Outono - Félix Pacheco
Amo, sim, e amarei! Mas não quisera
Manter este verão que é quase extinto.
Tudo que agora nos meus quadros pinto
Traz outra cor mais grave e mais austera.
Nunca maldisse o estio e a primavera,
Mas abençôo o tempo que hoje sinto,
Esta quietude sã, na qual não minto,
Outra ilusão mais justa e mais sincera.
Quando se desce a encosta da montanha,
No clarão interior que então nos banha
Os próprios dias tornam-se mais sábios.
Quadra melhor no outono o meu segredo.
O outono é para mim um grande dedo
Que o silêncio do amor põe nos meus lábios.
in Poesias, 2. ed. Teresina: Projeto Petrônio Portella, 1985.
José Félix Alves Pacheco nasceu em Teresina, Piauí, Brasil a 2 de agosto de 1879 e faleceu no Rio de Janeiro a 6 de dezembro de 1935





















