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2011-05-05

Vieste tarde, meu amor... - Nunes Claro

Vieste tarde, meu amor. Começa
em mim caindo a neve devagar…
Morre o sol; o outono vem depressa,
e o inverno, finalmente, há de chegar.

E se hoje andamos juntos, na promessa
de caminharmos toda a vida a par,
daqui a pouco o teu amor tem pressa
e o meu, daqui a pouco, há de cansar.

Dentro em breve, por trás das velhas portas,
dando um ao outro só palavras mortas
que rolam mudas sobre nossas vidas,

ouviremos, nas noites desoladas,
tu, a canção das vozes desejadas,
eu, o chorar das vozes esquecidas.


Joaquim Nunes Claro (nasceu em Lisboa a 20 de Abril de 1878 e faleceu em Sintra, 5 de Maio de 1949)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Quem quer que sejas tu, que neste abrigo
Partiste e a serra idílica do vento
Toma essas rosas de Dezembro agora

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2011-04-20

Soneto - Nunes Claro

Quem quer que sejas tu, que neste abrigo
Vieste em hora mansa hoje parar.
Feliz! Vens encontrar aqui contigo
Os tesouros que andaste a procurar.

Vens encontrar, sob o silêncio amigo,
A paz do ouvido, e a glória do olhar.
E até, quem sabe? Aquele beijo antigo
que há muito tempo não sabias dar.

Vens encontrar, (é tarde? Não importa),
Um bem que passou à tua porta.
Um grande amor, nem tu soubeste a quem.

E vens, (tanta riqueza em toda a parte),
Vens a ti mesmo, atónito, encontrar-te.
És um poeta, e nunca o viste bem.

Joaquim Nunes Claro (nasceu em Lisboa a 20 de Abril de 1878 e faleceu em Sintra, 5 de Maio de 1949)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Partiste e a serra idílica do vento
Toma essas rosas de Dezembro agora
Vieste Tarde Meu Amor

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2010-04-20

Partiste, e a serra idílica do vento - Nunes Claro

Young Italian at the WellYoung Italian at the Well, c.1833-34 (oil_on_canvas)
Franz Xaver Winterhalter
(n. 20 Abril 1805 — m. 8 Jul 1873)

Partiste, e a serra idílica do vento,
do mar, das névoas, mais das grandes luas,
manda dizer-te, amor, neste momento,
que ficou triste, com saudades tuas.

E que, no inverno, enquanto o céu cinzento
tremer nos ramos e chorar nas ruas,
vestirá, com teu lindo pensamento,
as pedras pobres e as roseiras nuas.

E diz mais - que em abril, quando aí saias,
penses, ao ver florir perto as olaias,
naqueles que deixaste sem ninguém.

no sol, nas ervas, no luar, na altura.
- Só não te diz, porque é de pedra dura,
que tu penses, um pouco, em mim também!

Joaquim Nunes Claro nasceu em Lisboa a 20 de Abril de 1878 e faleceu em Sintra a 5 de Maio de 1949.

Ler do mesmo autor, neste blog:
Toma essas rosas de Dezembro agora
Vieste Tarde Meu Amor

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2009-05-04

Recordando Nunes Claro na passagem dos 60 anos sobre a sua morte

Rosas côr-de-rosa e vermelhasRosas côr-de-rosa e vermelhas imagem daqui

Toma essas rosas de Dezembro agora,
Que ao frio, à chuva, esta manhã colhi,
Elas trazem humildes, lá de fora,
Saudades da montanha até aqui.

Hão de morrer d'aqui a pouco, embora!
Em cada curva, onde o perfume ri,
Trazem mais o terno duma hora,
que um frágil coração bateu em ti.

Aceita-as pois, mas, como a vida é breve,
E, um dia, peno, leve e branca a neve,
Há-de cair sobre o teu peito em flor,

(Não vá Dezembro algum murchar-te o encanto)
Deixa tu que eu te colha agora, enquanto
Tens sol, tens mocidade e tens amor.

Joaquim Nunes Claro nasceu em Lisboa a 20 de Abril de 1878 e faleceu em Sintra a 5 de Maio de 1949. Médico, trabalhou, durante a 1.ª Guerra Mundial, no Hospital Militar Português de Hendaia e, mais tarde, viria a ser vice-presidente do conselho regional lisboeta da Ordem dos Médicos. Começou como poeta panfletário, escrevendo versos indignados sobre a morte de Macéo, herói da independência cubana, ou replicando ao canto de purificação deísta de Junqueiro «Oração ao Pão» (1902) com a «Oração da Fome», protesto contra a condição penosa do homem secularmente esbulhado dos frutos do seu trabalho. Depois, a partir dos anos 20, o poeta-cidadão, cantor da emancipação sócio-cultural, retirou-se para Sintra e deu lugar ao poeta neo-romântico («A Cinza das Horas», 1928), que a uma poesia erótica hedonista junta o sentimento melancólico da usura do tempo e da fugacidade do amor.

Nota biobliográfica extraída de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004. Poema extraído daqui

Ler do mesmo autor: Vieste tarde, meu amor

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2008-04-20

Vieste tarde, meu amor...- Nunes Claro

Joan Miró i Ferrà n. Barcelona, a 20 de Abril de 1893
(m. Palma de Maiorca, 25 Dez. 1983)


Vieste tarde, meu amor! Começa
em mim caindo a neve devagar;
morre o sol, o Outono cai depressa
e o Inverno, finalmente, vai chegar;

e se hoje andamos juntos, na promessa
de caminharmos toda a vida a par,
daqui a pouco, o teu amor tem pressa
e o meu, daqui a pouco, há-de cansar.

Dentro em breve, por trás das velhas portas,
dando um ao outro só palavras mortas,
que rolam mudas pelas nossas vidas,

ouviremos, nas noites desoladas:
tu, a canção das vozes desejadas;
eu, o chorar das vozes esquecidas.

Joaquim Nunes Claro nasceu em Lisboa a 20 de Abril de 1878 e faleceu em Sintra a 5 de Maio de 1949. Médico, trabalhou, durante a 1.ª Guerra Mundial, no Hospital Militar Português de Hendaia e, mais tarde, viria a ser vice-presidente do conselho regional lisboeta da Ordem dos Médicos. Começou como poeta panfletário, escrevendo versos indignados sobre a morte de Macéo, herói da independência cubana, ou replicando ao canto de purificação deísta de Junqueiro «Oração ao Pão» (1902) com a «Oração da Fome», protesto contra a condição penosa do homem secularmente esbulhado dos frutos do seu trabalho. Depois, a partir dos anos ‘20, o poeta-cidadão, cantor da emancipação sócio-cultural, retirou-se para Sintra e deu lugar ao poeta neo-romântico («A Cinza das Horas», 1928), que a uma poesia erótica hedonista junta o sentimento melancólico da usura do tempo e da fugacidade do amor.

Poema e nota biobliográfica extraídos de «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004.

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