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2012-01-01

Eternamente - Espínola de Mendonça

Quando eu morrer hás-de sentir o vento
a gritar através da noite escura.
- Sou eu, sou eu, que vim da sepultura
protestar contra o nosso afastamento.

Quando eu morrer, se ouvires um lamento
rezado pela brisa que murmura,
sou eu, sou eu, chorando com ternura
a saudade do nosso casamento.

Quando eu morrer, escuta a voz da água
gemendo na vidraça a minha mágoa,
a soluçar, a soluçar por ti.

E se ouvires bater à nossa porta,
abre sem medo, meu amor - que importa? -
- Sou eu, sou eu, que nunca te esqueci.

Francisco Espínola de Mendonça Jr. nasceu a 8 de Fevereiro de 1891 em Ponta Delgada, Açores e aí faleceu em 1 de Janeiro de 1944

Ler do mesmo autor, neste blog: Tarde

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2008-02-12

Tarde - Espínola de Mendonça

Alexanderschlacht. 1529, Holz, 158 × 120 cm. München, Alte Pinakothek
by Albrecht Altdorfer (b. c. 1480; d. Feb. 12, 1538 in Regensburg)


Partiste no explendor da mocidade,
E esperei que voltasses novamente.
Escrevias dizendo: - Brevemente... - ,
E esperei uma longa eternidade.

Anos depois tu voltas, finalmente;
E a mim mesmo pergunto se é verdade.
Porque sinto mais viva esta saudade
Do que no tempo em que estiveste ausente

Em vez d'essa alegria tão sonhada,
Olhámo-nos, os dois, sem dizer nada.
E cada qual de nós ficou mais triste.

Adivinhaste... e eu adivinhei:
Perguntas-me, talvez: - Porque voltei? -
E eu só te sei dizer: - Porque partiste?

Espínola de Mendonça ( 1891-1944 )

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