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2016-09-09

Velho Motivo - António Sardinha

Soneto de Jacob, pastor antigo,
– soneto de Raquel, serrana bela...
Oh! quantas vezes o relembro e digo,
pensando em ti, como se foras Ela!

O que eu servira para viver contigo,
– tão doce, tão airosa e tão singela!
Assim, distante do teu rosto amigo,
em torturar-me a ausência se desvela!

E vou sofrendo a minha pena amarga,
– pena que não me deixa nem me larga,
bem mais cruel que a de Jacob pastor!

Raquel não era dele, e sempre a via,
enquanto que eu não vejo, noite e dia,
aquela que me tem por seu senhor!


António Maria de Sousa Sardinha (n. em Monforte, Alentejo a 9 de setembro de 1887; m. em Elvas a 10 de janeiro de 1925)

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2014-01-10

Pastoral - António Sardinha

Foto: Patos daqui

Todos os dias quando morre o dia,
Pões-te a chamar os patos para os contar;
E os patos, conhecendo quem os cria,
Vêm para ti de longe a esvoaçar

e logo te acompanham. Que alegria
anima o teu rebanho singular!
Parece ser dum conto que eu ouvia,
-«Era uma vez...» - , à gente do meu lar.

«Filha de rei, com iras de criança,
guardando patos na ribeira mansa,
foi coisa de pasmar que nunca vi!»

Pois é a história da princesa loura
Que tu me fazes recordar, Senhora,
Assim com essa corte ao pé de ti!


António Maria de Sousa Sardinha (n. Monforte, 9 Set 1888; m. Elvas em 10 Jan 1925)

in A Circulatura do Quadrado: Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edição UNICEPE, 2004

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2012-09-09

Velho Motivo - António Sardinha

Soneto de Jacob, pastor antigo,
– soneto de Raquel, serrana bela...
Oh! quantas vezes o relembro e digo,
pensando em ti, como se foras Ela!

O que eu servira para viver contigo,
– tão doce, tão airosa e tão singela!
Assim, distante do teu rosto amigo,
em torturar-me a ausência se desvela!

E vou sofrendo a minha pena amarga,
– pena que não me deixa nem me larga,
bem mais cruel que a de Jacob pastor!

Raquel não era dele, e sempre a via,
enquanto que eu não vejo, noite e dia,
aquela que me tem por seu senhor!

António Maria de Sousa Sardinha (n. em Monforte, Alentejo a 9 Set. 1887; m. em Elvas a 10 Jan. de 1925)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Toada Gótica
Vesperal
Pastoral
A Olivença, a Perdida

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2011-01-10

A OLIVENÇA, A PERDIDA - António Sardinha

Fiel ao sangue, nossa irmã germana,
chora Olivença as suas horas más
junto do rio que tornou atrás,
quando soou a trompa castelhana.

Ó Casa de Antre Tejo-e-Guadiana,
lembra-te dela que entre ferros jaz!
Não a dobrou a guerra nem a paz,
- fiel ao sangue, o sangue a ti a irmana!

E todo aquele em quem ainda viva
o ardor da Raça e a voz que nele anseia,
se for p'ra além da raia alguma vez,

é Olivença, nossa irmã cativa
lá onde com surpresa a gente alheia
oiça dizer adeus em português!

(In Epopeia da Planície)

António Maria de Sousa Sardinha (n. em Monforte, Alentejo a 9 Set. 1887; m. em Elvas a 10 Jan. de 1925)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Toada Gótica
Vesperal
Pastoral
Velho Motivo

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2010-01-10

Toada Gótica - António Sardinha

Licorne imagem daqui

Seguem-te os alicornes mansamente,
Pastando neve na montanha azul…
Que a tua mão, Senhora, os apascente
Sem nada que os altere ou que os macule!

O céu, coalhado, tem um ar ausente
Que nem parece o dum país do Sul.
E os alicornes pastam mansamente
- E a neve brilha na montanha azul!

Ondeiam nos pauis fantasmas brancos.
Tal como um sonho que se apaga e esfuma,
Anda a bailar o Inverno nos barrancos.

E tu sorris, atrás dos alicornes…
Ó pastorinha de vitral e bruma,
Que sobre mim a tua graça entornes!


António Sardinha (nasceu em Monforte do Alentejo a 9 de Setembro de 1887. m. em Elvas, a 10 de Janeiro de 1925).

Ler ainda, no Nothingandall, do mesmo autor: Pastoral; Vesperal; Velho Motivo

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2008-09-09

VELHO MOTIVO - Antonio Sardinha

Soneto de Jacob, pastor antigo,
– soneto de Raquel, serrana bela...
Oh! quantas vezes o relembro e digo,
pensando em ti, como se foras Ela!

O que eu servira para viver contigo,
– tão doce, tão airosa e tão singela!
Assim, distante do teu rosto amigo,
em torturar-me a ausência se desvela!

E vou sofrendo a minha pena amarga,
– pena que não me deixa nem me larga,
bem mais cruel que a de Jacob pastor!

Raquel não era dele, e sempre a via,
enquanto que eu não vejo, noite e dia,
aquela que me tem por seu senhor!

António Maria de Sousa Sardinha (n. em Monforte, Alentejo a 9 Set. 1887; m. em Elvas a 10 Jan. de 1925)

Ler do mesmo autor Vesperal e Pastoral

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2007-09-09

Vesperal - António Sardinha

Olaia em céu azul

Se eu te pintasse, posta na tardinha,
pintava-te num fundo cor de olaia,
na mão suspensa, nessa mão que é minha,
o lenço fino acompanhando a saia!

Vejo-te assim, ó asa de andorinha,
em ar de infanta que perdeu a aia,
envolta numa luz que te acarinha,
na luz que desfalece e que desmaia!

Com teu encanto os dias me adamasques,
linda menina ingénua de Velásquez
a flutuar num mar de seda e renda.

Deixa cair dos lábios de medronho
a perfumada voz do nosso sonho,
mas tão baixinho que só eu entenda.


António Maria de Sousa Sardinha (n. em Monforte, Alentejo a 9 Set 1887; m. em Elvas a 10 Jan de 1925)

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2006-01-10

Pastoral - António Sardinha

Foto: Patos daqui


Todos os dias quando morre o dia,
Pões-te a chamar os patos para os contar;
E os patos, conhecendo quem os cria,
Vêm para ti de longe a esvoaçar

e logo te acompanham. Que alegria
anima o teu rebanho singular!
Parece ser dum conto que eu ouvia,
-«Era uma vez...» - , à gente do meu lar.

«Filha de rei, com iras de criança,
guardando patos na ribeira mansa,
foi coisa de pasmar que nunca vi!»

Pois é a história da princesa loura
Que tu me fazes recordar, Senhora,
Assim com essa corte ao pé de ti!

in A Circulatura do Quadrado: Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa , Edição UNICEPE, 2004

António Maria de Sousa Sardinha (n. Monforte, 9 de setembro de 1888; m. Elvas, em 10 de janeiro de 1925)

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