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2015-04-28

Terceiro Canto - Alberto de Oliveira

Cajás! Não é que lembra à Laura um dia
(Que dia claro! esplende o mato e cheira!)
Chamar-me para em sua companhia
Saboreá-los sob a cajazeira!

- Vamos sós? perguntei-lhe. E a feiticeira:
- Então! tens medo de ir comigo? - E ria.
Compõe as tranças, salta-me ligeira
Ao braço, o braço no meu braço enfia.

- Uma carreira! - Uma carreira! - Aposto!
A um sinal breve dado de partida,
Corremos. Zune o vento em nosso rosto.

Mas eu me deixo atrás ficar, correndo,
Pois mais vale que a aposta da corrida
Ver-lhe as saias a voar, como vou vendo.


Antônio Mariano Alberto de Oliveira (n. em Palmital de Saquarema (RJ) a 28 de Abril de 1857; m. em Niterói (RJ) em 19 de Janeiro de 1937).

Ler do mesmo autor, neste blog:
A Alma Dos Vinte Anos
Vaso Chinês
Beijos do Céu
Aspiração
A Vingança da Porta
Horas Mortas