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2014-07-25

Insónia - Fernando Semana


Ó meretriz dos ventos
Em teus sábios movimentos
de elipse,
arranca-me os pensamentos
Traz-me um eclipse
da memória
E liberta-me da insónia

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2014-07-24

Soneto IX [Nessa tua janela, solitário] - Guilherme de Almeida

Nessa tua janela, solitário,
entre as grades douradas da gaiola,
teu amigo de exílio, teu canário
canta, eu sei que esse canto te consola.

E, lá na rua, o povo tumultuário,
ouvindo o canto que daqui se evola,
crê que é o nosso romance extraordinário
que naquela canção se desenrola.

Mas, cedo ou tarde, encontrarás, um dia,
calado e frio, na gaiola fria,
o teu canário que cantava tanto.

E eu chorarei. Teu pobre confidente
ensinou-me a chorar tão docemente,
que todo mundo pensará que eu canto.


Guilherme de Almeida  (G. de Andrade e A.) n. Campinas SP, 24 Jul 1890 - m. São Paulo, 11 de Jul de 1969).

Ler do mesmo autor:
Essa que eu hei de amar
Metempsicose
A Carta Que Sei de Cor
Romance
Harmonia Vermelha
O Idílio Suave
Nós IV: Quando as folhas cairem nos caminhos
Nós I: Fico deixas-me velho
Romance
Indiferença

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2014-07-23

Musical suggestion of the day: A eterna Amália Rodrigues - Naufrágio



Amália Rodrigues nasceu em Lisboa a 23 Jul 1920*, m. a 6 Out 1999 em Lisboa

*Data que consta dos registos oficiais. Amália sempre defendeu que nascera em 1 de Julho de 1920.

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AÇÃO GIGANTESCA - Mário Gomes

Beijei a boca da noite
E engoli milhões de estrelas.
Fiquei iluminado.
Bebi toda a água do oceano.
Devorei as florestas.
A Humanidade ajoelhou-se aos meus pés,
Pensando que era a hora do Juízo Final.
Apertei, com as mãos, a terra,
Derretendo-a.
As aves em sua totalidade,
Voaram para o Além.
Os animais caíram do abismo espacial.
Dei uma gargalhada cínica
E fui descansar na primeira nuvem
Que passava naquele dia
Em que o sol me olhava assustadoramente.
Fui dormir o sono da eternidade.
E me acordei mil anos depois,
Por detrás do Universo.


in Uma Violenta Orgia Universal

Mario Fereira Gomes nasceu em Fortaleza no dia 23 de julho de 1947

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2014-07-22

CEMITÉRIO (poema infantil) - José Paulo Paes


1
Aqui jaz um leão
chamado Augusto.
Deu um urro tão forte,
mas um urro tão forte,
que morreu de susto.

2
Aqui jaz uma pulga
chamada Cida
Desgostosa da vida,
tomou inseticida:
era uma pulga suiCida.

3
Aqui jaz um morcego
que morreu de amor
por outro morcego.
Desse amor arrenego:
amor cego, o de morcego!

4
Neste túmulo vazio
jaz um bicho sem nome.
Bicho mais impróprio!
Tinha tanta fome
que comeu-se a si próprio.

José Paulo Paes nasceu na cidade de Taquaritinga, em São Paulo, no dia 22 de julho de 1926

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