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2014-12-17

Soneto [Sonhei-te tantos anos! Tantos anos!] - Gilka Machado

Sonhei-te tantos anos! Tantos anos!
Eras o meu ideal de amor e de arte,
buscava-te a toda hora e em toda parte
nessa ânsia inexplicável dos insanos.

Enfim, vencida pelos desenganos,
como quem nada espera que lhe farte
a alma faminta, exausta de sonhar-te,
abandonei-me do destino aos danos.

Surges-me agora, em meio da jornada
da Vida: vens do Inferno ou vens da Altura?
- Não sei: mas de ti fujo, apavorada!

E, em lágrimas, minha alma conjetura:
uma felicidade retardada
quase sempre se torna desventura.


in "Os Mais Belos Sonetos que o Amor Inspirou", J.G . de Araujo Jorge - 1a ed. 1963

Gilka da Costa de Mello Machado - Poeta brasileira nascida no Rio de Janeiro (RJ) no dia 12 de março de 1893, e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), a 17 de dezembro de 1980.

Ler ainda da mesma autoria, neste blog:
Saudade
Lembranças
Esboço
Símbolos

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2014-03-12

Lembranças - Gilka Machado

Teus retratos — figuras esmaecidas;
mostram pouco, muito pouco do que foste.
Tuas cartas — palavras em desgaste,
dizem menos, muito menos
do que outrora me diziam
teus silêncios afagantes...
Só o espelho da minha memória
conserva nítida, imutável
a projeção de tua formosura,
só nos folhos dos meus sentidos
pairam vívidas
em relevo
as frases que teu carinho
soube nelas imprimir.

Sou a urna funerária de tua beleza
que a saudade
embalsamou.

Quando chegar o meu instante derradeiro
só então, mais do que eu,
tu morrerás
em mim.


in Velha poesia (1965)

Gilka da Costa Mello Machado (nasceu no Rio de Janeiro a 12 de Março de 1893 e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), no dia 11 de dezembro de 1980).

Ler ainda da mesma autoria, neste blog:
Esboço
Símbolos

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2011-03-12

Saudade - Gilka Machado

De quem é esta saudade
que meus silêncios invade,
que de tão longe me vem?

De quem é esta saudade,
de quem?

Aquelas mãos só carícias,
Aqueles olhos de apelo,
aqueles lábios-desejo…

E estes dedos engelhados,
e este olhar de vã procura,
e esta boca sem um beijo…

De quem é esta saudade
que sinto quando me vejo?

Gilka da Costa Melo Machado (nasceu no Rio de Janeiro a 12 de Março de 1893 e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), no dia 11 de dezembro de 1980).

Ler ainda da mesma autoria, neste blog:
Esboço
Símbolos

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2010-03-12

Símbolos - Gilka Machado

Eu e tu, ante a noite e o amplo desdobramento
do mar, fero a estourar de encontro à rocha nua...
Um símbolo descubro aqui, neste momento:
esta rocha, este mar... a minha vida e a tua.

O mar vem, o mar vai, nele há o gesto violento
de quem maltrata e, após, se arrepende e recua.
Como compreendo bem da rocha o sentimento!
São muito iguais, por certo, a minha mágoa e a sua.

Contemplo neste quadro a nossa triste vida;
tu és esse dúbio mar que, na sua inconsciência,
tem carinhos de amor e fúrias de demência!

Eu sou a dor estanque, a dor empedernida,
sou a rocha a emergir de um côncavo de areia,
imóvel, muda, isenta e alheia ao mar, alheia.


Soneto extraído de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

Gilka da Costa Melo Machado (nasceu no Rio de Janeiro a 12 de Março de 1893 e morreu em 1980).

Ler ainda da mesma autoria, neste blog: Esboço

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2008-03-12

Esboço - Gilka Machado


Teus lábios inquietos
pelo meu corpo
acendiam astros...
e no corpo da mata
os pirilampos
de quando em quando,
insinuavam
fosforecentes carícias...
e o corpo do silêncio estremecia,
chocalhava,
com os guizos
do cri-cri osculante
dos grilos que imitavam
a música de tua boca...
e no corpo da noite
as estrelas cantavam
com a voz trêmula e rútila
de teus beijos...

Gilka da Costa Melo Machado (nasceu no Rio de Janeiro a 12 de Março de 1893 e morreu em 1980).

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