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2011-08-31

Ainda Ontem... - Marina Tsvetaïeva

Ainda ontem não despregavas os olhos dos meus
E hoje fizeste de conta que não me vias
Ainda ontem ficavas comigo até ao acordar dos pássaros
Hoje todos os corvos são cotovias

Como sou tola e tu inteligente
Tu estás vivo e eu petrificada
Oh brado das mulheres de todos os tempos
«Meu amor de que é que sou culpada?»

Para ele lágrimas são água e sangue é água
Lavou-se em sangue e lágrimas de verdade
O Amor não é mãe mas madrasta
Não espere no julgamento piedade

Barcos levam os nossos amantes
Leva-os a branca estrada
Um gemido grassa por toda a terra
«Meu amor de que é que sou culpada?»

Ainda ontem deitado a meus pés
Ao Império da China era igualada
Largou-me as mãos de uma só vez
A vida escapou-me como uma moeda enferrujada

De pé no tribunal como uma infanticida
Aqui estou sem coragem abandonada
Mesmo no inferno dir-te-ei
«Meu amor de que é sou culpada?»

Pergunto à cadeira pergunto à cama
«Porque sou tão desgraçada?»
Já não me beija mais e como se não bastasse
Agora é outra mulher que é beijada

Depois de me habituares a viver no fogo
Tu mesmo me atiraste para a estepe gelada
Eis aquilo que me fizeste
«Meu amor de que é que sou culpada?»

Sei tudo – não me contradigas
Capaz de ver de novo – já não sou a tua amada
Onde o Amor se apaga
De lá se aproxima a Morte com uma enxada

Para quê abanar a árvore – para nada
Na altura certa cai a maçã no chão
- Por tudo, por tudo peço perdão
«Meu amor de que é que sou culpada?»


Marina Ivanovna Tsvetaïeva Марина Ивановна Цветаева (n. 8 Out 1892; m. 31 Ago 1941)

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Citação do Dia - Charles Baudelaire

Aspiro a um repouso absoluto e a uma noite contínua. Poeta das loucas voluptuosidades do vinho e do ópio, não tenho outra sede a não ser a de um licor desconhecido na Terra e que nem mesmo a farmacopeia celeste poderia proporcionar-me; um licor que não é feito nem de vitalidade, nem de morte, nem de excitação, nem de nada. Nada saber, nada ensinar, nada querer, nada sentir, dormir e sempre dormir, tal é actualmente a minha única aspiração. Aspiração infame e desanimadora, porém sincera.

in O Livro das Citações - Eduardo Gianetti, Livros d'Hoje, Publicações Dom Quixote

Charles-Pierre Baudelaire (nasceu a 9 de Abril de 1821 em Paris, m. 31 de Agosto de 1867)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Intangível
Correspondências
Um Hemisfério numa cabeleira

Nota do webmaster: Em condições normais não tenho o sentimento partilhado aqui pelo autor. Mas às vezes, circunstancialmente, apetece desaparecer temporariamente e nada sentir ou seja «suicidar-me por seis meses».

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2011-08-30

POEMA AO HOMEM COMPLETO - Magdalena Léa

Quando a cabeça pouso no teu ombro sem pensamentos
quieta, tranqüila por alguns momentos
me sinto infantil.
De uma alegria toda pueril
o problema da vida num suspiro se esvai.
- És meu pai.

Quando, a passeios saímos de mãos dadas
pelas tardes ensolaradas
e paciente escutas minha tagarelice
de súbito retorno à meninice e, então,
- És meu irmão.

Quando me tomas o braço e me conduzes
pelos caminhos afastando as urzes
com o jeito seguro do companheiro amigo,
sei que sou feliz porque tu vais comigo
olhando ambos na mesma direção
nossos passos iguais e ritmados vão.
Já não sinto a fadiga pois que em ti repouso
- És meu esposo.

Quando tua cabeça em meu colo descansa
e assim num jeito muito meigo de criança
em meu seio colas tua face querida,
sinto que és vida de minha vida.
Puro é o amor que sinto no meu peito.
Puro é o olhar que me fitas de tão terno brilho.
- És meu filho.

Quando me buscas numa ânsia louca
e pões tua boca em minha boca
um imenso, e único, e prolongado beijo,
somos um só corpo, um só desejo.
Todo o Universo pára neste instante.
- És meu amante.

Extraído daqui

Magdalena Léa Barbosa Correia nasceu em 30 de agosto de 1913, no bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro, tendo falecido no dia doze de junho de 2001

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Adelfos - Manuel Machado

A Miguel de Unamuno

Yo soy como las gentes que a mi tierra vinieron
—soy de la raza mora, vieja amiga del Sol—,
que todo lo ganaron y todo lo perdieron.
Tengo el alma de nardo del árabe español.

Mi voluntad se ha muerto una noche de luna
en que era muy hermoso no pensar ni querer...
Mi ideal es tenderme, sin ilusión ninguna...
De cuando en cuando, un beso y un nombre de mujer.

En mi alma, hermana de la tarde, no hay contornos...;
y la rosa simbólica de mi única pasión
es una flor que nace en tierras ignoradas
y que no tiene aroma, ni forma, ni color.

Besos ¡pero no darlos! Gloria.... ¡la que me deben!
¡Que todo como un aura se venga para mí!
¡Que las olas me traigan y las olas me lleven,
y que jamás me obliguen el camino a elegir!

¡Ambición! No la tengo. ¡Amor! No lo he sentido.
No ardí nunca en un fuego de fe ni gratitud.
Un vago afán de arte tuve... Ya lo he perdido.
Ni el vicio me seduce ni adoro la virtud.

De mi alta aristocracia dudar jamás se pudo.
No se ganan, se heredan, elegancia y blasón...
Pero el lema de casa, el mote del escudo,
es una nube vaga que eclipsa un vano sol.

Nada os pido. Ni os amo ni os odio. Con dejarme,
lo que hago por vosotros, hacer podéis por mí...
¡Que la vida se tome la pena de matarme,
ya que yo no me tomo la pena de vivir! ...

Mi voluntad se ha muerto una noche de luna
en que era muy hermoso no pensar ni querer...
De cuando en cuando un beso, sin ilusión ninguna.
¡El beso generoso que no he de devolver!

Manuel Machado y Ruizn (n. Sevilha, 29 Ago 1874; m. Madrid, 19 Jan 1947).

Ler do mesmo autor no Nothingandall: O Jardim Negro, O Querer; Seguiriytas Ciganas; La Toná de la Frágua (Seguiriyas Gitanas).

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2011-08-29

Benfica ganha na Madeira (e não sofreu golos!)

Benfica logoNacional logo

Nacional

0-2

Benfica



Em noite de nevoeiro... Cardozo iluminou o caminho da vitória!

Há pouco mais de um ano (21 de Agosto de 2010) comentávamos neste blog que o Benfica pagou uma fortuna para perder. Com efeito, o Benfica perdia por 2-1 na segunda jornada do campeonato (e foi a segunda derrota) com queixas para Roberto cuja aquisição custara 8,5 milhões de euros...

Agora com Artur as coisas têm sido diferentes. E porque começamos a crónica do jogo por este tema? Porque em noite de nevoeiro o futebol do Benfica, com Aimar marcado em cima por um adversário, esteve desaparecido até surgir o golo de Cardozo (que teve, de novo, uma exibição bastante positiva) a concluir de cabeça um cruzamento da direita de Gaitán havia 22 minutos de jogo. Mas que tem, então Artur a ver com isso? Pois é verdade... durante a primeira parte o jogo por causa do nevoeiro foi interrompido por duas vezes e durante os primeiros 2/3 desta primeira parte do jogo foi o Nacional que jogou mais. E aí Artur foi decisivo ao defender com um pé um remate de Mateus, desmarcado por Skolnik pela meia direita do ataque do Nacional.

Foi Mateus um jogador perigoso com entradas entre o centro e a extrema direita colocando problemas a Emerson e Jardel. Com Aimar manietado o futebol do Benfica aparecia tão enevoado como o tempo.

Porém a capacidade concretizadora de Cardozo colocou o Benfica em vantagem e após a segunda interrupção do jogo ou seja na parte final da primeira parte o Benfica surgiu mais moralizado.

Na segunda parte o nevoeiro passou e o Benfica melhorou. Jesus substituíra ao intervalo Nolito (não se viu ...seja porque poucas vezes tocou na bola seja porque jogava no lado esquerdo - lado mais longe da visão das câmaras - e aí o nevoeiro não deixava vê-lo!) por Bruno César. Durante o primeiro quarto de hora da parte complementar do jogo o Nacional ainda forçou o Benfica à concessão de vários pontapés de canto mas depois surgiu Gaitán a tomar iniciativas pelo lado direito e Wiksel a melhorar incorporando-se no ataque. Desde o recomeço até ao minuto 62' Artur Soares Dias distribuiu cartões amarelos em barda, aos jogadores do Nacional quase sempre por cortarem jogadas de saída para o contra-ataque do Benfica, aos encarnados para tentar equilibrar mais as estatísticas...

Foi, porém, João Aurélio o mais prejudicado ao ver o amarelo pela segunda vez após falta sobre Bruno César (aos 62') já depois de iniciar este ciclo de amarelos aos 49' então por falta sobre Gaitán. Logo a seguir Soares Dias, incongruente, não soube punir com cartão vermelho uma agressão - cotovelada violenta a Wiksel- de João Aurélio praticada ainda fora da área e que interrompeu jogada perigosa do Benfica. Levou somente amarelo numa das jogadas mais inequívocas de vermelho directo que se pode ver em futebol.

O que é certo é que o Benfica em superioridade numérica acentuou a melhoria na produção do jogo que já se sentia enquanto o treinador do Nacional esgotava as substituições ao fazer uma dupla substituição aos 70' (entradas de Todorovic e Diego Barcellos para os lugares de Mihelic e Rondon), já depois de ter feito entrar Edgar Costa (no lugar de Mateus) não atirava a toalha ao chão e continuava a procurar explorar em particular o lado esquerdo da defensiva do Benfica.

O Benfica desfrutou de algumas oportunidades de golo: Aimar ao concluir um livre directo ligeiramente ao lado, Luisão algumas vezes na sequência de jogadas de bola parada, Cardozo que viu um excelente remate ser defendido por Elisson.

Não fechava o jogo o Benfica... o Nacional não desistia e foi assim o jogo até ao fim com resultado incerto até que os benfiquistas satisfeitos por verem o minuto 94 expirar, até porque imediatamente antes houve um pontapé de canto (mal assinalado e ainda por cima com falta sobre Emerson!) contra o Benfica, que os adeptos puderam assistir ao segundo golo do jogo e do seu clube: na saída da jogada do canto Bruno César ganha a bola na intermediária defensiva e parte com ela, galgando terreno em velocidade de TGV até à conclusão com sucesso. Foi o segundo golo de Bruno César no campeonato e o segundo golo ao minuto 94 dando vantagem de dois golos à vitória do Benfica.

Jogo difícil não muito bem jogado, entrecortado na primeira parte pelas interrupções do nevoeiro, mas um jogo bravo em que o Nacional surgiu bastante melhor do que nos jogos com o Birmingham. Este Benfica tem maior controlo do que o da época passada, não tem um caudal ofensivo tão opressor mas está mais regular e tem individualidades de categoria... entre os quais o guarda-redes!

A arbitragem não esteve isenta de erros e este estilo de apitar a tudo mostrando amarelos por qualquer coisa só pode dar nisto...quando os vermelhos se justificam o critério alarga...

Jogo da 3ª Jornada da Liga 2011/2012
Estádio do Nacional da Madeira
Árbitro: Artur Soares Dias
NACIONAL: Elisson, João Aurélio, Felipe Lopes, Danielson, Nuno Pinto, Mihelic (Todorovic 70'), Luís Alberto, Skolnik, Mateus (Edgar Costa 64'), Rondon (Diego Barcellos 70') e Candeias.

BENFICA: Artur Moraes, Emerson, Jardel, Maxi Pereira, Luisão, Witsel, Nolito (Bruno César ao int.), Gaitán (Ruben Amorim 90'), Aimar (Enzo Perez 79'), Javi García, Cardozo.

Golos: 0-1 Cardozo 22'; 0-2 Bruno César 90+4'

Disciplina:
40'Cartão Amarelo para Cardozo (Benfica).
49'Cartão amarelo para João Aurélio (Nacional).
53'Cartão amarelo para Danielson (Nacional).
54'Cartão amarelo para Emerson (Benfica).
60'Cartão amarelo para Javi García (Benfica).
62'Segundo amarelo e respectivo vermelho para João Aurélio (Nacional)por falta sobre Bruno César.
67'Cartão Amarelo para Felipe Lopes (Nacional)por cotovelado em Wiksel.
78' Cartão amarelo para Edgar Costa


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A UM ROUXINOL CANTANDO - Francisco de Vasconcelos



Ramalhete animado, flor do vento,
Que alegremente teus ciúmes choras
Tu cantando teu mal, teu mal melhoras,
Eu chorando meu mal, meu mal aumento.

Eu digo minha dor ao sofrimento
Tu cantas teu pesar a quem namoras,
Tu esperas o bem todas as horas,
Eu tenho qualquer mal tudo o momento.

Ambos agora estamos padecendo
Por decreto cruel do deus menino;
Mas eu padeço mais só porque entendo.

Que é tão duro e cruel o meu destino
Que tu choras o mal que estás sofrendo,
Eu choro o mal que sofro e que imagino.

(Fénix Renascida, III -1718)

Francisco de Vasconcelos Coutinho (Funchal, 1665 - Funchal, 1723)

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2011-08-28

Cantiga III (Redacção Segunda) - Sá de Miranda

Que é isto? Onde me lançou
esta tempestade má?
Qu'é de mi, se não sou lá,
e cá comigo não vou?

Inda que me eu cás não via,
(tudo vos confessarei)
onde a vós e a mi deixei
cuidava que me acharia;
agora quem, donde estou,
novas de mi me trará?
Pois dizeis que não sou lá,
nem sei sem mim onde vou.


Francisco de Sá de Miranda (n. Coimbra, a 28 de agosto de 1481 — n. Amares, 15 de março de 1558).

Ler do mesmo autor:
Quando eu, senhora, em vós os olhos ponho
Cantiga Feita nos Grandes Campos de Roma
Cantiga: Comigo me desavim...

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Happy Birthday Jane Randall




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2011-08-27

Visão Noturna - Leopoldo Brígido

Naiade - Henri Fantin-Latour (1836-1904)

Como surge do linho alvo e fragrante
Esplêndida mulher formosa e nua,
Já despida das brumas do Levante
Pálida e bela me parece a Lua.

Sobe, forma de sonho deslumbrante,
No manso lago sideral flutua,
E límpido lhe brilha o corpo amante,
E o seio à tepidez da vaga estua.

Avança sem temor, Náiade ousada,
Serenamente, airosamente nada,
E as mansas vagas osculando-a pelas

Úmidas pomas, pela espádua albente,
Ela vai-se, enredada docemente
Nos nenúfares brancos das estrelas.



Leopoldo Vóssio Brígido dos Santos (n. em Itapioca, Ceará em 17 Jan 1875; m. no Rio de Janeiro a 27 de Ago 1947

Ler do mesmo autor, neste blog: Dona Inês de Castro

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Musical suggestion of the day: Cesária Évora faz hoje 70 anos

Sodade
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É Doce Morrer no Mar (com Marisa Monte)
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Cesária Évora nasceu no Mindelo, ilha de São Vicente, Cabo Verde, a 27 de Agosto de 1941

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2011-08-26

A Língua Portuguesa - Alberto de Lacerda (na passagem do quarto aniversário do seu desaparecimento)

Esta língua que eu amo
Com seu bárbaro lanho
Seu mel
Seu helénico sal
E azeitona
Esta limpidez
Que se nimba
De surda
Quanta vez
Esta maravilha
Assassinadíssima
Por quase todos os que a falam
Este requebro
Esta ânfora
Cantante
Esta máscula espada
Graciosíssima
Capaz de brandir os caminhos todos
De todos os ares
De todas as danças
Esta voz
Esta língua
Soberba
Capaz de todas as cores
Todos os riscos
De expressão
(E ganha sempre a partida)
Esta língua portuguesa
Capaz de tudo
Como uma mulher realmente
Apaixonada
Esta língua
É minha Índia constante
Minha núpcia ininterrupta
Meu amor para sempre
Minha libertinagem
Minha eterna
Virgindade.

in Exílio in Oferenda I, Lisboa, IN-­CM, 1984, pp. 316-317)

Carlos Alberto Portugal Correia de Lacerda, nasceu em 20 de setembro de 1928 em Lourenço Marques (actual Maputo), Moçambique e faleceu em 26 de agosto de 2007 em Londres.

Do mesmo autor ler, neste blog:Vento, To Night, Copo de Água, Hino ao Tejo

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EU! - I. Xavier de Carvalho

(Aos que me não compreendem)

Vamos, pobre infeliz! Muda em asas teus braços!
Desfere o vôo teu, no anseio profundo,
Para o local que houver mais alto nos espaços,
Para o trecho do céu mais distante do mundo!

E uma vez lá chegando, errante e vagabundo,
Desta vida cruel liberta-te dos laços
E atira-te, a cantar, do precipício ao fundo...
Quero ver-te cair dividido em pedaços!

Morre como um herói! Deixa que o Meio brama!
Fecha o ouvido ao Elogio e os olhos fecha à Fama
E despreza da Inveja as pérfidas alfombras...

E morre, coração! Pois, ao morrer, enquanto
Tens Injustiças de uns, tens bênçãos de outro tanto...
– Morrerás como o Sol – entre Luzes e Sombras!


(De Carvalho, I. Xavier. Missas Negras. Manaus: Livraria Universal de M. Silva & C. 21, 1902.)

Inácio Xavier de Carvalho (nasceu em São Luís, Maranhão, em 26 de agosto de 1871, morreu no Rio de Janeiro em 17 de maio de 1944).

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2011-08-25

Uefa Champions League - Group Stage: Draw







Group AGroup B Group CGroup D
Bayern M.
Internazionali
Man. UnitedReal Madrid
Villarreal
CSKA Moskva
Benfica
Ol. Lyonnais
Man. City
Lille
Basel
Ajax
Napoli
Trabzonspor
Otelul Galati
Dinamo Zagreb
Group EGroup FGroup GGroup H
Chelsea
Arsenal
Porto
Barcelona
Valencia
MarseilleShakhtar AC Milan
B. Leverkusen Olympiacos
Zenit
Bate Borisov
Genk
Bor. Dortmund
Apoel Viktoria


First Round (13 and 14 September 2011)
Group A

Group B
Man. City14-09
Napoli
Lille14-09CSKAMoskva
Villarreal
14-09
Man.United

Inter14-09Trabzonspor
Group C

Group D
Basel
14-09Otolul Galati
Din. Zagreb
14-09Real Madrid
Benfica
14-09
Man. United
Ajax
14-09
O. Lyonnais
Group E
Group F
Chelsea
13-09B.Leverkusen

Olympiacos
13-09Marseille
Genk
13-09Valencia
B. Dortmund
13-09Arsenal
Group G
Group H
FC Porto
13-09Shakhtar

Barcelona
13-09
Milan
Apoel
13-09Zenit
ViktoriaPlzen
13-09BateBorisov


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Que Vos Daria? - Luís Delfino

Se tiverdes um dia um capricho, senhora,
Um capricho, um delírio, uma vontade enfim,
Não exijas o carro azul que monta a Aurora
Nem da estrela da tarde o plaustro de marfim;

Nem o mar, que murmura e aí vai por mar em fora
Nem o céu d'outros céus, elos de céu sem fim,
Que se isso fosse meu, já vosso, há muito, fôra.
Fôra vosso o que é grande e anda em torno de mim...

Mostrásseis num só gesto ingênuo, um só desejo...
O universo que vejo e os outros que não vejo
Sofreriam por vós vosso último desdém.

Que faríeis dos sóis, grãos vis de areias d'ouro
Mulher! Pedi-me um beijo e vereis o tesouro
Que um beijo encerra e o amor que um coração contém.

LUÍS DELFINO dos Santos nasceu em Desterro, hoje Florianópolis (SC), a 25 de Agosto de 1834 e morreu no Rio a 31 de Janeiro de 1910.

Ler do mesmo autor neste blog: Cadáver de Virgem

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Tem Tudo a Ver - Elias José


A poesia
tem tudo a ver
com tua dor e alegrias,
com as cores, as formas, os cheiros,
os sabores e a música
do mundo.

A poesia
tem tudo a ver
com o sorriso da criança,
o diálogo dos namorados,
as lágrimas diante da morte,
os olhos pedindo pão.

A poesia
tem tudo a ver
com a plumagem, o vôo e o canto,
a veloz acrobacia dos peixes,
as cores todas do arco-íris,
o ritmo dos rios e cachoeiras,
o brilho da lua, do sol e das estrelas,
a explosão em verde, em flores e frutos.

A poesia
— é só abrir os olhos e ver —
tem tudo a ver
com tudo.

Elias José nasceu em Santa Cruz da Prata, distrito do município de Guaranésia, Minas Gerais, em 25 de agosto de 1936 e faleceu no dia 2 de agosto de 2008.

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Água-Memória - Maria Alberta Menéres

Que súbita alegria me tortura
alegria tão bela e estranha
tão inquieta
tão densa de pressentimentos?
Que vento nos meus nervos
que temporal lá fora
que alegria tão pura, quase medo ao silêncio?

Pára a chuva nas árvores
pára a chuva nos gestos,
interiores contornos
divisíveis distâncias
ultrapassáveis gritos
que alegria no inverno,
que montanha esperada ou inesperado canto?

Poema extraído daqui

Maria Alberta Rovisco Garcia Menéres de Melo e Castro nasceu em Mafamude, Vila Nova de Gaia a 25 de Agosto de 1930.

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2011-08-24

Venham lá esses milhões da Champions! Benfica confirmado no sorteio de amanhã da fase de grupos da Champions

FC Twente logo

Benfica

3-1

FC Twente


Resultado lisonjeiro para a equipa de Co Adriaanse depois de uma avalanche de futebol ofensivo


Um jogo de muita importância financeira e desportiva capaz de pôr em causa o futuro desta época ou de a colocar nos trilhos do sucesso. O jogo de Twente e o resultado dava favoritismo à equipa portuguesa mas os holandeses também mostraram que eram uma equipa perigosíssima.

E esta noite o que se viu? Um Benfica de grande categoria técnica, táctica e de futebol ofensivo. Uma grande exibição - a melhor da temporada - ao ponto de tornar estes holandeses uma equipa banal ou de segunda escolha.

Domínio do Benfica em praticamente toda a primeira parte com as estatísticas todas desequilibradas a favor da equipa portuguesa menos em golos. Com efeito, mais de uma dezena de remates e nenhum bem sucedido. "Passes" ao guarda-redes (Javi Garcia, Gaitán), falta de definição na finalização (Wiksel um toque a mais na bola quando se impunha o remate de pronto depois de se enfiar no meio de dois defensores), defesas do guara-redes (um remate rasteiro perigoso de Cardozo já nos minutos finais da primeira parte) e remates tortos em duas das maiores oportunidades (Aimar e Gaitán em remates cruzados da direita para a esquerda).


Homens chave nos golos do Benfica

Ao intervalo dava para os adeptos mais pessimistas se preocuparem: se estes holandeses ainda não fizeram nada (de registo apenas um remate de Ruiz de fora da área em volley - ao jeito de Gaitán - a sair ao lado do segundo poste) quando fizerem alguma coisa marcam um golo e ficam por cima da eliminatória.



Mas tal filme trágico não podia acontecer face a estes intérpretes e ao guião imposto pelo Benfica. Logo nos primeiros segundos da segunda parte Cardozo ganha uma falta na intermediária ofensiva e do livre resultou o primeiro golo encarnado. Bola cruzada para a área, Cardozo a motivar as preocupações da defesa holandesa (foi bem agarrado, em lance que em jogos do FCP dava penlty), mas a bola foi para a cabeça de Luisão que a levanta por cima da linha extrema defensiva do Twente para Witsel de costas para a baliza (em posição legal porque se desmarcara no "timing" certo) fazer o golo com um pontapé de bicicleta!

Se se temia que os holandeses guardavam algumas reservas para discussão da eliminatória este golo afundou-os definitivamente. O Benfica continuou a forçar e o segundo golo não surgiu logo porque uma defesa a punhos do defesa central a desviar um remate de fora da área não foi punida como devia pelo árbitro alemão com o penalty competente (e amarelo para o defesa). Nos minutos seguintes o Benfica praticamente jogava dentro da área holandesa. Cardozo falha uma vez, faz outra jogada e isola-se e com a saída do guarda-redes (e com várias opções para assistir para um golo inevitável) "preferiu" rematar contra o corpo do guarda-redes. De um pontapé de canto marcado por Aimar da esquerda, Luisão ao primeiro poste cabeceia com sucesso fazendo o 2-0 e descansar mais os adeptos encarnados. Nem todos, um dizia que os holandeses tinham de marcar dois golos e continuavam a ter que marcar os dois golos (agora para empatar a eliminatória).

Dois? Não, não a partir dos 66' já tinham de ser três. É que numa jogada de contra-ataque (até então praticamente o Benfica jogou em ataque continuado e a equipa holandesa sempre a defender) e já após Co Adriaanse ter feito duas substituições, Cardoso isolou Witsel pelo centro e este rápido soube finalizar com precisão (a bola ainda a tabelar na parte interior do poste da baliza e a caminhar para o fundo da baliza), aumentando a vantagem da equipa portuguesa.

Só com 3-0 é que os holandeses ameaçaram verdadeiramente pela primeira vez a baliza de Artur que fez uma defesa fantástica aos 72' impedindo um golo de cabeça de Ruiz. Nos minutos seguintes foi a vez de Jesus fazer duas substituições com as saídas de Nolito - desta vez não marcou - e de Gaitán, para as entradas de Bruno César e Matic. Maxi Pereira foi amarelado por falta (escusada) no meio-campo e fica impedido de participar no primeiro jogo da fase de grupos.

Nesta altura o Benfica desacelerou mas Aimar ainda teve oportunidade de fazer brilhar Mihailov ao defender para canto um remate da estrela benfiquista que ameaçava o 4-0 (78').

Foi pelo lado esquerdo do ataque que o Twente, por Ola John (que veio dar outro dinamismo ofensivo), aproveitou a "ausência" do lateral direito e a "preguiça" de Luisão, que se deslocara do centro para a direita no sentido de realizar a "dobra" mas que se deixou ficar a considerável distância permitindo o cruzamento, que Ruiz finalizou desta vez de modo a tornar impossível a defesa a Artur.

Com 3-1 aos 85' o entusiasmo na Luz baixou um tanto, foi a vez de o Twente ainda pensar que podia fazer o segundo golo mas o jogo caminhou para o fim - só houve dois minutos de descontos - com um triunfo inequívoco e de números até insuficientes na expressão tamanha foi a superioridade do Benfica.


Grandes exibições de Aimar - está emn grande forma e desta vez até fez os noventa minutos de jogo - e de Witsel: vai ser um grande jogador no mundo do futebol, sem qualquer dúvida. Cardozo esteve mais aplicado e até combativo hoje fez um passe de ruptura excepcional no lance do terceiro golo, mas esteve perdulário e faltou melhor definição em alguns lances. Luisão, não fosse o espaço que concedeu no cruzamento do golo (ainda que originalmente não fosse a área dele) estaria perfeito com intervenção decisiva em dois golos. Emerson esteve bem e incorporou-se principalmente na segunda parte em muitos lances ofensivos. Artur já se disse fez uma defesa fantástica em dia de pouco trabalho. Enfim dia feliz para o mundo benfiquista que deixa muitas esperanças sobre o potencial deste Benfica...

Amanhã fica-se a conhecer os adversários da fase de grupos... e sete milhões de euros já cá cantam! A composição do lotes é a seguinte
Lista das equipas:

Pote 1: Manchester United, Barcelona, Chelsea, Bayern, Arsenal, Real Madrid, FC Porto e Inter
Pote 2: Milan, O. Lyon, Shakhtar, Valência, Benfica, Villarreal, CSKA e Marselha
Pote 3: Zenit, Ajax, B. Leverkusen, Olympiacos, Manchester City, Lille, Basileia e BATE Borisov
Pote 4: B. Dortmund, Nápoles, Dinamo Zagreb, APOEL, Trabzonspor, Genk, Viktoria Plzen e Otelul Galati

Ficha do Jogo:
24/08/2011 Estádio da Luz, em Lisboa, 2ª. Mão do Play-Off
Árbitro: Felix Brych (ALE) Auxiliares: Thorsten Schiffner e Mark Borsch
4º árbitro: Gunter Perl
Benfica: Artur Moraes, Maxi Pereira, Luisão, Ezequiel Garay e Emerson; Javi Garcia, Axel Witsel, Gaitán (Bruno César 74'), Nolito (Matic 74'), Pablo Aimar e Óscar Cardozo (Saviola 84')

Twente: Nikolay Mihaylov, Cornelisse, Douglas, Wisgerhof e Dwight Tiendalli; Luuk de Jong, Brama (Landzaat 76'), Janssen (Bajrami 61'); Bryan Ruiz, Janko e Berghuis (Ola John 61')

Golos: 1 - 0 aos 46'Axel Witsel, 2-0 aos 60' Luisão; 3-0 Axel Witsel aos 66'; 3-1 por Bryan Ruiz aos 85'

Disciplina: Cartão amarelo a Douglas 15'
Cartão amarelo para Maxi Pereira aos 76'

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Contra senso - Marta de Mesquita da Câmara

Oh! meu amor, escuta, estou aqui,
pois o teu coração bem me conhece,
eu sou aquela voz que, em tanta prece
endoideceu, chorou, gemeu por ti!

Sou eu, sou eu que ainda não morri.
Nem a morte me quer, ao que parece,
e vinha renovar se ainda pudesse
as horas dolorosas que vivi.

Oh! que insensato e louco é quem se ilude!
Quiz fugir, esquecer-te, mas não pude...
Vê lá do que teus olhos são capazes!

Deitando a vista pelo mundo além
desisto de encontrar na vida um bem
que valha o mal que tu me fazes!


Marta de Mesquita da Câmara (n. Porto, 24 de Agosto de 1895 — m. Porto, 20 de Novembro de 1980)

Ler também, neste blog, da mesma autora:
General em Miniatura
A Tua Amada

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Cosmogonia - Jorge Luís Borges


Nem treva nem caos. A treva
Requer olhos que veem, como o som.

E o silêncio requer o ouvido,
O espelho, a forma que o povoa.

Nem o espaço nem o tempo. Nem sequer
Uma divindade que premedita

O silêncio anterior à primeira
Noite do tempo, que será infinita.

O grande rio de Heráclito o Escuro
Seu irrevogável curso não há empreendido,

Que do passado flui para o futuro,
Que do esquecimento flui para o esquecimento.

Algo que já padece. Algo que implora.
Depois a história universal. Agora.


(Tradução de Héctor Zanetti)

Jorge Luís Borges Acevedo (n. Buenos Aires, 24 de Agosto de 1899 — m. Genebra, 14 de Junho de 1986)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Soneto do Vinho
Arte Poética
The Art of Poetry
Do que nada se sabe
Limites;
O Mar

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2011-08-23

Noite - Menotti del Pichia

Imagem daqui

As casas fecham as pálpebras das janelas e dormem.
Todos os rumores são postos em surdina,
todas as luzes se apagam.

Há um grande aparato de câmara funerária
na paisagem do mundo.

Os homens ficam rígidos,
tomam a posição horizontal
e ensaiam o próprio cadáver.

Cada leito é a maquete de um túmulo.
Cada sono um ensaio de morte.

No cemitério da treva
tudo morre provisoriamente
Paulo Menotti del Picchia (nasceu em São Paulo, SP, em 20 de março de 1892, e faleceu na mesma cidade em 23 de agosto de 1988).
Ler do mesmo autor:
Germinal I; Chuva de PedraPiedosa Mentira e Clássico.

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2011-08-22

Se esta velha pedra ouvisse - Carlos Amaro



Se esta velha pedra ouvisse
O que rimos aos vint'anos,
Ais D'amor, sonhos, enganos...
- Talvez que a rir se partisse.

Mas tivesse olhos e olhasse
Os espectros que hoje somos,
Tão mudados do que fomos...
-Talvez a pedra chorasse.

Carlos Amaro de Miranda e Silva nasceu na vila da Chamusca em 22 de Agosto de 1879, tendo falecido em Lisboa em 8 de Julho de 1946.

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2011-08-21

Recordando Alexandre O'Neill no 25º aniversário do seu desaparecimento



O'Neill (Alexandre) moreno português
cabelo asa de corvo; da angústia da cara,
nariguete que sobrepuja de través
a ferida desdenhosa e não cicatrizada.
Se a visagem de tal sujeito é o que vês
(omita-se o olho triste e a testa iluminada)
o retrato moral também tem os seus quês
(aqui, uma pequena frase censurada...)
No amor? No amor crê (ou não fosse ele O'Neill!)
e tem a veleidade de o saber fazer
(pois amor não há feito) das maneiras mil
que são a semovente estátua do prazer.
Mas sobre a ternura, bebe de mais e ri-se
do que neste soneto sobre si mesmo disse...


Alexandre Manuel Vahía de Castro O'Neill (n. em Lisboa a 19 de Dez de 1924; m. em 21 de Agosto de 1986).

Ler do mesmo autor:
O Beijo
Toma Lá Cinco
Um Adeus Português
Gaivota
A Meu Favor
Há Palavras Que nos Beijam

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2011-08-20

O CÂNTICO DA TERRA - Cora Coralina

Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.

Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.

Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.

A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.

E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.

Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.


Cora Coralina, pseudônimo de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, (Cidade de Goiás, 20 de agosto de 1889 — Goiânia, 10 de abril de 1985)

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2011-08-19

As aquarelas - Odylo Costa, Filho




Não penso azul, nem verde, nem vermelho,
nenhuma cor vejo isoladamente:
quero a vida total, como um espelho
a que não falte flor, folha ou semente.

A natureza, neste abril redondo,
esconde formas, seres, linhas, cores,
aqui e ali bizarramente pondo
manchas involuntárias, multicores.

Recuso-me a adotar bandeira ou marca.
Nada escolho. O mistério natural
me envolve inteiro. Em tuas aquarelas

tudo renasce — como quem da barca
do dilúvio, depois do temporal,
visse de novo a terra das janelas...

Publicado: Boca da noite, 1979

Odylo de Moura Costa, Filho, nasceu em São Luís, Maranhão, a 14 de dezembro 1914; m. no Rio de Janeiro, a 19 de agosto de 1979)

Ler do mesmo autor, neste blog: Os Coelhinhos (poema infantil)

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Alma ausente - Federico Garcia Lorca

No te conoce el toro ni la higuera,
ni caballos ni hormigas de tu casa.
No te conoce tu recuerdo mudo
porque te has muerto para siempre.

No te conoce el lomo de la piedra,
ni el raso negro donde te destrozas.
No te conoce tu recuerdo mudo
porque te has muerto para siempre.

El otoño vendrá con caracolas,
uva de niebla y montes agrupados,
pero nadie querrá mirar tus ojos
porque te has muerto para siempre.

Porque te has muerto para siempre,
como todos los muertos de la Tierra,
como todos los muertos que se olvidan
en un montón de perros apagados.

No te conoce nadie. No. Pero yo te canto.
Yo canto para luego tu perfil y tu gracia.
La madurez insigne de tu conocimiento.
Tu apetencia de muerte y el gusto de su boca.

La tristeza que tuvo tu valiente alegría.
Tardará mucho tiempo en nacer, si es que nace,
un andaluz tan claro, tan rico de aventura.
Yo canto su elegancia con palabras que gimen
y recuerdo una brisa triste por los olivos.


Federico García Lorca (Fuente Vaqueros, 5 de junho de 1898 — Granada, 19 de agosto de 1936)
Ouvir na voz de Ana Belen


Ler do mesmo autor, neste blog:
Pequenas baladas dos três rios
Balladilla de los tres rios

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2011-08-18

Portugal está na final do Campeonato do Mundo de Sub20: Ganhámos à França 2-0


Quem diria? A selecção portuguesa de futebol sub20 surpreende toda a gente e acaba de se apurar para a final a disputar na madrugada de domingo contra o vencedor do jogo da outra semi-final que se vai começar a disputar dentro de uma hora entre o Brasil e o México.

Na fase de grupos Portugal começou por empatar com o Uruguai sem golos para no segundo jogo derrotar os Camarões por 1-0. No terceiro jogo frente, teoricamente à selecção menos cotada do seu grupo - a Nova Zelândia - Portugal voltou a ganhar e (só) por 1-0. O primeiro lugar no respectivo grupo permitiu emparceirar a selecção lusa com a Guatemala terceira classificada no seu grupo e que se qualificou para os oitavos de final graças a um triunfo por 1-0 frente à Croácia, depois de ter sido goleada nos jogos anteriores frente à Nigéria (0-5) e frente à Arábia Saudita (0-6). Esperar-se-ia uma qualificação fácil de Portugal mas o triunfo português foi apenas por 1-0 e esteve muito tremido com os guatemaltecos a enviarem uma bola ao poste a poucos minutos do fim.

Os quartos de final eram a prova de fogo. Nada mais do que a forte selecção argentina (que já venceu a prova por seis vezes!) cheia de estrelas, até já importadas pelo futebol europeu. São os casos de Lamela, jogador da Roma, de Iturbe contratado pelo FC Porto, de Hugo Nervo, do Arsenal, clube que também contratou um dos guarda-redes, Damian Martinez, que por sinal foi suplente de Andrada, neste campeonato.

A selecção de Portugal mais uma vez com um modelo de jogo defensivo de boa organização e entreajuda com Mika na baliza e um duo de centrais que começa a ser cobiçado: Nuno Reis, jogador do Sporting (com lugar no onze ideal da primeira fase) e Roderick do Benfica. Um duplo pivot defensivo no meio-campo Danilo e Pelé, um ariete na frente - quase sempre sozinho- Nelson Oliveira e às vezes o apoio do pequenino Caetano. Claro que não jogam só estes mas constituem o núcleo duro. Mário Rui e Cedric nas laterais Sérgio Oliveira no meio-campo, faltou mais vezes Saná a organizar o jogo ofensivo (lesionou-se no primeiro jogo) falhando os três seguintes, para aparecer com a Argentina e por amarelos voltar a falhar o jogo com a França.

A equipa de Ilídio Vale esgotou a capacidade psicológica e física dos argentinos levando o nulo até ao fim. Durante o prolongamento até pareceu que Portugal mostrava mais atributos de força física mas o apuramento para a meia-final seria por grandes penalidades. Portugal marcava primeiro e depois do 1-1 resultante da conversão por cada uma das equipas do primeiro dos remates da marca de grande penalidade, os dois remates seguintes (de cada equipa) levou o resultado para 1-3 após duas defesas do guarda-redes Andrada. Parecia tudo perdido mas os argentinos atiraram à barra e Mika defenderia o quinto penalty decisivo igualando tudo de novo (3-3) até à "revirada" feita no sétimo remate com nova defesa de Mika (5-4).


Hoje foi a França que já perdera o jogo de estreia frente à Colômbia mas que se apurara ganhando os dois seguintes e que aparecia rotulada de capacidade goleadora. Afinal ficou a zero. De um pontapé de canto aos 9' Portugal chegou à vantagem por Danilo de cabeça e ainda antes do intervalo de penalty Nelson Oliveira aumentava a vantagem. Os franceses atacaram mais na segunda parte desfrutando de algumas ocasiões para marcar mas a selecção portuguesa cometeu a proeza de acabar o sexto jogo da competição sem sofrer um único golo! Como sem sofrer golos não se perde (a não ser no desempate por penalties e aí o jogo com a Argentina já demonstrou que há milagres)... até podemos sonhar!

Selecção de coragem e guerreira foram os epítetos de Ilídio Vale, mas verdade se diga que gostaríamos de ter visto maior capacidade de posse de bola e organização ofensiva, mesmo em contra-ataque. Na realidade, Portugal já superou todas as expectativas... e agora quem sabe se não nos podemos sagrar pela terceira vez Campeões do Mundo. Para já seremos, pelo menos, vice-campeões do Mundo... e ficam recado para os clubes portugueses que andam a comprar jogadores de duvidosa categoria desperdiçando jogadores (não dizendo talentos) que demonstram com boa organização e solidariedade competitiva poderem conseguir resultados melhores do que os melhores!

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No 85º Aniversário de Hélio Ricciardi


SÁBADO XXX
Fecho hermeticamente
as portas e as janelas dos meus sentimentos
Fico espantado
Não sei como consegues entrar!

SERÁ
Afago-te de leve para não despertar
O sonho que embalo
De sonhar que sonhas comigo.

daqui

Hélio Irajá Ricciardi dos Santos, nasceu em Alegrete-RS, em 18 de agosto de 1926

Do mesmo autor ler, neste blog: Fantasias

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2011-08-17

Efemérides poéticas de 17 de Agosto

O dia 17 de Agosto é dos dias do ano em que este espaço poético é mais fácil de preencher tantos e importantes são os poetas de língua portuguesa que nasceram ou faleceram neste dia. Mas bem vistas as coisas são tantas as efemérides poéticas do dia... que as coisas, afinal, ficam um pouquinho mais difíceis não vá esquecermo-nos de alguém importante...

Cronologicamente, porque em termos de importância é que ficaria impossível, aí vai:

André Rodrigues de Matos nasceu em 1628 em Lisboa, onde faleceu a 17 de Agosto de 1698. Dele apresentamos hoje neste blog um soneto cujo primeiro verso é Alegre pintassilgo, flor vivente.

Luiz Nicolau Fagundes Varella nasceu em Rio Claro, Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 1841 e faleceu em Niterói em 18 de fevereiro de 1875. Poeta que, «tanto celebra a natureza e temas indianistas como revela preocupações sociais. Era antimonárquico, abolicionista e partidário de uma democracia igualitária. Para o fim, virou místico». Dele é o Soneto cuja primeira quadra recordamos:

Eu passava na vida errante e vago,
como o nauta perdido em noite escura,
mas tu te ergueste, peregrina e pura
como o cisne inspirado em manso lago.

Manuel Fernandes Laranjeira nasceu na Vila da Feira a 17 de Agosto de 1877 e suicidou-se em Espinho a 22 de Fevereiro de 1912. O sentimento trágico da vida derivava do inferno de si próprio. Os seus versos traduzem cepticismo niilista, solidão, pessimismo, tristeza e melancolia. Revisitamos o soneto "Tristeza de Viver":

Ânsia de amar! oh ânsia de viver!
Uma hora só que seja, mas vivida
e satisfeita... e pode-se morrer
– porque se morre abençoando a vida!

Mas ess'hora suprema em que se vive
quanto possa sonhar-se de ventura
oh vida mentirosa, oh vida impura
esperei-a, esperei-a, e nunca a tive!

E quantos como em a desejaram!
E quantos como eu nunca tiveram
uma hora de amor como a sonharam!

Em quantos olhos tristes tenho eu lido
O desespero dos que não viveram
Esse sonho de amor incompreendido!

António Tomaz Botto nasceu há 114 anos, precisamente no dia 17 de Agosto de 1897,em Concavada, no concelho de Abrantes. Faleceu no Rio de Janeiro a 17 de Março de 1959, vários dias após ter sido vítima de atropelamento automóvel. Um grande poeta! Dele escreveu Fernando Pessoa «... é o único português, dos que conhecidamente escrevem, a quem a designação de esteta se pode aplicar sem dissonância. Com um perfeito instinto ele segue o ideal a que se tem chamado estético, e que é uma das formas, se bem que a ínfima, do ideal helénico. Segue-o, porém, a par de com o instinto, com uma perfeita inteligência, porque os ideais gregos, como são intelectuais, não podem ser seguidos inconscientemente. A obra de António Botto, no que realmente típica, resume-se, por ora, no seu último livro, «Canções». Que essa obra se distingue com facilidade da obra de qualquer outro poeta, português ou estrangeiro - todos, que possam ver, o podem ver.»

Envolve-me amorosamente
Na cadeia de teus braços
Como naquela tardinha...
Não tardes, amor ausente;
Tem pena da minha mágoa,
Vida minha!...

ou

Quanto, quanto me queres? - perguntaste
Numa voz de lamento diluída;
E quando nos meus olhos demoraste
A luz dos teus senti a luz da vida
...
Beijámo-nos então, a latejar
No infinito e pálido vaivém
Dos corpos que se entregam sem pensar...

ainda de:

Não Peças Mais Canções,
Se passares pelo adro
No dia do meu enterro,
Dize à terra que não coma
Os anéis do meu cabelo.

Eugénio de Castro, nascido em Coimbra a 4 Março de 1869, morreu em Coimbra há 67 anos, ou seja em 17 de Agosto de 1944. Que dizer de:

Tua frieza aumenta o meu desejo
Fecho os olhos para te esquecer
e, quanto mais procuro não te ver,
quanto mais fecho os olhos, mais te vejo.

ou de Epígrafe:

Homem que fazes tu? Para quê tanta lida,
Tão doidas ambições, tanto ódio e tanta ameaça?
Procuremos somente a Beleza, que a vida
É um punhado infantil de areia ressequida,
Um som de água ou de bronze e uma sombra que passa…

E como "Nem sempre aos poetas apetecem as estrelas" António Pedro morreu em 17 de Agosto de 1966 no Moledo do Minho. Nascido em Cabo Verde, admito que menos conhecido do que os anteriores, mas também poeta (percursor do surrealismo) para além de artista... Fica aqui um extracto do seu poema das formigas:

Que é do ciúme e das angústias?
Que é do amor e das palavras?
Que é das carícias e dos dentes?
Que é das renúncias e dos crimes?
Que é das tentações
Das promessas
Dos desejos
Dos apetites
Das fúrias?
Que é de todas as músicas?

O sol inútil cobre um mar negrejante onde os reflexos são como os olhos das moscas
E um silêncio tremendo finge de paz no mundo
Uma paz de silêncio com formigas

Formigas
Formigas
Formigas
Formigas

Domingos Monteiro Pereira Júnior, poeta transmontano (nasceu em Barqueiros, a 6 de Novembro de 1903), faleceu há 31 anos. Extraímos do soneto Pousa a tua cabeça no meu peito a primeira quadra, em jeito de aperitivo:

Pousa a tua cabeça no meu peito
Nas minhas mãos as tuas mãos inquietas
Vamos os dois caçar as borboletas
As quimeras dum sonho insatisfeito.

Do lado de lá do Atlântico mas também expressando os sentimentos (também o amor, é claro!) nas mesmas palavras da linguagem que conhecemos sem precisar de ir à escola de línguas, Carlos Drummond de Andrade morreu, no Rio de Janeiro, faz hoje 17 de Agosto de 1911, 24 anos:

«Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.»

mas também ciente dos momentos em que os Ombros Suportam o Mundo:

«Os ombros suportam o mundo
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.»

Há ainda a passagem dos 103 anos sobre o nascimento de Óscar Ribas, escritor angolano, autor "profundamente preocupado com os temas da literatura oral, filologia, religião tradicional e filosofia dos povos de língua kimbundu"...

De autores de outras línguas destacamos Edward James Hughes, mais conhecido como Ted Hughes nascido há 81 anos no West Yorkshire (m. 28 de Outubro de 1998). Poeta e escritor de livros infantis britânico é comummente considerado pela crítica como um dos melhores poetas de sua geração (Ler Theology / Teologia).

Hertha Müller, a escritora alemã de origem romena, a quem foi atribuído o Prémio Nobel da Literatura em 2009, mais conhecida como novelista, mas também poeta, tem também a sua vida ligada a este dia: nasceu em 17 de agosto de 1953 em Nitchidorf, Timis County.

Enfim...

Uma boa semana a todos os leitores, com sorrisos, flores e ... poesia!

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Alegre pintassilgo, flor vivente - Rodrigues de Matos



Alegre pintassilgo, flor vivente,
não cantes, lisonjeia um desgraçado;
suave fontezinha, alma do prado,
não corras, acompanha um descontente.

Vejo que entre essas ramas, livremente,
festivo zombas do meu triste fado;
julgo que entre essas penhas, sem cuidado,
murmuras, rindo, do que peno, ausente.

Mas já que corres livre, sem demoras,
bate essas asas, acelera o passo,
e vai saber de um bem que ausente adoro.

E se queres chegar em breves horas,
voa com estas penas que aqui passo,
corre com estas águas que aqui choro.


André Rodrigues de Matos nasceu em 1628 em Lisboa, onde faleceu a 17 de Agosto de 1698

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2011-08-16

Benfica empata em Enschede: grande jogo e bom resultado, mas nada está decidido

FC Twente logo

FC Twente

2-2

Benfica



Benfica virou o resultado... mas não soube segurá-lo (mais uma vez...)

Um jogo de grande categoria técnica, táctica e de futebol ofensivo. Play-off de acesso aos milhões da fase de grupos da Champions League a poder determinar o sentido da época desportiva. Por isso, um jogo demasiado importante para o nível ainda inicial de preparação das equipas...

Importa adiantar que ambas as equipas participaram na fase de grupos da Champions da época passada com os holandeses a encaixarem 13,4 milhões de euros e o Benfica 11,8 milhões (.pdf), Com a passagem ainda pela Liga Europa os holandeses acumularam mais 1,1 milhões de euros e o Benfica, com a presença na meia-final, mais 1,9 milhoes.

Logo aos 3' Gaitán em jogada individual ganha vários ressaltos e isola-se mas o remate à figura de Mihailov não ultrapassou o guarda-redes búlgaro da equipa holandesa. Aos 6' primeiro remate dos holandeses e primeiro golo. Luuk de Jong à entrada da área não foi suficientemente pressionado e foi convidado a fazer o remate que inaugurou o marcador.

Aos 13' Emerson combina com Nolito no interior da área de ataque, mas falha o remate. Aimar recupera a bola na zona do meio-campo e Cardozo avança com ela e remata colocado de pé esquerdo, fora do alcance de Mihaylov. O Benfica reequilibrava o marcador com a vantagem de j+á ter garantido marcar fora de casa.

Mas em jogo com duas equipas de grande capacidade técnica e com a baliza nos olhos os holandeses passado um minuto do empate dispôs de grande oportunidade para se recolocar em vantagem, com Artur a fazer a mancha a remate de Landzaat.

Aos 35' o Benfica dá a reviravolta no resultado com uma jogada ofensiva de grande qualidade com vários jogadores envolvidos. Jogada desenrolada pela direita, A bola passa por Cardozo, Gaitán e Wiksel isola-se com a saída do guarda-redes, tem toda a frieza do mundo para assistir Nolito do outro lado da área finalizar para a baliza deserta. O Benfica ganha avanço e ia construindo um excelente resultado. Mas esta equipa holandesa é forte e não se deu por vencida.

Até ao intervalo Artur tem de fazer duas grandes defesas. Primeiro a livre directo de Ruiz depois a remate de fora da área de Landzaat.

Na segunda parte a equipa do Twente ataca mais com a entrada logo no recomeço de Marc Janko um avançado de grande altura e poder físico.

Aos 54' o empate esteve à vista, desta vez, após um erro de Artur. Jesus via que tinha de segurar mais o meio-campo e fez entrar Rúben Amorim para a saída de Gaitán, mas Co Adriaanse respondeu com a entrada para o lado esquerdo do meio-campo de Ola John, que foi um quebra-cabeças para a defesa do Benfica.

Aimar - outra vez um grande exibição - dera o litro e saiu para a entrada de Saviola. O avançado encarnado não foi feliz pois poderia ter definido o jogo (e talvez a eliminatória) mas o remate saiu ao lado. No minuto anterior Artur fizera mais uma grande defesa a remate de Luuk de Jong.

As oportunidades sucediam-se e tanto o Twente podia empatar como o Benfica selar o carimbo de acesso caso marcasse o terceiro golo. Verdade se diga que em quantidade as jogadas dos holandeses eram em maior número.

Aos 80' avança Oli John pela esquerda e cruza longo para o segundo poste com Ruiz a empurrar Emerson e a cabecear para o fundo das redes de Artur num lance irregular que a equipa de arbitragem espanhola validou. Curiosamente com o empate a equipa do Benfica nos últimos dez minutos controlou melhor o jogo acabando ao ataque.

Jogadores do Benfica protestam a validação do golo do empate

Um jogo de nível alto em que o Benfica fez um bom resultado mas em que nada está decidido face à boa capacidade demonstrada pela equipa holandesa que na Luz pode marcar golos. Esperemos uma enchente e uma boa noite de futebol e de inspiração da equipa portuguesa em defesa dos cofres do clube e já agora do país.

O árbitro espanhol foi comedido na amostragem de cartões - só Artur viu o cartão amarelos por protestos no lance do 2-2 num jogo, aliás, bem disputado mas com poucas faltas - mas falhou na interpretação do lance do segundo golo do Twente.

Ficha do Jogo:
FC Twente Stadion, Enschede (NED)
Árbitro: Alberto Undiano Mallenco (ESP) – Stadium: FC Twente Stadion, Enschede (NED)

TWENTE: Mihaylov, Tim Cornelisse, Douglas, Wisgerhof, Dwight Tiendalli (Buysse 75'), Landzaat (Marc Janko int.), Wout Brama, Willem Janssen, Bryan Ruiz, Luuk de Jong, Emir Bajrami (Ola John 58').

BENFICA: Artur Moraes, Maxi Pereira, Garay, Luisão, Emerson, Javi García, Witsel, Gaitán (Rúben Amorim 56'), Aimar (Saviola 64'), Nolito, Cardozo (Matic 87')

Golos: 1-0 De Jong 6'; 1-1 Cardozo 21'; 1-2 Nolito 35'; 2-2 Ruiz 80'

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Purinha - António Nobre



O Espirito, a Nuvem, a Sombra, a Quimera,
Que (aonde ainda não sei) neste Mundo me espera;
Aquela que, um dia, mais leve que a bruma,
Toda cheia de véus, como uma Espuma,
O Senhor Padre me dará pra mim
E a seus pés me dirá, toda corada: Sim!
Ha-de ser alta como a Torre de David,
Magrinha como um choupo onde se enlaça a vide
E seu cabelo em cachos, cachos de uvas,
E negro como a capa das viúvas...
(À maneira o trará das virgens de Belém
Que a Nossa Senhora ficava tão bem!)
E será uma espada a sua mão,
E branca como a neve do Marão,
E seus dedos serão como punhais,
Fusos de prata onde fiarei meus ais!
E os seus seios serão como dois ninhos,
E seus sonhos serão os passarinhos,
E será sua boca uma romã,
Seus olhos duas Estrelinhas da Manhã!
Seu corpo ligeiro, tão leve, tão leve,
Como um sonho, como a neve,
Que hei-de supor estar a ver, ao vê-la,
Cabrinhas montesas da Serra da Estrela...
E há-de ser natural como as ervas dos montes
E as rolas das serras e as águas das fontes...
E há-de ser boa, excepcional, quase divina.
Mais pura, mais simples, que moça e menina.
Deus, pela voz dos rouxinóis há-de gabá-la
E os rios ao passar hão-de cantá-la.
Seu virgem coração há-de ser tão branquinho,
Que não há neste, mundo a que igualá-lo: o linho
Que, em roca de cristal, fiava a minha Avó
Parecerá de crepe, e a neve... far-me-á dó,
Mais a farinha do moleiro e a violeta,
E a lua para mim será como uma Preta!

Mas em que Pátria, em que Nação é que me espera
Esta Torre, esta Lua, esta Quimera?
Fui ter com minha fada e disse-lhe: «Madrinha!
Onde haverá na Terra assim uma Rainha?»
E a minha fada, com sua vara de encantar,
Um reino me apontou, lá baixo, ao pé do mar...

Meninas, lindas meninas!
Qual de vós é o meu ideal?
Meninas, lindas meninas
Do Reino de Portugal!

E no dia do meu recebimento!
Manhã cedo, com luar ainda no Firmamento,
Quando ainda no céu não bole uma asa,
A minha Noiva sairá de casa
Maila sua Mãe, mailos seus Irmãos.
E há-de sorrir, e hão-de tremer-lhe as mãos...
E a sua Ama há-de segui-la até à porta,
E ficará, coitada! como morta!
E há-de ser triste vê-la, ao longe, ainda... olhando,
Com o avental seus olhos enxugando...
E hão-de cercá-la sete Madrinhas,
Que hão-de ser sete virgens pobrezinhas,
Todas contentes por estrear vestido novo!
E, ao vê-las, suas mães sorrirão d'entre o Povo...
E o povo da freguesia
Esperará mais eu, no adro de Santa Iria.
E hão-de mirar-me com seu ar curioso,
E hão-de cercar-me, n'um silêncio respeitoso.
E eu hei-de falar-lhes das colheitas, da chuva,
E dir-me-ão que «já vai pintando a uva...»
E animados então (o Povo é uma criança!)
Porque o Sr. Doutor lhes deu confiança,
«Que Deus o ajude» dirá um, e o Regedor:
«Vá coa graça de Nosso Senhor!»
E eu hei-de agradecer, sorrir, gostar.
Mas o Anjo, no entanto, não deve tardar...
E d'entre o grupo exclamará um Velho, então:
«Já nasce o dia!» eu olharei... mas não:
É a minha Noiva que parece dia,
Luzente como a cal de Santa Iria!
E ao vê-la tão branca, de branco vestida,
Ao longe, ao longe, hei-de cuidar ver uma Ermida!
E dirá o Pastor, com espanto tamanho,
Que é uma Ovelha que fugiu do seu rebanho!
E o João Maluco dirá que é o Luar de Janeiro!
E o Pescador explicará ao bom Moleiro
Que é talqualzinha a sua Lancha pelo Mar!
E o Moleiro dirá que é o seu Moinho a andar!
Que assim já foram as velhinhas cismarão,
E as netas, coitadas! que, um dia, o serão...
Mas o Anjo assomará, à porta da capela,
E eu branco e trémulo hei-de ir ter com ela.
E a estrela deitar-me-á a benção dos seus olhos
E uma aldeã deitar-lhe-á violetas, aos molhos!
E a Bem-Amada entrar na igreja há-de...
E há-de casar-nos o Sr. Abade.
E, em seguida, será a nossa boda,
E festas haverá, na aldeia toda.
E as mais raparigas do sitio, solteiras,
Hão-de bailar bailados sobre as eiras,
Com trinta moedas de oiro sobre o peito!
E cantigas dirão a seu respeito.
E a Noiva em glória, perpassando nas janelas,
Sorrirá com simplicidade para elas.
E a noite, pouco e pouco, descerá...
E tudo acabará.
E depois e depois, o Anjo há-de se ir deitar,
E a sua Mãe há-de abraçar... E hão-de chorar!
E a sua alcova deitará sobre o jardim,
Onde uma fonte correrá, entre alecrim:
E, ao ouvi-la cantar, deitadinha na cama,
O Anjo adormecerá, cuidando que é a sua ama...
Mas qual a vila, qual a aldeia, qual a serra
Que este Palácio de Ventura encerra?
Fui ter com minha fada e disse-lhe: «Madrinha!
Acaso nunca te mentiu tua varinha?»
E a minha fada com sua vara de condão
Nos ares escreveu com três estrelas: «Não!»

Meninas, lindas meninas!
Qual de vós é o meu ideal?
Meninas! lindas meninas
Do Reino de Portugal!

O nosso lar!
Minha Madrinha! ajuda-me a sonhar!
Que a nossa casa se erga dentre uma eminência,
Que seja tal qual uma residência,
Alegre, branca, rústica, por fora.
Que digam: «É o Sr. Abade que ali mora»
Mas no interior ela há-de ser sombria,
Como eu com esta melancolia:
E salas escuras, chorando saudades...
E velhos os móveis, de antigas idades...
(E, assim, me iluda e, assim, cuide viver
Noutro século em que eu deveria nascer.)
E nas paredes telas de Parentes...
E janelas abertas sobre os poentes...
(E a Quimera lerá o seu livro de rezas...)
E cravos vermelhos por cima das mesas...
E o relógio dará as horas devagar,
Como as palpitações de quem se vai finar...
E, dia inteiro, neste claustro e solidão,
Passarei a esquecer, ao canto do fogão;
E a cismar e a cismar sem que me veja alguém
Na Dor, na Vida, em Deus, nos mistérios do Além?
E eu o Astrólogo, o Bruxo, o Aflito, o Médio,
Rogarei aos Espíritos remédio
E um bom Espírito virá tratar do Doente
E há-de tremer de susto a outra gente.
E a Noite descerá, pouco e pouco, no entanto,
E a Noite embrulhará o Aflito no seu manto!
Mas a Purinha, então, vindo da rua,
Toda de branco surgirá, como uma Lua!
E, então, acordarei meu Deus de França!
E pela mão me levará, como uma criança.
E eu pálido! e eu tremendo! e o Anjo pelo caminho,
«Não te afflijas...» dirá, baixinho...
E, assim, será piedosa para os mais:
E há-de entrar na miséria dos casais,
Nos montes mais altos, nos sítios mais ermos,
E será a Saúde dos Enfermos!
E quando pela estrada encontrar um velhinho
Todo suado, carregadinho,
(Louvado seja Nosso Senhor!)
Há-de tirar seu lenço e ir enxugar-lhe o suor!
E às aves, em prisão, abrirá as gaiolas.
E, aos sábados, o dia das esmolas,
A Santa descerá ao patamar da escada,
(Envolta, sem saber, numa capa estrelada),
Esmolas, distribuindo a este e àquele: e aos ceguinhos
E mais aos aleijadinhos,
Mais aos que botam sangue pela boca,
Mais aos que vêm cantar, numa rabeca rouca,
Amores, Naufrágios e A Nau Catrineta,
Mais aos Aflitos que andam no Planeta,
Mais às viúvas dos Degredados...
E tudo seja pelos meus pecados!
E há-de coser (serão os remendos de flores)
As velas rotas dos pescadores
E a luz do seu olhar benzerá essas velas
E nunca mais hão-de rasgar-lhas as procelas!
E acenderá os círios ao Senhor,
(Que sejam como ela no talhe e na cor!)
Quando houver temporal... e eu virei prà sacada
Ver os relâmpagos, ouvir a trovoada!
E nisto só resumir-se-á a sua vida:
Vestir os Nus, aos Pobres dar guarida,
Falar à alma que na angústia se consome,
Dar de comer a quem tem fome,
E, lá, do Alto, Jesus dirá aos homens: «Vede...»
Dar de beber a quem tem sede...
E eu hei-de em minhas obras imitá-la
E amá-la como à Virgem e adorá-la.
E a Virgem há-de encher com a mesma paixão
As marés-vazas deste pobre coração
Que tanto teve e que hoje nada tem,
Nem mesmo aquilo que vós tendes, Mãe.
E será a Mamã que me há-de vir criar,
Admirável Joaninha d'Arc,
Meu novo berço duma Vida nova!
E há-de ir comigo para a mesma cova,
Pois que no dia em que eu morrer
Veneno tomará, numa colher...
Mas em que sítio, aonde? aonde é que se esconde
Esta Bandeira, esta Índia, este Castelo, aonde? aonde?
Fui ter com minha Fada, e disse-lhe: «Madrinha!
Mas pode haver, assim, na Terra uma Purinha?»
E a minha fada com sua vara de marfim
Nos ares escreveu com três estrelas: Sim...

Meninas, lindas meninas!
Qual de vós é o meu ideal?
Meninas, lindas meninas
Do Reino de Portugal!


in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal Editores

António Pereira Nobre (nasceu no Porto a 16 de Agosto de 1867 e foi vítima de tuberculose pulmonar, na Foz do Douro, Porto a 18 de Março de 1900).

Ler do mesmo autor, neste blog:

O Teu Retrato
Na Praia Lá Da Boa Nova Um Dia
E a Vida foi, e é assim, e não melhora
À Luz de Lua
Ao Cair das Folhas
Virgens que passais
Carta ao Oceano
A Leão XIII
Ladainha

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2011-08-15

Amor é o olhar total, que nunca pode - Fiama Hasse Pais Brandão


Amor é o olhar total, que nunca pode
ser cantado nos poemas ou na música,
porque é tão-só próprio e bastante,
em si mesmo absoluto táctil,
que me cega, como a chuva cai
na minha cara, de faces nuas,
oferecidas sempre à água.


in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco da Graça Moura, Quetzal Editores

in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI

Fiama Hasse Pais Brandão (Lisboa, 15 de Agosto de 1938 — Lisboa, 19 de Janeiro de 2007)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Opus ∞ +1
Quarta-feira às três horas da tarde
Imagem Minha;
Poetas do Amor.
Do Amor IV

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2011-08-14

Permanência do Poema - Emílio Moura

Retrato de Emílio Moura Retrato do poeta

Quando a luz desaparecer de todo,
Mergulharei em mim mesmo e te procurarei lá dentro.

A beleza é eterna.
A poesia é eterna.
A liberdade é eterna.
Elas subsistem, apesar de tudo.

É inútil assassinar crianças. É inútil atirar aos cães os que,
de repente, se rebelam e erguem a cabeça olímpica.
A beleza é eterna. A Poesia é eterna. A liberdade é eterna.
Podem exilar a poesia: exilada, ainda será mais límpida.

As horas passam, os homens caem,
A poesia fica.

Aproxima-te e escuta.
Há uma voz na noite!

Olha:
É uma luz na noite!


Emílio Guimarães Moura (14 de agosto de 1902, Dores do Indaiá — 28 de setembro de 1971, Belo Horizonte)

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2011-08-13

Para que vim eu ao mundo - Gonçalves de Magalhães na passagem do bicentenário do seu nascimento

Do céu as estrelas
Acaso no brilho
São todas iguais?
São umas mais belas,
E outras parecem
Funéreos fanais.
Assim são os fados
Dos tristes mortais.

Cada qual tem sua sorte;
Um foi para a dor gerado,
E outro pela ventura
Ao nascer foi embalado.

Quanto mais penso, mais creio
Neste mistério profundo;
E a mim mesmo então pergunto:
Para que vim eu ao mundo?

Como resposta esperando,
Escuto silencioso;
No coração, que palpita,
Murmura um som lutuoso.

Soa essa voz em meu peito
Como em caverna profunda,
Como um suspiro exalado
Pela vaga gemebunda.

Para a dor, me diz, nasceste;
Para a dor, para o tormento;
Teus males só terão termo
Co'o teu último momento.

Sofrer, tal é meu fado! — Eu me resigno.
E que hei de fazer? Curta é a vida...
E quem me tolhe qu'eu de todo a encurte?
Não serei livre de lançar por terra
Um fardo que me acurva, um fardo inútil?
É a vida para uns néctar suave,
Tóxico é para mim;... devo tragá-lo?
Acaso Deus me disse
A ti toca sofrer por mil que gozam.

Mas eu blasfemo, oh céus! Que voz me grita:
"Mortal, olha o que fazes! Contra a vida
Não ouses atentar. Quem vida deu-te
Só quando lhe aprouver tirar-ta pode."

Oh meu Deus! compaixão; minha alma humilde
Graça implora da sua insana idéia.

Rir, ou chorar, eis só o que o homem sabe;
Se não canta, blasfema!

A sorte choremos,
Que avessa nos é;
Mas não blasfememos,
Vivamos co'a Fé.

Qual a esponja de líquido embebida,
De perpétua, letal melancolia
Pejado tenho o peito;
Minha alma amortecida,
E como que em seu túmulo encerrada,
Só pela dor à vida é revocada.

Oh minha alma, tu és como a lanterna
Do cemitério,
Que ante o altar, sobre um esquife solta
Palor funéreo.

A sorte choremos,
Que avessa nos é;
Mas não blasfememos,
Vivamos co'a Fé.

Oh prazer! Oh doçura da existência!
Meta tão desejada
De todos os mortais, para quem inda
Brilha no céu a estrela da esperança.
Oh benigno sol, que a vida aqueces,
Para mim te eclipsaste!
E se às vezes fosfórico lampejas,
Quando eu, afeito à dor, não te desejo,
É para exacerbar meu sofrimento.
Ah! nem me afaga da esperança o riso,
Nem me consola amor; tudo me foge.

A sorte choremos,
Que avessa nos é;
Mas não blasfememos,
Vivamos co'a Fé.


Domingos José Gonçalves de Magalhães (Rio de Janeiro, RJ, 13 de agosto de 1811 — Roma, Itália, 10 de julho de 1882)

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2011-08-12

Benfica não aprende e desperdiça dois golos de avanço!


Gil Vicente

2-2

Benfica


Laionel tem especial apetência para dar desgostos aos benfiquistas

Grande ambiente em Barcelos, primeiro jogo do campeonato e o Benfica com o rótulo de seis anos sem ganhar na primeira jornada chega aos 20 minutos a ganhar por dois a zero! Nolito (marcou em todos os jogos até agora...), logo aos 7' inaugurou o marcador num remate colocado, cruzado da esquerda junto ao segundo poste, depois grande combinação Saviola-Jara-Saviola aos 20' aq dar o segundo golo e há quem augure que menos de 5 é pouco...

Antes do primeiro golo já Jara isolado falhara o golo ao fazer um remate de raguebi mas com o assistente a assinalar fora de jogo inexistente.

Mas não se pense que o Benfica dominava completamente o jogo. Entre os dois golos foi o Gil que ameaçou o empate com Artur a fazer grande defesa. Os gilistas libertavam-se e chegavam com facilidade às imediações da área encarnada, sem ninguém do meio-campo encarnado a fazer oposição (excepção a Aimar...) com os defesas a afastarem a bola para canto com demasiada facilidade e displicência ao ponto do Gil Vicente ter oito pontapés de canto ao final da primeira parte (seis aos 20' de jogo!)

Depois a quantidade de passes errados do meio-campo do Benfica foi um convite aos gilistas que atenuaram o resultado antes do intervalo depois de um brinde de Rúben Amorim. Bastava colocar o corpo à frente da permitiu a Hugo Vieira mostrar como se faz! Aos 37' o Gil Vicente estava na disputa do resultado pela incapacidade encarnada em controlar o jogo.

Na segunda parte entrou Witsel saindo Aimar (ao que disse Jesus no final do jogo por pedido de Aimar, com queixas musculares). O Benfica pareceu controlar mais a posse de bola e ter mais calma na sua circulação. Jara falha mais uma vez o desvio que podia dar o terceiro golo e resolver o jogo. Gaitán que já se queixara na primeira parte deu o lugar a Enzo Perez enquanto Paulo Alves troca de avançado (entrando Tó Barbosa para o lugar de Luís Carlos).

O Benfica não "acaba" com o jogo e .. Laionel num contra-ataque remata ainda longe da área fazendo um grande golo... ele que na primeira jornada do campeonato passado deu o triunfo à Académica e começou a retirar o título aos encarnados da Luz...

Pois ainda faltavam dezasseis minutos! O que fez Jesus? Absolutamente nada! Jesus que na primeira época protestava e gesticulava quando a equipa ganhava por três de avanço ... exigindo o quarto, agora empatado e nada... Tinha uma terceira substituição para fazer e ...ficou por fazer.
Gil Vicente concentrado na defesa e na área. Benfica com avançados de 1,60 m Saviola e Jara e sem capacidade de desbloqueio ...nem sequer remates de longe...

Mais um desastre de Jesus que agora com tantos jogadores nem sabe o que fazer. Já que não tinha Cardozo deveria meter o avançado que tinha no banco (Mora) ou então Matic um jogador forte e alto... mas não conformação total com um empate que sabe a derrota.

Em jogo de poucas faltas a arbitragem de João Ferreira não teve casos de maior.

Gil Vicente: Adriano, Éder, Sandro, Cláudio e Júnior Caiçara; Luís Manuel, André Cunha e João Vilela; Luís Carlos (Tó Barbosa 68'), Hugo Vieira (Paulão 90+1') e Laionel (Pedro Moreira 82').

Benfica: Artur Moraes, Rúben Amorim, Garay, Jardel e Emerson; Javi Garcia, Gaitán (Enzo Pérez 60'), Aimar (Witsel ao int.) e Nolito, Saviola e Jara

Golols: 0-1 Nolito 7'; 0-2 Saviola 20'; 1-2 Hugo Viera 37'; 2-2 Laionel 74'

Disciplina: 76' Cartão Amarelo para João Vilela (Gil Vicente), por falta cometida sobre Enzo Pérez.

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Poema Melancólico a não sei que Mulher - Miguel Torga

Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.

Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...


Coimbra, 22 de Abril de 1955
in 'Diário VII', 1956
Extraído de POESIA COMPLETA - MIguel Torga, 1ª Edição, Publicações Dom Quixote, pág. 532

Adolfo Correia da Rocha que usou o pseudónimo de Miguel Torga, nasceu em São Martinho de Anta, Sabrosa, Trás-os-Montes, a 12 de Agosto de 1907; morreu em Coimbra a 17 de Janeiro de 1995.

Ler do mesmo autor, neste blog: Mãe; Preservação; Súplica; Adeus; Depoimento; Procura; Ficam as Sombras; Sei um ninho; Queixa; Hora de amor; Mea culpa; Anátema; Livro de Horas; Encontro; Quase um poema de amor; Perfil; Exorcismo; Bucólica; Arquivo; Rogo; Glória.

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