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2017-05-27

Céu da Boca - Ivete Sangalo



Ivete Maria Dias de Sangalo Cady (Juazeiro, Bahia, 27 de maio de 1972)

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2017-05-26

SONHOS DE SOL - Antônio Tavernard

Nsta manhã tão clara é sacrilégio
o se pensar na morte. No entanto
é no que penso úmidos de pranto
os meus olhos cansados.

Sortilégio
de luz pela cidade... As casas todas,
humildes e branquinhas
lembram gráceis e tímidas mocinhas
no dia de suas bodas.

Morrer assim numa manhã tão linda,
risonha, rosicler,
não é morrer... é adormecer ainda
na doce tepidez de um seio de mulher!
Não é morrer... é só fechar os olhos
Para melhor sentir o cheiro do jasmim
Escondido da renda nos refolhos!...
Ah! Quem me dera que eu morresse assim.


Antônio de Nazaré Frazão Tavernard nasceu na Vila São João de Pinheiro, atual Icoaraci, em Belém, Pará, a 10 de outubro de 1908 — m. Belém a 26 de maio de 1936

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2017-05-25

Sem título [Quero... porém, sem querer...] - Eduardo Ramos


Quero... porém, sem querer...
Amo, e muito... sem amar...
Tenho um prazer... sem prazer...
Sou como quem busca ver -
mas... que prefere cegar...

Se eu dissesse: "Não!" mentia.
Se: "Sim!" faltava à verdade.
Tenho a calma... da agonia:
Metade, sou de alegria,
Sou de dor a outra metade...

Que a face alegre aparente...
Que importa? - a face escondida,
Como n’água transparente,
Vê-se um tumulto latente
No fundo de minha vida...

Porque... Quero... sem querer.
Amo e muito... sem amar,
Sofro do próprio prazer...
Mando a minh’alma dizer,
E ela me manda calar...

(O Jornal, 28.01.1934)

Eduardo Ramos (E. Pires R.), jurista, nasceu em Salvador, BA, em 25 de maio de 1854, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 15 de maio de 1923.

Biografia e poema extraídos do sítio da Academia Brasileira de Letras

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2017-05-24

NO OBSCURO DAS MÃOS... - José Terra

No obscuro as mãos e só as mão, as puras
extremidades da matéria, as graves
e silenciosas, deambulantes formas,
as flores estranhas que pela noite sobem

com o seu peso de amargura e esperança,
modelando um sopro, um hálito, uma leve
flutuação da luza que é o suporte
da alma gasta pelas horas lentas.

No obscuro as mãos, trémulas, vivas,
asas buscando o corpo e o espaço,
densas flutuando, o reprimido

voo erguendo além dos olhos
até onde um toque subtil desgarre
a fonte oculta, o resplendor de um rosto.

José Terra é o pseudónimo de José Fernandes da Silva, nascido a 24 de maio de 1928 em Prozelo, no concelho de Arcos de Valdevez, faleceu em Paris, 17 de janeiro de 2014.

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2017-05-23

Midnight dreams - José Asunción Silva


À noite, estando só e meio adormecido
meus sonhos de outras épocas eu via aparecidos.

Os sonhos de esperanças, de glórias, de alegrias
e de felicidades que nunca foram minhas

foram se aproximando em lentas procissões
e da alcova obscura povoaram os rincões

houve um silêncio grave em todo o aposento
e no relógio o pêndulo deteve-se um momento.

A fragrância indecisa de um aroma esquecido
chegou como um fantasma e me falou do passado.

Vi rostos que a tumba há muito tempo esconde,
e ouvi vozes ouvida já não me lembro onde.

........

Os sonhos se acercaram e me viram adormecido
foram se afastando, sem me fazer ruído

e sem pisar os fios sedosos da alfombra
foram se desfazendo e fundindo-se na sombra.

Trad. Lucila Nogueira

in MUNDO MÁGICO: POESIA COLOMBIANA NO SÉCULO XX
Organização, tradução e revisão: Floriano Martins e Lucila Nogueira.

José Asunción Silva (n. Bogotá, Colômbia 27 de novembro de 1865; m. Bogotá, 23 de maio 1896)

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