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2011-08-02

O POETA E O TEMPO - Félix Pacheco

São sempre iguais na idade os deuses e as quimeras.
O poeta é um deus também. Pertence-lhe o infinito.
Perdido na amplidão sempiterna do mito,
Fica de todo alheio ao desfilar das eras.

Sucumbam gerações no círculo restrito
E passem, no vaivém sem fim, as primaveras.
O poeta há de viver, para além das esferas,
Esquecido e imortal, todo entregue ao seu rito.

Eclíticas de sóis, movimentos dos astros,
Outonos e verões correndo atrás de invernos,
Tudo isso diz que o mundo anda também de rastros.

A própria formosura é vã nesses infernos:
O sepulcro dispersa em pó os alabastros.
Unicamente Deus e o Poeta são eternos.


Poema extraído do sítio da Academia Brasileira de Letras


José Félix Alves Pacheco, nasceu em Teresina, PI, em 2 de agosto de 1879, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 6 de dezembro de 1935.

Ler do mesmo autor, neste blog:
Do Cimo da Montanha
Símbolo d'Arte
Em Louvor do Soneto
Estranhas Lágrimas
Visita Infalível


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Musical suggestions of the day: José Afonso + Isabel Pantoja



Balada

Ó meu bem se tu te fores
Como dizem que te vais
Deixa-me o teu nome escrito
Numa pedrinha do cais

Quando o mê mano se foi
Sete lenços encharquei
Mai la manga da camisa
E dizem que não chorei

Meu amor vem sobre as ondas
Meu amor vem sobre o mar
Ai quem me dera morrer
Nas águas do teu olhar

Cancioneiro Popular Açoriano
“Fados de Coimbra” – 1956

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (n. Aveiro, 2 de Agosto de 1929 — m. Setúbal, 23 de Fevereiro de 1987

Balada - José Afonso


María Isabel Pantoja Martín (n. Sevilla, 2 Ago 1956)

isabel pantoja - mi pequeño del alma ...

MI PEQUEñO DEL ALMA (MARINERO DE LUCES)

Serás para siempre la playa de todos mis besos.
Serás para siempre el latido de mi corazón
Serán tus ojos mi cielo cuajado de estrellas
Tu risa de niño, jazmines de mi primavera.

Mi pequeño del alma
Con tu piel de canela…...

Tendrás la luna, me iré cualquier noche a por ella
Tendrás el las manos aromas de jara y violetas

Mi pequeño del alma
Con tu piel de canela

Serás para siempre la causa de todos mis celos.
Serás para siempre el motivo que me hace vivir
Serán tus besos los unicos besos del mundo
Estando contigo se irán por el río mis penas.

Mi pequeño del alma
Con tu piel de canela…...

Será tu cielo,
El cielo mas grande del mundo
Y te haré un camino de flores, escarcha y arena.

Mi pequeño del alma
Con tu piel de canela.

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Soneto 92 - Nauro Machado

Meu aniversário!: dá-me, Goethe, o fogo
que vi queimando nos lábios do teu ontem,
pura energia, livrando-me do logro
de existir para onde os deuses apontem.
Sarça ardente, crepúsculo que rogo,
regresse eu à terra, e que as trevas me montem
no tempo morto de um eterno logo,
eterno aberto ao pronto desmonte em
matéria e ruga, de olhar no meu rosto.
e ao achar-me inteiro – e à Tua partilha exposto,
elucida-me, Goethe, o em mim por quê:
se não sei o vento, verbo do arvoredo,
balbucio o tempo e nele retrocedo
ao não ser próximo do estar no Ser.


Nauro (Diniz) Machado nasceu em São Luís do Maranhão, no dia 2 de agosto de 1935

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2011-08-01

Canção da lua que lava - Murilo Araújo



Lua, que lavas teus linhos,
sempre a lavar
numa lixívia de nuvens,
branca, branquinha de espuma,
e escorres tudo lá no alto
para secar;

lua que lavas teus linhos
pelos valados maninhos,
na serra onde vai nevar;

oh lua alagando o mundo
nesta espuma de cegar!

lua que lavas teus linhos
e que os enxáguas
e os pões em qualquer lugar —
nos terraços lageados,
nos velhos muros caiados,
nos laranjais do pomar
ou nos campos orvalhados
onde estão a gotejar —

lua que lavas teus linhos
até nas praias do mar —

vem, lua, e lava minha alma!

Oh lava minha alma em lágrimas,
para que Deus, sol das almas,
venha a enxugar.

Murilo Araújo (nasceu na cidade de Serro, Minas Gerais, Brasil, em 26 de outubro de 1894; m. em 1 de Agosto de 1980).

Ler do mesmo autor:
Na Praia
Viajante Estrangeiro
Visão

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Paciências - António Osório

Há os que passam o tempo
desenrolando sobre a mesa
tapetes de paciências

Assim Tolstoi
de noite se aquietava
após as suas homéricas
batalhas contra o invasor

Assim calma e dignamente
tecem e bordam as mulheres


in Poemas Portugueses - Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Selecção, organização, introdução e notas Jorge Reis-Sá e Rui Lage, Porto Editora

António Gabriel Maranca Osório de Castro (n. em Setúbal a 1 Ago 1933)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Um Sentido
Aqui em Siena
Prado e Cofre

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