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2016-08-26

POEMA DO AMOR SEM EXAGERO - Joaquim Cardozo

Corpo (autor desconhecido). PS: a modelo também não conheço

Eu não te quero aqui por muitos anos
Nem por muitos meses ou semanas,
Nem mesmo desejo que passes no meu leito
As horas extensas de uma noite.
Para quê tanto Corpo!
Mas ficaria contente se me desses
Por instantes apenas e bastantes
A nudez longínqua e de pérola
Do teu corpo de nuvem.


Joaquim Maria Moreira Cardozo (n. no Recife, 26 de agosto de 1897; m. em Olinda a 4 de novembro de 1978).



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2015-08-26

Eu não quero - Joaquim Cardozo

Eu não quero o teu corpo
Eu não quero a tua alma,
Eu deixarei intato o teu ser a tua pessoa inviolável
Eu quero apenas uma parte neste prazer
A parte que não te pertence

in Poemas, 1947

Joaquim Maria Moreira Cardozo (n. no Recife, Pernambuco, a 26 de agosto de 1897; m. em Olinda a 4 de novembro de 1978)

Ler do mesmo autor neste blog:
Chuva de Caju
Poema do Amor Sem Exagero
Aquarela
A Várzea Tem Cajazeiras

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2014-11-04

CHUVA DE CAJU - Joaquim Cardozo

Como te chamas, pequena chuva inconstante e breve?
Como te chamas, dize, chuva simples e leve?
Tereza? Maria?
Entra, invade a casa, molha o chão,
Molha a mesa e os livros.
Sei de onde vens, sei por onde andaste.
Vens dos subúrbios distantes, dos sítios aromáticos.
Onde as mangueiras florescem, onde há cajus e mangabas,
Onde os coqueiros se aprumam nos baldes dos viveiros
E em noites de lua cheia passam rondando os maruins:
Lama viva, espírito do ar noturno do mangue.
Invade a casa, molha o chão,
Muito me agrada a tua companhia,
Porque eu te quero muito bem, doce chuva,
Quer te chames Tereza ou Maria.

1936

Joaquim Maria Moreira Cardozo (n. no Recife a 26 de agosto de 1897; m. em Olinda a 4 de novembro de 1978)

Ler do mesmo autor neste blog:
Poema do Amor Sem Exagero
Aquarela
A Várzea Tem Cajazeiras

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2010-08-26

A várzea tem cajazeiras - Joaquim Cardozo

CajazeiroCajazeiro (Spondias dulcis) perdendo as folhas com
cores outonais. Imagem daqui

(…)
A várzea tem cajazeiras…
Cada cajazeira um ninho
Que entre o verde e o azul oscila;
Mocambo de passarinho…
(…)

Nessa várzea sou planície,
vaga dimensão dormente,
tendida no chão conforme
sou de mim sombra somente.

Rumos de céus desvelados
onde chego e me afugento?
- já me escuto como em sonho
de tão longe que me ausento!

Em redes de ramos verdes
me estendo como um caminho,
me espreguiço dessa várzea,
e me embalo desse ninho.

Joaquim Cardozo (n. no Recife (bairro do Zumbi), a 26 de Ago. 1897, m. em Olinda a 4 Nov. 1978).

Ler do mesmo autor neste blog:
Poema do Amor Sem Exagero
Aquarela

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2008-11-04

POEMA DO AMOR SEM EXAGERO - Joaquim Cardozo (na data em que passam 30 anos sobre a sua morte)

Corpo ( autor desconhecido)

Eu não te quero aqui por muitos anos
Nem por muitos meses ou semanas,
Nem mesmo desejo que passes no meu leito
As horas extensas de uma noite.
Para quê tanto Corpo!
Mas ficaria contente se me desses
Por instantes apenas e bastantes
A nudez longínqua e de pérola
Do teu corpo de nuvem.


Joaquim Cardozo (n. no Recife (bairro do Zumbi), a 26 de Ago. 1897, m. em Olinda a 4 Nov. 1978).

Ler do mesmo autor neste blog: Aquarela

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2007-11-04

Aquarela - Joaquim Cardozo

Flor amarela Flor amarela (daqui)

Macaíbeiras chovendo
Cheiro de flor amarela;
Cheiro de chão que amanhece.
Estavas sob a latada
Quando te abri a janela.

Cheiro de jasmim laranja
Pelos jardins anoitece;
Junto a papoulas dobradas,
Num canteiro florescendo,
A tua saia singela.

Macaíbeiras chovendo
Cheiro de flor amarela...

Não sei se és tu, se eras outra,
Não sei se és esta ou aquela,
A que não quis nem me quer,
Fugindo sob a latada
Nessa tarde de aquarela.

Macaíbeiras chovendo
Cheiro de flor amarela...

Joaquim Maria Moreira Cardozo (n. no Recife a 26 de Agosto de 1897; m. em Olinda a 4 Nov 1978)

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