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2013-07-12

A ÚLTIMA CONFISSÃO DE EUGÊNIA CÂMARA - Lobo da Costa (pela passagem do 160º aniversário)

O padre era um tipo venerando,
Mais pálido que o mármore de Carrara;
Ela a seus pés — de uma beleza rara,
Tinha os olhos no chão — o seio arfando.

Deserto estava o templo, mas quando
A voz do sacerdote se escutara,
Abriu-se a porta da secreta ara
E um arcanjo de luz passou chorando.

— Crê em Deus, minha filha? — Eu o idolatro.
— De que se acusa? Que pecado há feito?
— Meu padre, perdoai-me... eu tenho quatro.

— Credo em cruz! — brada o velho, a mão no peito.
— Amo a glória, o prazer... amo o teatro,
E Castro Alves morreu por meu respeito.

in Obra Poética, Lobo da Costa; pesquisa, introdução, notas e glossário de Alice Campos Moreira - Edição crítica. - Porto Alegre: EDIPUCRS; IEL; FAPERGS, 1991

Francisco Lobo da Costa (n. Pelotas, Rio Grande do Sul, 12 de julho de 1853 — m. Pelotas, 19 de junho de 1888)

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