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2016-07-30

Dizem os Sábios - Ângelo de Lima


Dizem os sábios que já nada ignoram
Que alma, é um mito!...
Eles que há muito, em vão, dos céus exploram
O almo infinito...
Eles, que nunca achavam no ente humano
Mais que esta face
De ser finito, orgânico, o gusano
Que morre e nasce,
Fundam-se na razão.
E a razão erra!...

Quem da lagarta a rastejar na terra
Pode supor,
Sonhar sequer, que um dia há-de nascer
A borboleta, aquela alada flor
Matiz dos céus?
Sábios, achai em vão o pode ser
Saber... só Deus.

O homem rasteja, semelhante ao verme
Por que não há-de a paz da sepultura
- Quanto labor sob a aparente calma!
Servir d'abrigo àquele ser inerme,
De que há-de um dia após tarefa oscura
Surgir vivaz, alada e flor, a Alma.

Ângelo de Lima (nasceu no Porto a 30 de julho de 1872; m. Lisboa, no Hospital de Rilhafoles, em 14 de agosto de 1921)

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2016-07-29

TRIBUNAL - Carlos Alberto Lopes Corrêa


não somos. estamos
à semelhança divinizante
acumulando julgamentos
todos falíveis
neste antro de réus

mútuas e recíprocas
ameaças: o que vivemos
sob códigos variados
todos volúveis
no remoinho
das verdades e mentiras
donde o mar absoluto
apenas absorve o restante
eco triturado
de muitos embates
permitindo que subsista
vaga música
- ceciliana partitura –
no tribunal sub judice

in Língua bifurkysta: 13 poemas (e um enigma), GEEC Publicações, Divinipólis, 2010
Poema extraído daqui

CARLOS ALBERTO LOPES CORRÊA nasceu em 29 de julho de 1961, em Divinópolis, Minas Gerais, Brasil

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2016-07-28

Amanhã - Sidónio Muralha


Na hora que vem de longe,
cresce e vem, cresce e vem,
– os que tiverem frio hão-de lançar os meus versos ao lume,
e a chama há-de subir…
– os que tiverem fome hão-de lançar os meus versos à terra,
como se fossem estrume,
e a terra há-de florir…
Os meus poemas de tragédia são degraus
da hora que vem,
– cresce e vem,
– cresce e vem… –
Nos meus poemas cresceu, e sofreu, e aprendeu
nos meus poemas revoltos,
por isso vem de longe, nua, nua,
e traz os cabelos soltos…
Hora que vens de longe,
de longe vens, de rua em rua:
– hás-de passar e hás-de parar por toda a parte,
nua, formosamente, nua,
– para que já não possam desnudar-te

Sidónio Muralha (n. Lisboa a 28 de julho de 1920 - m. Curitiba, Paraná, Brasil a 8 de dezembro de 1982)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Soneto Imperfeito da Caminhada Perfeita
Os olhos das crianças
Romance
Soneto da Infância Breve
Dois Poemas da Praia da Areia Branca
Poemas de Sidónio Muralha


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2016-07-27

TODO RISCO - Damário Dacruz


Damário Dacruz (27 de julho de 1953, Salvador, Bahia, Brasil- 21 de maio de 2010, Salvador, Bahia, Brasil)

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Canção de Bodas - Lope de Vega

Amendoeira em flor (foto daqui)

Que te felicitem
o maio garrido,
os alegres campos,
as fontes, os rios.
Ergam as cabeças
amieiros finos,
e com novos frutos
amendoeiras lindas.
Lancem as manhãs,
depois do rocio,
em espadas verdes
guarnição de lírios.
Subam os rebanhos
pelo monte acima
que a neve cobriu,
a pastar tomilhos

Trad. José Bento in Rosa do Mundo, 2001 Poemas para o Futuro, Assírio & Alvim


Félix Lope de Vega, também citado como Félix Lope de Vega Carpio ou Lope Félix de Vega Carpio, naceu a 25 de novembro de 1562 em Madrid; faleceu a 27 de agosto de 1635 em Madrid.

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