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2014-07-28

SONETO IMPERFEITO DA CAMINHADA PERFEITA - Sidónio Muralha

Já não há mordaças, nem ameaças, nem algemas
que possam perturbar a nossa caminhada,
em que os poetas são os próprios versos dos poemas
e onde cada poema é uma bandeira desfraldada.

Ninguém fala em parar ou regressar.
Ninguém teme as mordaças ou algemas.
- O braço que bater há-de cansar
e os poetas são os próprios versos dos poemas.

Versos brandos... Ninguém mos peça agora.
Eu já não me pertenço: Sou da hora.
E não há mordaças, nem ameaças, nem algemas

que possam perturbar a nossa caminhada,
onde cada poema é uma bandeira desfraldada
e os poetas são os próprios versos dos poemas.

Sidónio Muralha, “Passagem de Nível” (1942)
in Obras Completas,  Lisboa, Universitária Editora, 2002

Sidónio Muralha (nasceu na Madragoa, Lisboa a 28 de Julho de 1920; m. a 8 de Dez.1982 em Curitiba, Paraná, Brasil).

 Ler do mesmo autor, neste blog:
Amanhã
Soneto da Infância Breve
Romance
Dois Poemas da Praia da Areia Branca
Poemas de Sidónio Muralha
Os Olhos das Crianças 
Natal - Sidónio Muralha

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2014-07-26

Epitáfio - Rui Augusto

Se eu abandonar
a morada
do meu coração
e morto permanecer
aquém das montanhas...
Nas sombras do eclipse
que descer cerrado
sobre mim
enterrem-me
oh! por favor enterrem-me
bem fundo.
E como epitáfio
à luz de dias conquistadores
sobre a minha memória
rasguem a ferida da piedade
para que sangre.

Excerto do poema “Epitáfio”, in “Colar de maldições”

Rui Augusto Ribeiro da Costa nasceu a 26 de julho de 1958, em Camabatela, Cuanza Norte, Angola.

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2014-07-25

Insónia - Fernando Semana


Ó meretriz dos ventos
Em teus sábios movimentos
de elipse,
arranca-me os pensamentos
Traz-me um eclipse
da memória
E liberta-me da insónia

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2014-07-24

Soneto IX [Nessa tua janela, solitário] - Guilherme de Almeida

Nessa tua janela, solitário,
entre as grades douradas da gaiola,
teu amigo de exílio, teu canário
canta, eu sei que esse canto te consola.

E, lá na rua, o povo tumultuário,
ouvindo o canto que daqui se evola,
crê que é o nosso romance extraordinário
que naquela canção se desenrola.

Mas, cedo ou tarde, encontrarás, um dia,
calado e frio, na gaiola fria,
o teu canário que cantava tanto.

E eu chorarei. Teu pobre confidente
ensinou-me a chorar tão docemente,
que todo mundo pensará que eu canto.


Guilherme de Almeida  (G. de Andrade e A.) n. Campinas SP, 24 Jul 1890 - m. São Paulo, 11 de Jul de 1969).

Ler do mesmo autor:
Essa que eu hei de amar
Metempsicose
A Carta Que Sei de Cor
Romance
Harmonia Vermelha
O Idílio Suave
Nós IV: Quando as folhas cairem nos caminhos
Nós I: Fico deixas-me velho
Romance
Indiferença

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2014-07-23

Musical suggestion of the day: A eterna Amália Rodrigues - Naufrágio



Amália Rodrigues nasceu em Lisboa a 23 Jul 1920*, m. a 6 Out 1999 em Lisboa

*Data que consta dos registos oficiais. Amália sempre defendeu que nascera em 1 de Julho de 1920.

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