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2020-11-02

Fidelidade - Jorge de Sena

Diz-me devagar coisa nenhuma, assim
como só a presença com que me perdoas
esta fidelidade ao meu destino.
Quanto assim não digas é por mim
que o dizes. E os destinos vivem-se
como outra vida. Ou como solidão.
E quem lá entra? E quem lá pode estar
mais que o momento de estar só consigo?

Diz-me asim devagar coisa nenhuma:
o que à morte se diria, se ela ouvisse,
ou se diria aos mortos, se voltassem.

Jorge Cândido de Sena (n. em Lisboa a 2 de novembro de 1919; m. em Santa Bárbara, Califórnia a 4 de junho de 1978) 

Extraído de Poemas de Amor, Antologia de poesia portuguesa, Organização e prefácio de Inês Pedrosa, Publicações Dom Quixote

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2020-09-29

BREVÍSSIMO CREPÚSCULO - Luís Miguel Nava


Escrevo, o que não deixa de, por meias 
palavras, fazer ver as ondas ascendendo 
do fundo dos baús. 

A água a contas com as trevas. 

Fascinam-me essas ondas, bem como uma pedra às mãos
de quem procura abrir nela um sorriso, o céu
que neste poema sei subentendido e apenas
aos olhos dum rapaz a paixão trouxe num brevíssimo
crepúsculo antes de ganhar velocidade e, nos meus ombros,
as mãos desse rapaz quase de rapariga prontas
a voar. Sinto a romper na boca os dentes como a ventania.

Luís Miguel de Oliveira Perry Nava (nasceu em Viseu, 29 de setembro de 1957 — m. Bruxelas, 10 de maio de 1995)

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2020-09-28

Ondas do Mar - Tim

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2020-09-02

Poesia de provérbios

É mais fácil aconselhar do que praticar.
É mais fácil pensar do que dizer.
É mais fácil demolir do que edificar. 
É mais fácil presumir do que saber. 

É mais fácil prometer do que dar. 
É mais fácil tomar que restituir.
É mais fácil um boi voar. 
Falar verdade a mentir. 

Falas-me a gagejar, estás-me a enganar. 
Trigo de Janeiro engorda o carneiro.
Faz bem jejuar depois de jantar.
Não há amor como o primeiro. 


Cada verso é um provérbio! Composição de Fernando Semana 

Provérbios retirados de: Rifoneiro português, Pedro Chaves, Editorial Domingos Barreira 
O Grande Livro dos Provérbios, José Pedro Machado, Círculo de Leitores

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2020-08-27

Eu vi a linda Estela, e namorado - Alvarenga Peixoto


Eu vi a linda Estela, e namorado 
Fiz logo eterno voto de querê-la; 
Mas vi depois a Nize, e é tão bela, 
Que merece igualmente o meu cuidado. 

A qual escolherei, se neste estado 
Não posso distinguir Nize de Estela?
Se Nize vir aqui, morro por ela;
Se Estela agora vir, fico abrasado. 

Mas, ah! que aquela me despreza amante, 
Pois sabe que estou preso em outros braços, 
E esta não me quer por inconstante. 

Vem, Cupido, soltar-me destes laços, 
Ou faz de dois semblantes um semblante, 
Ou divide o meu peito em dois pedaços!


Inácio José de Alvarenga Peixoto (Rio de Janeiro, 1 de fevereiro 1744 — Ambaca, Angola, 27 de agosto 1792 ou 1 de janeiro de 1793)

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