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2010-11-28

Liga Zon Sagres: Comentário à 12ª Jornada, resultados e classificação

Resultados da 12ª. Jornada
26 Nov. 20:15Vitória de Setúbal
0-1Académica
27 Nov. 17:00Marítimo
2-0Vitória de Guimarães
27 Nov. 19:15Paços de Ferreira1-0Olhanense
27 Nov. 21:15Sporting1-1FC Porto
28 Nov. 16:00 Naval 1º. de Maio0-1Rio Ave
28 Nov. 16:00Portimonense1-0*União de Leiria
28 Nov. 18:15Beira-Mar1-3Benfica
28 Nov. 20:15Braga
2-0Nacional


Comentários da Jornada:

A jornada era dominada pelo clássico de Alvalade com o Sporting a treze pontos de distância a receber o invencível FC Porto. Pois bem, na primeira parte do jogo a diferença de produção de jogo foi clara mas favorável aos leões. Valdés pôs a equipa a ganhar até ao intervalo. A segunda parte iniciou-se com o Porto na busca do empate, o que conseguiu cedo, alterando-se depois as circunstâncias previsíveis com a expulsão de Maicón. Aí o Porto foi realista e segurou o empate, o Sporting não soube voltar a marcar e temos de ser realistas está completamente afastado da discussão do título.

Quem aproveitou o empate foi o Benfica para desagravar o estado de desânimo dos seus adeptos e venceu em Aveiro impondo a primeira derrota em casa aos aveirenses. Cardozo regressou aos titulares e foi o homem do jogo com dois golos e uma assistência.

Numa jornada que teve três triunfos forasteiros destacamos a vitória do Rio Ave que vai numa recuperação sensacional. A equipa que à 8ª. jornada ainda não tinha vencido, coleccionou nos últimos quatro jogos três vitórias e um empate em Setúbal. A vítima desta semana foi a Naval que naufraga no último lugar da classificação sem dar mostras de capacidade para se salvar. O golo de Bruno Gama de livre directo aos 37' prevaleceu até ao final e registe-se as expulsões de Alex Hauw e de Godemeche ambos da Naval aos 84' e 90'.

Os outros triunfos fora foram o do Benfica já analisado e o da Académica em Setúbal. A equipa de Coimbra isolou-se no quinto lugar enquanto o Setúbal fica numa posição desconfortável em termos de lugar classificativo tudo por via do único golo do jogo marcado logo aos 3' por Diogo Valente.

Para além do Rio Ave e da Académica também o Paços de Ferreira, ainda que neste caso jogando em casa, venceram através de um golo solitário. O do Paços de Ferreira foi, aliás, um golaço de André Leão que selou a vitória frente ao Olhanense. Triunfo que sucede a três derrotas consecutivas e tranquiliza mais os pacenses.

O Marítimo registou a segunda vitória na competição ao vencer com clareza o Guimarães. Kléber aos 12' de penalty e Baba puseram os insulares a vencer por dois golos ainda na primeira parte e depois, não obstante a expulsão de Danilo aos 66', foi segurar o resultado perante a impotência vimaranense que sofreu a terceira derrota da competição todas fora de casa.

No último jogo de hoje e não é o último da jornada porque o Portimoinense- União de Leiria "continua" amanhã - o jogo foi hoje interrompido por falta de iluminação aos 53' com o resultado favorável aos locais por 1-0 - o Braga venceu o Nacional por 2-0 com golos de Lima aos 66' (em recarga a um penalty falhado por Moisés) e de Paulo César este já em tempos de desconto. Foi um jogo com polémica sobre a arbitragem de Paulo Proença acabando as equipas com dez jogadores cada.

Como se disse acima amanhã completa-se o jogo entre Portimonense e a União de Leiria com a equipa algarvia a fazer contas aos três pontos para não perder o pelotão da classificação. O golo tangencial que dispõe de avanço não é, porém, tranquilizador.

A jornada 13 vai começar no dia 3 de Dezembro com o Benfica a receber a Olhanense e fechar no dia 6 com o Porto a receber o Vitória de Setúbal. O Sporting desloca-se a Portimão e o Braga a Leiria.

Classificação
LugarClubePontosGolos
1. Porto 3228-5
2. Benfica24 20-12
3. Vitória de Guimarães
21 16-13
4.Sporting19 14-12
5.Académica
18
19-15
6. Braga
1719-16
6.Nacional17 12-14
8.Olhanense
15 11-11
8. Beira-Mar
1513-15
8.União de Leiria *
15
9-12
11.Paços de Ferreira1411-14
12.Rio Ave
1312-14
13. Vitória de Setúbal
13
8-13
14.Marítimo 127-8
15.Portimonense *
810-19
16.Naval 1º de Maio
5 6-22
* O jogo Portimonense-União de Leiria completa-.se amanhã. O resultado é de 1-0 aos 53' de jogo.

Calendário da 13ª. Jornada
3 Dez. 20:15Benfica
-Olhanense
4 Dez. 19:15Vitória de Guimarães
-Paços de Ferreira
4 Dez. 21:15União de Leiria-Braga
5 Dez. 16:00Académica-Marítimo
5 Dez. 16:00 Rio Ave-Beira Mar
5 Dez. 16:00Nacional-Naval 1º. de Maio
5 Dez. 20:15Portimonense-Sporting
6 Dez. 19:45FC Porto-Vitória de Setúbal




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Benfica ganha em Aveiro e isola-se no segundo lugar

Benfica logo

Beira Mar

1-3

Benfica

Cardozo marcou dois golos e deu o terceiro

Regressou Cardozo ao onze titular (e que regresso!), e Jesus optou por Ruben Amorim na direita do meio-campo em vez de Salvio. A indisponibilidade de Pablo Aimar foi suprida por Carlos Martins.

O Benfica começou bem o jogo demonstrando atitude ofensiva e dominadora durante os primeiros vinte minutos de jogo tendo nesse período disposto de boas ocasiões. Logo aos 2' Saviola desmarcou-se pela esquerda mas o cruzamento para o centro da área para Cardozo foi interceptado por Hugo. Aos 13' o Benfica esteve perto do golo: corte de Hugo na direcção de Saviola, o argentino dispara com Rui Rego a desviar para a barra. No minuto seguinte, de um pontapé de canto da esquerda Luisão esteve perto de marcar com Rui Rego a defender e a bola a bater num braço de um companheiro de equipa com Bruno Paixão a considerar não ter havido motivos para penalty. Após iniciativa individual de Carlos Martins (24') foi Hugo quem conseguiu à última hora evitar o remate.

Com o tempo a passar e o Benfica sem marcar percebia-se alguma intranquilidade encarnada e o Beira Mar procurou, então, equilibrar o jogo ainda que durante a primeira parte em termos ofensivos a equipa de Aveiro foi inofensiva. Perto do intervalo o Benfica beneficiou de um penalty marcado por Bruno Paixão por agarrão na camisola de Cardozo na sequência de um canto da esquerda. Um penalty tanto indiscutível quanto desnecessário provocado por Kanu e que levou o Benfica para os balneários a vencer uma vez que Cardozo não desperdiçou ao marcar em jeito.

Na segunda parte as equipas vêm diferentes com o Beira-Mar mais atrevido, e o Benfica inseguro. O jogo está aberto com oportunidades para ambos os lados. Cardozo falha o 2-0 escandalosamente (era só encostar o cruzamento da direita) mas o lance foi precedido de fora de jogo de Ruben Amorim não assinalado, aliás. Logo a seguir foi o Beira-Mar que perde uma oportunidade flagrante após livre de Sérgio Oliveira, a bola sobra para Ronny que, isolado, faz uma rosca e depois cabeceia fraco para as mãos de Roberto. Nos livres o Benfica demonstraria muitos problemas que o Beira-Mar soube explorar e de que adviria também o golo que apontou.

Aos 55' Ronny parte da direita em velocidade tem um companheiro do outro lado para finalizar mas ele procura o golo e o remate forte cruzado acaba no poste da baliza de Roberto. Está-se neste vai-vém quando numa jogada rápida Carlos Martins cede para Cardozo muito à direita, este tem a marcação à distância de Hugo, obliqua para o centro prepara para o pé esquerdo e remata em volley ao segundo poste fazendo um grande golo. Foi um momento decisivo do jogo até porque a defesa encarnada continuou a revelar muita intranquilidade com David Luiz a errar várias vezes.

Cardozo em dia sim vai à linha final assistir Saviola para um desvio à boca da baliza e distanciar o marcador para números que o futebol jogado por ambas as equipas não justificava. O Beira-Mar reduziu ainda já na parte final do jogo por Rui Varela, que entrara a substituir Leandro Tatu, ao finalizar nas costas da defesa encarnada um livre por falta de Luisão, apontado por Renan, que o mesmo Luisão não soube desfazer, aproveitando o avançado de Aveiro para reduzir a diferença.

O Beira-Mar voltou a levar a bola ao fundo da baliza encarnada mas com um (duplo) fora de jogo bem assinalado.

Fica, em resumo, uma vitória encarnada justa com um período de bom jogo do Benfica mas depois salpicado por desconcentrações e falta de coesão defensiva, que distancia bastante esta equipa da do ano passado. Creio, porém, que a presença de Ruben Amorim no meio-campo melhora a organização e posse de bola da equipa encarnada e este regresso de Cardozo vem demonstrar que é um jogador indispensável.

O Beira Mar sofreu a primeira derrota em casa mas com mais sorte (e menos inepcia de Ronny) teria empatado o jogo a uma bola e ninguém sabe o que seria...

A arbitragem de Bruno Paixão e auxiliares teve muitos erros. Um dos auxiliares a falhar em foras de jogo um não assinalado (que quase dava golo) e outro mal assinalado e o outro a falhar nas marcações das bolas fora com trocas de cantos por pontapés de baliza.

Árbitro: Bruno Paixão
BEIRA-MAR: Rui Rego, Pedro Moreira, Kanu, Hugo, Renan Garcia, Djamal, Rui Sampaio, João Luíz, Sérgio Oliveira (Alex Maranhão 63'), Ronny (Wilson Eduardo 81'), Leandro Tatu (Rui Varela 71').

BENFICA: Roberto, Maxi Pereira, Luisão, David Luiz, Fábio Coentrão, Javi García, Rúben Amorim, Carlos Martins (Salvio 82'), Gaitán, Saviola (Jara 86'), Cardozo (Kardec 77').

Golos: Cardozo (2) aos 45+2'(pen) e 59'; 0-3 Saviola 66'; 1-3 Rui Varela 86'
90'+3 Cartão Amarelo para Djamal (Beira-Mar).
90'+2 Cartão Amarelo para Fábio Coentrão (Benfica), após falta sobre Rui Sampaio.

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Ser Mãe - Coelho Neto

Ser mãe é desdobrar fibra por fibra
o coração! Ser mãe é ter no alheio
lábio que suga, o pedestal do seio,
onde a vida, onde o amor, cantando, vibra.

Ser mãe é ser um anjo que se libra
sobre um berço dormindo! É ser anseio,
é ser temeridade, é ser receio,
é ser força que os males equilibra!

Todo o bem que a mãe goza é bem do filho,
espelho em que se mira afortunada,
Luz que lhe põe nos olhos novo brilho!

Ser mãe é andar chorando num sorriso!
Ser mãe é ter um mundo e não ter nada!
Ser mãe é padecer num paraíso.


Henrique Maximiano Coelho Neto nasceu em Caxias, Maranhão, no dia 20 de fevereiro de 1864 e faleceu no Rio de Janeiro no dia 28 de novembro de 1934

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2010-11-27

Sporting impôs segundo empate no campeonato ao Porto...

FC Porto logoSporting logo

Sporting

1-1

FC Porto


Resultado agradou mais aos portistas que terminaram com dez...

Num jogo a hora tardia numa noite fria e com assistência aquém do habitual para um clássico os antecedentes foram aquecidos pela presença de Moutinho no Estádio de Alvalade mas a jogar de azul...

O Porto desperdiçou a primeira oportunidade do jogo por Falcão aos 10' (Belluschi rouba a bola a Polga e isola Falcao, mas o colombiano rematou ao lado), mas foi o Sporting que na primeira parte esteve melhor graças a um meio-campo com Pedro Mendes - Maniche - André Santos (talvez o melhor jogador em campo) e Valdez, jogador chileno que vem se evidenciando nos últimos jogos, bloqueador das iniciativas portistas em que Hulk não pôs o pé em ramo verde. Com Liedson e Postiga no duo de ataque, o treinador do Sporting levou a melhor na primeira parte. No Porto surpreendeu a opção por Emídio Rafael para suprir a ausência de Álvaro Pereira. O resultado ao intervalo favorável aos "leões" - vitória parcial por 1-0 - era justificado face ao predomínio da equipa da casa.

Com efeito, já depois de Pedro Mendes ter num remate de longe atirado a bola contra a barra da baliza portista, com Helton a ver ("desviou a bola com os olhos"), Valdés aos 38' inaugurou o marcador ao finalizar pelo meio das pernas de Helton um lance de contra-ataque em que o guarda-redes portista protestou ilegalidade (viu cartão amarelo).

Não foi preciso esperar muito tempo na segunda parte para perceber que a tendência do jogo tinha-se modificado e que a lógica seria surgir o empate. A equipa leonina recuou para preservar a vantagem perante um Porto muito mais dinâmico e com Hulk a aparecer principalmente em iniciativas pela direita. Primeiro a flectir para o centro e a rematar cruzado ao lado, depois aproveitando um desequilíbrio gerado por um erro de transição do Sporting (erro de Maniche a perder a bola na zona intermediária defensiva), recebeu a desmarcação de João Moutinho e cruzou para o coração da área onde a superioridade de jogadores do Porto era manifesta surgindo Falcão a concluir com êxito ainda antes de expirado o primeiro quarto (57').

Com o empate estabelecido o jogo voltava ao ponto zero mas com o Porto agora por cima psicologicamente e o Sporting a querer avançar de novo no terreno. Aguardava-se então um jogo emotivo e aberto. Já com Guarín do lado do Porto a substituir Varela e Djaló no lugar do fisicamente queixoso Valdés, Liedson concluiu mal com um passe infantil para Helton um lance de ataque do Sporting (66'). Uma perda de bola de Maicón perante a pressão de Liedson acabaria por ditar a expulsão do central portista e alterar as feições do jogo. Villas-Boas retirou Falcão para repor a dupla de centrais defensivos, entrando Otamendi e o Sporting ficou de novo por cima do jogo. A entrada de Vukcevic e mais tarde ainda a de Saleiro procurou dar maior pêndulo atacante aos sportinguistas, o que aconteceu, mas escassearam as oportunidades e os lances de perigo num jogo em que terminou com as equipas equilibradas em termos de posse de bola, muito poucos remates às balizas e apenas dois pontapés de canto, um para cada equipa.

O resultado não aquece nem arrefece: por um lado, o Porto não manifestou a superioridade que se pensava face aos 13 pontos de avanço que detinha sobre o Sporting, mas o empate mantém a equipa invicta e com vantagem confortável; para o Sporting e nomeadamente para o seu treinador, ficou uma demonstração de que o Sporting pode bater-se com o líder, até episodicamente superiorizar-se, mas com o empate final a servir de pouco, pois é o reconhecimento de que o campeonato está irremediavelmente perdido.

Uma palavra para Villas-Boas que acabou expulso situação que ocorre pela segunda vez, curiosamente em ambos os jogos em que a sua equipa, até agora, não ganhou...

Jorge Sousa (o árbitro do Rio Ave-Porto, em que a equipa portista foi escandalosamente beneficiada) desta vez teve protestos do lado dos portistas. No golo sportinguista é alegado um fora de jogo de Valdés e na expulsão de Maicón falta saber se não houve teatro do sportinguista... Ao vivo eu decidiria como o árbitro decidiu...

O jogo de amanhã em Aveiro entre o Beira-Mar e o Benfica reveste-se, assim, de acrescida importância uma vez que o Benfica não pode falhar a redução da distância para o líder para oito pontos (em caso de vitória), passando a desfrutar de cinco de avanço sobre o Sporting e três do Guimarães vencido hoje na Madeira por 2-0 frente ao Marítimo. Mas depois daquele desastre em Israel já não se sabe o que esperar da equipa de Jesus ( e deste mesmo!).

Ficha do Jogo
11ª Jornada, Estádio Alvalade XXI
Árbitro: Jorge Sousa (Porto)
Sporting: Rui Patrício; João Pereira, Daniel Carriço, Polga e Evaldo; Pedro Mendes (Saleiro 83'), Maniche (Vukcevic 69'), André Santos e Valdés (Yannick Djaló 65'); Hélder Postiga e Liedson.

FC Porto: Helton; Sapunaru, Maicon, Rolando e Emídio Rafael; Belluschi, Fernando e João Moutinho (Fucile 86'); Hulk, Falcao (Otamendi 72') e Varela (Freddy Guarín 65').

Golos: 1-0 Valdés 38'; 1-1 Falcão 57'
Disciplina: 21'Cartão Amarelo para Pedro Mendes (Sporting) por entrada de carrinho
31'Cartão Amarelo para Fernando (FC Porto) por derrubar André Santos no meio-campo portista.
38'Cartão Amarelo para Helton (FC Porto) por protestar a legalidade do primeiro golo do jogo.
68'Cartão Vermelho para Maicon (FC Porto) após lance em que perde a bola paera Liedson que ganha a bola e a frente da jogada
70'Cartão Amarelo para Hulk (FC Porto) por protestos.
73'Cartão Amarelo para Evaldo (Sporting).
83' Cartão Amarelo para Yannick Djaló (Sporting).
88'Cartão Amarelo para Belluschi (FC Porto), por fazer falta e cortar contra-ataque do Sporting.
90'+1 Cartão Amarelo para Otamendi (FC Porto) por demorar a repor a bola em jogo.
90'+4 Cartão Amarelo para Hélder Postiga (Sporting).

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O Noivado do Sepulcro - Soares de Passos

Vai alta a lua! na mansão da morte
Já meia-noite com vagar soou;
Que paz tranquila; dos vaivéns da sorte
Só tem descanso quem ali baixou.

Que paz tranquila!... mas eis longe, ao longe
Funérea campa com fragor rangeu;
Branco fantasma semelhante a um monge,
D'entre os sepulcros a cabeça ergueu.

Ergueu-se, ergueu-se!... na amplidão celeste
Campeia a lua com sinistra luz;
O vento geme no feral cipreste,
O mocho pia na marmórea cruz.

Ergueu-se, ergueu-se!... com sombrio espanto
Olhou em roda... não achou ninguém...
Por entre as campas, arrastando o manto,
Com lentos passos caminhou além.

Chegando perto duma cruz alçada,
Que entre ciprestes alvejava ao fim,
Parou, sentou-se e com a voz magoada
Os ecos tristes acordou assim:

"Mulher formosa, que adorei na vida,
"E que na tumba não cessei d'amar,
"Por que atraiçoas, desleal, mentida,
"O amor eterno que te ouvi jurar?

"Amor! engano que na campa finda,
"Que a morte despe da ilusão falaz:
"Quem d'entre os vivos se lembrara ainda
"Do pobre morto que na terra jaz?

"Abandonado neste chão repousa
"Há já três dias, e não vens aqui...
"Ai, quão pesada me tem sido a lousa
"Sobre este peito que bateu por ti!

"Ai, quão pesada me tem sido!" e em meio,
A fronte exausta lhe pendeu na mão,
E entre soluços arrancou do seio
Fundo suspiro de cruel paixão.

"Talvez que rindo dos protestos nossos,
"Gozes com outro d'infernal prazer;
"E o olvido cobrirá meus ossos
"Na fria terra sem vingança ter!

– "Oh nunca, nunca!" de saudade infinda
Responde um eco suspirando além...
– "Oh nunca, nunca!" repetiu ainda
Formosa virgem que em seus braços tem.

Cobrem-lhe as formas divinas, airosas,
Longas roupagens de nevada cor;
Singela c'roa de virgínias rosas
Lhe cerca a fronte dum mortal palor.

"Não, não perdeste meu amor jurado:
"Vês este peito? reina a morte aqui...
"É já sem forças, ai de mim, gelado,
"Mas inda pulsa com amor por ti.

"Feliz que pude acompanhar-te ao fundo
"Da sepultura, sucumbindo à dor:
"Deixei a vida... que importava o mundo,
"O mundo em trevas sem a luz do amor?

"Saudosa ao longe vês no céu a lua?
– "Oh vejo sim... recordação fatal!
– "Foi à luz dela que jurei ser tua
"Durante a vida, e na mansão final.

"Oh vem! se nunca te cingi ao peito,
"Hoje o sepulcro nos reúne enfim...
"Quero o repouso de teu frio leito,
"Quero-te unido para sempre a mim!"

E ao som dos pios do cantor funéreo,
E à luz da lua de sinistro alvor,
Junto ao cruzeiro, sepulcral mistério
Foi celebrada, d'infeliz amor.

Quando risonho despontava o dia,
Já desse drama nada havia então,
Mais que uma tumba funeral vazia,
Quebrada a lousa por ignota mão.

Porém mais tarde, quando foi volvido
Das sepulturas o gelado pó,
Dois esqueletos, um ao outro unido,
Foram achados num sepulcro só.


António Augusto Soares de Passos (Porto, 27 de Novembro de 1826 – Porto, 8 de Fevereiro de 1860)

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