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2015-05-26

A Árvore - Fábio Montenegro

Hirta, negra, espectral, chora talvez. Responde
Seu próprio choro, à voz do vento que a fustiga,
Ela que ao sol floriu, floriu às chuvas, onde
A paz é santa, o campo é doce, a noite é amiga ...

Essa que esconde a chaga, essa que a história esconde,
Que conhece a bonança e a borrasca inimiga,
já foi flor, foi semente, e, sendo arbusto, a fronde
Ergueu para a amplidão às aves e à cantiga.

Que infinita tristeza o fim da vida encerra
A quem já pompeou do Sol na própria luz.
As flores para o céu e a sombra para a terra!

Foi semente, brotou... Árvore transformada,
Sorriu em cada flor; e hoje, de galhos nus,
Velha, aguarda a tortura estúpida do nada!


Fábio Montenegro nasceu em Santos, SP a 26 de maio de 1891 e faleceu a 21 de agosto de 1920.

Do mesmo autor: Abstração

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2012-05-26

Abstração - Fábio Montenegro

Segredos de noivado. A flórea natureza
Mil farrapos de sombra idílica desfralda.
Sonho... Indolência... o céu é um cofre de turquesa
Entesourando a terra - Oceano de esmeralda.

A alma suave da noite espiritual, da acesa
Via-Láctea que aponta, as cousas engrinalda,
Anda de mundo em mundo, e vibra com realeza,
E vai de monte em monte, vai de fralda em fralda...

Noite. Calma. Mistério. A lua, alva Atalanta,
Leve, irradia, foge, às carícias, por certo,
De alguém que diz amor - amor que fulge e canta...

Volúpia. E ela a fugir. Hipomene, lá pelas
Nuvens, chama-a talvez, busca-a, e, tendo-a já perto,
Para alcançá-la espalha o pomo das estrelas!...

Fábio Montenegro nasceu em Santos, SP a 26 de maio de 1891 e faleceu a 21 de agosto de 1920.

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