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2009-08-27

Triste Vanglória - Recordando Gilberto Amado na passagem do 40º. aniversário da sua morte

Fazer versos, amigos, é meu fado.
Nunca me canso nem sequer conheço
Esse embaraço triste, esse tropeço
Que a rima sempre opõe ao mais ousado.

Às vezes, certos dias, amanheço
Do destino das cousas alheado;
Viro as palavras todas pelo avesso.
Quero dizer: - escrevo sem cuidado.

Vou deixando caírem no papel
À toa, desconexos e revoltos,
Os verbos e adjetivos a granel.

Mas na minha alma há tanta dor bradando
Que os versos saem por ai mesmos soltos
Como pedaços dela soluçando.

poema extraído daqui


Gilberto de Lima Azevedo Souza Ferreira Amado de Faria (n. a 7 de Maio de 1887 em Estância, Sergipe, Brasil; m. em 27 de Agosto de 1969 no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil)

Ler do mesmo autor: Minha Vida

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2008-08-27

Minha vida - Gilberto Amado

Vai minha vida nas asas do perigo.
Minha vida profusa, diferente,
Com o seu povo de surpresas
Com os seus guias de sempre,
O Imprevisto e o Extraordinário.
Alegre mas arfante, sadia mas fantástica.
Minha vida, que desenho curioso,
Aberta ao arrepio da corrente,
Em abruptas arestas de contrastes!
Longe da estrada comum onde mora o Possível,
E onde o Fácil brinca triunfante com o Normal.
E sobretudo longe do vale da Paz!

O Imprevisto, o Extraordinário,
Esses filhos ricos do Destino,
A tomaram consigo e a arrebataram
No seu louco saltar e nas suas correrias
Para um mundo de abismos.
Viver é seguir, continuar, geometria plana, linha reta.
Eu ao contrário me puseram num espaço de turbilhão,
Num sistema de prismas e de polígonos,
Num esquema de relâmpagos.
Cada minuto, cada ponto, na linha da minha existência
Pode ser um milagre ou um desastre, uma estrela
ou um precipício.
Não será o ponto que deve ser, direito, no seu lugar,
Não será o minuto cotidiano do relógio,
O minuto que eu quisera . . .
É um minuto de túmidos relevos,
Ou de côncavos rebojos.
Ou erguido demais
Ou cavado bem fundo.
Ora réstia de lâmpadas divinas,
Ora hálito de pântanos imundos.

Ó minuto, eu quero parar.
Amigos meus, e meus algozes
- Imprevisto, Extraordinário...
Quero silêncio, quero norma.
Deixai-me construir a minha casa
À beira do rio Regular,
Na rua do Relativo,
Na vizinhança do Conforme,
Sobretudo à sombra da árvore plausível "do que se espera".

Gilberto de Lima Azevedo Souza Ferreira Amado de Faria (n. a 7 de Maio de 1887 em Estância, Sergipe, Brasil; m. em 27 de Agosto de 1969 no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil)

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