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2013-11-14

Como esses bois que andam... - Alberto Bramão

Como esses bois que andam puxando às noras,
em passo melancólico e ronceiro,
sem alterar a marcha do ponteiro,
o meu relógio vai marcando as horas

Quer no céu brilhem rútilas auroras
ou caia e morra o sol no mar fragueiro,
o tempo segue o curso rotineiro,
sem paragens, sem pressas ou demoras.

Somente quando o nosso olhar enxuto
tem clarões de ventura fugidia,
cada hora é mais curta que um minuto...

Mas, nas horas de dor ou desengano,
cada minuto dura mais que um dia
e cada dia dura mais que um ano!


D. Alberto Allen Pereira de Sequeira Bramão (n. Almada, Nov. 1865; m. Lisboa, 14 Nov 1944)

in A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa- 2004 Edição Unicepe-Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL.

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2010-11-14

Incompreensível - Alberto Bramão

Não compreendo este martírio obscuro
Que nos liga a um tempo e nos separa;
Comigo então dá-se uma coisa rara:
Quero fugir-te e sempre te procuro.

Impulso misterioso, indecifrável,
Impele para ti meu pensamento...
E, apesar de saber que és um tormento,
Quero sentir-te e acho-te adorável!

Tenho momentos tais que, com certeza,
Se te visse a meus pés sofrendo, ria...
Mas outros há que até nem quereria
Ver-te no olhar as sombras da tristeza

Umas vezes converso a sós comigo
E abençoo-te pálido e tremente...
Outras vezes talvez mais consciente,
Odeio-te vê lá - não te bendigo!

Não sei se és boa ou má, e não conheço
Donde nasceu este profundo anseio...
Newm sei mesmo se te amo ou se te odeio...
Só sei que de te ver nunca me esqueço.

Se és má e só desditas me desejas,
Que eu mais não veja a tua luz maldita!
Mas se sofres e és boa... Deus permita
Que sejas bem feliz, que sempre o sejas!


in Phantasias, Lisboa, Antiga Casa Bertrand - José Bastos, 1895
(ortografia adaptada para o português actual)

Alberto Allen Pereira de Sequeira Bramão (n. Almada, Nov. 1865; m. Lisboa, 14 Nov 1944).

Ler do mesmo autor, neste blog: Como esses bois que andam...
Citações de Alberto Bramão

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2008-11-14

Citações de Alberto Bramão (no aniversário da morte do poeta)

«

A inocência das mulheres é a mais ingénua ilusão dos homens».

«A ilusão é um suave tempero, com que Deus quis disfarçar um pouco o sabor amargo da vida.»

«Não faças depender a tua felicidade, daquilo que não depende de ti».


D. Alberto Allen Pereira de Sequeira Bramão (n. Almada, Nov. 1865; m. Lisboa, 14 Nov 1944).

Ler do mesmo autor o poema Como esses bois andam...

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2005-11-14

Como esses bois que andam... - Alberto Bramão

Como esses bois que andam puxando às noras,
em passo melancólico e ronceiro,
sem alterar a marcha do ponteiro,
o meu relógio vai marcando as horas

Quer no céu brilhem rútilas auroras
ou caia e morra o sol no mar fragueiro,
o tempo segue o curso rotineiro,
sem paragens, sem pressas ou demoras.

Somente quando o nosso olhar enxuto
tem clarões de ventura fugidia,
cada hora é mais curta que um minuto...

Mas, nas horas de dor ou desengano,
cada minuto dura mais que um dia
e cada dia dura mais que um ano!

D. Alberto Allen Pereira de Sequeira Bramão (n. Almada, Nov. 1865; m. Lisboa, 14 Nov 1944)

in A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa- 2004 Edição Unicepe-Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL.

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