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2014-02-18

A Sílaba - Lêdo Ivo

O mundo inteiro cabe numa sílaba
e nela me refugio
para esperar a aurora.

Aprendo que Isto é Aquilo.
Não preciso aprender mais nada.
Já sei o essencial.

A noite guardou as chuvas de verão
e agora amanhece.
O dia é um voo de pássaro.


Lêdo Ivo nasceu em Maceió (AL) a 18 de Fevereiro de 1924 e faleceu em Sevilha, a 23 de dezembro de 2012.

Ler do mesmo autor, neste blog:
Soneto de Abril
O Alvo
Queixa do editor de poesia
O Acontecimento do Soneto

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2013-02-18

Queixa do editor de poesia - Lêdo Ivo


"Poesia não se vende,
Ninguém a entende!"
- suspira o editor.
Poesia! Poesia!
Ninguém te entende.
És como a morte e o amor.

Lêdo Ivo nasceu em Maceió (AL) a 18 de Fevereiro de 1924 e faleceu em Sevilha a 23 de dezembro de 2012.

Ler do mesmo autor, neste blog:
Soneto de Abril
O Alvo
Acontecimento do Soneto


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2012-02-18

Acontecimento do Soneto - Lêdo Ivo

A doce sombra dos cancioneiros
em plena juventude encontro abrigo.
Estou farto do tempo, e não consigo
cantar solenemente os derradeiros

versos de minha vida, que os primeiros
foram cantados já, mas sem o antigo
acento de pureza ou de perigo
de eternos cantos, nunca passageiros.

Sôbolos rios que cantando vão
a lírica imortal do degredado
que, estando em Babilônia, quer Sião,

irei, levando uma mulher comigo,
e serei, mergulhado no passado,
cada vez mais moderno e mais antigo.

Lêdo Ivo nasceu em Maceió (AL) a 18 de Fevereiro de 1924.

Ler do mesmo autor, neste blog:
Soneto de Abril
O Alvo

E agora leiam este pequeno excerto de um discurso de Lêdo Ivo durante a reunião da Academia Brasileira de Letras em 4 de Agosto de 2011:

Durante 25 minutos, este auditório ouviu, ininterruptamente, ganidos, gemidos, vagidos, coaxos, grasnidos, uivos, ladridos, miados, pipilos e arrulhos intoleráveis, senão obscenos, de um macilento boquirroto ostensivamente deliberado a tisnar e perturbar a minha exposição.

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2011-02-18

O Alvo - Lêdo Ivo

Não quero achar o que os outros perderam:
as moedas no chão, os guarda-chuvas
esquecidos nos ônibus, e a vida
deixada por engano sobre o asfalto.
Ao que ninguém viu, aspiro; ao que existiria
em forma de mar e árvore, se a natureza habitual não irrompesse
com suas sombras e cigarras e cascatas.
Quero, sonho e admiro e inédito
como a noite no caracol de uma escada
contudo perto das constelações se eu pudesse vê-las de outro planeta.

Não me comove o irretornável nem o tempo caído.
Em jogo descoberto, crio a minha emoção
e à janela contemplo a noite formal
e eu mesmo sou ogiva aberta aos grandes astros.
O que se perdeu, vai-se embora, como os anéis
separados das mãos, como a ventania
se afasta das bandeiras no momento das bonanças.
Sono perdido; zonas de transição que serão eternamente minhas; luz oculta em covil
não me volto para achar-vos. E sempre adiante busco
minha paisagem impor-se nas paliçadas alheias.


in Poesia Brasileira do Século XX, dos Modernistas à Actualidade; selecção, introdução e notas de Jorge Henrique Bastos, Antígona

Lêdo Ivo nasceu em Maceió, Alagoas, Brasil a 18 de Fevereiro de 1924.

Ler do mesmo autor, neste blog: Soneto de Abril

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