Blog Widget by LinkWithin
Mostrar mensagens com a etiqueta Alberto de Serpa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alberto de Serpa. Mostrar todas as mensagens

2015-10-08

Realidade - Alberto de Serpa

Há uma realidade aparente
perigosa. É necessário
saber o fundo e o fim
daquilo com que jogamos
na vida.

Ninguém se deixe levar
pelas ordens dos sentidos!
Eles são como os insectos
que uma luz chama e consome.

Vêde!
O mar deslumbra os nossos olhos
e nas suas ondas está a morte...

O amor é atracção contínua
e no fim do amor é o cansaço...


Alberto de Serpa Esteves de Oliveira (nasceu no Porto a 12 de Dezembro de 1906 - m. na mesma cidade a 8 de Outubro de 1992)

in «Varanda»

Ler do mesmo autor, neste blog:
Interferência
Amores Infelizes
Incerteza
Um Jovem Camarada
Poema III
Névoa

Read More...

2014-10-08

Correspondência - Alberto de Serpa

Para quem, estas horas que descem da torre da igreja?
Para onde as arrasta este vento manso que não se ouve?
Vão pelo ar suspensas, inúteis, em nuvem invisível,
a fazer mais profundo e mais longo o silêncio que fica...

Os sentidos de quem dorme são para os sonhos,
e, sob o luar claro de noite provinciana,
os anjos da guarda marcam, com suas asas, um ritmo de poesia circunstancial.
Dormem as crianças com sorrisos nos lábios,
dormem os homens com um caminho fácil em frente,
dormem as mulheres com o amor a abrir o coração.

As horas que descem da terra são para a luz daquela janela,
onde, talvez, um homem espera a hora sem hora da morte,
onde, talvez, uma mulher chora sobre cartas de longe,
onde, talvez, uma criança vem a este mundo de sonhos impossíveis.

Há horas que vêm mortas das torres em noites de luar,
e há almas que, como certas grutas perdidas, fazem eco.

in A Vida é o Dia de Hoje (1939)

Alberto de Serpa Esteves de Oliveira (nasceu no Porto a 12 de dezembro de 1906 - m. na mesma cidade a 8 de outubro de 1992)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Amores Infelizes
Incerteza
Um Jovem Camarada
Poema III
Interferência
Névoa

Read More...

2013-12-12

Realidade - Alberto de Serpa

Há uma realidade aparente
perigosa. É necessário
saber o fundo e o fim
daquilo com que jogamos
na vida.

Ninguém se deixe levar
pelas ordens dos sentidos!
Eles são como os insectos
que uma luz chama e consome.

Vêde!
O mar deslumbra os nossos olhos
e nas suas ondas está a morte...

O amor é atracção contínua
e no fim do amor é o cansaço...


Alberto de Serpa Esteves de Oliveira (nasceu no Porto a 12 de Dezembro de 1906 - m. na mesma cidade a 8 de Outubro de 1992)

in «Varanda»

Ler do mesmo autor, neste blog:
Interferência
Amores Infelizes
Incerteza
Um Jovem Camarada
Poema III
Névoa

Read More...

2013-10-08

Interferência - Alberto de Serpa

A Cecília Meireles

Quem veio bater a minha porta? Quem?
Quem me fez abrir a janela e a noite morta?

O caminho estava deserto e o seu silêncio tinha horas.
Vento? Esta noite tem a paz e o sossego da morte.
Só eu e as estrelas sentíamos a solidão fantástica...

Nos ouvidos e na ansiedade guardei o rumor que me chamou,
as minhas mãos tiveram a carícia doutras mãos perdidas,
e uma companhia invisível acendeu uma luz na minha alma...

Alguém terá pensado em mim, longe?

(A Vida é o Dia de Hoje, 1939)
in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI; Porto Editora

Alberto de Serpa Esteves de Oliveira (nasceu no Porto a 12 de Dezembro de 1906 - m. na mesma cidade a 8 de Outubro de 1992)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Amores Infelizes
Incerteza
Um Jovem Camarada
Poema III
Névoa

Read More...

2012-10-08

Amores Infelizes - Alberto de Serpa

A Afonso Lopes Vieira


Amor de olhos nos olhos e silêncios,
de grandes palavras irremediáveis: sempre... nunca...,
de beijos nos olhos húmidos e nas frontes enrugadas,
de mãos nas mãos e nada mais...

Amor de longas confidências ao luar e às estrelas,
de ciúmes que fazem insónias e sonetos pessimistas,
de aventurosos planos que se sabe impossíveis,
de perigos pneumónicos nas noites chuvosas, sob uma janela...

Amor de olhar as águas rápidas e nocturnas do rio fundo,
com pensamentos românticos de suicídio fatal,
sentindo já no corpo o frio arrepiante da morte...

Amor de ir à igreja, depois, em manhã clara de Primavera,
e de acabar num hábito suportável e tranquilo...

in «366 Poemas que falam de Amor», uma antologia organizada por Vasco Graça Moura,
Quetzal Editores

Alberto de Serpa Esteves de Oliveira (nasceu no Porto a 12 de Dezembro de 1906 - m. na mesma cidade a 8 de Outubro de 1992)

Ler do mesmo autor, neste blog: Incerteza
Um Jovem Camarada
Poema III
Interferência
Névoa

Read More...

2011-12-12

NÉVOA - Alberto de Serpa

A Albano Nogueira


Abraçada à noite,
a névoa desce sobre a terra.

Imprecisamente,
como se a névoa fosse dos meus olhos,
vejo o casario e as luzes do outro lado do rio.
Mais à direita, ao longe,
são já da névoa a praia, o mar.
Ouve-se apenas o ronco do farol
- um som molhado.
Para o lado dos pinhais,
anda a bruma a fazer medo
e a pôr mais pressa nos passos de quem foge.

Não há luar, não há estrelas.
De novo olho par o rio.
Não sei se o vejo:
anda a névoa, já, com ele,
e os meus olhos não dizem o que é bruma, o que é rio.
E ela não pára,
avança ao meu encontro.

Cerca-me.
E eu tenho, só,
orvalho nas árvores do jardim,
gotas de água que se partem na alameda,
o ar húmido que me trespassa,
o molhado ronco do farol,
os cabelos encharcados
e pensamentos de névoa

(Descrição, 1935)
in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI; Porto Editora

Alberto de Serpa Esteves de Oliveira (nasceu no Porto a 12 de Dezembro de 1906 - m. na mesma cidade a 8 de Outubro de 1992)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Incerteza
Um Jovem Camarada
Poema III
Interferência

Read More...

2011-10-08

Interferência - Alberto de Serpa

A Cecília Meireles

Quem veio bater a minha porta? Quem?
Quem me fez abrir a janela e a noite morta?

O caminho estava deserto e o seu silêncio tinha horas.
Vento? Esta noite tem a paz e o sossego da morte.
Só eu e as estrelas sentíamos a solidão fantástica...

Nos ouvidos e na ansiedade guardei o rumor que me chamou,
as minhas mãos tiveram a carícia doutras mãos perdidas,
e uma companhia invisível acendeu uma luz na minha alma...

Alguém terá pensado em mim, longe?


(A Vida é o Dia de Hoje, 1939)
in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI; Porto Editora

Alberto de Serpa Esteves de Oliveira (nasceu no Porto a 12 de Dezembro de 1906 - m. na mesma cidade a 8 de Outubro de 1992)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Incerteza
Um Jovem Camarada
Poema III

Read More...

2010-12-12

Incerteza - Alberto de Serpa

Nem ilusão, nem
vida. De ilusão,
este amor não tem
os sonhos em vão.

E não tem, da vida,
caminho da morte:
sempre de subida,
sem nuvem que importe.

Assim, não acerto
no estado em que ando:
se sonho desperto
se vivo sonhando

in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

Alberto de Serpa Esteves de Oliveira (nasceu no Porto a 12 de Dezembro de 1906 - m. 8 de Outubro de 1992)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Um Jovem Camarada
Poema III

Read More...

2009-12-12

Poema III - Alberto de Serpa

Como tu embriagas!
Vens, ó Poesia!, ou tumultuosa ou mansa,
Cerras o nosso olhar a estes tempos em chagas,
E cantas dentro em nós uma esperança.
És uma irmã que deixa
A fresca mão na nossa testa ardente,
Depois da luta que engrandece a queixa
Que temos sempre contra tanta gente.
És aquela que chega
— Se o tédio em nossas almas se insinua —
Sempre fácil e pronta para a entrega
Mais total e mais nua.
És tu, poesia, quem
— Quando nos prendem boca, mãos e pés —
A coragem raivosa nos mantém,
Ciciando-nos: "Talvez..."
Que bem hajas! Aqui
E em toda a parte, nossos passos guia!
Por cada hora, sejamos mais de ti,
E tu, mais nossa, Poesia!


Poema extraído daqui

Alberto de Serpa Esteves de Oliveira (Porto, 12 de Dezembro de 1906 - 8 de Outubro de 1992)

Ler do mesmo autor, neste blog: Um Jovem Camarada

Read More...

2008-12-12

Um Jovem Camarada - Alberto de Serpa

Rua de Alberto de Serpa, Ramalde, Porto foto daqui

Meu Camarada moço,
— Lidos os teus poemas,
Dizer-te que não temas
Dar-lhes fogo, a morte, o esquecimento,

Se queres a Poesia,vai para ela
Puro, desnudo, de ímpeto violento,
Como para a mulher
Em que parou teu sonho, — se és o seu.

Vai, como ela te quer.
Mas se outra chama inflama o teu amor,
Se outro sonho tão belo te rendeu,
Tem a coragem nobre de depor
Os versos que não são teu instrumento.
Toma outras armas mais condizentes.
Não, a Poesia não a violentes!
Deixa os versos ao vento ...


Alberto de Serpa Esteves de Oliveira (nasceu no Porto a 12-12-1906, m. 8 de Outubro de 1992)

Read More...