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2016-05-21

EXORTAÇÃO AO HOMEM PRÁTICO - Filgueiras Lima



Homem prático,
que passas correndo pela rua,
contém o passo - que o teu esforço é inútil.
Olha que eu sigo ao teu lado,
calmo, sereno, devagar,
com os olhos cheios de paisagens,
os ouvidos bêbedos de música,
e a mente enflorada de sonhos...

Vê bem: por mais que te apresses,
por mais que avances,
nunca me vencerás nesta corrida.
Bem sei que és forte - mas eu também sou forte!
Depois, só há um ponto de partida: a Vida.
Só existe um ponto de chegada: a Morte.

E enfim, sobre o caminho percorrido,
tu, homem prático, deixarás apenas
o pó que levantaste do solo
com as tuas passadas estrepitantes.

É eu? Ah! eu deixarei pouco de mim mesmo
sobre os cardos,
sobre as pedras,
para tornar mais suave a caminhada
dos que vierem depois de mim...

Antônio Filgueiras Lima (Lavras da Mangabeira, Ceará, Brasil, 21 de maio de 1909 - Fortaleza, Ceará, Brasil, 28 de setembro de 1965)

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2014-05-21

CASA ABANDONADA - Filgueiras Lima

Leio o letreiro: - Aluga-se esta casa.
E ela viveu, aqui, risonha e bela,
como num quadro antigo de aquarela,
a cuja evocação meu ser se abrasa,

No deserto jardim, nem mais uma asa
de borboleta o roseiral constela.
E, ante o letreiro triste da janela,
de meus olhos o pranto se extravasa.

Recordo os nossos tímidos segredos...
Morrem lírios, em torno da calçada,
à míngua da carícia de seus dedos.

Tudo passou: o encanto, o amor, a glória...
A história desta casa abandonada
ainda é mais triste do que a minha história!


in Filgueiras Lima, Antologia Poética

Antônio Filgueiras Lima (Lavras da Mangabeira, Ceará, 21 de maio de 1909 - Fortaleza, 28 de Setembro de 1965)

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2010-05-21

Poema da Distância - Filgueiras Lima

Céu estreladoimagem daqui

A Stênio Gomes

No coração do espaço
a noite acordou, com a sua mão de sombra,
as notas de ouro das estrelas.
E a imponderável música dos astros
veio descendo,
por uma escada trêmula de luz,
até o chão colorido do jardim.
Todas as rosas cantaram
pela voz ignota dos perfumes...

Foi aqui - eu me recordo ainda! -
que, numa noite assim,
à música sonâmbula das estrelas
recebi tuas últimas carícias!
Na penumbra
o repuxo, tristíssimo, chorava...
Depois
a poeira violácea da saudade
escreveu, entre nós, o poema da distância...


Poema extraído daqui

Antônio Filgueiras Lima (nasceu a 21 de maio de 1909, em Lavras da Mangabeira, Ceará e morreu na madrugada do dia 28 de Setembro de 1965)

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