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2011-06-19

Abandonadas - Roberto de Mesquita

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Old abandoned house


A velha casa, onde eu morei outrora
e que há muito está desabitada,
silenciosa envolveu-me, ao ver-me agora,
num triste olhar de amante abandonada.

Com que amargor no íntimo lhe chora
uma alma sensitiva e ignorada,
que não tem voz para queixar-se, embora
se veja só, de todos olvidada!

Casa deserta e fria, que envelheces
ao desamparo sem uma afeição,
bem sinto que me vês, que me conheces

e relembras os dias que lá vão...
Eu esqueci-te, amiga, e tu pareces
toda magoada dessa ingratidão.

in A Circulatura do Quadrado, Alguns dos Mais Belos Sonetos de Poetas cuja Mátria é a Língua Portuguesa, Edição Unicepe, Cooperativa Livreira de Estudantes do Porto, CRL , 2004

Augusto de Mesquita Henriques (n. em Santa Cruz das Flores, Açores a 19 de Jun 1871; m. em Santa Crus das Flores 31 Dez 1923)

Ler do mesmo autor neste blog:
Aves do Mar;
Universalidade II
Spleen