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2016-07-20

NOITE - Gastão Cruz

Ah! que le monde est grand à la clarté des lamps!


Na solidão da noite releio Baudelaire
A luz mortal desfez-se há muito nas cidades
Ah como grande é o mundo à luz ideal das lâmpadas
nos mapas irreais dos desejos amargos

Do dia já passou o cortejo dos cegos
Os seus olhos colheram da cal viva os excessos
Ninguém mais reconhece os lugares gloriosos
onde a luz imortal solta os leões do sol

Por detrás desses olhos numa câmara fria
como uma grande cobra a morte dorme e espera
Tem o corpo do mundo deitado entre os anéis
para o mostrar inerte à luz do dia.

(As Leis do Caos, 1990)

Gastão Santana Franco da Cruz (nasceu em Faro, 20 de julho de 1941)

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2014-07-20

Flores do Verão - Gastão Cruz

Estás no meio das árvores dos
pássaros das
sombras no regresso da praia
as flores do verão também estampadas
na solidão da saia outras crescendo
naturais sendo umas o futuro e as da
natureza
o momento presente a estampa que
te envolve saindo
dos arbustos movidos pla leveza
imperceptível quase do espírito
ar
que virá um dia
transformar-te
como do rés da terra um vento baixo
subindo ao peitoril onde te inclinas
para as
flores do verão ainda

in 366 Poemas que Falam de Amor, Vasco Graça Moura

Gastão Santana Franco da Cruz nasceu no dia 20 de Julho de 1941, em Faro.

Do mesmo autor:
Metal Fundente
Depois

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2012-07-20

Depois - Gastão Cruz

Quando volta num sonho o amor atemoriza
é uma lança escura
que trespassa a exígua espessura da vida


Gastão Cruz nasceu em Faro a 20 de Julho de 1941

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2009-07-20

Metal Fundente - Gastão Gruz

Fundição Fundição

Gostava de explicar-te e de poder
eu próprio compreender
por que momentos houve em que perder-te
era metal fundente como o que disse um poeta
entre nós e as palavras existir

Eu seria as palavras tu os corpos
fundentes de nós dois, pela separação
futura liquefeitos
Era de cada vez como se a vida
também fundisse e o seu metal escorresse
sobre a pele da perda talvez isso
explicasse como o chumbo
da ilusão derrete e nos liberta
até desse momento em que tememos
nada mais ter

Mas como poderia
eu amar-te e achar-te já de mais
sentir estando tu tão perto ainda
a onda
da ausência contornar-me

O céu em certos dias produzia
o efeito dum espelho em que voltávamos
inversos
ao verão que tu julgaras
então igual à vida e era apenas
a infância perdida sobre o mar

Gastão Santana Franco da Cruz (nasceu em Faro a 20 de Julho de 1941)

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