Blog Widget by LinkWithin

2013-05-14

Nostalgia - José Santos Chocano

Hace ya diez años
que recorro el mundo.
¡He vivido poco!
¡Me he cansado mucho!

Quien vive de prisa no vive de veras,
quien no echa raíces no puede dar frutos.

Ser río que recorre, ser nube que pasa,
sin dejar recuerdo ni rastro ninguno,
es triste y más triste para quien se siente
nube en lo elevado, río en lo profundo.

Quisiera ser árbol mejor que ser ave,
quisiera ser leño mejor que ser humo;
y al viaje que cansa
prefiero terruño;
la ciudad nativa con sus campanarios,
arcaicos balcones, portales vetustos
y calles estrechas, como si las casas
tampoco quisieran separarse mucho...
Estoy en la orilla
de un sendero abrupto.

Miro la serpiente de la carretera
que en cada montaña da vueltas a un nudo;
y entonces comprendo que el camino es largo,
que el terreno es brusco,
que la cuesta es ardua,
que el paisaje es mustio...
¡Señor! ¡Ya me canso de viajar! ¡Ya siento
nostalgia, ya ansío descansar muy junto
de los míos!... Todos rodearán mi asiento
para que les diga mis penas y mis triunfos;
y yo, a la manera del que recorriera
un álbum de cromos, contaré con gusto
las mil y una noches de mis aventuras
y acabaré en esta frase de infortunio:
—¡He vivido poco!
¡Me he cansado mucho!


José Santos Chocano Gastañodi (Lima, Perú, 14 de maio de 1875 - Santiago do Chile, 13 de julho de 1934)

Read More...

2013-05-13

A Tentação - Murilo Mendes

Diante do crucifixo
Eu paro pálido tremendo
“Já que és o Verdadeiro Filho de Deus
Desprega a humanidade desta cruz”.


Murilo Monteiro Mendes (n. em 13 de Maio de 1901 em Juíz de Fora, Minas Gerais — m. em Lisboa a 13 de agosto de 1975)

Ler do mesmo autor, neste blog:
Jandira
Metafísica da Moda Feminina
Choro do poeta actual

Read More...

2013-05-12

Poema de Aniversário - Alberto da Costa e Silva

De que céu, se o céu em que desfaço
as mãos em flores, que trazia, parte
hei de esperar que pare este mudar-se
de outras claras manhãs nesta tristeza?

Alto sonhamos com imóveis águas,
setembros permanentes, garças fixas,
mas os olhos e as mãos nada conquistam,
e enegrece na mesa a maçã limpa.

Carda o rude luar a lã noturna.
A vida é só, e o pranto, pequenino.
Que fazer deste rastro sem sentido
que vem ao homem e parte do menino?

Alberto Vasconcellos da Costa e Silva (São Paulo, 12 de maio de 1931)

Read More...

Abuses and awards - Andrei Voznesensky

A poet can't be in disfavour,
he needs no awards, no fame.
A star has no setting whatever,
no black nor a golden frame.

A star can't be killed with a stone, or
award, or that kind of stuff.
He'll bear the blow of a fawner
lamenting he's not big enough.

What matters is music and fervour,
not fame, nor abuse, anyway.
World powers are out of favour
when poets turn them away.

Translation by Alec Vagapov

Andrei Andreyevich Voznesensky, em russo Андре́й Андре́евич Вознесе́нский  (nasceu em Moscovo na então União Soviética a 12 de maio de 1933 e faleceu em Moscovo, Rússia, a 1 de junho de 2010)

Read More...

2013-05-11

ORAÇÕES DO AMOR - III - António Fogaça - Na passagem dos 150 anos do nascimento do poeta barcelense que só viveu 25 anos

Não sei o que tu pensas deste amor,
Nem, sequer, se um momento, um só que fosse,
Desejas dar alívio à imensa dor
Que esta paixão me trouxe...

É bem fundo e pesado o meu martírio
Em que a ansiedade é como um negro açoite;
Mas quem pode saber, formoso lírio,
O que o Sol pensa da Noite?!


António Maria Gomes Machado Fogaça (n. Barcelos, 11 Maio 1863, m. Coimbra, a 27 Nov. 1888).

«Fogaça foi um desses cedo-mortos que tiveram unicamente na arte como na vida, páginas de mocidade. A poesia de António Fogaça é quase sempre risonha de prazer, voluptuosa, quente d'amor lânguida e macia como essas peçasinhas que ele dóba para as suas amadas que, mesmo morrendo, ficam vivas para ele...» (Manoel de Sousa Pinto in Arte & Vida, nº. 1 - Novembro de 1904).

 Ler do mesmo autor neste blog: Desgostosa; Os Rouxinóis; Visão dum leito.

Read More...