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2017-03-28

Se te falasse se me ouvisses eu - Luís de Miranda Rocha

Se te falasse se me ouvisses eu
se te dissesse que diria
que me diria a ti se me
ouvisses mas não ouço eu não sei

não sei de ti perdeu-se-
-me o sentido aqui e não
posso pensar-te onde
há quanto tanto ausente

- há quanto tanto ausente habituei-me
a isto a este estar assim aqui
a que habituei-me entanto não
sei bem ainda como ou sequer se

- se posso como posso passarei
que tempo tanto assim aqui sem que


in Os dias do Amor, um poema para cada dia do ano; recolha, selecção e notas de Inês Ramos; Ministério dos Livros

Luís de Miranda Rocha, nasceu em Mira em 1947, faleceu em Coimbra a 28 de março de 1997

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2016-03-28

O som do mundo anda... - Luís de Miranda Rocha

O som do mundo anda, veloz ligeiro cresce, rapidez intensiva, animação do ar.
O som do mar que vem, do mar no ar desliza, no âmbito do ar, no sentido da noite.
O som do mundo anda, no âmbito do ar, o som do mar propaga, o som do mar expande.
O som do mundo ouve, nos côncavos ressoa, na cabeça por dentro, interna nos ouvidos.
O som do mar ouvido, no som do ar que cresce, no som da noite anda, tumulto azul escuro.

Luís de Miranda Rocha, jornalista, crítico literário e poeta nasceu em Mira em 1947 e faleceu em Coimbra a 28 de março de 2007

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2014-03-28

Há um rumor, na voz que ouve, o mundo canta - Luís de Miranda Rocha

Há um rumor, na voz que ouve, o mundo canta
Na voz que fala, o mundo ouve, o som do mundo
A luz da noite, incerta vaga, escuramente
A luz da noite, o som do mundo, azul escuro

Há um rumor, intenso grave, ouvido canta
O som do mundo, que no ar, o alterado
Esse rumor, imenso tão, suave grave

Ouvindo-o, esse rumor
Nocturno tão, grave ruído

in: A luz da noite, o som do Mundo, Novo Imbondeiro, 2001

Luís de Miranda Rocha, jornalista, crítico literário e poeta nasceu em Mira em 1947 e faleceu em Coimbra a 28 de Março de 2007

Ler do mesmo autor:
Estou aqui. Há quanto tempo
Se te falasse se me ouvisses eu

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2013-03-28

Estou aqui. Há quanto tempo - Luís de Miranda Rocha

Estou aqui. Há quanto tempo,
já não sei. Minha memória,
sobre ti me reclino, o meu olhar
já tão deserto. E povoado.


Do livro As Mãos no Ar, 1976

Luís de Miranda Rocha, jornalista, crítico literário e poeta nasceu em Mira em 1947 e faleceu em Coimbra a 28 de Março de 2007

Ler do mesmo autor: Se te falasse se me ouvisses eu

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2012-03-28

Se te falasse se me ouvisses eu - Luís de Miranda Rocha

Se te falasse se me ouvisses eu
se te dissesse que diria
que me diria a ti se me
ouvisses mas não ouço eu não sei

não sei de ti perdeu-se-
-me o sentido aqui e não
posso pensar-te onde
há quanto tanto ausente

- há quanto tanto ausente habituei-me
a isto a este estar assim aqui
a que habituei-me entanto não
sei bem ainda como ou sequer se

- se posso como posso passarei
que tempo tanto assim aqui sem que


in Os dias do Amor, um poema para cada dia do ano; recolha, selecção e notas de Inês Ramos; Ministério dos Livros

Luís de Miranda Rocha, nasceu em Mira em 1947, faleceu em Coimbra a 28 de Março de 1997

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