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2017-02-16

DO BANHO - Adelmar Tavares


Manhã. Verão. Um sol rútilo, e quente.
Gritos das andorinhas no telhado.
Há no dia uma festa de noivado.
No ar, - um perfume que entontece a gente...

Do gabinete, no silêncio amado,
leio, e medito preguiçosamente.
Ouço cantar... És tu, meu lírio doente,
que vens do banho morno e perfumado.

Rumor de chita nova se quebrando...
Aromas de jasmins sobem revoltos,
enchendo a sala onde tu vais passando

e deixando uma música de avenas,
gorjeios claros de canários soltos,
frou-frou de cisnes sacudindo as pernas...

Adelmar Tavares da Silva Cavalcanti (n. Recife, Pernambuco, Brasil, 16 de fevereiro de 1888 — m. Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil, 20 de junho de 1963)