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2015-03-12

O Primeiro Dente - Bastos Tigre

A mamãe bate palmas de contente,
Do papai rejubila a alma festiva;
Cantam risos pelo ar... Que é que motiva
Essa emoção que alegra toda gente?

É que, abrindo a boquinha, sorridente,
Bebê, no róseo alvéolo da gengiva,
Deixou ver a promessa, a perspectiva,
O breve ensaio do primeiro dente.

Agora, a acompanhar-lhe o crescimento,
Dia a dia a mamãe enternecida
Terá para o dentinho o olhar atento.

Outro virá depois... outro em seguida...
E ei-lo, o Bebê, com o sólido instrumento
Com que no mundo se defende a vida!


Manuel Bastos Tigre nasceu em Recife, Pernambuco, a 12 de março de 1882 e faleceu em 1 de agosto de 1957 no Rio de Janeiro.

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2015-03-11

Na Aldeia - Gonçalves Crespo

Duas horas da tarde. Um sol ardente
nos colmos dardejando e nos eirados.
Sobreleva aos sussurros abafados
o grito das bigornas estridente.

A taberna é vazia; mansamente
treme o loureiro nos umbrais pintados;
zumbem à porta insectos variegados,
envolvidos do sol na luz tremente.

Fia à soleira uma velhinha: o filho
no céu mal acordou da aurora o brilho
saiu para os cansaços da lavoura.

A nora lava na ribeira, e os netos
ao longe correm seminus, inquietos,
no mar ondeante da seara loura.


in Poemas Portugueses Antologia das Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI, Porto Editora

António Cândido GONÇALVES CRESPO nasceu nos subúrbios do Rio de Janeiro a 11 de março de 1846 e morreu, tuberculoso, em Lisboa, a 11 de junho de 1883.

Ler do mesmo autor:
A Noiva
O Relógio
Nunca eu te lesse, balada!
Na Roça
Mater Dolorosa
O Coveiro

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2015-03-10

Disse-te adeus e morri - Vasco de Lima Couto (na voz de Amália Rodrigues)



Disse-te adeus e morri
E o cais vazio de ti
Aceitou novas marés.
Gritos de búzios perdidos
Roubaram dos meus sentidos
A gaivota que tu és.

Gaivota de asas paradas
Que não sente as madrugadas
E acorda noite a chorar.
Gaivota que faz o ninho
Porque perdeu o caminho
Onde aprendeu a sonhar.

Preso no ventre do mar
O meu triste respirar
Sofre a invenção das horas,
Pois na ausência que deixaste,
Meu amor, como ficaste,
Meu amor, como demoras.


Vasco de Lima Couto (Porto, 26 de Novembro de 1923 - Lisboa, 10 de Março de 1980)

Do mesmo autor ler (e ouvir) no Nothingandall:
Noite na voz de António Mourão
Retrato
Pomba Branca na voz de Max e no duo Paulo de Carvalho + Dulce Pontes

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2015-03-09

DO ALTO MAR - Álvaro Feijó


Tripulação!
às gáveas e às enxárcias;
ao leme e aos cordames;
atenta à tempestade
que anda no Mar
e vai
no nosso coração.

Tripulação!
Ajuda a tempestade...
Deixa ruir o mastro da mesena!
Lança à boca das ondas o sextante!
Deixa ao sabor das vagas o navio!
Não tenhas pena!

Quando haja só convés ao raso de água:
Tripulação...
Atenta.


Álvaro de Castro e Sousa Correia Feijó (nascido a 5 de junho de 1916, em Viana do Castelo, morreu em Coimbra a 9 de março de 1941)

Ler do mesmo autor:
Natal
Os Dois Sonetos de Amor da Hora Triste
A Nau Perdida
Senhor! De que Valeu o Sacrifício?
Se os Homens Quisessem

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2015-03-07

As Time Goes By - Fernando Tavares Rodrigues

Como o
tempo passa
Enquanto ficamos sós...
Passamos nós pelo tempo
Ou passa o tempo por nós?
Bebamos os dois á taça
O que afinal sou eu só
- ambígua raiva, duelo,
dualidade num só.

Fernando Jácome de Castro Tavares Rodrigues (nasceu em Lisboa, no dia 7 de Março de 1954 e faleceu em 1 de março de 2006)

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