NOITE - Gastão Cruz
Na solidão da noite releio Baudelaire
A luz mortal desfez-se há muito nas cidades
Ah como grande é o mundo à luz ideal das lâmpadas
nos mapas irreais dos desejos amargos
Do dia já passou o cortejo dos cegos
Os seus olhos colheram da cal viva os excessos
Ninguém mais reconhece os lugares gloriosos
onde a luz imortal solta os leões do sol
Por detrás desses olhos numa câmara fria
como uma grande cobra a morte dorme e espera
Tem o corpo do mundo deitado entre os anéis
para o mostrar inerte à luz do dia.
(As Leis do Caos, 1990)
Gastão Santana Franco da Cruz (nasceu em Faro, 20 de julho de 1941) Read More...


















