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2011-07-02

Soneto - Sophia de Mello Breiner Andresen


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Esperança e desespero de alimento
Me servem neste dia em que te espero
E já não sei se quero ou se não quero
Tão longe de razões é meu tormento

Mas como usar amor de entendimento?
Daquilo que te peço desespero
Ainda que mo dês – pois o que eu quero
Ninguém o dá senão por um momento.

Mas como é belo, amor, de não durares,
De ser tão breve e fundo o teu engano,
E de eu te possuir sem tu te dares.

Amor perfeito dado a um ser humano:
Também morre o florir de mil pomares
E se quebram as ondas no oceano.


in Poemas Escolhidos, Círculo de Leitores

Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto a 6 de Novembro de 1919; m. Lisboa, 2 de Jul 2004. Recebeu entre outros o Prémio Camões 1999, o Prémio de Poesia Max Jakob 2001 e o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana 2003.

Ler da mesma autora, neste blog:
A Forma Justa
Apolo Musageta
Eis-me
Mar Sonoro
Porque
Promessa
Liberdade
Pudesse eu