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2011-11-12

Psicologia De Um Vencido - Augusto dos Anjos

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigénesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme - este operário das ruínas -
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!


Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (n. no Engenho Pau d'Arco, Paraíba, no dia 20 de abril de 1884; m. em Leopoldina em 12 de Nov. de 1914).

Ler do mesmo autor:
A Minha Estrela
O sonho, a crença e o amor
Budismo Moderno
Ao Luar
A Ideia
Tempos Idos
Versos Intimos
Soneto (canta teu riso...)
Contrastes


1 comments:








Carmem Lucia Vilanova

disse...

Augusto dos Anjos foi mesmo um poeta irreverente para sua época e continua, até hoje... Versos Íntimos são sua obra maestra e um tanto repugnante... hahahahaha...
Querido amigo,
Bom voltar a vè-lo...
Beijos, flores e meus eternos sorrisos!