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2016-09-22

Vaidade Funesta - Gustavo Teixeira


Porque eu, num madrigal, te comparei ás rosas,
Ficaste crendo que és das flores a rainha,
E já queres subir a alturas prodigiosas,
Ter surtos de condor com asas de andorinha

É tão bom ser violeta e á sombra de uma leira
Em flor guardar intacto o aroma azul! Pois olha
Que a rosa de mais graça e purpura é a primeira
Que a coroa real de pétalas desfolha...

in A Cidade de Ytu, Anno XXI, E. de S. Paulo, NUM.1704, de 9 de Fevereiro de 1916 (daqui)


Texto autobiográfico publicado no jornal "Correio Paulistano" de 11 de novembro de 1937:

"Nasci em São Pedro, no sítio São Francisco, perto da serra, em 4 de março de 1881, sendo meus pais Francisco de Paula e Silva e Miquelina Teixeira de Escobar e Silva. O meu nome todo é Gustavo de Paula Teixeira. Estudei as primeiras letras em casa, com minha mãe. E comecei a ler versos. Em 1901 (janeiro)fui para São Paulo onde continuei os estudos com o meu irmão Francisco de Paula Teixeira, espírito cultíssimo, que além de meu professor, foi o meu guia espiritual, iniciando-me na carreira das letras. Trabalhei, em 1905, na "Folha Nova", de Garcia Redondo. Colaborei, naquele tempo, nos principais jornais e revistas de São Paulo. Em fins de 1905, tendo desaparecido a "Folha Nova", voltei para São Pedro, onde fui nomeado secretário da Câmara, cargo que ocupo até esta data. Em 1908, publiquei o "Ementário", livro de versos, prefaciado por Vicente de Carvalho. Em 1925, publiquei os "Poemas Líricos". Tenho para publicar: "O Sonho de Marina", poemeto; "A Canção da Primavera", poemeto; "Último Evangelho", poema sobre a vida de Jesus (em preparo), e um grosso volume de poesias avulsas, ainda sem título.
São esses os traços principais de minha vida.
São Pedro, 6-10-31.
(a.)Gustavo Teixeira.

Sobre o autor e a sua obra (e de onde foi retirado o extrato autobiográfico acima transcrito) recomenda-se "GUSTAVO TEIXEIRA: O POETA QUE A CIDADE ENGOLIU" da autoria de Samanta Rosa Maia disponível aqui

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2016-03-04

Cleópatra - Gustavo Teixeira


Sob o pálio de um céu broslado de cambiantes,
a galera real, de tírias velas têsas,
avança rio a dentro, arfando de riquezas,
cheia de um resplendor de pedras coruscantes.

Sob um dossel de bisso, entre espirais ebriantes
de incenso, a escultural princesa das princesas
cisma... Remos de prata, à flor das correntezas,
deixam móbeis jardins de bolhas trepidantes...

Soluçam harpas d'oiro às mãos de ancilas belas;
Branda aragem enfuna a púrpura das velas
e à tona da água alveja um espumoso friso.

E a Náiade do Egito, ao ver a frota ingente
de Marco Antônio, ri, levando unicamente
contra as lanças de Roma a graça de um sorriso.

Gustavo de Paula Teixeira (n. São Pedro, Estado de São Paulo, Brasil, 4 de março de 1881 — f. São Pedro, 22 de setembro de 1937)

Do mesmo autor ler: Casa Paterna

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2012-09-22

CASA PATERNA - Gustavo Teixeira

Da velha casa em que a manhã da vida
Passei – conservo uma lembrança exata:
Antes de eu vir ao mundo foi erguida
Perto da serra, quase ao pé da mata.

Dá para o sul a frente enegrecida;
Ao lado, para um poente de escarlata,
Janelas donde, na estação florida,
Se aspira o cheiro dos jasmins de prata.

Perto, o bambual em cujo seio amigo
Cantam graúnas, e o pomar antigo
Com melros, tiés e gurundis em bando.

O ribeirão, o cafezal, a horta...
Ah! que saudade o coração me corta
do lar querido que deixei chorando!


Gustavo de Paula Teixeira (São Pedro, Estado de S. Paulo, Brasil, 4 de Março de 1881 — São Pedro, 22 de Setembro de 1937)

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