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2005-10-28

Conhecimento sábio

Índio do Equador
Photo Source: http://www.kulmbach.net/


Um velho índio descreveu os seus conflitos internos do seguinte modo:
"Dentro de mim existem dois cachorros, um deles é cruel e mau o outro é muito bom e dócil E andam sempre a brigar".

Questionado sobre quem ganharia a briga, o sábio índio depois de demonstrar alguma reflexão respondeu: "Aquele que eu alimentar".

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Mourinho e a história da raposa e as uvas

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Mourinho (leia-se o Chelsea) perdeu com o Charlton no desempate por grandes penalidades (depois de 1-1 nos 90 minutos e sem evolução no prolongamento) e foi eliminado da Taça da Liga inglesa. No final "sabemos que dos quatro, este é o troféu menos importante. Mas não foi por isso que perdemos" . Pois é ano passado este troféu foi ganho pelo Chelsea e festejado profusamente. Este ano já o perdeu e ... é o troféu menos importante.

Mourinho já não nos surpreende. Se culpasse o seu defesa central Robert Huth (*) pela derrota - e no fundo a si próprio pela escolha deste em detrimento de Ricardo Carvalho - percebia-se, assim ... é a história da raposa e das uvas que afinal estavam verdes...

(*) Robert Huth ofereceu o empate ao Charlton e foi o jogador do Chelsea que falhou o "penalty" de desempate.

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Tempos-juncos Velimir Khlébnikov

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Juncos
(Source: http://blogs.ya.com/bikerin/ files/blog_juncos.jpg)

Tempos-juncos
Na margem do lago,
Onde as pedras são tempo,
Onde o tempo é de pedra.
No lago da margem,
Tempos, juncos,
Na margem do lago,
Santos, juntos

Velimir Khlébnikov (Russia, b. 28 Oct 1885; d. 28 Jun 1922)
Trad.: Augusto de Campos e Boris Schnaiderman
in Rosa do Mundo 2001 Poemas para o Futuro
Porto 2001 - Cidade Europeia da Cultura - Assírio & Alvim

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Vilancete - Rui de Noronha

Em vossas mãos pequeninas,
Mãos fininhas, de criança,
Quero pôr minha esperança.

Mãos pequenas, de boneca,
Mãos de cera, transparentes,
Mãos de fada, doces, quentes,
Tentadoras andorinhas.

Quem terá a dita um dia
De beijá-las com calor
E o seu coração depor
Em vossas mãos pequeninas?

Tão fracas, são levezinhas,
Parecem duas janelas.

Quem me diz se através delas
Ver o céu se não alcança?
Por todo esse mundo fora
Raras têm, ainda as mais moças,
Mãos tão finas como as vossas
Mãos fininhas de criança.

Mãos minúsculas, brinquedos
de Chaminé de Natal.

Mãos tranquilas, mãos sem mal,
Mãos de amor e confiança.
Abri-me essas mãos celestes,
Essas mãos de anjo inocente,
Nelas doida e cegamente.

Quero pôr minha esperança.

António Ruy de Noronha (n. Moçambique 28 Out 1909; m. Moçambique 25 Dez 1943)

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Por amar-te tanto - Rui de Noronha


Que culpa terei eu de amar-te assim?
Que culpa terás tu de o não saberes?
Quem adivinha o que se passa em mim?
Como hei-de adivinhar o que tu queres?

Oh! Corações secretos de mulheres!
Oh! Minhas ilusões, mágoas sem fim!
Porque hei-de eu ter só mágoas, não prazeres,
por tanto te querer, doce jasmim?

Tudo, que sob a luz do sol existe,
alegre é num momento e noutro triste,
só eu herdei apenas dor e pranto...

O mais humilde verme, que rasteja,
um outro tem, que o ama, afaga e beija
- e eu nada tenho por amar-te tanto...

António Ruy de Noronha (n. Moçambique 28 Out 1909; m. Moçambique 25 Dez 1943).

in A Circulatura do Quadrado - Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa - Edição UNICEPE - Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL - 2004

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