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2017-12-06

Outono - Félix Pacheco


Amo, sim, e amarei! Mas não quisera
Manter este verão que é quase extinto.
Tudo que agora nos meus quadros pinto
Traz outra cor mais grave e mais austera.

Nunca maldisse o estio e a primavera,
Mas abençôo o tempo que hoje sinto,
Esta quietude sã, na qual não minto,
Outra ilusão mais justa e mais sincera.

Quando se desce a encosta da montanha,
No clarão interior que então nos banha
Os próprios dias tornam-se mais sábios.

Quadra melhor no outono o meu segredo.
O outono é para mim um grande dedo
Que o silêncio do amor põe nos meus lábios.

in Poesias, 2. ed. Teresina: Projeto Petrônio Portella, 1985.

José Félix Alves Pacheco nasceu em Teresina, Piauí, Brasil a 2 de agosto de 1879 e faleceu no Rio de Janeiro a 6 de dezembro de 1935

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2016-08-02

O POETA E O TEMPO - Félix Pacheco

São sempre iguais na idade os deuses e as quimeras.
O poeta é um deus também. Pertence-lhe o infinito.
Perdido na amplidão sempiterna do mito,
Fica de todo alheio ao desfilar das eras.

Sucumbam gerações no círculo restrito
E passem, no vaivém sem fim, as primaveras.
O poeta há de viver, para além das esferas,
Esquecido e imortal, todo entregue ao seu rito.

Eclíticas de sóis, movimentos dos astros,
Outonos e verões correndo atrás de invernos,
Tudo isso diz que o mundo anda também de rastros.

A própria formosura é vã nesses infernos:
O sepulcro dispersa em pó os alabastros.
Unicamente Deus e o Poeta são eternos.

Poema extraído do sítio da Academia Brasileira de Letras

José Félix Alves Pacheco, nasceu em Teresina, PI, em 2 de agosto de 1879, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 6 de dezembro de 1935.

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2013-12-06

Símbolo d'Arte - Félix Pacheco

Foto: Crisantemos Roxos

Se o meu verso não fora o agonizar de um lírio,
E o suave funeral de um crisântemo roxo,
Diluindo-se, murchando, à vaga luz de um círio,
Entre o planger de um sino e o gargalhar de um mocho;

Se, essas flores do mal, em pleno desabrocho,
Eu não sentira em mim, num êxtase e em delírio,
Meu orgulho de rei julgara vesgo e frouxo,
Pois a glória de um sol não vale esse martírio.

Se, na terra que piso, algum prêmio ambiciono,
É o deserto, a cabala, o claustro, a esfinge, o outono,
O calmo encanto da noite e a augusta paz da morte...

E o meu símbolo d'arte, o ideal que me fascina,
É a tristeza a florir a graça feminina,
Como um farol pressago a iluminar o norte!


poema extraído daqui

José Félix Alves Pacheco (n. em Teresina a 2 Ago. 1879; m. no Rio de Janeiro a 6 Dez. 1935)

Ler do mesmo autor Estranhas Lágrimas; Visita Infalível

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2012-08-02

Símbolo dos Símbolos - Félix Pacheco

Caveira! Tu conténs a síntese do mundo!
Trazes dentro de ti o impalpável mistério.
És o louro mudado em tinhorão funéreo,
És o azul transformado em báratro profundo!

Destronados Satãs de olhar meditabundo,
Andam dentro de ti como num cemitério,
E os Faustos doutorais, de aspecto mudo e sério,
Descem do informe caos ao tenebroso fundo.

Cabalístico signo exótico do nada,
Sofres, e a tua dor, caveira, é sufocada,
Gemes, e o teu gemido esvai-se em ironia.

Resta-te agora só, depois de tantas glórias,
A lembrança cruel das passadas vitórias
E essa amarga expressão de funda nostalgia.

José Félix Alves Pacheco, nasceu em Teresina, PI, em 2 de agosto de 1879, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 6 de dezembro de 1935.

Ler do mesmo autor, neste blog:
Ofertório
O Poeta e o Tempo
Do Cimo da Montanha
Símbolo d'Arte
Em Louvor do Soneto
Estranhas Lágrimas
Visita Infalível

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2011-12-06

Ofertório - Félix Pacheco

Cerca-te a nobre fronte uma auréola bendita.
Na nostalgia azul dos teus olhares leio
Uma Balada atroz com Lágrimas escrita.

És para mim, ó Mãe, o vigoroso esteio
Que sustenta de pé a velha e augusta Cripta,
A colunata de oiro erguida em frágil seio,

Para amparar a Torre Astral dos Meus Cismares,
E impedir que ela tombe, em pó desfeita, em ruínas.
A tua voz espalha, em ondas, pelos ares,

Suaves, doridos sons de aflitivas surdinas,
Enchendo o Oceano, enchendo os Céus, enchendo os Mundos.
Como um Réquiem cantado através de neblinas.

Vieste para extinguir os tormentos profundos!
Vieste para apagar as velhas cicatrizes,
Para descortinar o Céu aos moribundos!

Vieste para aliviar a Dor dos infelizes!
Vieste para espancar as Trevas de Minh'Alma,
Para arrancar à Dor as rígidas raízes!

Arcanjo de asa branca e protetora espalma,
Emissário de Deus, ó Mãe, tu me trouxeste,
Como uma Bênção do Alto, a esplendorosa calma.

Abrandas a Agonia, exterminas a Peste,
Escravizas o Leão ao teu olhar piedoso,
E o Corvo teme, e o Tigre, a alvura que te veste.

Arcanjo, Santa, Lírio, Estrela, Sol glorioso,
Filtro que os Corações Humanos fortalece,
Tamareira que ensombra o deserto arenoso,

Mater! Suprema Força! Acolhe minha prece!

Extraído daqui

José Félix Alves Pacheco, nasceu em Teresina, PI, em 2 de agosto de 1879, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 6 de dezembro de 1935.

Ler do mesmo autor, neste blog:
O Poeta e o Tempo
Do Cimo da Montanha
Símbolo d'Arte
Em Louvor do Soneto
Estranhas Lágrimas
Visita Infalível

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2011-08-02

O POETA E O TEMPO - Félix Pacheco

São sempre iguais na idade os deuses e as quimeras.
O poeta é um deus também. Pertence-lhe o infinito.
Perdido na amplidão sempiterna do mito,
Fica de todo alheio ao desfilar das eras.

Sucumbam gerações no círculo restrito
E passem, no vaivém sem fim, as primaveras.
O poeta há de viver, para além das esferas,
Esquecido e imortal, todo entregue ao seu rito.

Eclíticas de sóis, movimentos dos astros,
Outonos e verões correndo atrás de invernos,
Tudo isso diz que o mundo anda também de rastros.

A própria formosura é vã nesses infernos:
O sepulcro dispersa em pó os alabastros.
Unicamente Deus e o Poeta são eternos.


Poema extraído do sítio da Academia Brasileira de Letras


José Félix Alves Pacheco, nasceu em Teresina, PI, em 2 de agosto de 1879, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 6 de dezembro de 1935.

Ler do mesmo autor, neste blog:
Do Cimo da Montanha
Símbolo d'Arte
Em Louvor do Soneto
Estranhas Lágrimas
Visita Infalível


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2010-12-06

Do cimo da montanha - Félix Pacheco

Musa, pára um momento aqui, musa severa!
Olha deste alto cimo a Pátria, o Sonho, a Vida...
Mede toda a extensão imensa percorrida,
E o presente, e o porvir esmiúça, e considera!

Interpreta, na estrofe, a saudade sincera,
E realça, firme, o traço à página esquecida!
Canta a luz que te doura, e estende-a, refletida,
Sobre os rincões natais, que tua alma venera!

Mas grava tudo lenta, unindo, com orgulho,
O esto dos palmerais, e a harmonia dos trenos,
Como na relação do efeito para as causas...

Junta o carme à epopéia, enlaça o grito e o arrulho,
E os quarenta anos teus se fixarão, serenos,
Num longo beijo quente, ampliado em sóis e em pausas...


José Félix Alves Pacheco nasceu em Teresina (PI) a 2 de Agosto de 1879 e faleceu no Rio de Janeiro a 6 de Dezembro de 1935

Ler do mesmo autor, neste blog:

Símbolo d'Arte
Em Louvor do Soneto
Estranhas Lágrimas
Visita Infalível

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2010-08-02

Em Louvor do Soneto - Félix Pacheco

Outros se percam no marulho intenso,
e a lira afinem pelo canto vasto;
eu, no meu lindo cárcere, me basto,
e não o julgo estreito, mas imenso.

Nestes curtos grilhões nunca me gasto,
digo tudo o que quero e quanto penso,
satisfeito das perfídias que venço
e orgulhoso dos óbices que afasto.

Há quem prefira os poemas dilatados,
amplas visões em versos numerosos,
onde a rima extravasa em grandes brados;

eu, porém, a outros moldes me remeto
e nunca tive um gozo entre os meus gozos
que não coubesse dentro de um soneto!

José Félix Alves Pacheco nasceu em Teresina (PI) a 2 de Agosto de 1879 e faleceu no Rio de Janeiro a 6 de Setembro de 1935*. Depois do Colégio Militar do Rio, a Faculdade de Direito. Advogado, director e proprietário do «Jornal do Comércio», fundador do Gabinete de Identificação e Estatística do Distrito Federal, deputado, senador, ministro das Relações Exteriores e poeta, com uma desconcertante evolução: do simbolismo para o parnasianismo. Aliás, os seus poemas lírico-amorosos evidenciam um sentimentalismo romântico.

Soneto e nota biobibliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

* Várias fontes incluindo a da Academia Brasileira de Letras indicam como data do desaparecimento do poeta a de 6 de Dezembro de 1935 que aceitamos como mais verosímel

Ler do mesmo autor, neste blog:
Símbolo d'Arte
Estranhas Lágrimas
Visita Infalível

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2009-12-06

Símbolo d'Arte - Félix Pacheco

Foto: Crisantemos Roxos


Se o meu verso não fora o agonizar de um lírio,
E o suave funeral de um crisântemo roxo,
Diluindo-se, murchando, à vaga luz de um círio,
Entre o planger de um sino e o gargalhar de um mocho;

Se, essas flores do mal, em pleno desabrocho,
Eu não sentira em mim, num êxtase e em delírio,
Meu orgulho de rei julgara vesgo e frouxo,
Pois a glória de um sol não vale esse martírio.

Se, na terra que piso, algum prêmio ambiciono,
É o deserto, a cabala, o claustro, a esfinge, o outono,
O calmo encanto da noite e a augusta paz da morte...

E o meu símbolo d'arte, o ideal que me fascina,
É a tristeza a florir a graça feminina,
Como um farol pressago a iluminar o norte!


poema extraído daqui
José Félix Alves Pacheco (n. em Teresina a 2 Ago. 1879; m. no Rio de Janeiro a 6 Dez. 1935)

Ler do mesmo autor Estranhas Lágrimas; Visita Infalível

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2008-12-06

Visita Infalível - Félix Pacheco (no aniversário da morte do poeta)

Ouço-lhe o surdo passo e lhe pressinto o vulto
Na meia sombra ambiente. Invisível se esgueira
De manso, a foice às mãos, calada, sorrateira,
E já pronta a oficiar na lágrima o seu culto...

Nunca avisa a quem busca e chega sem tumulto,
E passeia indecisa e incerta, a casa inteira,
Parando em cada quarto, a espreitar, agoireira...
É cedo! Exclama. E ri com o seu riso oculto...

E vai-se... E torna a vir... Parte outra vez... Regressa...
Espera um pouco e volta... E repete, freqüente,
Mas sempre silenciosa, a obrigação sem pressa...

Ninguém suspeita nada, ou receia da sorte...
Desfila e corre o tempo indiferentemente...
Mas um dia, ai de nós! Entra a visita, é a morte!

José Félix Alves Pacheco (n. em Teresina a 2 Ago. 1879; m. no Rio de Janeiro a 6 Dez. 1935)

Ler do mesmo autor Estranhas Lágrimas

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2008-08-02

Símbolo d’arte - Félix Pacheco

Foto: Crisantemos Roxos


Se o meu verso não fora o agonizar de um lírio,
E o suave funeral de um crisântemo roxo,
Diluindo-se, murchando, à vaga luz de um círio,
Entre o planger de um sino e o gargalhar de um mocho;

Se, essas flores do mal, em pleno desabrocho,
Eu não sentira em mim, num êxtase e em delírio,
Meu orgulho de rei julgara vesgo e frouxo,
Pois a glória de um sol não vale esse martírio.

Se, na terra que piso, algum prêmio ambiciono,
É o deserto, a cabala, o claustro, a esfinge, o outono,
O calmo encanto da noite e a augusta paz da morte...

E o meu símbolo d'arte, o ideal que me fascina,
É a tristeza a florir a graça feminina,
Como um farol pressago a iluminar o norte!

José Félix Alves Pacheco (n. Teresina, 2 de Agosto de 1879; m. Rio de Janeiro, 6 de Dez de 1935).

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2007-12-06

Estranhas Lágrimas - Félix Pacheco

lágrimas


Lágrimas... Noutras épocas verti-as.
Não tinha o olhar enxuto como agora.
Alma, dizia então comigo, chora,
Que o pranto diminui as agonias.

Ah! Quantas vezes, pelas faces frias,
Por mal do meu amor, que se ia embora,
Gota a gota rolando, elas, outrora,
Marcaram noites e marcaram dias!

Vinham do oceano d’alma imenso e fundo,
Ondas de angústia em suspiroso arranco,
Numa desesperança acerba e louca...

Nos olhos, hoje, as lágrimas estanco,
Mas rolam todas, sem que as veja o mundo,
Sob a forma de risos, pela boca!

José Félix Alves Pacheco (n. em Teresina a 2 Ago. 1879; m. no Rio de Janeiro a 6 Dez. 1935)

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2007-08-02

Estranhas Lágrimas - Félix Pacheco

foto: Tears of Glass by Man Ray

Lágrimas... noutras épocas verti-as.
Não tinha o olhar enxuto como agora.
- Alma, dizia então comigo, chora!
Que assim minorarás as agonias!

Ah! Quantas vezes pelas faces frias,
Umas, outras após, a toda hora,
Gota a gota rolando elas, outrora,
Marcaram noites e marcaram dias!

Vinham do oceano d’alma, imenso e fundo,
De espuma as ondas salpicando o flanco,
Numa fremência amargurada e louca.

Nos olhos hoje as lágrimas estanco...
Rolam, porém, sem que as descubra o mundo
Sob a forma de risos pela boca.

José Félix Alves Pacheco (n. em Teresina a 2 de Agosto de 1879; m. no Rio de Janeiro a 6 de Dezembro de 1935).

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