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2011-09-30

Cantiga do Desencontro - Paulo Bomfim

Onde estou que não me encontro
Caminho que já não sinto,
Eco de vozes distantes
Flutuando no labirinto?
Onde deixei meu olhar
Repleto de águas e rastros,
Onde a lama se confunde
Com o silêncio dos astros?
Onde estou que não me encontro
Entre esperanças antigas,
Gesto perdido de sombras,
Lábio gasto de cantigas?
Onde larguei a inocência,
A voz, o sonho, a distância,
Se os manacás reflorescem
Além dos muros da infância!

PAULO BOMFIM nasceu em São Paulo no dia 30 de setembro de 1926.

Ler do mesmo autor, neste blog Soneto I de Transfiguração

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2011-09-29

Ondas e deambulações: Vítor Pereira, Fucile ... FCP

A derrota do FCP em São Petersburgo foi inapelável. E não foi mais copiosa porque apesar de ter jogado toda a segunda parte com dez jogadores o FCP não teve razões de queixa da arbitragem que anulou um golo limpo – na altura seria o 2-1 – à equipa russa.

Na primeira jornada em casa com o Shakhtar o FCP venceu tangencialmente por 2-1 e não capitalizou de modo tão afirmativo como poderia/deveria o facto dos visitantes também terem jogado grande parte do tempo de jogo (ainda mais do que o FCP na Rússia) com dez jogadores e até durante os últimos minutos do jogo com nove. Ou seja, o Porto que começou mal o jogo com um penalty falhado por Hulk e um perú à “Roberto” (pouco explorado, aliás, pela imprensa – afinal tudo está bem quando acaba bem) do Helton, acabou por cumprir serviços mínimos.

Agora o FCP tem nos dois próximos jogos com o Appoel – quem diria? – exames críticos relativamente ao seu futuro na prova máxima do futebol europeu de clubes.

Esta derrota não teria a importância que justificasse estar aqui a escrever sobre ela (e sobre o FCP que nem é o meu clube) se não tivesse ocorrido na sequência de outros jogos que vêm demonstrando uma menor capacidade da equipa portista e principalmente uma falta de conformidade entre essa capacidade demonstrada e as públicas intervenções petulantes e desajustadas do seu treinador (agora) principal.

Com efeito, esta derrota sucede a um empate frustrante para os adeptos portistas e para (supõe-se) também o treinador do FCP face às declarações públicas produzidas e ainda a uma nulidade exibicional e de resultado frente ao primodivisionário Feirense que, ainda por cima, jogou em campo neutro.

Ora no jogo com o Benfica em que o resultado foi construído em termos conformes com a produção demonstrada pelas equipas (bem se sabe que os factores aleatórios do jogo nem sempre assim determinam) com o FCP a demonstrar ter como objectivo de jogo a vitória e ter feito mais por isso durante a primeira parte em que foi melhor e o Benfica a superiorizar-se na segunda parte, tendo mostrado capacidade para alterar por duas vezes um resultado desfavorável, conseguindo-o nivelar.

Se o discurso do treinador do FCP fosse compatível com esta realidade também não estaria aqui a gastar cera com tão ruim defunto. Porém, aproveitando as declarações de Fucile (em desavença com Cardozo, mas também com toda a gente e com ele próprio) querendo fazer um caso do jogo, o treinador do FCP aproveitou as perguntas que se seguiram dos jornalistas (muitas vezes orientativas é certo, mas que lhe competiria não seguir o caminho) para fazer um “coro” sobre o tal lance entre o Fucile e o Cardozo, justificando o semi-desaire com o facto do jogador do Benfica não ter sido expulso. Ou seja, pelo menos em termos públicos, não assumiu erros próprios, nomeadamente na gestão das substituições e na fraca capacidade física exibida pela equipa a partir de meio da segunda parte (a seguir é certo a uma pressão elevada que a equipa exerceu no primeiro tempo e que, natural e expectavelmente, não deixaria de produz consequências para a segunda parte), para desviar as atenções para um pseudo-caso do jogo. O problema é que ao ter esta atitude, desculpabilizou o próprio Fucile da sua conduta anti-desportiva sistemática durante o jogo, simulando faltas, agressões, etc, e dando-se ao luxo até de piscadelas do olho para o banco portista depois duma destas atitudes.

Pois bem, alguns dias depois Fucile (ou Vítor Pereira?) é um dos principais responsáveis pela derrota na Rússia. Desta vez, porque já não tinha conveniência pessoal nisso, o treinador do Porto já não se solidarizou com o seu pupilo…

Mas antes ainda viu-se o FCP empatar em Aveiro com o Feirense num jogo em que o treinador do FCP empatando 0-0 retirou o único ponta de lança disponível no onze… para substituí-lo… mas não por outro ponta de lança… Percebo que face às oportunidades que o Feirense construiu o treinador tenha demonstrado este zelo defensivo…

Ora o Sr. Vítor Pereira têm-se, assim, destacado mais pelos infelizes comentários e discursos do que pelo trabalho realizado enquanto treinador do FCP. Desde o querer aproveitar a auto-imputação (ainda enquanto adjunto) do mérito dos resultados da era Villas-Boas ao enfatizar a suposta grande partilha de comunicação e de conhecimentos de que seria protagonista, até ao enveredar por insultos à personalidade e ao carácter de colegas de trabalho, ainda que adversários (com aleivosia de pseudo-demonstração de capacidade de avaliação psicológicas e de carácter) quando o que estava em discussão era apenas uma opinião sobre um facto de jogo, até à busca de colagem relativamente ao tipo de discurso dos seus antecessores, sem ter qualquer carisma semelhante… sugiro ao Sr. Vítor Pereira um arrepiar de caminho… (nas declarações e no trabalho efectivo realizado) sob pena de não ter hipóteses de continuar por muito tempo no cargo privilegiado que desfruta…

É que já dizia a excepcional personalidade literária castelhana Miguel Cervantes (que hoje comemoraria aniversário): assim como o mentiroso está condenado a não ser acreditado quando diz a verdade, é privilégio de quem goza de boa reputação ser acreditado mesmo quando mente.

Ora, o Sr. Vítor Pereira ainda não granjeou a boa reputação necessária para que possa dizer o que lhe bem apetece… e ser acreditado.

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As ondas que se encontram - Luís Miguel Nava

As ondas que se encontram
ainda agora em formação no espírito
dele já não vêm rebentar ao meu.

Por mim, não volto a vê-lo, encontros houve
com ele dos quais a alma ficou cheia de dedadas.

Já nem sequer dele quero ouvir falar,
saber que se ele
fosse uma cama estaria por fazer nada me traz
agora além de desconforto.
in Poemas, 1987

Luís Miguel de Oliveira Perry Nava (nasceu em Viseu, 29 de Setembro de 1957 — m. Bruxelas, 10 de Maio de 1995)

Os Pratos da Balança
O Último Reduto

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¿QUIÉN DEJARÁ, DEL VERDE PRADO UMBROSO - Miguel de Cervantes

¿Quién dejará, del verde prado umbroso,
las frescas yerbas y las frescas fuentes?
¿Quién, de seguir con pasos diligentes
la suelta liebre o jabalí cerdoso?

¿Quién, con el son amigo y sonoroso,
no detendrá las aves inocentes?
Quién, en las horas de la siesta, ardientes,
no buscará en las selvas el reposo,

por seguir los incendios, los temores,
los celos, iras, rabias, muertes, penas
del falso amor que tanto aflige al mundo?

Del campo son y han sido mis amores,
rosas son y jazmines mis cadenas,
libre nací, y en libertad me fundo.


Miguel de Cervantes Saavedra Alcalá de Henares, 29 de setembro de 1547 — Madrid, 22 de abril de 1616)

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2011-09-28

Dois Imposssíveis - Laurindo Rabelo

Jamais! Quando a razão e o sentimento
Disputam-se o domínio da vontade,
Se uma nobre altivez nos alimenta
Não perde de todo a liberdade.

A luta é forte: o coração sucumbe
Quase nas ânsias do lutar terrível;
A paixão o devora quase inteiro,
Devorá-lo de todo é impossível!

Jamais! a chama crepitante lastra,
Em curso impetuoso se propaga,
Lancem-lhe embora prantos sobre prantos,
É inútil, que o fogo não se apaga.

Mas chega um ponto em que lhe acena o ímpeto
Em que não queima já, mas martiriza,
Em que tristeza branda e não loucura
À razão se sujeita e harmoniza.

É nesse ponto de indizível tempo
Onde, por misterioso encantamento,
O sentir à razão vencer não pode,
Nem a razão vencer ao sentimento.

No fundo de noss'alma um espetáculo
Se levanta de triste majestade,
Se de um lado a razão seu facho acende
Do outro os lírios seus planta a saudade.

Melancólica paz domina o sítio,
Só da razão o facho bruxuleia
Quando por entre os lírios da saudade
Do zelo semimorto a serpe ondeia!

Dois limites então na atividade
Conhece o ser pensante, o ser sensível:
Um impossível - a razão escreve,
Escreve o sentimento outro impossível!

Amei-te! os meus extremos compensaste
Com tanta ingratidão, tanta dureza,
Que assim como adorar-te foi loucura,
Mais extremos te dar fora baixeza.

Minh'alma nos seus brios ofendida
De pronto a seus extremos pôs remate,
Que, mesmo apaixonada, uma alma nobre,
Desespera-se, morre, não se abate.

Pode queixar-se inteira felicidade
De teu olhar de fogo inextinguível,
Acabar minha crença, meu futuro,
Aviltar-me! jamais! É impossível!

Mas a razão que salva da baixeza
O coração depois de idolatrar-te,
Me anima a abandonar-te, a não querer-te,
Mas a esquecer-te, não: sempre hei de amar-te!

Porém amar-te desse amor latente,
Raio de luz celeste e sempre puro
Que tem no seu passado o seu presente,
E tem no seu presente o seu futuro.

Tão livre, tão despido de interesse,
Que para nunca abandonar seu posto,
Para nunca esquecer-te, nem precisa
Beber, te vendo, vida no teu rosto.

Que, desprezando altivo quantas graças
No teu semblante, no teu porte via
Adora respeitoso aquela imagem
Que delas copiou na fantasia.


Laurindo Rabelo (L. José da Silva R.), médico, professor e poeta, nasceu no Rio de Janeiro, RJ, em 8 de julho de 1826, e faleceu na mesma cidade, em 28 de setembro de 1864).

Ler do mesmo autor, neste blog:
A Minha Resolução
Angústia

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Carta dum contratado - António Jacinto

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que dissesse
deste anseio
de te ver
deste receio
de te perder
deste mais que bem querer que sinto
deste mal indefinido que me persegue
desta saudade a que vivo todo entregue...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta de confidências íntimas,
uma carta de lembranças de ti,
de ti
dos teus lábios vermelhos como tacula
dos teus cabelos negros como dilôa
dos teus olhos doces como macongue
dos teus seios duros como maboque
do teu andar de onça
e dos teus carinhos
que maiores não encontrei por aí...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que recordasse nossos dias na capôpa
nossas noites perdidas no capim
que recordasse a sombra que nos caía dos jambos
o luar que se coava das palmeiras sem fim
que recordasse a loucura
da nossa paixão
e a amargura da nossa separação...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
que a não lesses sem suspirar
que a escondesses de papai Bombo
que a sonegasses a mamãe Kiesa
que a relesses sem a frieza
do esquecimento
uma carta que em todo o Kilombo
outra a ela não tivesse merecimento...

Eu queria escrever-te uma carta
amor,
uma carta que ta levasse o vento que passa
uma carta que os cajus e cafeeiros
que as hienas e palancas
que os jacarés e bagres
pudessem entender
para que se o vento a perdesse no caminho
os bichos e plantas
compadecidos de nosso pungente sofrer
de canto em canto
de lamento em lamento
de farfalhar em farfalhar
te levassem puras e quentes
as palavras ardentes
as palavras magoadas da minha carta
que eu queria escrever-te amor...

Eu queria escrever-te uma carta...

Mas, ah, meu amor, eu não sei compreender
por que é, por que é, por que é, meu bem
que tu não sabes ler
e eu - Oh! Desespero - não sei escrever também!


António Jacinto do Amaral Martins, nasceu no Golungo Alto, Cuanza Norte, Angola, aos 28 de setembro de 1924 e faleceu em Lisboa a 21 de Junho e 1991

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2011-09-27

Benfica vence na Roménia com golo solitário de Bruno César

Benfica logo

Otelul Galati

0-1

SL Benfica

Muito domínio... mas houve susto final

O Benfica voltou aos triunfos na Champions League. Depois da abertura com um empate em casa frente ao Manchester United (que o resultado de hoje do Basileia em Manchester, a empatar por 3-3 depois de ter virado de 0-2 para 3-2, parece mostrar que foi sobrevalorizado) esta deslocação à Roménia encerrava alguns perigos porque qualquer resultado que não fosse a vitória colocaria os encarnados em situação de handicap.

Jesus apresentou no onze inicial a equipa que terminou frente ao Porto com Saviola e Bruno César em vez de Aimar e Nolito. O Benfica começou o jogo a dominar com os romenos no meio-campo defensivo e durante muito tempo nas imediações da área defensiva. No entanto o número de oportunidades foi reduzido. Um remate de Witsel (12') desviado por um defesa quando a bola se encaminhava para a baliza, na sequência de um pontapé de canto, foi a maior havendo a registar ainda mais dois ou três lances de relativo perigo (nomeadamente um remate forte de Bruno César que saiu ligeiramente ao lado) durante uma primeira parte em que os encarnados tiveram sete pontapés de canto e Artur foi um espectador.

Aos 40' o Benfica finalmente marcou numa jogada de Gaitán pela direita que contemporizou para a desmarcação de Bruno César num movimento da esquerda para o meio, receber a bola de pé esquerdo e na cara do guarda-redes finalizou com o pé direito.

No recomeço do jogo, após o intervalo, o treinador do Otalul, Munteanu, meteu o arvançado argentino Viglianti, substituindo o centro campista nigeriano Ibeh, parecendo denotar maior capacidade ofensiva, mas os encarnados continuaram dominadores com posse de bola. Porém a equipa encarnada durante esta segunda parte mostrou-se muito cautelosa preferindo a troca de bola mais do que a criação de verdadeiras jogadas de ataque. A meio da segunda parte Saviola deu o lugar a Nolito, que destas vez, não se notabilizou. Rodrigo foi opção de Jesus para o lugar de Gaitán, mas o intuito do Benfica era já só conservador entrando Ruben Amorim a cerca de dez minutos do final (saiu Bruno César) para preenchimento do meio-campo defensivo. A equipa local com o aproximar do final do jogo e o resultado em aberto acreditou que podia empatar, o que, aliás, esteve perto de acontecer não fosse uma defesa de Artur a remate de Punosevac de fora da área na segunda leva de um pontapé de canto, após Witsel ter cortado de cabeça. A recarga ainda surgiu a sair a rasar o poste e, assim, o Benfica teve uma vitória justa mas que, por culpa própria, podia ter sido mais esclarecida. Já em tempos de desconto Rodrigo numa iniciativa individual fez um remate perigoso , de longe, mas o remate saiu ao lado.

A arbitragem comandada pelo espanhol, debutante em jogos da Liga dos Campeões, David Borbalán esteve em bom plano mas só na parte final exibiu o cartão amarelo, quando ainda na primeira parte a quantidade de faltas, em particular sobre Gaitán, poderia ter justificado a sua exibição antecipada.

Na terceira ronda o Benfica joga no dia 18 de Outubro em Basileia e, dada a surpresa do empate dos suiços em Manchester, precisa de não perder (admitindo que os ingleses não facilitarão mais e vencerão na Roménia), para depois ter vantagem na recepção ao seu adversário directo.

UEFA Champions League, Group stage (Group C), 27 September 2011, 20:45 CET
National Arena, Bucharest
Àrbitro: David Fernández Borbalán (Esp)

OTELUL GALATI: Grahovac, Skubic, Perendija, Costin, Ljubinkovic, Filip, Giurgiu, Ibeh (Viglianti int.), Antal, Laurentiu Bus (Frunză 65'), Pena (Punoševac 69').

BENFICA: Artur Moraes, Maxi Pereira, Luisão, Garay, Emerson, Javi García, Witsel, Bruno César, Gaitán, Saviola e Cardozo.

Golos: Bruno César 40'
Disciplina: 86' Cartão amarelo para Punoševac (Oţelul Galaţi) por protestar depois de ter feito falta sobre Javi Garcia
88' Cartão amarelo para Costin (Oţelul Galaţi)







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Uefa Champions League - Matchday 2: Internazionale and Benfica have won outside








Group Stage: Matchday 2; 27 September 2011 Results
Group A

Group B
Bayern M.
2-0
Man. City

CSKA Moskva
2-3Internazionale
Napoli
2-0
Villarreal

Trabzonspor
1-1Lille
Group C

Group D
Otelul
0-1Benfica
Real Madrid
3-0Ajax
Man. United
3-3
Basel
O. Lyonnais
2-0
Dinamo Zagreb

Big surprise in Old Trafford. The local team reached two goals of advantage, both scored by Welbeck (16' and 17') but Sir Ferguson's arrogance, leaving several of the best players out, almost cost the defeat. After goals by F. Frey (58') and A. Frey (scored two at 60' and 76' from penalty kick) the English team saved one point with the goal at minute 90 by Young. In this group Benfica have won in Bucuresti, Romania against Otelul Galati with a single goal by Bruno César and now there are three teams fighting for the qualification.

In the groups A and D the local teams have won the matches with Bayern (group A) and Real Madrid (group D) confirming their favouritism. It looks Napoli and Man. City disputes the second place (group A) and Ol. Lyonnais and Ajax will do the same in Group D.

In Group C Internazionale won in Moskva (3-2) and balanced the defeat of the first Matchday against Trabzonspor that today have need to recover of one goal against Olympic Lyonnais. Saw (30') gave advantage to French but, throught penalty kick, Colman equalized.

Standings
Group A

Group B
Bayern2
64-0
Trabzonspor2
4
2-1
Napoli2
43-1
Internazionale
233-3
Man. City
2
11-3
Lille
22
3-3
Villarreal
2
00-4
CSKA Moskva
2
14-5
Group C
Group D
Basel
245-4
Real Madrid
2
6
4-0
Benfica
2
4
2-1
Ol. Lyonnais
2
42-0
Man. United
2
2
4-4
Ajax
2
10-3
Otelul Galati
2
0
1-3
Dinamo Zagreb
2
00-3

Tomorrow - 28 September 2011
Group E
Group F
Valencia
20:45Chelsea

Arsenal
20:45Olympiacos
Leverkusen20:45Genk
Marseille20:45B. Dortmund
Group G
Group H
Zenit
18:00FC Porto
Bate Borisov
20:45
Barcelona
Shakhtar
20:45Apoel
Milan
20:45ViktoriaPlzen


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A Vida - Rodrigues de Abreu

A longa espera...
A chegada...
A partida...
Eis toda a minha primavera,
toda a felicidade sonhada,
toda a tristeza... A Vida!

Uma tarde (e como canta a saudade daquela
tarde fecunda, tarde solene de verão!),
nos céus distantes cada uma
das duas palavras de amor acordava uma estrela,
enquanto em minha alma, num voo de pluma,
criava a tortura de nova Ilusão...

Agora esta vida é uma noite sombria
de um vento soturno de desolação!
Para onde levaste as estrelas que estavam na noite brilhando?

Sem tuas palavras a noite está fria, minha alma está fria!


Benedito Luís RODRIGUES DE ABREU nasceu em Capivari (SP) a 27 de Setembro de 1897 e morreu em Bauru (SP) a 24 de Novembro de 1927).

Ler do mesmo autor, neste blog:
Ao Luar
Suprema Glória
Crianças
As Andorinhas

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Jangada - Juvenal Galeano

Tibau (Rio Grande do Norte), Brasil. Jangada.

Little ship know as jangada. Tibau (Rio Grande do Norte), Brazil;

Autor: copyright © 2005 Patrick.




Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?
Tu queres vento de terra,
Ou queres vento do mar?
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

Aqui no meio das ondas,
Das verdes ondas do mar,
És como que pensativa,
Duvidosa a bordejar!
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

Saudades tens lá das praias,
Queres n'areia encalhar?
Ou no meio do oceano
Apraz-te as ondas sulcar?
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

Sobre as vagas, como a garça,
Gosto de ver-te adejar,
Ou qual donzela no prado
Resvalando a meditar:
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

Se a fresca brisa da tarde
A vela vem te oscular,
Estremeces como a noiva
Se vem-lhe o noivo beijar:
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

Quer sossegada na praia,
Quer nos abismos do mar,
Tu és, ó minha jangada,
A virgem do meu sonhar:
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

Sé à liberdade suspiro,
Vens liberdade me dar;
Se fome tenho - ligeira
Me trazes para pescar!
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

A tua vela branquinha
Acabo de borrifar;
Já peixe tenho de sobra,
Vamos à terra aproar:
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

Ai, vamos, que as verdes ondas,
Fagueiras a te embalar,
São falsas nestas alturas
Quais lá na beira do mar:
Minha jangada de vela,
Que vento queres levar?

Juvenal Galeno da Costa e Silva nasceu em Fortaleza, a 27 de setembro de 1836, e faleceu em 7 de março de 1931
(biografia aqui)

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2011-09-26

As palavras se movem, a música se move - T. S. Eliot

As palavras se movem, a música se move
Apenas no tempo; mas só o que vive
Pode morrer. As palavras, após a fala, alcançam
o silêncio. Apenas pelo modelo, pela forma,
As palavras ou a música podem alcançar
O repouso, como um vaso chinês que ainda se move
Perpetuamente em seu repouso.
Não o repouso do violino, enquanto a nota perdura,
Não apenas isto, mas a coexistência,
Ou seja, que o fim precede o princípio,
E que o fim e o princípio sempre estiveram lá
Antes do princípio e depois do fim.
E tudo é sempre agora. As palavras se distendem,
estalam e muita vez se quebram, sob a carga,
Sob a tensão, tropeçam, escorregam, perecem,
Apodrecem com a imprecisão, não querem manter-se no lugar,
Não querem ficar quietas. Vozes estridentes,
Irritadas, zombeteiras, ou apenas tagarelas,
Sem cessar as acuam. A Palavra no deserto
É mais atacada pelas vozes da tentação,
A sombra soluçante da funérea dança,
O clamoroso lamento da quimera inconsolada.


Tradução de Ivan Junqueira

Original

Words move, music moves
Only in time; but that which is only living
Can only die. Words, after speech, reach
Into the silence. Only by the form, the pattern,
Can words or music reach
The stillness, as a Chinese jar still
Moves perpetually in its stillness.
Not the stillness of the violin, while the note lasts,
Not that only, but the co-existence,
Or say that the end precedes the beginning,
And the end and the beginning were always there
Before the beginning and after the end.
And all is always now. Words strain,
Crack and sometimes break, under the burden,
Under the tension, slip, slide, perish,
Decay with imprecision, will not stay in place,
Will not stay still. Shrieking voices
Scolding, mocking, or merely chattering,
Always assail them. The Word in the desert
Is most attacked by voices of temptation,
The crying shadow in the funeral dance,
The loud lament of the disconsolate chimera.


Thomas Stearns "T. S." Eliot (b. September 26, 1888 St. Louis, Missouri, – d. January 4, 1965, London, England)

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A chave - Alice Spíndola

No meio da noite, configura
a fragrância das palavras mágicas
Na chave da noite, a ternura,
pluma que verte enigmas

Nas mãos do tempo,
o arado que rasga os mistérios
do sentimento que define
O homem da meia noite,

em seu caminho de volta
que faz

ao adentrar a meia lua
das unhas dos enigmas.
A mão da noite destrava a chave
da fragrância das palavras mágicas


Alice Spíndola nasceu em Nova Ponte (MG), em 26 de setembro de 1940

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2011-09-24

Quotation of the day / Citação do dia - Scott Fitzgerald

The test of a first-rate intelligence is the ability to hold two opposed ideas in mind at the same time and still retain the ability to function.

A marca de uma inteligência de primeira ordem é a capacidade de ter duas ideias opostas presentes no espírito ao mesmo tempo e nem por isso deixar de funcionar.

Francis Scott Fitzgerald (24 de setembro de 1896, Saint Paul, Minnesota - 21 de dezembro de 1940, Hollywood)

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2011-09-23

Benfica empata no Dragão depois de ter estado a perder por duas vezes

FC Porto logoBenfica logo

FC Porto

2-2

Benfica


O primeiro grande clássico do Campeonato 2011/2012 disputou-se no Estádio do Dragão com as duas equipas portuguesas participantes da Champions League a disputarem a liderança na classificação doméstica.

Na primeira parte o Porto superiorizou-se aos visitantes demonstrando uma postura ofensiva em que Hulk sobressaiu e em que Artur com duas grandes intervenções (defesa de um remate de longe de Hulk aos 10' e uma outra praticamente impossível quando Fucile teve tudo para marcar à boca da baliza) atrasou o avanço no marcador dos portistas. A equipa encarnada só por uma vez incomodou a defesa do Porto e logo aos 2' quando Cardozo chegou atrasado para o desvio de um cruzamento da direita. De resto os encarnados ficaram na defesa e mesmo quando recuperavam a bola não conseguiam sair a jogar demonstrando inabilidade e falta de velocidade nas desmarcações face a uma pressão alta e intensa feita pela equipa da casa.

A quantidade de faltas favoráveis ao Porto foi bastante desnivelada e foi assim, sem surpresa, que o Porto foi para o intervalo a vencer após Kléber (37') ter desviado, de cabeça, um livre de Guarín marcado do lado esquerdo do ataque portista.

As dificuldades para o árbitro adensaram-se a partir daí. Aos 40' mostraria o amarelo a Javi Garcia e a Luisão (este por protestos) depois de ter sido assinalada uma falta do espanhol sobre Guarín que não pareceu existir.

Ainda antes do intervalo um corte de carrinho de Fucile em jogada de Cardozo motivou a embrulhada das pernas de ambos os jogadores no chão com aparente gesto de Cardozo que lhe poderia ter custado mais caro preferindo Jorge Sousa distribuir o cartão amarelo por ambos os intervenientes na jogada.

Para a segunda parte o Benfica teria de apresentar uma outra postura e iniciativa se não quisesse perder o jogo sem chama e sem glória. E foi sem precisar de muito tempo de jogo que isso ocorreu. Desta vez foi a equipa visitante que recuperou uma bola em zona avançada por Aimar e demais Nolito fez uma assistência perfeita para Cardozo marcar por baixo do corpo de Helton que ainda tentou a mancha. O jogo pareceria lançado para uma melhor qualidade e para ser disputado por ambas as equipas quando durante a primeira parte só os locais demonstraram apetência e objectivos traçados para ganhar.

A verdade é que o empate durou apenas dois ou três minutos. Numa jogada em que o Benfica tinha a sua defesa estabelecida - pontapé de canto marcado de forma curta - o Porto retomaria avanço no marcado quando Varela centrou da direita pelo meio das pernas de Emerson e Otamendi foi mais diligente que os defesas mais ou menos estáticos (Garai, ai, ai...) e desviou para o fundo da baliza.

Com muitas picardias entre os jogadores (Maxi e Hulk encostaram as cabeças entre si por duas vezes na mesma jogada...) o jogo foi-se desenvolvendo até à altura das substituições decisivas. Jesus fez entrar Saviola e Bruno César (69') saindo Aimar e Nolito (menos interventivos do que nos últimos jogos mas ainda assim decisivos no primeiro golo encarnado) enquanto no Porto, que à medida que o jogo avançava demonstrava menos frescura física no meio-campo, Guarín deu lugar a Belluschi (77') quando, porventura, se imporia a presença mais física e destruidora de Defour. Seguiu-se a saída de Kléber entrando Cristian Rodriguez. Foi um sinal perigoso para defender a vantagem sem terem entrado jogadores com características defensivas!

Saviola enfiaria a bola dentro da baliza de Helton mas num lance claramente irregular, por fora de jogo. Porém, o jogador argentino, que esta época tem tido menos evidência na equipa, entrou bem no jogo com a sua capacidade técnica e de costas faria um passe fabuloso de ruptura para a desmarcação de Gaitán que teve um remate de primeira com o pé esquerdo fazendo a bola entrar com violência na baliza tocando ainda na parte interior da barra e restabelecendo o empate aos 82'.

Os últimos minutos voltaram a demonstrar que no guião do jogo o Porto é que traçara o objectivo mais ambicioso e Vítor Pereira que até empatado com o Feirense 0-0 deixara Walter no banco, desta vez, em desespero de causa e prevenindo-se de críticas meteu o ponta de lança numa tentativa de voltar pela terceira vez à vantagem no jogo; então já não havia força e tempo para nada a não ser para entrar Matic (substituindo Cardozo) e para mais cartões amarelos, dos muitos que o jogo teve, para Bruno César e para João Moutinho este num lance em que teve de parar em falta uma saída do Benfica para o ataque.

O resultado tem de se considerar aceitável uma vez que em golos, mas também em oportunidades de golo não concretizadas (Cardozo também exigira uma defesa de grande nível a Helton contrapondo às duas grandes oportunidades do Porto na primeira parte) as equipas se nivelaram ainda que tenha ficado vantagens intercaladas das equipas em termos de domínio: com clareza do Porto na primeira parte, do Benfica na segunda parte.

A arbitragem não foi - não podia ser com os jogadores a complicarem - boa. Muitos cartões amarelos exibidos. O Porto no final (Fucile, Hulk e o próprio treinador) reclamavam que Cardozo deveria ter sido expulso no lance com Fucile. Foi o caso do jogo... porque não existiram penalties, foras de jogo polémicos, etc.

FC PORTO: Helton, Otamendi, Alvaro Pereira, Fucile, Rolando, Freddy Guarín (Belluschi 77'), Fernando, João Moutinho, Kléber (Cristian Rodriguez 80'), Hulk, Varela (Walter 86').

BENFICA: Artur Moraes, Emerson, Garay, Maxi Pereira, Luisão, Witsel, Nolito (Bruno César 69'), Gaitán, Aimar (Saviola 69'), Javi García, Cardozo (Matic 89')

Golos: 1-0 Kléber 37'; 1-1 Cardozo 47', 2-1 Otamendi 50'; 2-2 Gaitán 82'

Disciplina: 9'Cartão Amarelo para Otamendi (FC Porto).
40'Cartão Amarelo para Javi García (Benfica),por suposta falta sobre Guarín e para Luisão (Benfica), por protestos.
57' Cartão Amarelo para Alvaro Pereira (FC Porto).
78' Cartão Amarelo para Kléber (FC Porto) por falta sobre Artur.
78' Cartão Amarelo para Fernando (FC Porto).
89' Cartão Amarelo para Bruno César (Benfica).
90' Cartão Amarelo para João Moutinho (FC Porto) por impedir um contra-ataque.

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Poema 18: Aqui te amo... - Pablo Neruda

Aqui te amo.
Nos sombrios pinheiros desenreda-se o vento.
A lua fosforesce sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.

Desperta-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata desprende-se do ocaso.
Às vezes uma vela. Altas, altas estrelas.
Ou a cruz negra de um barco.
Sozinho.

Às vezes amanheço e minha alma está húmida.
Soa, ressoa o mar ao longe.
Este é um porto.
Aqui te amo.

Aqui te amo e em vão te oculta o horizonte.
Eu continuo a amar-te entre estas frias coisas.
Às vezes vão meus beijos nesses navios graves
que correm pelo mar rumo a onde não chegam
Já me vejo esquecido como estas velhas âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
A minha vida cansa-se inutilmente faminta.
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.
O meu tédio forceja com os lentos crepúsculos.
Mas a noite aparece e começa a cantar-me.
A lua faz girar a sua rodagem de sonho.

Olha-me com os teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento
querem cantar o teu nome com as folhas de arame.

in Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada, Tradução de Fernando Assis Pacheco, Dom Quixote
Pablo Neruda [Ricardo Eliecer Neftalí Reyes Basoalto] (n. 12 Jul 1904, Parral, Chile; m. 23 Set 1973 em Santiago, Chile)

Mais poemas de Pablo Neruda:
Para que tu me ouças
A Noite na Ilha
Unidade
Uma Canção Desesperada
La Canción Desesperada
Tonight I Can Write Saddest Lines
If You Forget Me
Puedo Escribir los versos mas tristes esta noche
Poema LXVI : Não te quero senão porque te quero
Poema 15: Me gustas cuando callas...
Poema 15: (em português) Gosto de ti calada...
Para Meu Coração Basta Teu Peito
Para Mi Corazon Basta Tu Pecho
Tua Risa / Teu Riso / Your Laughter
Corpo de Mujer
Canto XII From Heights of Macchu Picchu

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Do Primeiro Regresso - Augusto Casimiro

Escuta meu Amor, quando eu voltar
De tão longe, e avistar de novo o Tejo,
O meu Restelo que em saudades vejo
Como outra Índia a conquistar

Quando a minha alma inquirida sossegar
Este voo indomável, num adejo,
E o amor e o céu e Deus, vivos num beijo,
Iluminarem todo o nosso lar:

Quando, meu Santo Amor, voltar o dia
Do primeiro regresso, e a aleluia
Madrugar tua alma anoitecida...

Hás-de embalar-me sobre o teu regaço
Arrolar, encantar o meu cansaço...
E então será o meu regresso à Vida!


in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, selecção, organização introdução e notas de Jorge Reis-Sá, prefácio de Vasco da Graça Moura. Porto Editora.

Augusto Casimiro dos Santos (n. em Amarante a 11 Maio de 1889; m. em Lisboa a 23 Set. 1967)

Ler do mesmo autor, neste blog:
I A Hora da Prece
O Poeta e a Nau
Sangue de Inês
Velando
Joconda

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Manhã em Petrópolis - José Maria do Amaral

Que dourada manhã, que luz mimosa
Enverniza dos campos a verdura!
Que aura cheirosa e cheia de brandura!
Será, quem sabe, o respirar da rosa?

Doura-se em luz a serra majestosa,
Das flores leva a Deus a essência pura;
Dos pássaros nos sons com que doçura,
Canta a floresta antífona maviosa!

D’alma em ternura a ti sobem louvores,
Bendito Criador da natureza!
Quem vê sem te adorar tantos primores?

Que humano rosto em si tem tal beleza?
De qual beleza nascem mais amores?
E quais amores têm tanta grandeza?


José Maria do Amaral Filho (nasceu no Rio de Janeiro a 14 de Março de 1812 — faleceu em Niterói a 23 de Set. de 1885)

Ler do mesmo autor neste blog: Tristezas de Minha Alma Tão Sentidas

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2011-09-22

Paissy - Ivan Vazov

"O reckless and foolish one! Wherefore art
thou ashamed to call thyself Bulgarian?...
Or did not the Bulgars possess a kingdom and
state? Be thou not deluded, Bulgarian, but
know thine own origin and tongue..."
Paissy (1762)


A hundred and twenty years back... Deep shadow!
There, where the Mount of Athos narrows,
A refuge hidden from worldly deceit,
For prayer and rest a placid retreat,
Where only is heard the Aegean roaring,
The whispering gorse and the seabird soaring,
Or the solemn tolling of a vesper bell,
In a humbly furnished, slumbering sell
That a spluttering lamp was dimly lighting,
An obscure, pale-faced monk was writing.

What was he penning there, pensive, alone?
The Life of a saint, or a sacred tome
Commenced long ago, then long forsaken,
Again at this midnight hour undertaken?
Was he recording there tokens divine,
Or composing a eulogy, fair and fine,
To a miracle-worker in wonders abounding
Of Egypt, Greece, or the Holy Mountain?
Why was he taxing body and brain?
Was he a philosopher? Was he insane?
Was this the imbecile imposition
Of an abbot of rigorous disposition?
At last he relaxed and said: "That is the end:
A new life chronicle I have penned."
With glances of tenderest rapture he greeted
His labour of many long years, now completed,
The fruit of his vigil, his will-power's child,
Which half of his span upon earth had beguiled -
A glorious Life! While it was begotten,
All else, even Heaven, he had forgotten!
Never did mother so tenderly gaze
On her first-born son, nor hero raise
Fond eyes to the prize of his desiring!
Like a Bible prophet in ancient style,
Or the hermit severe of Patmos isle,
Who boldly unfolded the secret of darkness
And God's own will on the roll of parchment,
Pale and elated, a glance he hurled
To darkest chaos, to the starry world,
To the gleaming Aegean that softly slumbered,
And, raising the pages aloft, he thundered:
"Henceforth Bulgarians near and far
A history possess and a nation are!"

Let them discover from these my writings
That once they were great and again shall be mighty,
From glorious Budin to Athos Mount
Our law was esteemed of great account.
May all our brothers read here and remember
That Greeks are perfidious people and clever,
That we have repulsed them – and more than once -
That's why they can's stomach the likes of us;
That we, too, had kingdoms and capital cities,
And native-born patriarchs, saintly figures;
We, too, in this world have performed a good deed,
Given all Slav peoples the books they read;
When other folk shout: "You Bulgarian!" wildly,
Let brothers know this is a name to take pride in.
And know that great God, to whom praises are sing,
He, too, understands our Bulgarian tongue;
And shameful it is when a person goes running
To join with the Hellenes, his kith and kin shunning,
Spurning his God-given native speech
And his very own name, like a senseless beast.
Woe to you, fools, who like sheep are erring,
The poisonous potion of Greeks preferring,
Who fell of your very own brothers ashamed
And Hellene corruption greedily acclaim,
Who sinfully scoff at the bones of your fathers
And mock all our ways, as too simple and artless:
It's not your own kin, though, who sully your name,
You fools, it is you are the cause of their shame!

Read and discover upon these pages
The deeds of your forebears in long-gone ages:
How bravely with many a kingdom they fought,
And powerful kings to them tribute brought,
And the Bulgar state led a great existence;
How Boris the saint in Preslav was christened,
How churches there sprang up at Assen's will,
How the Tsar sent gifts; about Samuil,
Who lost his own soul in the depths of Hades,
Conquered Durazzo and Greece invaded;
Read here and know of Tsar Shishman as well
And how into bondage our kingdom fell;
And of Ivan Rilski, whose sacred relics
Show still their miracle-working merits;
Read how great Kroum beat Nicephorus, lined
His skull with silver and drank from in wine,
How Simeon drove out the Magyar raiders
And had from Byzantium humble obeisance.
A scholar was he, a philosopher wise,
His own native language he did not despise
And when there was no one for subjugation
He sat and wrote books as his relaxation.
Here read and now study what I have set down,
In many a legend and chronicle found,
Read, brothers, so men do not mock and ignore you,
Nor foreigners give themselves airs before you...
This book now receive! It is my bequest,
So may it be copied, made manifest,
And scattered through lowland and valley, go speeding
Wherever Bulgarians are dying, bleeding.
Find here revelation, the grace of God's truth,
To young – gift of wisdom, to old – gift of youth!
Whoever shall read it, shall never repent it,
Who masters it, he shall have knowledge in plenty."

Thus spake the man in the anchorite cell,
Who gazed at the past and the future as well,
Who, many a service and sacrament skipping,
Had never relinquished the pen he was gripping
And many a canon and fast had not kept,
But toiled without cease and at rest never slept.

Thus spake, a hundred and twenty years before us,
This hermit of Athos, in God's view not flawless,
Who secretly kindled, when all ways lay dark,
In people's awareness the very first spark.

Plovdiv, 1882
Translated by Peter Tempest

Ivan Minchov Vazov (Bulgarian: Иван Минчов Вазов) (June 27, 1850 or July 9, 1950* - Sofia, September 22, 1921)
*The exact date is disputed

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Happy Birthday Fernanda Tavares


Fernanda Tavares

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2011-09-21

Musical suggestion of the day: If it be your will - Leonard Cohen

If it be your will
That I speak no more
And my voice be still
As it was before
I will speak no more
I shall abide until
I am spoken for
If it be your will

If it be your will
That a voice be true
From this broken hill
I will sing to you
From this broken hill
All your praises they shall ring
If it be your will
To let me sing

If it be your will
If there is a choice
Let the rivers fill
Let the hills rejoice
Let your mercy spill
On all these burning hearts in hell
If it be your will
To make us well

And draw us near
And bind us tight
All your children here
In their rags of light
In our rags of light
All dressed to kill
And end this night
If it be your will

If it be your will



If it be your will - Leonard Cohen

Leonard Norman Cohen born on 21 September 1934 in Montreal, Quebec, Canada

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MEA CULPA - Paulo Gomide

Tive o que quis. Quis demais.
Perdi-me no meu desejo.
Já não ouço mais o harpejo
de cantos angelicais.

Não soube viver. O tédio
da vida me possuiu.
Não encontro mais remédio
para o bem que me fugiu.

Para o mal que me ficou
guardo o mais pobre consolo:
Sei que fui eu mesmo o tolo
que fez de mim o que sou.


Paulo Rocha Gomide nasceu em São Paulo a 25 de fevereiro de 1912, falecendo no Rio de Janeiro em 21 de setembro de 1982.

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2011-09-20

Poema - Alberto de Lacerda

Por que pairas?
Por que insistes?
Por que pairas se deixaste
que te prendessem terrenas
falsas tranquilidades?
Por que negaste o que eras -
nuvem íntegra, real,
sobre as mentiras do mundo?
Às vezes cantas em tudo.
Mas é tão triste e tão tarde.
Meu amor, porque vieste?
Nunca tivera sabido
como se nasce e se morre
de repente ao mesmo tempo
para sempre, ó arrastada
humana deusa frustrada
água irmã da minha sede
luz de toda a claridade
que só em ti neste mundo
para mim era verdade.


in 366 poemas que falam de amor, uma antologia organizada por Vasco Graça Moura, Quetzal Editores

Carlos Alberto Portugal Correia de Lacerda, nasceu em 20 de setembro de 1928 em Lourenço Marques (actual Maputo), Moçambique e faleceu em 26 de agosto de 2007 em Londres.

Do mesmo autor ler, neste blog:
A Língua Portuguesa
Vento
To Night
Copo de Água
Hino ao Tejo

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2011-09-19

William Golding Centenary, Nobel Prize in Literature 1983

Mr. Pope walked in the park-
Trim rows of flowers
Embroider’d the well-ordered dark
Where marched the marshalled hours.
The trees stood silent, two by two
Pagodas lifted up their heads
From neatly weeded laurel-groves
And well-spaced flower-beds.
Then down a quiet gravel path-
For Mr. Pope eschewed the sod-
The gentleman pursued his way
To raise his hat to Mr. God.
“Dear sir,” he said, “I must confess
This is a chastely ordered land,
But one thing mars its loveliness,
The stars are rather out of hand”-
“If they would dance a minuet
Instead of roaming wild and free
Or stand in rows all trim and neat
How exquisite the sky would be!”

Sir William Gerald Golding (Cornwall, Inglaterra, 19 de Setembro de 1911 – Perranarworthal, Cornwall, 19 de Junho de 1993) foi um novelista e poeta inglês.

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2011-09-18

Benfica iguala Porto no comando antes de se defrontarem no Dragão na próxima sexta-feira

Académica logoBenfica logo
Benfica

4-1

Académica


Melhor resultado do que a exibição

O Benfica ganhou pela primeira vez por três golos de avanço neste campeonato e igualou o Porto no comando da classificação, uma vez que a equipa portista empatou em Aveiro frente ao Feirense. A este duo pode-se juntar amanhã o Braga caso vença o derby minhoto que se disputa em Guimarães.

Depois da grande noite europeia da 4ª. feira passada num jogo de grande categoria o jogo de hoje sendo de outra realidade reflectiu também algumas consequências das exigências do jogo europeu. Jesus fez descansar Javi Garcia (entrou Matic), Aimar e Gaitán (estiveram no banco entrando para os últimos cerca de vinte minutos). Rúben Amorim que jogou no jogo da Champions face às exigências do adversário também não participou no jogo de hoje. No lado esquerdo do meio campo a opção foi Bruno César (fez um golo, o primeiro do jogo) e na direita foi Nolito (fez dois golos e porventura merece o epíteto de MVP do jogo. Saviola voltou para fazer parceria na frente com Cardozo, mas se na primeira parte apareceu a fazer boas assistências, assim surgiu o primeiro golo, não definiu bem certos lances. Com o resultado em 1-0 esteve numa jogada de vantagem de dois para zero e em vez de ter feito o passe para o companheiro marcar com a baliza deserta levou o lance individual pela direita até ao fim desperdiçando a oportunidade de resolver o jogo ainda numa fase bastante madrugadora do jogo. Na segunda parte baixou de rendimento e viria a dar lugar a Gaitán.

O Benfica comandou o jogo mas a equipa de Coimbra chegou ao empate a cinco minutos do final da primeira parte com um golo de Danilo com Artur a tocar na bola mas a não desviá-la o suficiente para impedir que entrasse na baliza. Este golo não fez a mossa esperada porque um minuto volvido numa jogada individual típica de Nolito no fura-fura pelo meio dos adversários acabou por repôr a vantagem no marcador para o Benfica.

Na segunda parte o jogo foi um pouco atípico e aquém do nível exigido. A Académica subiu a sua linha defensiva e então a aglomeração de jogadores numa faixa estreita ao redor da linha de meio-campo tornou o jogo pouco fluído. O Benfica não conseguiu acertar o timing e a desmarcação certa (tal só viria a ocorrer já no minuto 90 com o lançamento da Aimar para Nolito a resultar no quarto golo) e os foras de jogo sucederam-se (alguns erradamente assinalados pelo assistente).

A cerca de dez minutos do final o jogo ficou decidido numa falha de Peiser que não desfez um cruzamento da esquerda do ataque encarnado aparecendo Aimar, de cabeça! a aumentar o score para 3-1 que foi ampliado em cima do minuto 90 por Nolito.

À entrada de Rui Miguel na Académica, em busca do 2-2, contrapôs Jesus com a entrada de Aimar e Gaitán e o primeiro haveria de ter papel decisivo no avolumar do resultado que no final do jogo tem uma expressão pesada face à exibição das equipas.

Vasco Santos e auxiliares(?)já demonstraram não ter jeito para estas coisas da arbitragem. Aos 6' o assistente (o tal que falhou em alguns foras de jogo na segunda parte) deu sinal que Bruno César cortara uma bola com o braço. Vasco Santos mostrou o amarelo ao jogador da casa mas marcou a falta fora da área quando afinal Bruno César estava dentro da área defensiva pelo que deveria ter sido penalty. Também penalty mas neste caso a favor dos encarnados ocorreu a meio da primeira parte num remate de Bruno César desviado com o cotovelo de um defesa, mas que o árbitro também deixou passar. Assistimos ainda a uma agressão com o cotovelo a Saviola,, durante a primeira parte que passou impune. E num lance de agarrões consecutivos e veementes a Nolito ficou o amarelo por mostra ao jogador da Académica que foi transformado num amarelo para o jogador espanhol por ter pedido esse amarelo que as regras impunham. Enfim...

Triunfo que só se consolidou aos 82' (no ano passado o resultado era de 1-1 e nos descontos a equipa de Coimbra saiu vencedora na estreia do campeonato) numa exibição q.b. que deu para rodar alguns jogadores e que serviu para Rodrigo se estrear (aos 85' substituiu Cardozo).

Nas próxima sexta-feira o primeiro grande clássico da época. No Dragão temos um FC Porto - Benfica, antes da segunda ronda europeia da próxima semana.

Estádio da Luz 5ª Jornada
Cerca de 32 mil espectadores
Árbitro: Vasco Santos (Porto)
BENFICA: Artur Moraes, Maxi Pereira, Luisão, Garay, Emerson, Matic, Witsel, Bruno César (Aimar 71'), Nolito, Saviola (Gaitán 71'), Cardozo (Rodrigo 85')

ACADÉMICA: Peiser, Cédric, Real, Abdoulaye, Nivaldo, Pape Sow (Marinho 75'), Adrien Silva, Danilo (Júlio César 88'), Sissoko, Éder, Diogo Valente (Rui Miguel 66')

Golos: 1-0 Bruno César, 1-1 Danilo 40'; 2-1 Nolito 42'; 3-1 Aimar 82'; 4-1 Nolito 90'
Disciplina: 6'Cartão Amarelo para Pape Sow (Académica).
9'Cartão Amarelo para Bruno César (Benfica).
64' Cartão Amarelo para Adrien Silva (Académica).
74' Cartão Amarelo para Nolito (Benfica) depois de ser sucessivamente agarrado e ter exigido amarelo para o adversário.

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Paraíso Perdido - Bernardino Lopes

Outro, não eu, que desespero, ao cabo
de, em pedrarias de arte e versos de ouro,
ter dissipado todo o meu tesouro,
como os florins e as jóias de um nababo;

outro, não eu, que para o chão desabo,
esquecendo-te as culpas e o desdouro,
e a teus pés de marfim, como o rei mouro,
em torrentes de lágrimas acabo:

outro conspurca-te a beleza augusta,
cujo anseio de posse ainda me custa
como um verme faminto andar de rastros.

E mais deploro este meu sonho falso
ao recordar que andei no teu encalço
pelo caminho rútilo dos astros!


Bernardino da Costa Lopes nasceu em Boa Esperança (RJ) a 19 de Janeiro de 1859 e morreu no Rio de Janeiro a 18 de Setembro de 1916.

Ler do mesmo autor, neste blog:
Velho Muro
Namorados
Berço
Cromo

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História da Rainha Esther - Arievaldo Viana

Supremo Ser Incriado
Santo Deus Onipotente
Manda teus raios de luz
Ilumina a minha mente
Para transformar em versos
Uma história comovente

Falo da vida de Ester
Que na Bíblia está descrita
Era uma judia virtuosa
E extremamente bonita
Por obra e graça divina
Teve venturosa dita

Foi durante o cativeiro
Do grande povo Judeu
Um rei chamado Assuero
Naqueles tempos viveu
E com o nome de Xerxes
Na História apareceu.

O rei Assuero tinha
Pelo costume pagão
Um harém com muitas musas
As mais belas da nação
Mas era a rainha Vasti
Dona do seu coração.

Porém a rainha Vasti
Caiu no seu desagrado
Pois embora fosse bela
Não cumpriu um seu mandado
Vasti, durante um banquete
Não quis ficar a seu lado.

Com isto o Rei Assuero
Bastante se enfureceu
Mandou buscar outras moças
E por fim ele escolheu
Esther, a bela judia
Sobrinha de Mardoqueu.

Porque os seus conselheiros
Consideraram uma ofensa
A bela rainha Vasti
Não vir a sua presença
Perdeu a rainha o posto
Foi esta a dura sentença.

Ester era flor mais bela
Filha do povo judeu
Porém perdeu os seus pais
Logo depois que nasceu
Foi viver na companhia
De seu tio Mardoqueu.

Dentre as mulheres mais belas
Ester foi a escolhida
Pra ser a nova Rainha
Pelo rei foi preferida
Mardoqueu disse à sobrinha:
- Não revele a sua vida!

- Pois nosso povo é cativo
E vive na opressão
Talvez o rei não a queira
Vendo a sua condição
É melhor guardar segredo
Sobre seu povo e nação.

Não pretendo alongar-me,
Porém vos digo o que sei:
Mardoqueu era versado
Na ciência e na Lei
Trabalhava no palácio
Era empregado do rei.

Mardoqueu um dia soube
Que dois guardas do portão
Tramavam secretamente
Perversa conspiração
Eram Bagatã e Tares
Homens de mau coração.

Tramavam matar o rei
E Mardoqueu descobriu
A conversa dos dois homens
Ele sem querer ouviu
Foi avisar a Ester
E ela ao rei preveniu.

Assuero indignado
Com esta conspiração
Mandou ligeiro prender
Os dois guardas do portão
Eles descobriram tudo
Quando os pôs em confissão

Os dois guardas receberam
Um castigo exemplar
Provada a sua traição
O rei os manda enforcar
Depois mandou os escribas
Em seus anais registrar.

Mardoqueu perante o rei
Subiu muito de conceito
Deu-lhe o rei um alto posto
Por ser honrado e direito
Por isso era invejado
Por Aman, um mau sujeito.

Este Aman de quem vos falo
Era o Primeiro Ministro
Um dos homens mais perversos
De quem se teve registro
Tramava contra os judeus
Um plano mau e sinistro.

Por força de um decreto
Queria que o povo inteiro
Se ajoelhasse a seus pés
Sendo ele um embusteiro
Queria ser adorado
Igual ao Deus Verdadeiro.

Isso era um grande martírio
Para a raça dos judeus
Porque só dobram os joelhos
Em adoração a Deus
Fato que desperta a ira
Dos pagãos e dos ateus.

O Ministro indignou-se
Com todo o povo judeu
Porque não obedeciam
Aquele decreto seu
Pensava em aniquilar
A raça de Mardoqueu.

Mandou baixar um Edito
Marcando a hora e o dia
Para o povo ajoelhar-se
Porém Aman não sabia
Que a bela rainha Ester
Era uma princesa judia.

Mardoqueu leu o decreto
Gelou de medo e pavor
Comunicou a Ester
Que Aman, em seu furor
Queria exterminar
A raça do Redentor.

- Querida Ester, disse ele
Venho triste lhe contar
Que o Primeiro Ministro
Jura por Marduk e Isthar
Que o nosso povo judeu
Decidiu eliminar.

- Esse Decreto já foi
Pelo rei sancionado
Armou para nós a forca
O dia já está marcado
Matará todo judeu
Que não ver ajoelhado.

- Meu tio, responde Ester
Eu nada posso evitar
Pois quem se apresenta ao rei
Sem ele próprio chamar
Por um decreto real
Manda na hora enforcar.

Deixemos aqui Ester
Lamentando pesarosa
Vamos tratar de Aman
Criatura orgulhosa
E saber o que tramava
Esta cobra venenosa.

Disse ele a Assuero:
- Há um povo no reinado
Que tem um costume estranho
Não cumpre nenhum mandado
Que fira algum mandamento
Por seu Deus determinado.

- Constitui um mau exemplo
Para outros povos e assim
Considero que este povo
Viver conosco é ruim
Eu quero a tua licença
Porque quer dar-lhes fim.

Lavrou-se então o decreto
Do extermínio judeu
Aman pegou uma cópia
E em praça pública leu
Somente por ter inveja
Da glória de Mardoqueu.

Naquela noite Assuero
Não podendo dormir mais
Mandou chamar seus escribas
Para lerem os editais
Entre estes documentos
Encontravam-se os Anais.

O leitor sabe que o rei
Foi salvo de um atentado
Por dois porteiros teria
Sido ele assassinado
Se não fosse Mardoqueu
Ter o caso desvendado.

Pergunta então Assuero
Depois que o escriba leu
Os anais onde constavam
Os feitos de Mardoqueu:
- Me diga qual foi o prêmio
Que este homem recebeu?

- Nenhum prêmio, majestade...
Responde o escriba ao rei
Então Assuero disse:
- Agora compensarei
O grande favor prestado,
Gratidão é uma lei!

No outro dia Aman
Foi ao Palácio enredar
Quando Assuero o viu
Tratou de lhe perguntar:
- Que deve ser feito ao homem
Que o rei pretende honrar?

Pensando que era pra si
Aquela grande honraria
Aman disse: - Majestade
Eis então o que eu faria
Com minhas roupas reais
Este homem eu vestiria

Depois o faria montar
Um cavalo ajaezado
Com os arreios de ouro
E o brasão do reinado
Por alguém muito importante
Ele seria puxado.

E nas ruas da cidade
O guia deve bradar
Assim o rei Assuero
Manda agora publicar:
- Este é um homem de bem
Que o rei pretende honrar!

- Muito bem, diz Assuero
Bonito plano, este seu
Mande selar meu cavalo
Da forma que concebeu
E nele faça montar
Nosso amigo Mardoqueu.

Aman ficou constrangido
Mas resolveu perguntar
Qual o homem, majestade
Que o cavalo irá guiar
Disse o rei: - És tu, Aman
Quem o deve anunciar.

Aman saiu se mordendo
Foi o cavalo arrear
Depois mandou Mardoqueu
Sobre o mesmo se montar
Mas intimamente dizia
Em breve irei me vingar.

E pelas ruas de Susa
Foi Mardoqueu aclamado
Vestindo as roupas reais
Num bom cavalo montado
E pelo ministro Aman
O ginete era puxado.

O leitor deve lembrar
Que Ester, a bela rainha
Já sabia do decreto
E qual a sorte mesquinha
Destinada a seu povo
Porém o medo a detinha.

Há dias que ela esperava
Uma oportunidade
Para falar com o rei
Contar-lhe toda a verdade
E, em favor de seu povo
Implorar-lhe a piedade.

Mas o tempo ia passando
Como o rei não a chamou
A dura pena de morte
Decida ela enfrentou
Foi à presença do rei
Lá chegando se curvou.

Disse o rei: - Minha querida
A lei não é para ti
Não temas, pois não pretendo
Fazer qualquer mal a si
Diga-me logo o que queres
Porque tu vieste aqui?

Disse ela: - Majestade
Viva em paz, a governar
O motivo que me trouxe
É que vim de convidar
Para um singelo banquete
Que pretendo preparar.

Este banquete eu vou dar
Na noite de amanhã
Quero apenas que convides
O nosso ministro Aman
Espero que não me faltes
Espero com grande afã.

Disse o rei: - Vá sossegada
Por certo, não faltarei
Ao banquete que darás
Como sem falta eu irei
E o Primeiro Ministro
Em breve convidarei.

Ester não disse mais nada
Tratou de se retirar
Chamou as suas criadas
Foi depressa preparar
O banquete que em breve
Ela haveria de dar.

No outro dia Aman
Pelo rei foi convidado
Porém, como ignorava
O que estava preparado
Compareceu orgulhoso
Bastante lisonjeado.

Na presença do ministro
Assuero perguntou
Diz-me agora, ó rainha
Por que razão me chamou?
Então Ester decidida
Por esta forma falou:

- Majestade eu tenho a honra
De ser a tua consorte
Porém a mão do destino
Quer turvar a minha sorte
Porque o meu próprio povo
Está condenado à morte!

Diz o rei: - Quem concebeu
Este plano tão malvado?
Por que motivo o teu povo
À morte foi condenado?
Disse ela: Foi Aman
Ele é o grande culpado!

Pois este homem se julga
Acima do próprio Deus
Quer que todos se ajoelhem
E cumpram os desígnios seus
Por isso ele planeja
Exterminar os judeus.

Quando ela disse aquilo
Aman não pôde falar
Tremia ali de pavor
Sem puder se explicar
E o rei indignado
O mandou encarcerar.

No outro dia Aman
À morte foi condenado
Na forca que ele havia
Pra Mardoqueu preparado
Por um capricho da sorte
Foi nela própria enforcado.


Extraído daqui
Arievaldo Viana Lima nasceu em Fazenda Ouro Preto, Quixeramobim-CE, aos 18 de setembro de 1967

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Happy Birthday Keeley Hazell

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2011-09-17

OS POBRESINHOS - Guerra Junqueiro

Pobres de pobres são pobresinhos,
Almas sem lares, aves sem ninhos…

Passam em bandos, em alcateias,
Pelas herdades, pelas aldeias.

É em Novembro, rugem procellas… Deos nos acuda, nos livre d'ellas!

Vem por desertos, por estevaes,
Mantas aos hombros, grandes bornaes.

Como farrapos, coisas sombrias,
Trapos levados nas ventanias…

Filhos de Christo, filhos d'Adão,
Buscam no mundo codeas de pão!

Ha-os ceguinhos, em treva densa,
D'olhos fechados desde nascença.

Ha-os com f'ridas esburacadas,
Roxas de lirios, já gangrenadas.

Uns de voz rouca, grandes bordões,
Quem sabe lá se serão ladrões!…

Outros humildes, riso magoado,
Lembram Jesus que ande disfarçado…

Engeitadinhos, rotos, sem pão,
Tremem maleitas d'olhos no chão…

Campos e vinhas!… hortas com flores!…
Ai, que ditosos os lavradores!

Olha, fumegam tectos e lares…
Fumo tão lindo!… branco, nos ares!…

Batem ás portas, erguem-se as mães,
Choram meninos, ladram os cães…

Resam e cantam, levam a esmola,
Vinho no bucho, pão na sacola.

Fructa da horta, caldo ou toucinho,
Dão sempre os pobres a um pobresinho.

Um que tem chagas, velho, coitado,
Quer ligaduras ou mel-rosado.

Outro, promessa feita a Maria,
Deitam-lhe azeite na almotolia.

Pelos alpendres, pelos curraes,
Dormem deitados como animaes.

Em caravanas, em alcateias,
Vão por herdades, vão por aldeias…

Sabem cantigas, oraçõesinhas,
Contos d'estrellas, reis e rainhas…

Choram cantando, penam resando,
Ai, só a morte sabe até quando!

Mas no outro mundo Deos lhes prepara
Leito o mais alvo, ceia a mais rara…

Os pés doridos lh'os lavarão
Santos e santas com devoção.

Para laval-os, perfumaria
Em gomil d'ouro, d'ouro a bacia.

E embalsamados, transfigurados,
Tunicas brancas, como em noivados,

Viverão sempre na eterna luz,
Pobres bemditos, amen, Jesus!…


Outubro—91

in Os Simples, PORTO, TYPOGRAPHIA OCCIDENTAL, MDCCCXCII


Guerra Junqueiro (n. em Ligares, povoação de Freixo de Espada à Cinta 17 ou 15 de Setembro de 1850* ; m. Lisboa a 7 de Julho de 1923).

* Não há unanimidade quanto à data de nascimento dividindo-se os autores entre estas duas datas

Ler do mesmo autor, neste blog:
Introdução (excerto)
Morena
A Árvore do Mal
Adoração
Regresso ao Lar
A Moleirinha
Canção Perdida
À Memória de Minha Mãe

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2011-09-16

Exortação - Luís Carlos da Fonseca

Sofre, mas não declines da confiança
que, sereno, puseste no futuro!
Se és bom, tens o caminho mais seguro:
o bem é uma subida que não cansa.

Sofre, que o sofrimento é uma esperança
em quem deseja revelar-se puro.
- Que fora o claro se não fora o escuro?
Sem sofrimento, a glória não se alcança.

Não te assustem pedradas. Olha o mundo
com os olhos virgens dos relances da ira.
Vê que o solo, ferido, é mais fecundo.

E se tens na alma o Céu, por que temê-las?
As pedras que o homem contra Deus atira,
ao contato do Céu, tornam-se estrelas!


Luís Carlos da Fonseca Monteiro de Barros nasceu no Rio de Janeiro a 10 de abril 1880, e faleceu no Rio de Janeiro, em 16 de Setembro de 1932)

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2011-09-15

Tudo acaba... - Bocage

Tudo acaba. Esse Monstro carrancudo,
Prole do Averno, efeito do pecado,
Tudo a cinza reduz, brandindo irado
Com sanguinosas mãos o ferro agudo.

Oh fatal desengano, horrendo e mudo
Em pavorosos mármores gravado!
Oh letreiros da Morte! Oh lei do Fado!
É verdade, é verdade: acaba tudo.

Eis o nosso misérrimo destino:
Assim ordena quem nos Céus impera:
Basta, adoremos o poder divino.

Reprime os passos, caminhante, espera,
E no epitáfio do infeliz Josino
Lê o teu nada, o que tu és pondera.


in Poemas Portugueses, Antologia da Poesia Portuguesa do Séc XIII ao Século XXI, Porto Editora

Manuel Maria Ledoux de Barbosa du Bocage (n. 15 Set 1765 em Setúbal; m. Lisboa, 21 Dez 1805)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga
Já Bocage não sou! ...À Cova escura
Nascemos para amar
Ó tranças de que Amor prisão me tece
Liberdade, onde estás quem te demora...

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Sabor agridoce no empate do Benfica frente ao Manchester


Benfica


1-1

Man. United


Digam lá que Cardozo não é grande jogador...

O Benfica estreou-se na fase de grupos da Champions League em casa no Estádio da Luz praticamente lotado (63 800 espectadores) perante o finalista vencido da prova na época passada. É certo que faltaram Rio Ferdinand e Vidic na defesa e Ferguson optou por jogadores mais veteranos no onze inicial com a presença de Fletcher e com Giggs este, aliás, a ter no jogo um papel fundamental e um esquema táctico de 4-3-3 que deixou Rooney praticamente ausente do jogo (destacou-se a disputar uma bola com Artur já com o jogo parado, o que lhe valeria o cartão amarelo por intervenção de um daqueles juízes auxiliares de linha de fundo...

No lado encarnado Jesus surpreendeu muitos benfiquistas com a escala de Rúben Amorim para o onze inicial, jogando na direita do meio-campo o que possibilitou o regresso Gaitán ao lado esquerdo e, agora de modo esperado, deixando Cardozo sem companhia na frente, regressando Aimar à titularidade.

Observe-se que esta crónica de jogo é feita por quem viu o viu ao vivo no estádio ou seja sem tv e sem repetições mas desfrutando do ambiente real. E assim pareceram ajustadas as declarações de final do jogo de Jesus que considerou que o Benfica foi mais objectivo e teve melhores oportunidades de golo. Ao maior tempo de posse de bola dos ingleses o Benfica contrapôs mais remates totais e em direcção à baliza - exigiu mais defesas, duas delas bem difíceis, ao guarda redes dinamarquês do Manchester -, mais pontapés de canto (aqui quase sempre marcados sem criar grande perigo à defesa inglesa visitante), mas também foi com alívio para muitos espectadores benfiquistas que o árbitro deu por terminado o jogo, uma vez que havia o receio de perder.

Esta foi aliás a tónica do jogo: as equipas mais do que vontade de ganhar tiveram receio de perder. Assim, foi um jogo muito táctico com as equipas a recuarem para o meio campo defensivo logo que perdiam a posse de bola. O Manchester começou melhor o jogo (e o mesmo aconteceria no recomeço da segunda parte) mas o Benfica equilibraria e teria os melhores momentos a meio de ambas as partes. Cardozo, num golo de grande categoria individual a receber de peito o cruzamento largo de Gaitán a pôr a bola no pé esquerdo e rodar para desferir com o pé direito um pontapé certeiro, à entrada da área, daria vantagem ao Benfica, mas perto do intervalo o Benfica não soube levar para os balneários a vitória. Num livre tardio e que mereceu os protestos do público da Luz - ficou-se com a ideia que o árbitro esloveno foi sempre de apito mais ligeiro quando estavam em causa faltas dos encarnados e muito tardio ao ponto de simplesmente não marcar algumas faltas inglesas (de que aliás em alguns casos saíram jogadas de perigo) - os ingleses andaram a tocar a bola em passe curto até que criaram um buraco no centro da entrada da área por onde Giggs finalizou com mestria o lance restabelecendo a igualdade no marcador.

Na segunda parte o Manchester retomou outra vez o jogo com ligeiro ascendente territorial mas foi de uma jogada de contra-ataque com saída de Aimar e abertura excelente para Maxi Pereira pela direita que o Benfica construiu uma clara oportunidade de golo (com vantagem de cinco jogadores para três adversários) concluída por Nolito com um remate cruzado rasteiro mas que o guarda-redes com uma mão desviou fazendo a defesa da noite. A entrada de Nolito para o lugar de Rúben Amorim coincidiu com uma maior abertura no jogo uma vez que também Ferguson fizera entrar Nani e Hernandez parecendo os treinadores com estas intervenções de tónica mais ofensiva quererem contrariar a acomodação ao empate.

Foi o Benfica que, através de um remate de Gaitán que o guarda-redes Lindegaard voltou a responder com boa defesa para canto e pertinho do fim aos 87' numa insistência de Nolito que só não teve frieza para concluir depois de ter passado por um emaranhado de jogadores, esteve mais perto de ganhar mas também Giggs estivera antes perto de bisar quando passando por três adversários se lhe deparou o pé milagroso de Artur a desviar para canto.

Está justificado o título da crónica uma vez que faltou pouco para o Benfica ganhar mas também... podia perder.

Resta o entusiasmo deste regresso do Benfica aos grandes jogos da Champions e a evidência de que que esta equipa tem condições para bater suiços do Basileia e romenos do Otelul Galati (no outro jogo do grupo o Basileia venceu em casa 2-1) adversários directos para garantir uma passagem aos oitavos de final da Champions. Todavia, o calendário não foi muito favorável aos encarnados que têm duas deslocações fora na continuidade desta prova assumindo grande importância o próximo jogo entre o Otelul e os encarnados de Lisboa na próxima ronda a disputar na cidade romena de Galati, já que tudo que não seja uma vitória encarnada colocará na classificação, certamente, ingleses (que receberão o Basileia) e suiços na frente da tabela classificativa.

Group stage (Group C) - 14/09/2011 - 19:45- Estádio do Sport Lisboa e Benfica - Lisboa
Espectadores: 63.800
Árbitro: Damir Skomina (SVN)
Assistentes: Primož Arhar (SVN), Marko Stančin (SVN)
Assistentes Adicionais: Slavko Vinčić (SVN), Roberto Ponis (SVN)

Benfica: 1 Artur (GK); 14 Maxi Pereira, 4 Luisão (Cap), 24 Garay, 3 Emerson; 6 Javi García, 5 Ruben Amorim (9 Nolito 56'), 28 Axel Witsel, 20 Gaitán ( Bruno César 90+1'), 10 Aimar (21 Matić 75'); 7 Cardozo.

Man. United: 34 Anders Lindegaard (GK); 20 Fabio (4 Phil Jones aos 69'), 12 Smalling, 6 Jonny Evans e 3 Patrice Evra (Cap); 24 Fletcher (17 Nani aos 69'), 16 Michael Carrick, 13 Park Ji-Sung, 10 Wayne Rooney e 25 Valencia (14 Javier Hernández 69').

Golos: Cardozo 1-0; 42' Ryan Giggs 1-1;
Disciplina: 27' Cartão amarelo a Wayne Rooney por disputar a bola a Artur com o jogo já paralisado;
39' Cartão amarelo a Aimar por falta sobre Rooney
61' Cartão amarelo a Maxi Pereira por falta sobre Park
65' Cartão amarelo para Michael Carrick
69' Gaitán por rasteirar um adversário

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2011-09-14

POST-LABOREM - Pde. Antonio Thomaz

O vento das paixões, na mocidade,
Em nossa mente estranho fogo ateia;
Nem de leve nossa alma, então, receia
Do mar da vida a negra tempestade.

Nas grandes lutas próprias dessa idade,
Sente-se arder o sangue em cada veia;
Em trabalhos e afãs jamais fraqueia
Nossa tenaz, acérrima vontade.

Chega a velhice e tudo esfria e acalma;
Convertem-se os trabalhos e os afãs
Em paz forçada, em vergonhosa calma.

E o resultado dessas lutas vãs
É sempre o mesmo, – desenganos nalma,
Rugas na face, na cabeça cãs.

PADRE ANTÔNIO THOMAZ (nasceu na cidade de Acaraú, Ceará, a 14 de setembro de 1868 e faleceu em Fortaleza, no dia 16 de julho de 1941).

Ler do mesmo autor, neste blog:
A Morte do Jangadeiro
Contraste
Pesca da Pérola
Desenganos
Voltando À Casa

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Eis o bilhetinho mágico...



A surpresa (ou não?!) é que quem vai jogar é S. L. Benfica Futebol SAD ... Ora, eu sou desde miúdo adepto (e sócio) é do Sport Lisboa e Benfica...

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2011-09-13

Renascimento - Relembrando Raimundo Correia no centenário do seu falecimento

Venha, após tanta lágrima bebida
e tanto fel provado, a doce e branda
alegria, em que a murcha flor se expanda
do sorriso, e eu de novo surja à vida!

De novo em festas, gárrula e florida,
a alma se rasgue inteira - ampla varanda
escancarada de uma e de outra banda
ao fresco e à luz, de alegre sol batida...

Parta a loisa ao sepulcro que a devora,
e, livre assim dessa mortal tristeza,
desfeita em hinos, vá pela floresta.

Vá pelo mar... vá pelo azul afora...
Derramando por toda a natureza
o pouco de ilusões que inda me resta


Poema extraído daqui
Raimundo da Mota de Azevedo Correia (nasceu a bordo, no litoral do Maranhão, a 13 de Maio de 1859 e faleceu em Paris a 13 de Setembro de 1911)


Ler do mesmo autor neste blog:
Saudade
Mal Secreto

As Pombas;
Plena Nudez;
Anoitecer

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2011-09-12

Meu Desejo - Alvares de Azevedo

Meu desejo? era ser a luva branca
Que essa tua gentil mãozinha aperta:
A camélia que murcha no teu seio,
O anjo que por te ver do céu deserta....

Meu desejo? era ser o sapatinho
Que teu mimoso pé no baile encerra....
A esperança que sonhas no futuro,
As saudades que tens aqui na terra....

Meu desejo? era ser o cortinado
Que não conta os mistérios do teu leito;
Era de teu colar de negra seda
Ser a cruz com que dormes sobre o peito.

Meu desejo? era ser o teu espelho
Que mais bela te vê quando deslaças
Do baile as roupas de escumilha e flores
E mira-te amoroso as nuas graças!

Meu desejo? era ser desse teu leito
De cambraia o lençol, o travesseiro
Com que velas o seio, onde repousas,
Solto o cabelo, o rosto feiticeiro....

Meu desejo? era ser a voz da terra
Que da estrela do céu ouvisse amor!
Ser o amante que sonhas, que desejas
Nas cismas encantadas de langor!

Manuel Antônio Álvares de Azevedo (São Paulo, 12 de Setembro de 1831 — Rio de Janeiro, 25 de Abril de 1852)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Anjos do Céu
Por que mentias
Soneto
Ai Jesus;
A Lagartixa

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2011-09-11

Consulta - Antero de Quental, na passagem dos 120 anos sobre o seu desaparecimento

A Alberto Sampaio

Chamei em volta do meu frio leito
As memórias melhores de outra idade,
Formas vagas, que às noites, com piedade,
Se inclinam, a espreitar, sobre o meu peito...

E disse-lhes: - No mundo imenso e estreito
Valia a pena, acaso, em ansiedade
Ter nascido? Dizei-mo com verdade,
Pobres memórias que eu ao seio estreito.

Mas elas perturbaram-se - coitadas!
E empalideceram, contristadas,
Ainda a mais feliz, a mais serena...

E cada uma delas, lentamente,
Com um sorriso mórbido, pungente,
Me respondeu: — Não, não valia a pena!

(Sonetos, 1881)

in Poemas Portugueses Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

Antero Tarquínio de Quental (n. em Ponta Delgada, 18 de Abril de 1842 - m. 11 de Setembro de 1891)

Ler do mesmo autor, neste blog:

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2011-09-10

Cantiga para não morrer - Ferreira Gullar

Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.


De Dentro da Noite Veloz (1962-1975)

José Ribamar FERREIRA GULLAR nasceu em São Luís do Maranhão a 10 de Setembro de 1930

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2011-09-09

Insónia

Vieste sem te esperar,
Entraste e interrompeste
a minha melancolia,
o conforto da minha solidão.

Logo que nos olhámos
naquele dia percebi
o beijo que a boca exigia
e daí, num ápice,
já tomavas nas mãos
inteiro o meu coração.
....
Saíste, quase fugiste
e sem saber, como ladra
na plenitude dum momento,
levaste-o contigo,
deixando este vazio...
Sobrevivo com a memória
do seu então agitado batimento...

Ah! cruel insónia
que me não liberta
desta inquietude desperta

Fernando Semana

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2011-09-08

International Literacy Day



The United Nations' (UN) International Literacy Day annually falls on September 8 to raise people's awareness of and concern for literacy issues in the world.

It was proclaimed by UNESCO (United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization) on November 17, 1965 and was first celebrated in 1966.

Literacy is more than reading and writing– it is about how we communicate as a society. It is about social practices and relations, about knowledge, language and culture. (United Nations)

On International Literacy Day each year, UNESCO reminds the international community of the status of literacy and adult learning globally. Celebrations take place around the world.

The theme for the 2011 International Literacy Day is "Literacy and Peace".

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Márcia! Márcia! ai de mim! ... - Natividade Saldanha

Márcia! Márcia! ai de mim! está chegado
O momento cruel, que eu mais temia;
Sinistro mocho, que a meu lado pia,
Há longo tempo o tinha anunciado!

Já deixei o surrão, e o meu cajado
Quebrei a doce flauta, em que tangia,
E o rafeiro fiel, que me seguia,
Definhou; definhou também meu gado.

Tudo acabou; e a negra desventura
Quer que os laços de amor a ausência corte;
Que eu deixe, ó Márcia, a tua formosura.

Céus! que Fado cruel! que imiga sorte
Eu desespero, eu morro ... Ó Parca dura,
Já que Márcia perdi, vem dar-me a morte.

José da NATIVIDADE SALDANHA nasceu em Santo Amaro do Jaboatão (PE) a 8 de Setembro de 1795 e morreu exilado em Bogotá, capital da Colômbia, em 30 de Março de 1830.

Ler do mesmo autor:
À Sombra Deste Cedro Venerando;
Os teus olhos gentis encantadores...

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