Casimiro Cavaco Correia de Brito (nasceu em Loulé, Algarve, a 14 de janeiro de 1938)

Ler neste blog, do mesmo autor:
Cuidado. O amor
Cidade Branca
Se

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2013-01-14

Cuidado. O amor - Casimiro de Brito


Cuidado. O amor
é um pequeno animal
desprevenido, uma teia
que se desfia
pouco a pouco. Guardo
silêncio
para que possam ouvi-lo
desfazer-se

in Poemas de Amor - Antologia de Poesia Portuguesa
Organização e Prefácio de Inês Pedrosa, Publicações D. Quixote

Casimiro Cavaco Correia de Brito (nasceu em Loulé, Algarve, a 14 de Janeiro de 1938)

Ler neste blog, do mesmo autor:
Cidade Branca
Se

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2011-01-14

Se - Casimiro de Brito (na passagem do 72º. aniversário do poeta)

Se o mundo não tivesse palavras
a palavra do mar, com toda a sua paixão,
bastava. Não lhe falta
nada: nem o enigma nem
a obsessão. Entregue ao seu ofício
de grande hospitaleiro
o mar é um animal que se refaz
em cada momento.
O amor também. Um mar
de poucas palavras.


Livro das Quedas - Fragmento 117

Casimiro Cavaco Correia de Brito (nasceu em Loulé, Algarve, a 14 de Janeiro de 1938)

Vide página do poeta

Ler neste blog, do mesmo autor, Cidade Branca

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2010-01-14

Cidade branca - Casimiro de Brito

imagem daqui

Dorme já, plenamente, a cidade!
O silêncio é de ouro e os homens
todos o procuram de mãos dadas.
Os velhos, de olhos semicerrados,
amparam-se ao bordão da memória;
emudeceram, no solar dos senhores,
o chicote, o ódio sem disfarce.

Dorme já, plenamente a cidade!
Aproxima-se o dia. As mulheres,
amadas e repousadas, cantam
em seu sono. Abre-se, em concha,
a mão da madrugada. Lábios e rosas.
Amanhã, ao acordar, a cidade renovada
será dos meninos o tempo e a casa.


Extraído de Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Casimiro de Brito (n.em Loulé em 14 de Jan. 1938)

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