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2012-11-26

Moraliza O Poeta Seu Desassossego Na Harmonia Incauta De Um Passarinho, Que Chama Sua Morte A Compassos De Seu Canto - Gregório de Matos

imagem daqui

Contente, alegre, ufano Passarinho,
Que enchendo o Bosque todo de harmonia,
Me está dizendo a tua melodia,
Que é maior tua voz, que o teu corpinho.

Como da pequenhez desse biquinho
Sai tamanho tropel de vozeria?
Como cantas, se és flor de Alexandria?
Como cheiras, se és pássaro de arminho?

Simples cantas, e incauto garganteias,
Sem ver, que estás chamando o homicida,
Que te segue por passos de garganta!

Não cantes mais, que a morte lisonjeias;
Esconde a voz, e esconderás a vida,
Que em ti não se vê mais, que a voz, que canta.


Gregório de Matos e Guerra (Salvador, 23 de dezembro de 1636 — Recife, 26 de novembro de 1695)

Ler do mesmo autor: Soneto Lírico

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2010-11-26

Joana - Gregório de Matos

ACHANDO-SE O POETA EM UMA FESTIVIDADE NA IGREJA DE SÃO FRANCISCO DAQUELA VILA, VIU ESTAS TRÊS MOÇAS; E ENTRANDO EM QUESTÃO COM OUTROS AMIGOS, QUE ALI ESTAVAM SOBRE QUAL ERA A MAIS FORMOSA, ELEGE ENTRE AS TRÊS A JOANA POR MAIS FORMOSA E SINGULAR.

1 Dão agora em contender
sobre qual Moça é mais bela,
Joana, se a parentela,
e eu me não sei resolver:
se eu pudera a Páris ser
de tão diversos Zagalos,
de tais garbos, de tais galas,
não só Joana julgara,
que as mais prefere na cara
mas a Vênus, Juno, e Palas.

2 Se Páris julgou com risco,
pois pela sentença dada
vemos a Tróia abrasada,
arda embora São Francisco:
reduzida a cinza, ou cisco
o sítio de idade a idade
dê assunto à posteridade;
arda ao sítio, o mundo arda,
viva Joana galharda,
e eu morra pela verdade.

3 As mais são muito formosas,
mui graves, e mui atentas,
mas Joana entre as Parentas
é Almirante entre as rosas:
as estrelas luminosas
sendo à Lua paralelas
são belas, mas menos belas,
e assim Joana em rigor
sendo a Luminar maior
és mais bela, que as estrelas.

4 Um Céu a Igreja se viu,
onde em luzido arrebol
brilham astros, veio o Sol,
e as estrelas desluziu:
qual sol Joana subiu,
e os astros escureceu;
se o que sucede no Céu,
sucede na Terra enfim,
bem haja eu, que o julgo assim
porque assim me pareceu.

Gregório de Matos Guerra (Salvador, 23 de dezembro de 1636 — Recife, 26 de novembro de 1695)*
*Há diversas datas consoante as fontes. Seguiu-se esta

Ler do mesmo autor, neste blog: Contente, alegre, ufano passarinho; Soneto Lírico

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2009-12-20

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia - Gregório de Matos

sunset at the north poleimagem daqui

Nasce o sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém, se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, porque não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o Mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Gregório de Matos e Guerra nasceu em São Salvador Baía a 20 de Dezembro de 1633* e faleceu no Recife em 1696)

* No sítio da Fundação Gregório de Mattos é apresentada a data de 3 de Dezembro de 1636

Ler do mesmo autor, neste blog: Contente, alegre, ufano passarinho; Soneto Lírico

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2009-11-26

Moraliza O Poeta Seu Desassossego Na Harmonia Incauta De Um Passarinho, Que Chama Sua Morte A Compassos De Seu Canto - Gregório de Matos

imagem daqui

Contente, alegre, ufano Passarinho,
Que enchendo o Bosque todo de harmonia,
Me está dizendo a tua melodia,
Que é maior tua voz, que o teu corpinho.

Como da pequenhez desse biquinho
Sai tamanho tropel de vozeria?
Como cantas, se és flor de Alexandria?
Como cheiras, se és pássaro de arminho?

Simples cantas, e incauto garganteias,
Sem ver, que estás chamando o homicida,
Que te segue por passos de garganta!

Não cantes mais, que a morte lisonjeias;
Esconde a voz, e esconderás a vida,
Que em ti não se vê mais, que a voz, que canta.

Gregório de Matos e Guerra (Salvador, 23 de dezembro de 1636 — Recife, 26 de novembro de 1695)

Ler do mesmo autor: Soneto Lírico

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2007-12-20

Soneto Lírico - Gregório de Matos

Quem viu mal como o meu, sem meio activo?
Pois, no que me sustenta e me maltrata,
é fero quando a morte me dilata,
quando a vida me tira é compassivo!

Oh! do meu padecer alto motivo!
Mas oh! do meu martírio pena ingrata!
Uma vez inconstante, pois me mata;
muitas vezes cruel, pois me tem vivo!

Já não há, não, remédio, confianças,
que a Morte a destruir não tem alentos,
quando a Vida em penar não tem mudanças;

e quer meu mal, dobrando os meus tormentos,
que esteja morto para as esperanças
e que arda vivo para os sentimentos.

Gregório de Matos (n. 20 Dez. 1633 em São Salvador (BA); m. em 1696 no Recife (PE)).

in «A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria É a Língua Portuguesa. Introdução, coordenação e notas de António Ruivo Mouzinho. Edições Unicepe - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, 2004

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