Blog Widget by LinkWithin
Mostrar mensagens com a etiqueta Cecília Meireles. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cecília Meireles. Mostrar todas as mensagens

2015-11-09

Mulher ao Espelho - Cecília Meireles

Mulher de Espelho 70x90
Óleo sobre tela by Akaki

Hoje, que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz,
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal fez, essa cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se é tudo tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira,
a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles(n. no Rio de Janeiro a 7 de novembro de 1901 — m. no Rio de Janeiro, a 9 de novembro de 1964).

Read More...

2014-11-07

CANÇÃO - Cecília Meireles (+ fado cantado por Amália Rodrigues)

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
– depois abri o mar com as mãos
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio,
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.


Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964)

Amália Rodrigues canta este poema (sem a última estrofe) neste fado «Naufrágio». Imperdível e comovente!...

Read More...

2012-11-07

Canção - Cecília Meireles

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio…

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964)

Ler neste blog da mesma autoria:
Se eu fosse apenas uma rosa
Traça a Reta e a Curva
A Chuva Chove
Motivo
Ou isto ou aquilo;
De um lado cantava o Sol;
Despedida;
Mulher ao espelho;
Balada das Dez Bailarinas do Cassino
Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005

Read More...

2011-11-07

Se Eu Fosse Apenas - Cecília Meireles (no 110º aniversário)



Se eu fosse apenas uma rosa,
com que prazer me desfolhava,
já que a vida é tão dolorosa
e não te sei dizer mais nada!

Se eu fosse apenas água ou vento,
com que prazer me desfaria,
como em teu próprio pensamento
vais desfazendo a minha vida!

Perdoa-me causar-te a mágoa
desta humana, amarga demora!
- de ser menos breve do que a água,
mais durável que o vento e a rosa...


in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco Graça Moura, Quetzal Editores

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964)

Ler neste blog da mesma autoria:
Traça a Reta e a Curva
A Chuva Chove
Motivo
Ou isto ou aquilo;
De um lado cantava o Sol;
Despedida;
Mulher ao espelho;
Balada das Dez Bailarinas do Cassino
Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005

Read More...

2010-11-07

Traça a reta e a curva - Cecília Meireles

A quebrada e a sinuosa.
Tudo é preciso.
De tudo viverás.

Cuida com exatidão da perpendicular
E das paralelas perfeitas.
Com apurado rigor.
Sem esquadro, sem nível, sem fio de prumo,
Traçarás perspectivas, projetarás estruturas,
Número, rítmo, distância, dimensão.
Tens os seus olhos, o teu pulso, a tua memória.

Construirás os labirintos impermanentes
Que sucessivamente habitarás.

Todos os dias estarás refazendo o teu desenho.
Não te fatigues logo. Tens trabalho para toda a vida.
E nem para o teu sepulcro terás a medida certa.

Somos sempre um pouco menos do que pensávamos.
Raramente, um pouco mais.


in Poesia Brasileira do Século XX, Dos Modernistas à Actualidade, seleção, introdução e notas Jorge Henrique Bastos, Antígona

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964)

Ler neste blog da mesma autora:
A Chuva Chove
Motivo
Ou isto ou aquilo;
De um lado cantava o Sol;
Despedida;
Mulher ao espelho;
Balada das Dez Bailarinas do Cassino
Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005

Read More...

2009-11-07

Balada das Dez Bailarinas do Cassino - Cecília Meireles

O Camarim das Bailarinas, Washington Maguetas

Óleo Sobre Tela 18x22, daqui


Dez bailarinas deslizam
por um chão de espelho.
Têm corpos egípcios com placas douradas,
pálpebras azuis e dedos vermelhos.
Levantam véus brancos, de ingênuos aromas,
e dobram amarelos joelhos.

Andam as dez bailarinas
sem voz, em redor das mesas.
Há mãos sobre facas, dentes sobre flores
e com os charutos toldam as luzes acesas.
Entre a música e a dança escorre
uma sedosa escada de vileza.

As dez bailarinas avançam
como gafanhotos perdidos.
Avançam, recuam, na sala compacta,
empurrando olhares e arranhando o ruído.
Tão nuas se sentem que já vão cobertas
de imaginários, chorosos vestidos.

A dez bailarinas escondem
nos cílios verdes as pupilas.
Em seus quadris fosforescentes,
passa uma faixa de morte tranquila.
Como quem leva para a terra um filho morto,
levam seu próprio corpo, que baila e cintila.

Os homens gordos olham com um tédio enorme
as dez bailarinas tão frias.
Pobres serpentes sem luxúria,
que são crianças, durante o dia.
Dez anjos anêmicos, de axilas profundas,
embalsamados de melancolia.

Vão perpassando como dez múmias,
as bailarinas fatigadas.
Ramo de nardos inclinando flores
azuis, brancas, verdes, douradas.
Dez mães chorariam, se vissem
as bailarins de mãos dadas.


In Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim

Cecília Benevides de Carvalho Meireles[1] (Rio de Janeiro, 7 de novembro de 1901 — Rio de Janeiro, 9 de novembro de 1964)

Ler neste blog da mesma autora:
A Chuva Chove
Motivo
Ou isto ou aquilo;
De um lado cantava o Sol;
Despedida;
Mulher ao espelho;

Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005

Read More...

2008-11-07

Motivo - Cecília Meireles (no dia do 107º. aniversário)

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.

Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.

Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
— não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.

Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
— mais nada.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (n. no Rio de Janeiro a 7 de Nov de 1901 — m. no Rio de Janeiro, a 9 de Nov de 1964).

Ler neste blog da mesma autora:
Ou isto ou aquilo;
De um lado cantava o Sol;
Despedida;
Mulher ao espelho;

Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005

Read More...

2007-11-09

A Chuva Chove - Cecília Meireles

Pela passagem do 43º. aniversário da morte da poetisa brasileira

Chuva daqui

A chuva chove mansamente... como um sono
que tranquilize, pacifique, resserene...
A chuva chove mansamente... Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine...

E vem-me o sonho de uma véspera solene,
em certo paço, já sem data e já sem dono...
Véspera triste como a noite, que envenene
a alma, evocando coisas líricas de outono...

... Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha...
Paço de imensos corredores espectrais,

onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
enquanto o vento, estrepitando pelas portas,
revira in-fólios, cancioneiros e missais...


(in A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa - Edições Unicepe, 2004)

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (n. no Rio de Janeiro a 7 de Nov de 1901 — m. no Rio de Janeiro, a 9 de Nov de 1964).

Ler neste blog da mesma autora:
Ou isto ou aquilo;
De um lado cantava o Sol;
Despedida;
Mulher ao espelho;

Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005

Read More...

2007-11-07

Mulher ao Espelho - Cecília Meireles

Mulher de Espelho 70x90
Óleo sobre tela by Akaki from here

No dia em que a autora faz 106 anos

Hoje, que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.
Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz,
Já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.
Que mal fez, essa cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se é tudo tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?
Por fora, serei como queira,
a moda, que vai me matando.
Que me levem pele e caveira
ao nada, não me importa quando.
Mas quem viu, tão dilacerados,
olhos, braços e sonhos seus,
e morreu pelos seus pecados,
falará com Deus.
Falará, coberta de luzes,
do alto penteado ao rubro artelho.
Porque uns expiram sobre cruzes,
outros, buscando-se no espelho.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (n. no Rio de Janeiro a 7 de Nov de 1901 — m. no Rio de Janeiro, a 9 de Nov de 1964).


Ler neste blog da mesma autora: Ou isto ou aquilo ; De um lado cantava o Sol
Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005

Read More...

2006-11-07

Poema do Amor Perfeito - Cecília Meireles

Amor-perfeito imagem daqui

Naquela nuvem, naquela,
mando-te meu pensamento:
que Deus se ocupe do vento.

Os sonhos foram sonhados,
e o padecimento aceito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Imensos jardins da insônia,
de um olhar de despedida
deram flor por toda a vida.

Ai de mim que sobrevivo
sem o coração no peito.
E onde estás, Amor-Perfeito?

Longe, longe, atrás do oceano
que nos meus olhos se aleita,
entre pálpebras de areia...

Longe, longe... Deus te guarde
sobre o seu lado direito,
como eu te guardava do outro,
noite e dia, Amor-Perfeito.

Cecília Meireles (n. no Rio de Janeiro a 7 Nov 1901; m. 9 Nov 1964).

Ler neste blog da mesma autora: Ou isto ou aquilo ; De um lado cantava o Sol ; Despedida
Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005

Read More...

Despedida - Cecília Meireles

Por mim, e por vós, e por mais aquilo
que está onde as outras coisas nunca estão
deixo o mar bravo e o céu tranqüilo:
quero solidão.
Meu caminho é sem marcos nem paisagens.
E como o conheces ? - me perguntarão. -
Por não Ter palavras, por não ter imagem.
Nenhum inimigo e nenhum irmão.
Que procuras ?
Tudo.
Que desejas ?
Nada.
Viajo sozinha com o meu coração.
Não ando perdida, mas desencontrada.
Levo o meu rumo na minha mão.
A memória voou da minha fronte.
Voou meu amor, minha imaginação ...
Talvez eu morra antes do horizonte.
Memória, amor e o resto onde estarão?
Deixo aqui meu corpo, entre o sol e a terra.
(Beijo-te, corpo meu, todo desilusão !
Estandarte triste de uma estranha guerra ... )
Quero solidão.

Ler neste blog da mesma autora: Ou isto ou aquilo ; De um lado cantava o Sol
Ler ainda um post a propósito: Dos 41 anos da morte de Cecília Meireles em 9-11-2005

Read More...

2005-11-09

Cecília Meireles morreu faz hoje 41 anos

Cecília Benevides de Carvalho Meirelles, poetisa brasileira. Alta expressão da poesia feminina no país, sua obra figura entre os grandes valores da literatura de língua portuguesa do século XX. Faz hoje 41 anos que faleceu.

Habitualmente nestas efemérides de poetas publicamos um ou mais poemas do autor em causa como modo de o homenagear. Fizemo-lo no passado dia 6 de Novembro, data do aniversário de nascimento desta poetisa.

Hoje vamos remeter o leitor para uma curiosidade e para um texto que considero belíssimo da autora. Então aí vai:

1 -Curiosidade:

Numa das viagens a Portugal, em 1935, Cecília Meireles marcou um encontro com o poeta Fernando Pessoa no café A Brasileira, em Lisboa. Sentou-se ao meio-dia e esperou em vão até as duas horas da tarde. O poeta português não aparecera. Decepcionada, voltou para o hotel, onde recebeu um livro autografado pelo autor lusitano. Junto com o exemplar, a explicação para a falta: Fernando Pessoa tinha lido seu horóscopo pela manhã e concluído que não era um bom dia para o encontro.

2- A História de uma letra

Cecília Meirelles (com duplo l ) passou a escrever após o suicídio do marido com o nome de Cecília Meireles. "Muita gente me pergunta se deixei de escrever com letra dobrada devido à reforma ortográfica. Quando estou com preguiça de explicar, digo que sim". A verdadeira explicação consta do texto : "A História de uma letra" que transcrevemos:

Muita gente me pergunta se deixei de escrever o meu sobrenome com letra dobrada devido à reforma ortográfica; e quando estou com preguiça de explicar, digo que sim. Mas hoje tomo coragem, abalanço-me a confessar a verdade, que talvez não interesse senão aos meus possíveis herdeiros.

A verdade nunca é simples, como se imagina. E em primeiro lugar, devo dizer que o meu sobrenome simplificado só vale na literatura. Nos documentos oficiais prevalece a forma antiga, e eu por mim gosto tanto da tradição que não me importava nada carregar um ípsilon, um th, todas as atrapalhações possíveis que enrugam e encarquilham um idioma.

Por outro lado, as reformas ortográficas são sempre tão arrevesadas que já perdi as esperanças de estar algum dia completamente em condições de escrever sem erros, descansando assim no tipógrafo e no revisor, que são os grandes responsáveis pelas nossas faltas e pelas nossas glórias. Não foi, portanto, por afeição às reformas que sacrifiquei uma letra do meu nome. A história é mais inverosímel.

Todos na vida atravessamos certas crises. Dever-se-ia mesmo escrever sobre a gênese, desenvolvimento, apogeu e fim das crises. Se uma pessoa está sem emprego, o natural é que se empregue. Se está doente, o natural é que morra ou se cure. Mas o fenômeno da crise é importante precisamente por ser o contrário do natural. De modo que se a pessoa está desempregada, não há maneira de arranjar emprego, e se está doente não há maneira de se curar, etc...

As crises são muito variadas. Há crises sentimentais, econômicas, de inspiração, de talento, de prestígio — e o povo classifica essa situação, que ele, em sua sabedoria, já observou, com o fácil nome de azar.

O azar não é lógico. Isso é que o torna desesperador. A pessoa sai de casa, bem com a sua consciência, com as faculdades mentais em perfeita ordem, os músculos, os nervos, tudo bem governado, atravessa a rua como um cidadão correto, observando o sinal, e quando chega do outro lado, apanha na cabeça um tijolo que um operário, inocente, deixou cair do sétimo andar de uma construção.

Naturalmente, todo o mundo tem refletido sobre as razões secretas dessas coisas inexplicáveis. E foi assim que, com o correr do tempo, se chegou à caracterização de um certo número de fatos e objetos que servem de prenúncio ao azar: espelhos quebrados, relógios parados, sal entornado na mesa, sapato emborcado, tesoura aberta, gato preto, mariposas, sexta-feira dia treze, mês de agosto, gente canhota e estrábica, vestido marrom, para só falar dos principais. (...)

Leia o resto da história em Releituras - Os melhores textos dos melhores escritores

Read More...

2005-11-07

Ou Isto ou Aquilo - Cecília Meireles

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo . . .
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecília Meireles (n. Rio de Janeiro, 7 Nov. 1901; m. 09 Nov 1964)

Read More...

De um lado cantava o sol - Cecília Meireles

De um lado cantava o sol,
do outro, suspirava a lua.
No meio, brilhava a tua
face de ouro, girassol!

Ó montanha da saudade
a que por acaso vim:
outrora, foste um jardim,
e és, agora, eternidade!

De longe, recordo a cor
da grande manhã perdida.
Morrem nos mares da vida
todos os rios do amor?

Ai! celebro-te em meu peito,
em meu coração de sal,
Ó flor sobrenatural,
grande girassol perfeito!

Acabou-se-me o jardim!
Só me resta, do passado,
este relógio dourado
que ainda esperava por mim . . .

Cecília Meireles (n. Rio de Janeiro, 7 Nov. 1901; m. 09 Nov 1964)

Read More...